abril 01, 2004

Newsletter #4

2002.Dez.18
Olá a todos,

Vamos então dar conta do que foi o resto das nossas (curtas) férias e também o fim do nosso tempo de estudo.

Esta semana de férias passou a correr!! Aproveitámos para estudar mais um bocadinho, mas na quarta-feira fomos até à Casa Regional, onde o Pe. Gianni estava às voltas com o novo “magazine” que vai sair em Janeiro do próximo ano. Aproveitámos para dizer que quem dizer assinar, é só dizer :)!
Durante a tarde chegou o Pe. George, que nós já tínhamos conhecido no Quénia.

Enquanto eu fiquei a tentar dar uma ajuda ao Pe. Gianni com o computador, o Paulo aproveitou e deu um salto a Mgongo com o Pe. George.
Por volta das seis da tarde fui a casa das Irmãs da Consolata para a celebração da Eucaristia onde se festejou os 60 anos de Profissão de uma das Irmãs. Esta é a casa das Irmãs idosas, Irmãs que dedicaram toda a sua vida a Consolar os mais fracos, os mais pobres, os mais necessitados. Entre elas está também uma Irmã que já fez 75 anos de África!! Conseguem imaginar o que isso é? É formidável!!

Entretanto, o Paulo não teve uma boa experiência em Mgongo. Quando lá chegaram, foi praticamente jantar e regressar à cidade pois tiveram que ir ao hospital, ver como estava um dos alunos, um rapaz dos seus 17 anos, da Escola Técnica, que no dia anterior tinha cortado os 4 dedos da mão esquerda. Ele estava a trabalhar com as máquinas, a cortar um tronco quando, num abrir e fechar de olhos a máquina apanhou-lhe os dedos. Foi imediatamente para o hospital mas, apesar de o professor ainda ter levado os dedos, nada se pôde fazer! Estamos em África e não na Europa, e no hospital não havia maneira de amputar os dedos!! Foi uma situação muito desagradável, pois apesar de ter sido a esquerda, é muito difícil trabalhar só com uma mão.
No dia seguinte levantámo-nos cedo, pois as laudes e a eucaristia são às 6.20 da manhã. Por volta das 9.30 fomos com o Pe. George até Tosamaganga, até ao cemitério onde está enterrado o Pe. Alex que faleceu juntamente com o nosso Pe. Paulino na Àfrica do Sul.
Nesta tarde foi a vez do Paulo ir às Irmãs com o Pe. Gianni, enquanto eu fiquei na Casa Regional para rezar as Vésperas e o terço com as duas Irmãs que fazem parte desta comunidade: a Irmã Domízia, que tem 92 anos, e a Irmã Bruna que tem perto de 80. Não se deixem enganar pela idade!! Estas duas Irmãs são bastante activas e são quem coordena as meninas/senhoras que trabalham na Casa; seja na cozinha ou na arrumação da casa!

Sexta-feira de manhã, chegou a hora de regressar à escola, pois as férias estavam a acabar :(. Mas partimos contentes pois estávamos um bocadinho mais fortalecidos por termos partilhado e vivido estes dias junto com os “nossos”.

Os dias lá se foram passando entre aulas e estudos! Num dos fins-de-semana, fomos escalar uma rocha muito grande que existe aqui em Iringa – Gangilonga. Fomos com um casal de americanos que tínhamos conhecido na escola.
Para lá chegar temos que subir por entre duas rochas, bem apertadinhas! Mas depois de chegar ao cimo… a vista é algo de formidável! Dá para ver a cidade toda! Outra particularidade desta pedra, é que ela fica, por assim dizer, nas traseiras da Casa Regional.


Se para subir custou um bocadinho, imaginem o descer!
Lá continuámos a “explorar o sítio e, vejam lá, ainda conseguimos ver macacos!! Muito tímidos, mas sempre deu para “apanhar” alguns com a câmara ?.

Durante o mês de Novembro, começamos a ter o que se chama de aulas práticas.
Fomos a casa de um Tanzaniano, treinar o nosso kiswahili.

