abril 01, 2004

Newsletter #10

2003.Jun.10
Olá a todos!

O mês de Maio chegou em grande estilo. Dia 1 de Maio, dia do trabalhador, é dedicado a S. José Operário. Neste dia celebrou-se a festa dos Irmãos do Instituto Missionário da Consolata. Este ano a festa foi celebrada aqui em Mgongo.


Na Tanzânia trabalham 5 Irmãos Missionários da Consolata, dos quais estiveram presentes o Ir. Paolino (Casa Regional), o Ir. Nashon (Ng´ingula) e o Ir. Boniface (Mgongo). O Ir. Liduino (com 73 anos) que se encontra em Dar-es-Salam, e o Ir. Gianfranco que está em Ikonda não puderam participar na celebração. O primeiro por motivos de saúde, e o segundo por motivos de trabalho, pois está a orientar as construções no hospital em Ikonda.
Os Irmãos Missionários são uma componente muito importante no trabalho missionário. Desde o primeiro grupo de missionários enviados para a Missão que Irmãos e Padres estão juntos. Enquanto os Padres vão pelas comunidades para o trabalho específico da Evangelização, são os Irmãos que se ocupam dos trabalhos propriamente ditos da Missão: Desde a construção de instalações, dispensários e hospitais, até ao ensino dos ofícios.

Assim, neste dia de S. José Operário, prestou-se homenagem a todos aqueles que contribuem para o bom andamento da Missão e que dão o seu testemunho através do trabalho.
As celebrações começaram com a Eucaristia e, depois do almoço, tivemos um momento de variedades onde os rapazes da Faraja e os alunos da Escola Técnica prestaram também a sua homenagem. No fim houve bolo e prendas.
Para este dia o Paulo fez uma pequena lembrança: uma base de madeira com uma pedra a representar que os Irmãos são firmes, silenciosos – “o bem não faz barulho" – e uma das bases da Missão.
Ao fim do dia o Pe. Júlio chegou de Dar-es-Saalam com a irmã, Maria Teresa, e o irmão do Pe. Franco, Bepe, que vieram cá passar uns dias.

No dia seguinte, apesar de ser sexta-feira, houve aulas (aqui não se “usa” fazer pontes) e a entrega dos exames. Não posso dizer que tenha sido uma experiência emocionante, bem pelo contrário . Em teoria, os resultados dos alunos reflectem também o trabalho do professor. Se assim for o caso, este primeiro teste foi tudo menos positivo, pois as notas dos exames foram francamente baixas.
Se bem que a Matemática já estava à espera de resultados fracos (os alunos nunca gostam da disciplina e por vezes é complicado explicar certos conceitos numa língua estrangeira), esperava melhor dos resultados de Inglês. A única alegria foi o facto de mais de 60% dos alunos do 1º ano terem atingido resultados positivos (alguns francamente bons), em contraste com os 10% dos outros anos.
Suponho que tenho que encontrar outras maneiras de os motivar, pois uma das grandes dificuldades que encontro é mesmo a falta de interesse pelos alunos.

Como as terças-feiras são os nossos dias livres, no dia 6 acompanhámos os irmãos do Pe. Franco numa visita a Njombe. O objectivo era visitar umas cooperativas de senhoras que fabricam artigos artesanais, para depois poder estabelecer negócio. A empresa dele faz este tipo de negócios também como forma de ajudar estas pequenas cooperativas. Um contrato desta natureza fornece trabalho por pelo menos um ano e assim, estas senhoras encontram um meio subsistência.



Na quinta-feira tivemos a visita do Pe. Casimiro.
Os dias dele aqui em Iringa estavam a terminar e, em breve, iria partir para a sua Missão em Sanza. De Iringa a Sanza são uns 280 quilómetros, e nove horas de viagem! Ao que sabemos, em Sanza ainda não há luz – utilizam gerador – e não tem telefone. Dodoma, a capital, fica a duas horas de distância (apesar de serem só 70 quilómetros!) e o posto de correios também é lá. As comunicações são feitas via rádio.

No sábado seguinte, os Padres Inverardi, Norberto e Bellagamba vieram cá almoçar. Desta vez sem ser “em serviço” (Visita Canónica), mas sim para convivermos mais um pouco.

Nesta noite, com o resultado do Benfica-Sporting, começou-se a suspeitar que o dia seguinte seria o de confirmação de campeões! E assim aconteceu. O Paulo, com as suas engenhocas, lá conseguiu por uma antena a funcionar e conseguiu-se acompanhar minimamente o jogo do Porto no rádio que pertence aos miúdos.

Não foi de propósito, mas o que é certo é que nessa noite houve festa.
O motivo era a despedida do irmão do Pe. Franco e, como é costume da Faraja, foi feita em grande estilo. Houve cânticos, pequenos sketches, rap, entrega de prendas e o tradicional bolo.
Aqui ao lado está a Família Sordella: Pe. Franco, Beppe, Maria Teresa e Mama Rita.


