2002.Dez.18
Olá a todos,
Vamos então dar conta do que foi o resto das nossas (curtas) férias e também o fim do nosso tempo de estudo.
Esta semana de férias passou a correr!! Aproveitámos para estudar
mais um bocadinho, mas na quarta-feira fomos até à Casa Regional,
onde o Pe. Gianni estava às voltas com o novo “magazine” que vai sair
em Janeiro do próximo ano. Aproveitámos para dizer que quem
dizer assinar, é só dizer :)!
Durante a tarde chegou o Pe. George, que nós já tínhamos
conhecido no Quénia.
Enquanto eu fiquei a tentar dar uma ajuda ao Pe. Gianni com o computador,
o Paulo aproveitou e deu um salto a Mgongo com o Pe. George.
Por volta das seis da tarde fui a casa das Irmãs da Consolata para
a celebração da Eucaristia onde se festejou os 60 anos de Profissão
de uma das Irmãs. Esta é a casa das Irmãs idosas, Irmãs
que dedicaram toda a sua vida a Consolar os mais fracos, os mais pobres, os
mais necessitados. Entre elas está também uma Irmã que
já fez 75 anos de África!! Conseguem imaginar o que isso é?
É formidável!!
Entretanto, o Paulo não teve uma boa experiência em Mgongo.
Quando lá chegaram, foi praticamente jantar e regressar à cidade
pois tiveram que ir ao hospital, ver como estava um dos alunos, um rapaz dos
seus 17 anos, da Escola Técnica, que no dia anterior tinha cortado
os 4 dedos da mão esquerda. Ele estava a trabalhar com as máquinas,
a cortar um tronco quando, num abrir e fechar de olhos a máquina apanhou-lhe
os dedos. Foi imediatamente para o hospital mas, apesar de o professor ainda
ter levado os dedos, nada se pôde fazer! Estamos em África e
não na Europa, e no hospital não havia maneira de amputar os
dedos!! Foi uma situação muito desagradável, pois apesar
de ter sido a esquerda, é muito difícil trabalhar só
com uma mão.
No dia seguinte levantámo-nos cedo, pois as laudes e a eucaristia são
às 6.20 da manhã. Por volta das 9.30 fomos com o Pe. George
até Tosamaganga, até ao cemitério onde está enterrado
o Pe. Alex que faleceu juntamente com o nosso Pe. Paulino na Àfrica
do Sul.
Nesta tarde foi a vez do Paulo ir às Irmãs com o Pe. Gianni,
enquanto eu fiquei na Casa Regional para rezar as Vésperas e o terço
com as duas Irmãs que fazem parte desta comunidade: a Irmã Domízia,
que tem 92 anos, e a Irmã Bruna que tem perto de 80. Não se
deixem enganar pela idade!! Estas duas Irmãs são bastante activas
e são quem coordena as meninas/senhoras que trabalham na Casa; seja
na cozinha ou na arrumação da casa!
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Sexta-feira de manhã, chegou a hora de regressar à escola,
pois as férias estavam a acabar :(. Mas partimos contentes pois estávamos
um bocadinho mais fortalecidos por termos partilhado e vivido estes dias junto
com os “nossos”.
Os dias lá se foram passando entre aulas e estudos! Num dos fins-de-semana,
fomos escalar uma rocha muito grande que existe aqui em Iringa – Gangilonga.
Fomos com um casal de americanos que tínhamos conhecido na escola.
Para lá chegar temos que subir por entre duas rochas, bem apertadinhas!
Mas depois de chegar ao cimo… a vista é algo de formidável!
Dá para ver a cidade toda! Outra particularidade desta pedra, é
que ela fica, por assim dizer, nas traseiras da Casa Regional.

Se para subir custou um bocadinho, imaginem o descer!
Lá continuámos a “explorar o sítio e, vejam lá,
ainda conseguimos ver macacos!! Muito tímidos, mas sempre deu para
“apanhar” alguns com a câmara ?.
Durante o mês de Novembro, começamos a ter o que se chama de
aulas práticas.
Fomos a casa de um Tanzaniano, treinar o nosso kiswahili.
