2003.Mar.11
Olá a todos
Cá estamos mais uma vez a dar-vos notícias deste “cantinho” do mundo.
O mês de Fevereiro é o mais pequeno do ano, para condizer também pouca coisa se
passou por cá. Entre aulas, trabalhos e pouca água o mês passou a correr.
Como não tem chovido muito, o nosso “pintor oficial”, Isaya, tem aproveitado para colorir mais um pouco as paredes da Faraja.
O Isaya é o da esquerda e faz os desenhos só olhando para o papel. A maior
parte das paredes da Faraja estão decoradas com desenhos dele.
Dia 14 de Fevereiro era o dia de S. Valentim. No dia anterior recebemos de Portugal, para grande espanto nosso por ter chegado a tempo, alguma correspondência alusiva e, dos Correios onde eu trabalhava, dois postais para nós trocarmos; que a minha chefe e a minha colega de trabalho acharam por bem nos mandar!
No dia seguinte estivemos com o pensamento em Portugal pois estava-se a realizar a XIII Peregrinação da Consolata a Fátima. Mais uma vez demos graças pelas novas tecnologias que nos permitiram estar um bocadinho mais perto daqueles que nos são queridos. Nós aqui festejamos o dia do Beato José Allamano, 16 de Fevereiro, de uma forma muito simples. No domingo tivemos uma pequena celebração eucarística festiva; almoçámos com Pe. Júlio e o Irmão Bonifácio, pois o Pe. Franco tinha-se deslocado a Dar-es-Salaam; e jantámos na Faraja com os rapazes.
Na quarta-feira o Pe. Franco regressou com a mãe e duas senhoras irmãs amigas. A mãe do Pe. Franco, D. Rita, é uma senhora de 85 anos que, além de ter dado dois filhos para as missões (o irmão do Pe. Franco é missionário da Consolata na Etiópia) tem passado bastante do seu tempo também a trabalhar nas missões. Desta vez está a fazer as coberturas para os colchões para os alunos da escola técnica (são perto de 60). As outras duas senhoras contribuíram com bastante ajuda monetária para a construção da escola primária de Mgongo.
As duas irmãs estão na ponta, D. Rita está no meio.
A escola, foi construída pela Consolata mas pertence ao estado. O objectivo
foi o de permitir que as crianças da Faraja tivessem uma escola que pudessem
frequentar que ficasse mais perto de casa.

Para mostrarem o seu agradecimento. A escola preparou uma pequena celebração.
Com danças, cantos e até uma galinha, a aldeia mostrou o seu reconhecimento a
quem tanto os ajudou.
Um grupo de alunas executa uma dança, enquanto o Ombeni marca o ritmo.
Duas crianças oferecem uma galinha para o almoço, sob o olhar atento do pe.
Franco e da Professora Annete
Á parte os trabalhos com os miúdos, e algumas celebrações, as nossas aulas na
escola técnica e na escola primária começaram.
O Paulo não tem grandes problemas no ensino da Bíblia. Além da formação que ele
já tem, também tem guias por onde “seguir a matéria”. E na escola primária, onde
ele dá catequese, também tem 15 anos de experiência e um guia para o ajudar.
Claro que o pouco domínio (ainda) da língua atrapalha um bocadinho, mas nada de
mais. Entre desenhos e jogo do enforcado para revisões (aos mais pequenos), até
um bocadinho de história e geografia (para todos), mais a ajuda do dicionário,
as aulas estão a correr bem.
Quanto a mim já é mais complicado. Quando pensei que a matemática seria a disciplina que me iria dar problemas, enganei-me bem! Apesar de ter que explicar as coisas em kiswahili e o livro que estou a seguir ser todo em Inglês, os alunos estão a acompanhar medianamente a matéria. Digo medianamente pois ainda não consegui que todos eles percebessem que precisam de copiar para o caderno a matéria e os exercícios que eu faço no quadro. Outro pormenor é que os alunos do 2º ano estão mais bem preparados que os do 3º. O que me leva ao Inglês: no início das aulas dei um teste diagnóstico de gramática a estes dois anos. O teste era igual e, qual não foi o meu espanto, quando verifiquei que os resultados eram, no geral, melhores no 2º ano do que no 3º. Conclusão: estou a dar a mesma matéria aos dois anos! Outra dificuldade é a falta de vocabulário que todos têm, isto torna-se especialmente grave quando eu estou a explicar algo e eles acabam por não perceber sequer o que é que eu estou a dizer. Tendo em conta que supostamente deveria usar só o Inglês nestas aulas… Mas o que me deixa algo frustrada é que se eu pergunto se perceberam, ou dizem que sim, ou não dizem nada (que é o mais comum). Assim como se eu chamar algum aluno para vir ao quadro fazer um exercício leva sempre mais de 2 minutos a decidirem-se a levantar (quase só falta eu ir ao lugar buscá-los pelo braço :-/ ). Se levarmos em conta que as aulas demoram 40 minutos apenas (já estou mesmo a ver muita a gente a pensar que aqui é que é bom :) e cada disciplina só tem duas aulas por semana, não há grande oportunidade de aprender muito!
No entanto estou confiante de que com o tempo as coisas irão melhorar. Aliás, o meu objectivo para este ano será ensinar o melhor que puder o 3º ano, para que o pouco que eles sabem, saibam-no bem; e preparar uma espécie de programa a seguir ao longo dos três anos de curso. Para estas duas disciplinas não há programa oficial a seguir nem exames do estado para fazer no final do curso. Fica tudo ao critério dos professores responsáveis. Neste caso são eu que, aos poucos, tenho que ver as necessidades de aprendizagem que eles têm (neste momento o lema é: pouco mas bem) e fazer todo o tipo de avaliações.
Outro problema que nos começa a afligir é a pouca chuva que tem caído, por todo o país. O milho nos campos está a começar a secar e se não chove depressa, as colheitas vão-se perder.
E assim vai a nossa vida por aqui.
Beijinhos e abraços para todos e continuem a mandar-nos notícias.
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia