Newsletter #10
2003.Jun.10
Olá a todos!
O mês de Maio chegou em grande estilo. Dia 1 de Maio, dia do trabalhador, é
dedicado a S. José Operário. Neste dia celebrou-se a festa dos Irmãos do
Instituto Missionário da Consolata. Este ano a festa foi celebrada aqui em
Mgongo.

Na Tanzânia trabalham 5 Irmãos Missionários da Consolata, dos quais estiveram
presentes o Ir. Paolino (Casa Regional), o Ir. Nashon (Ng´ingula) e o Ir.
Boniface (Mgongo). O Ir. Liduino (com 73 anos) que se encontra em Dar-es-Salam,
e o Ir. Gianfranco que está em Ikonda não puderam participar na celebração. O
primeiro por motivos de saúde, e o segundo por motivos de trabalho, pois está a
orientar as construções no hospital em Ikonda.
Os Irmãos Missionários são uma componente muito importante no trabalho
missionário. Desde o primeiro grupo de missionários enviados para a Missão que
Irmãos e Padres estão juntos. Enquanto os Padres vão pelas comunidades para o
trabalho específico da Evangelização, são os Irmãos que se ocupam dos trabalhos
propriamente ditos da Missão: Desde a construção de instalações, dispensários e
hospitais, até ao ensino dos ofícios.

Assim, neste dia de S. José Operário, prestou-se homenagem a todos aqueles que
contribuem para o bom andamento da Missão e que dão o seu testemunho através do
trabalho.
As celebrações começaram com a Eucaristia e, depois do almoço, tivemos um
momento de variedades onde os rapazes da Faraja e os alunos da Escola Técnica
prestaram também a sua homenagem. No fim houve bolo e prendas.
Para este dia o Paulo fez uma pequena lembrança: uma base de madeira com uma
pedra a representar que os Irmãos são firmes, silenciosos – “o bem não faz
barulho" – e uma das bases da Missão.
Ao fim do dia o Pe. Júlio chegou de Dar-es-Saalam com a irmã, Maria Teresa, e o
irmão do Pe. Franco, Bepe, que vieram cá passar uns dias.
No dia seguinte, apesar de ser sexta-feira, houve aulas (aqui não se “usa” fazer
pontes) e a entrega dos exames. Não posso dizer que tenha sido uma experiência
emocionante, bem pelo contrário . Em teoria, os resultados dos alunos reflectem
também o trabalho do professor. Se assim for o caso, este primeiro teste foi
tudo menos positivo, pois as notas dos exames foram francamente baixas.
Se bem que a Matemática já estava à espera de resultados fracos (os alunos nunca
gostam da disciplina e por vezes é complicado explicar certos conceitos numa
língua estrangeira), esperava melhor dos resultados de Inglês. A única alegria
foi o facto de mais de 60% dos alunos do 1º ano terem atingido resultados
positivos (alguns francamente bons), em contraste com os 10% dos outros anos.
Suponho que tenho que encontrar outras maneiras de os motivar, pois uma das
grandes dificuldades que encontro é mesmo a falta de interesse pelos alunos.

Como as terças-feiras são os nossos dias livres, no dia 6 acompanhámos os irmãos
do Pe. Franco numa visita a Njombe. O objectivo era visitar umas cooperativas de
senhoras que fabricam artigos artesanais, para depois poder estabelecer negócio.
A empresa dele faz este tipo de negócios também como forma de ajudar estas
pequenas cooperativas. Um contrato desta natureza fornece trabalho por pelo
menos um ano e assim, estas senhoras encontram um meio subsistência.

Na quinta-feira tivemos a visita do Pe. Casimiro.
Os dias dele aqui em Iringa estavam a terminar e, em breve, iria partir para a
sua Missão em Sanza. De Iringa a Sanza são uns 280 quilómetros, e nove horas de
viagem! Ao que sabemos, em Sanza ainda não há luz – utilizam gerador – e não tem
telefone. Dodoma, a capital, fica a duas horas de distância (apesar de serem só
70 quilómetros!) e o posto de correios também é lá. As comunicações são feitas
via rádio.
No sábado seguinte, os Padres Inverardi, Norberto e Bellagamba vieram cá
almoçar. Desta vez sem ser “em serviço” (Visita Canónica), mas sim para
convivermos mais um pouco.
Nesta noite, com o resultado do Benfica-Sporting, começou-se a suspeitar que o
dia seguinte seria o de confirmação de campeões! E assim aconteceu. O Paulo, com
as suas engenhocas, lá conseguiu por uma antena a funcionar e conseguiu-se
acompanhar minimamente o jogo do Porto no rádio que pertence aos miúdos.