Visitámos um orfanato que ficava perto da escola (pertença
da Igreja Luterana), onde ficámos a saber que menos de 10% das crianças
órfãs, abandonadas e de rua, na zona de Iringa, recebem algum
tipo de apoio das poucas Instituições que existem, “Faraja House”
incluída.
E, já no fim do mês, uma aula de culinária! Passámos toda a manhã a aprender a preparar e cozinhar alguma da típica comida tanzaniana, com os utensílios que são utilizados. Desde a escolha da arroz, o moer das especiarias, o partir e ralar do coco, até ao matar da galinha. Tudo isto foi muito bem preparado pois no fim foi o nosso almoço ?! Mas as imagens falam por si:
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| Professora Mariam a escolher o arroz |
Eu e a Suzy a moer gengibre | Eu a ralar o coco | e o resultado semi-final | O Paulo num momento de brincadeira com o Professor Tumku |
Esparguete com açúcar
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As alunas e professoras (os alunos estavam a tirar as fotos!)
E o resultado final:
O almoço foi partilhado por todos, alunos e professores, à excepção
de 5 professores que, sendo muçulmanos e estando em pleno Ramadão,
não se juntaram a nós.
E para terminar só falta dizer que, obviamente, comemos com as mãos
e sentados no chão.
No dia seguinte, sábado, era o “Dia da Graduação” na
escola técnica de Mgongo.
Fomos à celebração e à cerimónia de entrega
dos diplomas com o Pe. Inverardi e acompanhados também do Pe. Diego,
o anterior responsável pelos Leigos para o Instituto que está
de partida novamente para a Coreia do Sul, e vai para a mesma comunidade onde
está o português Pe. Álvaro.
A celebração foi, mais uma vez, muito bela, com cantos e danças,
realizadas por crianças da aldeia.
No fim da celebração seguiu-se o almoço e, após um curto descanso, assistimos à entrega dos diplomas aos alunos finalistas e a um show realizado pelos meninos/jovens da “Faraja House” que, além de danças tradicionais, também cantaram algum rap; em kiswahili como é lógico.
Aqui estão os alunos finalistas, nas artes de carpintaria, sapataria
(e bolas e malas em pele) e serralharia.
E eis-nos finalmente chegados ao tão esperado dia, 4 de Dezembro, dia
em que, terminámos o curso de kiswahili.
Juntamente com nós
os dois, mais alguns alunos faziam o encerramento oficial.
Durante a manhã, após uma curta avaliação, começámos
a arrumar as malas, pois nessa tarde sairíamos da escola.
Algumas professoras enfeitaram a sala das refeições com flores
e até o cozinheiro fez alguns desenhos.
Estava tudo pronto para um almoço de festa, e para a entrega dos diplomas.
Até bolo havia, com os nomes dos alunos finalistas!!
Neste momento temos que vos confessar uma coisa: verdadeiramente, só
eu e o Paulo é que terminávamos naquele dia. Alguns alunos continuariam
até ao fim da semana, e outros ainda teriam mais uma semana inteira
de aulas. No entanto, para a festa não ser só para nós
os 2, fez-se tudo no mesmo dia. Além de que assim, não parecia
tão mal uma festa tão grande.
É que, modéstia à parte, nós os dois deixámos
uma “marca” naquela escola. Todos eram muitos simpáticos e nós
sempre retribuímos essa simpatia. Acho que Portugal, os católicos,
e os Leigos da Consolata irão ser lembrados naquela escola Baptista,
por algum tempo!
E prontos, entregaram-se os diplomas, comeu-se o bolo e tiraram-se as últimas
fotos.
Estava na hora de partir, foram 4 meses bem passados e novas amizades foram
feitas, mas o trabalho esperava-nos!
Não vamos dizer que já sabemos tudo da língua, mas acho
que se pode fazer uma comparação com aprender a conduzir. Só
depois do exame feito, quando nos metemos à estrada, é que verdadeiramente
aprendemos!
Uma das nossas melhores professoras, Levina, por sinal a única professora
católica lá a trabalhar!
Por volta das 5 horas, o Pe. Gianni veio-nos buscar e fomos para a casa Regional. A nossa verdadeira missão estava prestes a começar…
Teresa e Paulo
Lmc
Tanzânia
Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:31 PM