abril 01, 2004

Newsletter #11

2003.Jul.02
Olá a todos!

Junho: mês dos Santos Populares, começo de Verão, exames, férias, festa da Consolata… Isto tudo em Portugal!

Por aqui, tirando o começo do Verão, e substituindo os Santos Populares por outras festividades litúrgicas, tudo o resto é igual.
De facto o mês esteve bem mais fresco, o principal culpado foi o vento. Em especial ao amanhecer e ao anoitecer soprava com força suficiente para obrigar a uma mudança de guarda-roupa: camisas de mangas, casacos de malha, sweats quentinhas. Bem diferente do calor que passou por Portugal, pelo menos segundo o boletim meteorológico e as notícias que nos iam chegando daí davam conta.

Mas vamos às festas!
O mês começou logo no dia 1 com a celebração da Ascensão do Senhor.
Fez-se um pequeno “igizo” (representação) do Evangelho.

Tudo acompanhado de muitos cânticos e danças. Além disso, esta celebração serviu para a estreia dos uniformes do coro das meninas.

Entretanto, os dias da Mamma Rita entre nós estavam a chegar ao fim. Foram mais/menos 4 meses que passou aqui na Faraja. Sempre a trabalhar (capas para os colchões, protecções de mesa e cortinas para o refeitório dos rapazes, …), sempre de bom-humor. E claro que não podia faltar uma grande festa de despedida.
Assim, dia 5, jantámos na Faraja e, depois no ginásio os alunos da Chuo também se juntaram para a festa de despedida da mãe e da irmã do Pe. Franco. Claro que o famoso bolo não podia faltar, bem como a tradição de que aos homenageados deve ser dado de comer o bolo.
No dia seguinte de manhã, o Pe. Franco lá partiu para Dar-es-Salam com a mãe e a irmã.

No domingo dia 8, dia de Pentecostes, os nossos corações estavam também em Portugal. Foi o dia do Envio do Pe. Manel, que em breve nos fará companhia nestas terras africanas. Estivemos unidos na oração,e durante a tarde ainda trocámos umas palavras via telemóvel :).

Na terça-feira, dia 10, o Pe. Franco regressou de Dar e trouxe com ele mais de uma centena de livros para equipar a biblioteca que se está a começar a fazer aqui na escola técnica. No momento já temos à volta de 200 livros e 40 revistas. Entre o Inglês e o kiswahili, entre livros de histórias e de formação humana e revistas missionárias (The Seed, Enendeni) e de actualidade (Times), aos poucos a biblioteca vai ganhado força.

No sábado seguinte começaram então os exames. Foram 3 dias de exames teóricos e 2 de práticos, antes do descanso das férias. Se bem que os resultados continuaram a não ser brilhantes (pelo menos nas minhas disciplinas :() notou-se, no geral, uma certa melhoria.
Além disso, os “nossos” 7 alunos (aqueles que passam da Faraja para a Chuo), estão quase todos nos lugares cimeiros da classificação geral. Tendo em conta que a Escola Técnica está vocacionada principalmente para estes rapazes, este facto é algo que nos deixa muito felizes.

Mas não foram só os alunos da escola técnica que terminaram as suas aulas.
Os da primária também. E como tal, a Faraja voltou a estar repleta de miúdos super-activos a todas as horas do dia!
Para os ocupar durante este período de férias organizou-se um calendário de actividades que vão desde campeonatos de futebol, idas à cidade e outros passeios, algum estudo e trabalho nos jardins e campos e muita, muita brincadeira (ou não fossem crianças em férias).
Além disso alguns iriam também passar uns dias às suas casas.

O início oficial das férias foi no dia 17 com o arranque do campeonato de futebol.
Aqui ficam as duas primeiras equipas, e o Pe. Júlio a dar o pontapé de saída.

 



E eis-nos chegados ao dia da grande festa. 20 de Junho, festa de Nossa Senhora da Consolata. Este ano a festa foi celebrada na catedral de Iringa. A Nossa Senhora da Consolata é a Padroeira da Diocese de Iringa e assim, todos os anos a festa é alternada entre a Igreja da Consolata, aqui em Iringa, e a Catedral.
A Eucaristia, presidida pelo Bisbo de Iringa, D. Tarcisius Ngalalekumtwa, e concelebrada pelo Bispo de Mbeya, D. Evaristus Chengula, (missionário da Consolata) e pelo Superior Regional dos Missionários da Consolata, Pe. Inverardi, foi também o momento da celebração dos 75, 65, 60 e 25 anos de Profissão Religiosa de algumas das Irmãs da Consolata e dos 60 e 50 anos de Ordenação de dois Padres da Consolata.
Na foto estão os Padres Jubilares, Pe. Lumetti 60 anos e Pe. Mário Biestra, 50 anos.