Não foi de propósito, mas o que é certo é que nessa noite houve festa.
O motivo era a despedida do irmão do Pe. Franco e, como é costume da Faraja, foi
feita em grande estilo. Houve cânticos, pequenos sketches, rap, entrega de
prendas e o tradicional bolo.
Aqui ao lado está a Família Sordella: Pe. Franco, Beppe, Maria Teresa e Mama
Rita.
Na terça-feira seguinte foi um dia passado em grande parte na companhia das
Irmãs da Consolata. Na parte da manhã fomos à Casa Regional (das Irmãs) dar uma
vista de olhos aos computadores e tentar resolver pequenos problemas, e depois
fomos almoçar à casa das Postulantes, para também tratar dos vírus informáticos.
Foi muito agradável, pois como está lá a Irmã Jocelyne, que é brasileira,
aproveitamos para mais um pouco de português.

Entretanto temos mais uma “hóspede” cá em casa. Os miúdos com as suas fisgas
apanharam um falcão (por acaso é uma) e estavam a “brincar” com a ave quando os
seus gritos nos alertaram. Lá fomos em socorro da avezinha e resolvemos
instalá-la num dos quartos até estar recuperada para tornar a voar. Uma das asas
parecia um bocadinho partida mas como um dos nossos colegas do curso de
kiswahili é veterinário, assim que tivermos oportunidade levamo-la para “uma
consulta”. Portanto agora, além dos lagartinhos que temos cá em casa, mais os 5
cachorros que nasceram o mês passado e que dormem à nossa porta, temos um
falcão. Companhia não nos falta :).
Na semana seguinte o Paulo sofreu uma desilusão futebolística, acompanhada por
uma grande alegria (passe a contradição). A TVMoçambique, que tantos jogos
internacionais tem transmitido, não deu a final da Taça Uefa! No entanto, não
foi impedimento para não seguirmos o jogo. Com a ajuda do rádio lá fomos ouvindo
os golos, sempre na dúvida para que lado seriam pois a transmissão estava muito
fraca. No fim do jogo lá gritámos Campeões!
Mas a melhor surpresa estava reservada para o dia seguinte. Na Casa Regional,
como o sistema televisivo é outro, com mais canais, conseguiram gravar o jogo de
propósito para nós, e mais tarde o Pe. Casimiro, vermos. Assim, na quinta-feira
a comunidade aqui de Mgongo juntou-se para jantar e depois assistir ao jogo. Foi
um bom momento de convívio que vem reforçar o espírito de família, uma das
características do Carisma dos Missionários da Consolata.
Sexta-feira, dia 23, participamos no encontro de Leigos que se estava a realizar
em Iringa. Este segundo encontro de Leigos Missionários da Consolata da
Tanzânia, teve lugar na «Casa Irene», centro de dia para crianças de rua, centro
de acompanhamento para doentes de Sida e centro de formação para catequistas e
leigos.
Os LMC tanzanianos tiveram o seu primeiro encontro em 1999. São originários das
missões onde estão presentes os Missionários e as Irmãs da Consolata e na sua
grande maioria são adultos empenhados nas actividades paroquiais.

Este seminário contou com a presença de uns 30 LMC que, durante quatro dias,
orientados pelas Irmãs Zita Amanzia e Ida Luisa e pelo Padre Dario Rampin,
reflectiram sobre a Palavra de Deus à luz dos ensinamentos do Beato Allamano.
Nós fomos chamados a participar para darmos o nosso testemunho. Mais do que
falar sobre o trabalho específico que cá nos encontramos a fazer, a partilha
centrou-se sobre o chamamento sentido, o que nos levou a querer ser leigos e
como é viver esta vocação como casal.
Foi uma experiência muito boa pois ficamos a conhecer um pouco mais da realidade
tanzaniana, e deu também para fazermos uma “pequena prova” ao nosso kiswahili. O
resultado foi… quase hora e meia entre o nosso testemunho e as perguntas que os
outros leigos colocaram, em que mais de 80% do tempo foi usado pelo Paulo. A
língua já lhe sai naturalmente e é capaz de estabelecer uma conversa de uma
forma quase natural! Quanto é mim é mais fácil perceber o que ouço ou leio do
que propriamente falar, ainda.

Os Leigos tanzanianos ainda estão a dar os primeiros passos na realidade laical
mas mostram-se bastante motivados e bem organizados.
Os Missionários e as Irmãs da Consolata trabalham em conjunto no acompanhamento
dos Leigos e na sua formação. Pela parte dos Missionários o responsável é o Pe.
Inverardi e pelas Irmãs é a Irmã Zita.
A especificidade geográfica do país e as dificuldades económicas tornam um pouco
difícil os encontros em conjunto. Neste encontro estavam presentes elementos
desde Ikonda a Dar-es-Salam, que estão a uma distância de 1000km!

Para terminar a crónica do mês falta só referir que, como em muitos outros
sítios do planeta, também se celebrou o mês de Maria. Os rapazes da Faraja têm
um carinho muito especial por Nossa Senhora e assim, todos os dias, ao fim da
tarde, nos juntávamos para rezar dois ou três Mistérios.

E com este belo pôr-do-sol africano nos despedimos.
Até ao próximo mês!
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:43 PM