Newsletter #16
04-Dez-2003
Olá a todos!
Novembro começou com sol e com as temperaturas a subir. O “verão” aproxima-se e
sente-se a chegada do fim do ano.

Logo no início do
mês o Pe. Casimiro passou por aqui a caminho de Mafinga, onde ia fazer os seus
Exercícios Espirituais. No fim da semana, e antes de regressar à sua Missão
tornou a passar e desta vez estivemos juntos a tarde toda. Foi bom pois pudemos
trocar algumas experiências acerca das nossas vidas missionárias e das
dificuldades que este
povo está a atravessar.
Está muito feliz com a missão dele, em Sanza, e pareceu-nos muito bem. Ele diz
que rejuvenesce quando está connosco, mas eu acho que ele é que nos dá força a
nós. O P. Casimiro é a personificação do verdadeiro missionário: Feliz, alegre e
sempre com um sorriso. Não perde a esperança, apesar de todas as dificuldades
que o “seu povo” está a passar: a fome começou a bater à porta e os missionários
já esgotaram os stocks de farinha que tinham e já tiveram que comprar mais para
acudir aos mais necessitados. Não se demorou, aqui por Iringa, porque tinha a
Missão à espera e as comunidades para visitar no domingo.
Entretanto os preparativos para a cerimónia de graduação dos alunos do 3º ano da
escola técnica começaram.
Vários grupos foram organizados, cada um responsável por uma parte da cerimónia.
A mim e ao Paulo coube-nos tratar dos diplomas, dos presentes e de fazer alguns
cartazes para a decoração.
Com os cartazes e diplomas não tivemos dificuldades, mas termos ficado
encarregue dos presentes deixou-nos um pouco surpresos. Afinal era o primeiro
ano que estávamos presentes e não tínhamos ideia nenhuma em relação à
cultura/tradição que deveríamos seguir para preparar as coisas.
Felizmente o Pe. Franco, que também tinha achado a escolha um pouco “radical”,
deu-nos uma ajuda.

No domingo seguinte, dia 9, foi a vez de nos despedirmos do Luciano. Um amigo
italiano que esteve cá durante estes 2 meses. Como é habitual, houve jantar na
Faraja e uma pequena festa com algumas actuações dos rapazes.


A
semana seguinte foi a última para os alunos do 3º ano da escola técnica. Foram 3
dias de exames oficiais (isto é, exames feitos pela entidade que regula as
escolas técnicas) e no sábado realizou-se a cerimónia de graduação.
Foi um dia bem preenchido. Começou com uma celebração eucarística, presidida
pelo Pe. Jerry, Superior do Seminário de Mafinga, preenchida com cânticos de
louvor e acção de graças pelo ano que terminava.

Depois do almoço,
que foi partilhado pelos alunos graduados e suas famílias e pelos professores e
staff da escola, tivemos uma tarde recreativa. Era altura de descontrair e ao
mesmo tempo dizer adeus aos finalistas. Todos os

que se juntaram no salão para a tarde festiva puderam assistir a um bom
espectáculo: tivemos acrobacias apresentadas pelos rapazes da Faraja, cânticos,
declamações e até uma pequena mostra de magia.

Mas o momento mais
importante, e esperado, foi mesmo a entrega dos diplomas. Um a um, os 18 rapazes
foram sendo chamados e, junto com os seus diplo

mas
de fim de curso, recebiam um pequeno presente. Houve ainda diplomas e lembranças
extras para alguns alunos que se distinguiram em algumas actividades, como por
exemplo melhor aluno, melhor desportista, aluno mais responsável e, este ano
pela primeira vez, um prémio para o aluno que mais se destacou na preparação da
Liturgia.

