2002.Dez.09
Habari rafiki zetu! (Olá amigos nossos!)
Cá estamos mais uma vez, a dar-vos conta das nossas andanças.
Depois de um fim-de-semana missionário, tivemos o que se chama um dia
turístico!
Fomos visitar um dos 4 grandes parques naturais que a Tanzânia tem:
o Parque Nacional do Ruaha.
Este Parque fica na zona central da Tanzânia, cobre uma área
de 12950km^2, é o segundo maior parque nacional e fica situado no Rift
Valley.
Dos alunos residentes aqui no centro, só eu o Paulo e o Andy é
que fomos.
A partida foi às 7.00 da manhã (com uma hora de atraso do previsto)
pois de Iringa até ao Parque ainda são entre duas a três
horas de caminho.
O tempo estava agradável, mas assim que começamos a descer em
direcção ao Rift Valley começou-se a sentir mais calor
:) !
Logo à chegada, e ainda antes de entrarmos verdadeiramente no parque,
vimos os primeiros animais: hipopótamos (kiboko – hippopotamus amphibius).
Deviam estar a descansar por causa do calor, e nem se dignaram a levantar
a cabeça!
Lá fomos pagar as entradas e comprar um mapa do Parque para nos pormos a caminho. Os guardas avisaram-nos logo que seria muito difícil ver leões, leopardos e chitas pois já era tarde. A melhor hora para ver esse tipo de animais é durante o amanhecer, ou o entardecer.
![]()
Mas quanto a girafas e elefantes não devia haver problema.
E realmente, girafas não faltaram.
Cada uma mais bonita do que a outra, e algumas até parecia que se punham
em pose para a fotografia.

Junto com as girafas (twiga – giraffa camelopardalis), estavam também
gazelas (swala – gazella granti), apesar de um bocadinho mais assustadas que
as suas amigas grandes
Mas o Parque não é famoso só pelos seus animais,
também o é pelos seus pássaros. E como tal, tivemos a
sorte de avistar algumas águias (mwewe samaki – haliaeetus vocifer).
No entanto, aquele que mais vezes avistamos foram galinhas da Guiné
(kanga ou chepeo – guterra edouardi). A maior parte destes pássaros
encontrava-se debaixo das partes e dificilmente se vêem a voar, preferindo
antes correr, seja para fugir a inimigos que se aproximam, seja para simplesmente
atravessar a estrada :)!

A paisagem do Parque reflectia bem a época seca, em que nos encontrávamos.
Aliás, até existem dois “rios de areia” bastante grandes.
Só muito raramente se via um riachozinho de água.
A hora do almoço estava a aproximar-se. Parámos num dos vários
pontos de descanso que existem ao longo do parque e comemos da merenda que
nos tinham preparado.
Enquanto descansávamos um bocadinho comentávamos que ainda não
tínhamos visto elefantes!
Após tornarmos a por tudo no jipe, retomámos o caminho e, qual
não é o nosso espanto, uma família de elefantes (tembo
– loxodonta africana) à nossa frente! Pai, mãe e filhote.

Outro animal bastante visível neste parque é o “greater kudu”
(tandala – tragelaphus strepsiceros). Os cornos do macho são em espirais
espectaculares e podem crescer até aos 180cm.
Mas a nossa verdadeira aventura ainda estava para começar!
Ao atravessar um dos rios de areia, o nosso jipe ficou preso.
Não havia ninguém por ali para ajudar a rebocar o carro e de
cada vez que as rodas giravam, mais afundado o carro ia ficando…
Era uma da
tarde e o sol estava a pino, estava a ficar complicado…
Finalmente lá se consegui arranjar uns pedacitos de madeira, para servir
de alavanca. Entretanto o Paulo e o Andy fartaram-se de escavar e, com a ajuda
do nosso guia lá conseguiram por os toros debaixo das rodas.
Estivemos nisto perto de duas horas! Por madeira e pedras, dar à chave
e empurrar. Muito lentamente o carro foi avançando. Mas mesmo muito
lentamente!
Até que finalmente lá conseguimos por o carro na outra margem
do rio. Para grande infelicidade de um abutre (tai – gyps africanus) que esperava
pacientemente no cimo de uma árvore!
Para nossa grande felicidade, tornámos a ver elefantes. E desta vez
era uma manada considerável! Não nos demoramos muito tempo a
admirá-los, pois havia algumas crias e um dos machos não estava
lá muito satisfeito com a nossa presença.
Outro animal bastante popular por estes lados é a zebra (punda milia
– equus burchelli).
Também tivemos oportunidade de ver bastantes.

Dos cinco grandes mamíferos que são símbolo deste parque
(elefante, búfalo, leão, chita e leopardo); ainda só
tínhamos visto elefantes. Queríamos muito ver leões e
os outros dois felinos, mas não devia ser o dia deles!
Quando nos cruzávamos com outros jipes, a pergunta era sempre a mesma:
Simba? (leão) e a resposta também não variava: Hapana!
(não há).
O tempo começava a apertar pois tínhamos de sair do parque
até às sete da tarde.
Ainda assim, o nosso guia levou-nos por outro trilho, para tentar a sorte,
e conseguimos avistar uma manada de búfalos (nyati – syncerus caffer)
com os seus respectivos pássaros nas costas “oxpecker” (toboa-ng’ombe
– buphagus).
Se pensarmos que há turistas que pagam bastante dinheiro para pernoitarem
no parque e terem oportunidade de verem os “cinco grandes” e nem sequer um
elefante conseguem avistar, então nós tivemos muito sorte pois
vimos 2/5 deles :)!
O sol estava a começar a baixar e a dar uma tonalidade arrosada ao céu. Era sinal que tínhamos que ir embora.
Tinha sido um dia em cheio! Um bom safari!
À saída do parque ainda deu tempo para mais uma fotografia
e depois, foi “sempre a abrir”!
Tendo em conta a “qualidade” das estradas, estão a imaginar como correu
bem a viagem!
Chegámos à escola pouco depois das nove da noite, mais moídos
que farinha, cheios de pó, mas super felizes!
A nossa sorte é que era sexta-feira e, além disso, na semana
seguinte teríamos férias!! Ou seja, iria dar para recuperar
o cansaço!
Não se pode dizer que não tenha sido um bom começo de
férias!!
E por hoje é tudo, espero que tenham gostado deste pequeno safari!
Até breve,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania