abril 01, 2004

Newsletter #16

04-Dez-2003
Olá a todos!


Novembro começou com sol e com as temperaturas a subir. O “verão” aproxima-se e sente-se a chegada do fim do ano.

Logo no início do mês o Pe. Casimiro passou por aqui a caminho de Mafinga, onde ia fazer os seus Exercícios Espirituais. No fim da semana, e antes de regressar à sua Missão tornou a passar e desta vez estivemos juntos a tarde toda. Foi bom pois pudemos trocar algumas experiências acerca das nossas vidas missionárias e das dificuldades que este
povo está a atravessar.

Está muito feliz com a missão dele, em Sanza, e pareceu-nos muito bem. Ele diz que rejuvenesce quando está connosco, mas eu acho que ele é que nos dá força a nós. O P. Casimiro é a personificação do verdadeiro missionário: Feliz, alegre e sempre com um sorriso. Não perde a esperança, apesar de todas as dificuldades que o “seu povo” está a passar: a fome começou a bater à porta e os missionários já esgotaram os stocks de farinha que tinham e já tiveram que comprar mais para acudir aos mais necessitados. Não se demorou, aqui por Iringa, porque tinha a Missão à espera e as comunidades para visitar no domingo.

Entretanto os preparativos para a cerimónia de graduação dos alunos do 3º ano da escola técnica começaram.
Vários grupos foram organizados, cada um responsável por uma parte da cerimónia. A mim e ao Paulo coube-nos tratar dos diplomas, dos presentes e de fazer alguns cartazes para a decoração.
Com os cartazes e diplomas não tivemos dificuldades, mas termos ficado encarregue dos presentes deixou-nos um pouco surpresos. Afinal era o primeiro ano que estávamos presentes e não tínhamos ideia nenhuma em relação à cultura/tradição que deveríamos seguir para preparar as coisas.
Felizmente o Pe. Franco, que também tinha achado a escolha um pouco “radical”, deu-nos uma ajuda.

No domingo seguinte, dia 9, foi a vez de nos despedirmos do Luciano. Um amigo italiano que esteve cá durante estes 2 meses. Como é habitual, houve jantar na Faraja e uma pequena festa com algumas actuações dos rapazes.


A semana seguinte foi a última para os alunos do 3º ano da escola técnica. Foram 3 dias de exames oficiais (isto é, exames feitos pela entidade que regula as escolas técnicas) e no sábado realizou-se a cerimónia de graduação.
Foi um dia bem preenchido. Começou com uma celebração eucarística, presidida pelo Pe. Jerry, Superior do Seminário de Mafinga, preenchida com cânticos de louvor e acção de graças pelo ano que terminava.

Depois do almoço, que foi partilhado pelos alunos graduados e suas famílias e pelos professores e staff da escola, tivemos uma tarde recreativa. Era altura de descontrair e ao mesmo tempo dizer adeus aos finalistas. Todos os que se juntaram no salão para a tarde festiva puderam assistir a um bom espectáculo: tivemos acrobacias apresentadas pelos rapazes da Faraja, cânticos, declamações e até uma pequena mostra de magia.

Mas o momento mais importante, e esperado, foi mesmo a entrega dos diplomas. Um a um, os 18 rapazes foram sendo chamados e, junto com os seus diplomas de fim de curso, recebiam um pequeno presente. Houve ainda diplomas e lembranças extras para alguns alunos que se distinguiram em algumas actividades, como por exemplo melhor aluno, melhor desportista, aluno mais responsável e, este ano pela primeira vez, um prémio para o aluno que mais se destacou na preparação da Liturgia.

Para estes 18 jovens, a vida laboral começa agora. Nove são carpinteiros, 6 são mecânicos e 3 artífices de sapatos e bolas de futebol. Três ou quatro deles continuarão a receber a nossa ajuda, vão ser contratados como trabalhadores da Missão por forma a facilitar a sua entrada no mundo laboral. Outros, regressando às suas terras, também já têm trabalho. Quase todos eles levam consigo, além do diploma da escola e do diploma oficial reconhecendo-os como artfices, a caixa de ferramentas que foi fornecida pela escola para os seus trabalhos práticos.

Digo quase todos porque, infelizmente, para alguns as ferramentas com que chegaram ao fim do ano estão reduzidas. É um problema que ainda não se conseguiu resolver e que a nós muito espanto nos causa.

O que se passa é que, ao longo do ano, vários alunos vão vendendo as suas ferramentas (por um preço ridículo) e entre eles vão havendo roubos. Volta e meia perde-se uma peça ou outra, mas a maior parte das ferramentas desaparecidas foram roubadas/vendidas.
Temos o caso de um aluno que chegou ao fim do ano sem uma única ferramenta! Ora nós perguntámo-nos como é possível ter conseguido fazer os seus trabalhos práticos e exames desta maneira, e como pensará ele em iniciar o seu ofício.

Pode-se pensar que há certos hábitos que custam a perder e que a infância difícil ainda mostra as suas marcas. Mas estes alunos não são os “meninos de rua”. Neste momento, dos 70 alunos que estudam aqui na Chuo, apenas 5 provém da Faraja, isto é, foram meninos de rua.
Ainda há muito trabalho a fazer no campo da formação e estes pequenos exemplos ajudam-nos a perceber isso de uma forma muito crua.
Mas ao mesmo tempo é um pouco desmoralizante. Se estes jovens, que são os futuros adultos deste país, não tiverem uma boa formação, dificilmente a Tanzânia andará para a frente.

Felizmente, que existem bons exemplos que nos dão um pouco de esperança e alento e por certo que aos poucos, ao seu próprio ritmo, as condições melhorarão.
As duas últimas semanas passaram a correr. Só com o segundo e o terceiro ano na escola, era altura de preparar os exames finais para eles.
Os resultados até nem foram maus de todo.
Os alunos do segundo ano não corresponderam às expectativas. E podem acreditar que os meus exames não foram difíceis, muito pelo contrário porque todas as perguntas foram “repescadas” dos testes e exames que eles tinham feito ao longo do ano. Mesmo assim a maioria deles ainda conseguiu baixar a média ?.
Para compensar, os alunos do primeiro ano portaram-se muito bem. Todos subiram as notas e a média geral da turma está muito acima da média dos outros anos. Pelo menos sempre me dá ânimo para o próximo ano.

Durante esta última semana do mês tivemos a notícia de que o Pe. Manel vai para Makambako. Para nós foi uma boa notícia pois Makambako fica mais/menos a 250km de distância de Iringa e as estradas são boas. O que significa que é muito mais fácil irmos visitá-lo do que ao Pe. Casimiro pois dá para ir e vir no mesmo dia. Além disso tem telefone e internet, o que facilita as comunicações.

Do que sabemos da Missão de Makambako, trabalho não vai faltar. O Pe. Aldo que lá se encontrava, e que foi chamado subitamente pelo Senhor, sempre que nos encontrava perguntava se não havia mais leigos para virem pois ele precisava bastante deles lá.
E assim chegámos ao fim do mês.
Os alunos da Chuo começaram a fazer as malas para regressarem a casa.
E ao mesmo tempo os rapazes da Faraja que estão na secundária começam a regressar para as férias.
Mais um ano que chegou ao fim, e outro que se inicia.
Dia 30 de Novembro foi o início de um novo ano litúrgico e o começo do Advento.
O Natal aproxima-se e nós, daqui de Mgongo, aproveitámos para vos desejar a todos umas Boas Festas.

Até à próxima,
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:54 PM
Comentários

Fui o primeiro !! bem vindos :)

Afixado por: mago em abril 9, 2004 03:35 PM