A Catedral encheu-se com os Padres, Irmãos e Irmãs da Consolata, os paroquianos, amigos e alguns "frutos" dos primeiros anos de trabalho dos missionários aqui na Tanzânia.

Destes “frutos” há que salientar um grupo de mulheres, filhas de soldados alemães do tempo da guerra que as Irmãs tomaram a seu cargo. Naquele tempo as crianças mestiças eram completamente discriminadas e se não fossem as Irmãs teriam sido abandonadas à sua sorte. Uma dessas senhoras chegou a ser Ministra da Educação e, hoje em dia, essas senhoras continuam o trabalho que as Irmãs começaram com elas – a educação das raparigas.
Depois da Eucaristia, a festa continuou no "salão paroquial" com cânticos bem ao estilo africano, protagonizados pelas alunas da Escola de Economia Doméstica e pelas crianças da paróquia. Aqui estão as Irmãs Jubilares a cortar o bolo. Da esquerda para a direita: Ir. Amata 65 anos, Ir. Venanzia 75 anos e Ir. Floriana 25 anos. Conseguem imaginar o que são 75 anos dedicados a anunciar o Evangelho, a Consolar os mais necessitados, ao serviço do próximos? Muitos de nós nem sabemos se chegamos aos 75 anos de idade!

No domingo em Mgongo a festa da Consolata foi celebrada pela comunidade da Faraja House, juntamente com a comunidade da aldeia. Foi uma celebração dupla.
Fez-se a festa da Consolata e também a do Corpo de Deus. Foi mais simples que a festa em Iringa, mas nem por isso menos vivida. Aqui o maior papel coube às crianças, onde não fosse a Faraja (Consolação) um centro a elas destinado.


Na segunda-feira recebemos a visita do Pe. Casimiro, que tinha vindo a Iringa fazer umas compras. Combinámos de passar a quarta-feira com ele, mas como o Padre que o vinha buscar veio logo na terça já não pudemos fazer isso. Pelo menos deu para passarmos um pouco da tarde de terça juntos.
Lá nos inteirámos das novidades de Sanza (é realmente uma Missão isolada!), e saber como estava a dar-se a adaptação dele. O Pe. Casimiro estava animado, apesar de dizer que ainda lhe falta muito o kiswahili. Nada que o tempo não resolva!

Costuma-se dizer que o bom filho à casa torna. E desta vez o ditado aplicou-se a um dos cachorros que cá temos. Se se lembram tínhamos 5. Entretanto um foi para uma Missão e outros dois foram vendidos a outras pessoas. Pois qual não é o nosso espanto, quando no dia 25 de manhã vemos um desses cachorros! Completamente pele e osso, menos de metade dos seus dois irmãos que cá tinham ficado. Pensámos que terá fugido (de certo devido aos “bons tratos” recebidos) e veio procurar refúgio junto dos seus amigos.

No dia 27 foi chamado para junto do Pai mais um missionário. O Pe. Olivo que contava 91 de idade. Passou 66 anos da sua vida sacerdotal aqui na Tanzânia, ao serviço da Missão

Para terminar o mês fizemos no sábado um passeio a Njombe.
O mini-bus e um dos carros serviram de transporte aos perto de 40 miúdos e 10 adultos. Foram cerca de 300 km para cada lado, mas para alguns foi a primeira vez que fizeram tão grande passeio.
O almoço foi piquenique e no fim ainda se teve que empurrar a camioneta que não queria pegar!
Penso que depois deste exercício deviam comer outra vez!!

Na volta parámos em Makambako, uma grande cidade (tem a estação do comboio) para umas compras no “sokoni” (pelo mercado) e para passear um pouco.
Eu e o Paulo aproveitámos e demos um salto à Missão para falar um bocadinho com o Pe. Aldo e visitar a igreja.

E com estes pormenores do interior da Igreja da Missão de Makambako nos despedimos até à próxima.

Bons exames, boas férias e “muito calor” para todos!

Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
 

Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:45 PM
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