Para estes 18
jovens, a vida laboral começa agora. Nove são carpinteiros, 6 são mecânicos e 3
artífices de sapatos e bolas de futebol. Três ou quatro deles continuarão a
receber a nossa ajuda, vão ser contratados como trabalhadores da Missão por
forma a facilitar a sua en

trada
no mundo laboral. Outros, regressando às suas terras, também já têm trabalho.
Quase todos eles levam consigo, além do diploma da escola e do diploma oficial
reconhecendo-os como artfices, a caixa de ferramentas que foi fornecida pela
escola para os seus trabalhos práticos.

Digo quase todos
porque, infelizmente, para alguns as ferramentas com que chegaram ao fim do ano
estão reduzidas. É um problema que ai

nda
não se conseguiu resolver e que a nós muito espanto nos causa.
O que se passa é que, ao longo do ano, vários alunos vão vendendo as suas
ferramentas (por um preço ridículo) e entre eles vão havendo roubos. Volta e
meia perde-se uma peça ou outra, mas a maior parte das ferramentas desaparecidas
foram roubadas/vendidas.
Temos o caso de um aluno que chegou ao fim do ano sem uma única ferramenta! Ora
nós perguntámo-nos como é possível ter conseguido fazer os seus trabalhos
práticos e exames desta maneira, e como pensará ele em iniciar o seu ofício.
Pode-se pensar que há certos hábitos que custam a perder e que a infância
difícil ainda mostra as suas marcas. Mas estes alunos não são os “meninos de
rua”. Neste momento, dos 70 alunos que estudam aqui na Chuo, apenas 5 provém da
Faraja, isto é, foram meninos de rua.
Ainda há muito trabalho a fazer no campo da formação e estes pequenos exemplos
ajudam-nos a perceber isso de uma forma muito crua.
Mas ao mesmo tempo é um pouco desmoralizante. Se estes jovens, que são os
futuros adultos deste país, não tiverem uma boa formação, dificilmente a
Tanzânia andará para a frente.
Felizmente, que existem bons exemplos que nos dão um pouco de esperança e alento
e por certo que aos poucos, ao seu próprio ritmo, as condições melhorarão.
As duas últimas semanas passaram a correr. Só com o segundo e o terceiro ano na
escola, era altura de preparar os exames finais para eles.
Os resultados até nem foram maus de todo.
Os alunos do segundo ano não corresponderam às expectativas. E podem acreditar
que os meus exames não foram difíceis, muito pelo contrário porque todas as
perguntas foram “repescadas” dos testes e exames que eles tinham feito ao longo
do ano. Mesmo assim a maioria deles ainda conseguiu baixar a média ?.
Para compensar, os alunos do primeiro ano portaram-se muito bem. Todos subiram
as notas e a média geral da turma está muito acima da média dos outros anos.
Pelo menos sempre me dá ânimo para o próximo ano.
Durante esta última semana do mês tivemos a notícia de que o Pe. Manel vai para
Makambako. Para nós foi uma boa notícia pois Makambako fica mais/menos a 250km
de distância de Iringa e as estradas são boas. O que significa que é muito mais
fácil irmos visitá-lo do que ao Pe. Casimiro pois dá para ir e vir no mesmo dia.
Além disso tem telefone e internet, o que facilita as comunicações.
Do que sabemos da Missão de Makambako, trabalho não vai faltar. O Pe. Aldo que
lá se encontrava, e que foi chamado subitamente pelo Senhor, sempre que nos
encontrava perguntava se não havia mais leigos para virem pois ele precisava
bastante deles lá.
E assim chegámos ao fim do mês.
Os alunos da Chuo começaram a fazer as malas para regressarem a casa.
E ao mesmo tempo os rapazes da Faraja que estão na secundária começam a
regressar para as férias.
Mais um ano que chegou ao fim, e outro que se inicia.
Dia 30 de Novembro foi o início de um novo ano litúrgico e o começo do Advento.
O Natal aproxima-se e nós, daqui de Mgongo, aproveitámos para vos desejar a
todos umas Boas Festas.

Até à próxima,
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Publicado por Teresa Silva em abril 1, 2004 04:54 PM