Visitámos um orfanato que ficava perto da escola (pertença da Igreja Luterana), onde ficámos a saber que menos de 10% das crianças órfãs, abandonadas e de rua, na zona de Iringa, recebem algum tipo de apoio das poucas Instituições que existem, “Faraja House” incluída.

E, já no fim do mês, uma aula de culinária! Passámos toda a manhã a aprender a preparar e cozinhar alguma da típica comida tanzaniana, com os utensílios que são utilizados. Desde a escolha da arroz, o moer das especiarias, o partir e ralar do coco, até ao matar da galinha. Tudo isto foi muito bem preparado pois no fim foi o nosso almoço ?! Mas as imagens falam por si:

Professora Mariam
 a escolher o arroz
Eu e a Suzy a moer gengibre Eu a ralar o coco e o resultado semi-final O Paulo num
momento de brincadeira
com o Professor Tumku
Esparguete com açúcar

 

As alunas e professoras (os alunos estavam a tirar as fotos!)
E o resultado final: O almoço foi partilhado por todos, alunos e professores, à excepção de 5 professores que, sendo muçulmanos e estando em pleno Ramadão, não se juntaram a nós.
E para terminar só falta dizer que, obviamente, comemos com as mãos e sentados no chão.

No dia seguinte, sábado, era o “Dia da Graduação” na escola técnica de Mgongo.
Fomos à celebração e à cerimónia de entrega dos diplomas com o Pe. Inverardi e acompanhados também do Pe. Diego, o anterior responsável pelos Leigos para o Instituto que está de partida novamente para a Coreia do Sul, e vai para a mesma comunidade onde está o português Pe. Álvaro.

A celebração foi, mais uma vez, muito bela, com cantos e danças, realizadas por crianças da aldeia.

No fim da celebração seguiu-se o almoço e, após um curto descanso, assistimos à entrega dos diplomas aos alunos finalistas e a um show realizado pelos meninos/jovens da “Faraja House” que, além de danças tradicionais, também cantaram algum rap; em kiswahili como é lógico.

Aqui estão os alunos finalistas, nas artes de carpintaria, sapataria (e bolas e malas em pele) e serralharia.
E eis-nos finalmente chegados ao tão esperado dia, 4 de Dezembro, dia em que, terminámos o curso de kiswahili. Juntamente com nós os dois, mais alguns alunos faziam o encerramento oficial.
Durante a manhã, após uma curta avaliação, começámos a arrumar as malas, pois nessa tarde sairíamos da escola.
Algumas professoras enfeitaram a sala das refeições com flores e até o cozinheiro fez alguns desenhos.

Estava tudo pronto para um almoço de festa, e para a entrega dos diplomas. Até bolo havia, com os nomes dos alunos finalistas!!
Neste momento temos que vos confessar uma coisa: verdadeiramente, só eu e o Paulo é que terminávamos naquele dia. Alguns alunos continuariam até ao fim da semana, e outros ainda teriam mais uma semana inteira de aulas. No entanto, para a festa não ser só para nós os 2, fez-se tudo no mesmo dia. Além de que assim, não parecia tão mal uma festa tão grande.
É que, modéstia à parte, nós os dois deixámos uma “marca” naquela escola. Todos eram muitos simpáticos e nós sempre retribuímos essa simpatia. Acho que Portugal, os católicos, e os Leigos da Consolata irão ser lembrados naquela escola Baptista, por algum tempo!

E prontos, entregaram-se os diplomas, comeu-se o bolo e tiraram-se as últimas fotos.
Estava na hora de partir, foram 4 meses bem passados e novas amizades foram feitas, mas o trabalho esperava-nos!
Não vamos dizer que já sabemos tudo da língua, mas acho que se pode fazer uma comparação com aprender a conduzir. Só depois do exame feito, quando nos metemos à estrada, é que verdadeiramente aprendemos!
Uma das nossas melhores professoras, Levina, por sinal a única professora católica lá a trabalhar!

Por volta das 5 horas, o Pe. Gianni veio-nos buscar e fomos para a casa Regional. A nossa verdadeira missão estava prestes a começar…

Teresa e Paulo
Lmc
Tanzânia

 

Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:31 PM
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