abril 01, 2004

Newsletter #3

2002.Dez.09
Habari rafiki zetu! (Olá amigos nossos!)

Cá estamos mais uma vez, a dar-vos conta das nossas andanças.
Depois de um fim-de-semana missionário, tivemos o que se chama um dia turístico!
Fomos visitar um dos 4 grandes parques naturais que a Tanzânia tem: o Parque Nacional do Ruaha.
Este Parque fica na zona central da Tanzânia, cobre uma área de 12950km^2, é o segundo maior parque nacional e fica situado no Rift Valley.

Dos alunos residentes aqui no centro, só eu o Paulo e o Andy é que fomos.
A partida foi às 7.00 da manhã (com uma hora de atraso do previsto) pois de Iringa até ao Parque ainda são entre duas a três horas de caminho.
O tempo estava agradável, mas assim que começamos a descer em direcção ao Rift Valley começou-se a sentir mais calor :) !

Logo à chegada, e ainda antes de entrarmos verdadeiramente no parque, vimos os primeiros animais: hipopótamos (kiboko – hippopotamus amphibius). Deviam estar a descansar por causa do calor, e nem se dignaram a levantar a cabeça!

Lá fomos pagar as entradas e comprar um mapa do Parque para nos pormos a caminho. Os guardas avisaram-nos logo que seria muito difícil ver leões, leopardos e chitas pois já era tarde. A melhor hora para ver esse tipo de animais é durante o amanhecer, ou o entardecer.

Mas quanto a girafas e elefantes não devia haver problema.
E realmente, girafas não faltaram.
Cada uma mais bonita do que a outra, e algumas até parecia que se punham em pose para a fotografia.



Junto com as girafas (twiga – giraffa camelopardalis), estavam também gazelas (swala – gazella granti), apesar de um bocadinho mais assustadas que as suas amigas grandes




Mas o Parque não é famoso só pelos seus animais,
também o é pelos seus pássaros. E como tal, tivemos a sorte de avistar algumas águias (mwewe samaki – haliaeetus vocifer).



No entanto, aquele que mais vezes avistamos foram galinhas da Guiné (kanga ou chepeo – guterra edouardi). A maior parte destes pássaros encontrava-se debaixo das partes e dificilmente se vêem a voar, preferindo antes correr, seja para fugir a inimigos que se aproximam, seja para simplesmente atravessar a estrada :)!


A paisagem do Parque reflectia bem a época seca, em que nos encontrávamos.
Aliás, até existem dois “rios de areia” bastante grandes.
Só muito raramente se via um riachozinho de água.

A hora do almoço estava a aproximar-se. Parámos num dos vários pontos de descanso que existem ao longo do parque e comemos da merenda que nos tinham preparado.
Enquanto descansávamos um bocadinho comentávamos que ainda não tínhamos visto elefantes!
Após tornarmos a por tudo no jipe, retomámos o caminho e, qual não é o nosso espanto, uma família de elefantes (tembo – loxodonta africana) à nossa frente! Pai, mãe e filhote.

Outro animal bastante visível neste parque é o “greater kudu” (tandala – tragelaphus strepsiceros). Os cornos do macho são em espirais espectaculares e podem crescer até aos 180cm.




Mas a nossa verdadeira aventura ainda estava para começar!
Ao atravessar um dos rios de areia, o nosso jipe ficou preso.
Não havia ninguém por ali para ajudar a rebocar o carro e de cada vez que as rodas giravam, mais afundado o carro ia ficando… Era uma da tarde e o sol estava a pino, estava a ficar complicado…
Finalmente lá se consegui arranjar uns pedacitos de madeira, para servir de alavanca. Entretanto o Paulo e o Andy fartaram-se de escavar e, com a ajuda do nosso guia lá conseguiram por os toros debaixo das rodas.
Estivemos nisto perto de duas horas! Por madeira e pedras, dar à chave e empurrar. Muito lentamente o carro foi avançando. Mas mesmo muito lentamente!
Até que finalmente lá conseguimos por o carro na outra margem do rio. Para grande infelicidade de um abutre (tai – gyps africanus) que esperava pacientemente no cimo de uma árvore!
 

Para nossa grande felicidade, tornámos a ver elefantes. E desta vez era uma manada considerável! Não nos demoramos muito tempo a admirá-los, pois havia algumas crias e um dos machos não estava lá muito satisfeito com a nossa presença.


Outro animal bastante popular por estes lados é a zebra (punda milia – equus burchelli).
Também tivemos oportunidade de ver bastantes.





Dos cinco grandes mamíferos que são símbolo deste parque (elefante, búfalo, leão, chita e leopardo); ainda só tínhamos visto elefantes. Queríamos muito ver leões e os outros dois felinos, mas não devia ser o dia deles!
Quando nos cruzávamos com outros jipes, a pergunta era sempre a mesma: Simba? (leão) e a resposta também não variava: Hapana! (não há).
 

O tempo começava a apertar pois tínhamos de sair do parque até às sete da tarde.
Ainda assim, o nosso guia levou-nos por outro trilho, para tentar a sorte, e conseguimos avistar uma manada de búfalos (nyati – syncerus caffer) com os seus respectivos pássaros nas costas “oxpecker” (toboa-ng’ombe – buphagus).

Se pensarmos que há turistas que pagam bastante dinheiro para pernoitarem no parque e terem oportunidade de verem os “cinco grandes” e nem sequer um elefante conseguem avistar, então nós tivemos muito sorte pois vimos 2/5 deles :)!

O sol estava a começar a baixar e a dar uma tonalidade arrosada ao céu. Era sinal que tínhamos que ir embora.

Tinha sido um dia em cheio! Um bom safari!

À saída do parque ainda deu tempo para mais uma fotografia e depois, foi “sempre a abrir”!
Tendo em conta a “qualidade” das estradas, estão a imaginar como correu bem a viagem!
Chegámos à escola pouco depois das nove da noite, mais moídos que farinha, cheios de pó, mas super felizes!

A nossa sorte é que era sexta-feira e, além disso, na semana seguinte teríamos férias!! Ou seja, iria dar para recuperar o cansaço!
Não se pode dizer que não tenha sido um bom começo de férias!!

E por hoje é tudo, espero que tenham gostado deste pequeno safari!

Até breve,

Teresa e Paulo
LMC
Tanzania

Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:29 PM
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