Na terça-feira seguinte foi um dia passado em grande parte na companhia das Irmãs da Consolata. Na parte da manhã fomos à Casa Regional (das Irmãs) dar uma vista de olhos aos computadores e tentar resolver pequenos problemas, e depois fomos almoçar à casa das Postulantes, para também tratar dos vírus informáticos. Foi muito agradável, pois como está lá a Irmã Jocelyne, que é brasileira, aproveitamos para mais um pouco de português.

Entretanto temos mais uma “hóspede” cá em casa. Os miúdos com as suas fisgas apanharam um falcão (por acaso é uma) e estavam a “brincar” com a ave quando os seus gritos nos alertaram. Lá fomos em socorro da avezinha e resolvemos instalá-la num dos quartos até estar recuperada para tornar a voar. Uma das asas parecia um bocadinho partida mas como um dos nossos colegas do curso de kiswahili é veterinário, assim que tivermos oportunidade levamo-la para “uma consulta”. Portanto agora, além dos lagartinhos que temos cá em casa, mais os 5 cachorros que nasceram o mês passado e que dormem à nossa porta, temos um falcão. Companhia não nos falta :).
Na semana seguinte o Paulo sofreu uma desilusão futebolística, acompanhada por uma grande alegria (passe a contradição). A TVMoçambique, que tantos jogos internacionais tem transmitido, não deu a final da Taça Uefa! No entanto, não foi impedimento para não seguirmos o jogo. Com a ajuda do rádio lá fomos ouvindo os golos, sempre na dúvida para que lado seriam pois a transmissão estava muito fraca. No fim do jogo lá gritámos Campeões!
Mas a melhor surpresa estava reservada para o dia seguinte. Na Casa Regional, como o sistema televisivo é outro, com mais canais, conseguiram gravar o jogo de propósito para nós, e mais tarde o Pe. Casimiro, vermos. Assim, na quinta-feira a comunidade aqui de Mgongo juntou-se para jantar e depois assistir ao jogo. Foi um bom momento de convívio que vem reforçar o espírito de família, uma das características do Carisma dos Missionários da Consolata.

Sexta-feira, dia 23, participamos no encontro de Leigos que se estava a realizar em Iringa. Este segundo encontro de Leigos Missionários da Consolata da Tanzânia, teve lugar na «Casa Irene», centro de dia para crianças de rua, centro de acompanhamento para doentes de Sida e centro de formação para catequistas e leigos.
Os LMC tanzanianos tiveram o seu primeiro encontro em 1999. São originários das missões onde estão presentes os Missionários e as Irmãs da Consolata e na sua grande maioria são adultos empenhados nas actividades paroquiais.
Este seminário contou com a presença de uns 30 LMC que, durante quatro dias, orientados pelas Irmãs Zita Amanzia e Ida Luisa e pelo Padre Dario Rampin, reflectiram sobre a Palavra de Deus à luz dos ensinamentos do Beato Allamano.
Nós fomos chamados a participar para darmos o nosso testemunho. Mais do que falar sobre o trabalho específico que cá nos encontramos a fazer, a partilha centrou-se sobre o chamamento sentido, o que nos levou a querer ser leigos e como é viver esta vocação como casal.
Foi uma experiência muito boa pois ficamos a conhecer um pouco mais da realidade tanzaniana, e deu também para fazermos uma “pequena prova” ao nosso kiswahili. O resultado foi… quase hora e meia entre o nosso testemunho e as perguntas que os outros leigos colocaram, em que mais de 80% do tempo foi usado pelo Paulo. A língua já lhe sai naturalmente e é capaz de estabelecer uma conversa de uma forma quase natural! Quanto é mim é mais fácil perceber o que ouço ou leio do que propriamente falar, ainda.

Os Leigos tanzanianos ainda estão a dar os primeiros passos na realidade laical mas mostram-se bastante motivados e bem organizados.
Os Missionários e as Irmãs da Consolata trabalham em conjunto no acompanhamento dos Leigos e na sua formação. Pela parte dos Missionários o responsável é o Pe. Inverardi e pelas Irmãs é a Irmã Zita.
A especificidade geográfica do país e as dificuldades económicas tornam um pouco difícil os encontros em conjunto. Neste encontro estavam presentes elementos desde Ikonda a Dar-es-Salam, que estão a uma distância de 1000km!

Para terminar a crónica do mês falta só referir que, como em muitos outros sítios do planeta, também se celebrou o mês de Maria. Os rapazes da Faraja têm um carinho muito especial por Nossa Senhora e assim, todos os dias, ao fim da tarde, nos juntávamos para rezar dois ou três Mistérios.




E com este belo pôr-do-sol africano nos despedimos.
Até ao próximo mês!
Beijinhos e abraços para todos,


Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:43 PM
Comentários

PADRE DÁRIO RAMPIN

GOSTARIA DE FALAR COM O SENHOR PODERIA ME PASSAR UM E-MAIL.
UM ABRAÇO
RICARDO RAMPIN

Afixado por: RICARDO em janeiro 27, 2005 02:54 PM