05-Janeiro-2004
Olá a todos,
Esperamos que tenham tido umas boas festas Natalícias e que o Novo Ano tenha começado da melhor maneira.
Este ano, o nosso mês de Dezembro foi preenchido com viagens. O motivo: a minha mãe e o meu irmão vieram até cá para passar o Natal :-)
No início do mês, os alunos do 1º e 2º ano deixaram a escola, para irem de férias, e os dormitórios começaram a ser ocupados pelos nossos rapazes da Secundária.
Apesar de estarem de férias foram eles, e mais alguns dos rapazes mais velhos que foram dando uma ajuda nas construções que estão a decorrer aqui na Missão. Além disso, ao fim da tarde, ainda havia tempo para um pouco de estudo. As minhas aulas tinham acabado, mas agora era tempo de explicações.
Entretanto nos dias 9, 10 e 11 decorreram os exames de admissão para o próximo ano. Foram cerca de 70 rapazes que concorreram para os pouco mais de 30 lugares disponíveis.
Dia 12 era o dia da reunião final, para escolher os novos alunos, mas nós partimos para Dar-es-Salaam. Nessa noite, a minha mãe e o meu irmão chegavam de Portugal para cá passarem uns dias.
Na viagem de ida parámos em Morogoro onde combinámos com o P. Manel que na volta lhe dávamos boleia para Iringa.
À noite, lá fomos para o aeroporto. O avião chegou à tabela e o reencontro foi muito emocionante.
Esse fim-de-semana ficámos na capital, fomos até à praia um pouco e passeámos pela cidade. Mas o calor era insuportável! E nesta altura do ano é sempre a subir!
Segunda-feira fizemos a viagem de regresso a Iringa e, como tínhamos combinado, parámos em Morogoro para trazer o P. Manel que, tendo acabado as aulas, ia para a Casa Regional onde ficaria a aguardar a boleia para Sadani, missão onde estará até ao final do mês de Janeiro.
Em Morogoro descansámos um bocadinho e gozámos da hospitalidade tão característica dos Missionários da Consolara. O P. Thomas tinha à nossa espera um gelado de manga muito saboroso feito com a fruta do seminário.
Chegando à Casa Regional, em Iringa, soubemos que o P. Inverardi ia no dia seguinte para Sanza. Como nós já tínhamos pensado em ir visitar o P. Casimiro por estes dias e como não sabíamos bem o caminho, combinámos logo que iríamos com ele.
Assim, 3ª feira dia 16 lá fomos de viagem outra vez. O caminho para Sanza é um bocado complicado em especial na época das chuvas, que estava a começar. Mas felizmente a viagem para lá correu bem.
Á nossa espera estava o P. Casimiro que ficou muito feliz com a visita. Depois de termos descansado um pouco da viagem fomos dar uma volta pela povoação.

O P. Casimiro levou-nos a ver o “seu território” e fomos sempre acompanhados por um bando de crianças, que não largam o P. Casimiro.
Visitámos algumas famílias e podemos constatar como o P. Casimiro já está bem inserido na comunidade e é querido pelas pessoas.
Uma das famílias que visitámos foi a de um nosso seminarista que se encontra a estudar em Morogoro.
Nessa noite começou a chover, e nós começamos a ficar um pouco preocupados. Pois se a chuva é uma bênção para este povo, o mesmo não podemos dizer para as estradas…
Na tarde do dia seguinte o P. Casimiro levou-nos a ver as suas “aventuras agrícolas” no quintal da missão.
Ele tinha lá plantado melões e melancias, mas só alguns melões vingaram, a culpa era de um bichinho qualquer que lá andava a comer as sementes. No entanto têm algumas árvores de fruta e as papaias para o jantar foram colhidas na hora.

Com o começo da chuva, alguns bichinhos mais indesejáveis começam a sair das tocas. Nessa noite o P. Casimiro matou dois escorpiões e o Paulo ainda matou uma “senhora” cobra que tinha vindo passear até perto de nós!
E a chuva não parou a noite toda!
Na quinta de manhã, continuava a chover, e já estávamos a pensar que iríamos ter que passar o Natal em Sanza!
Quando começou a abrandar, pusemo-nos à estrada. Desta vez foi mesmo complicado!
Valeu-nos a extrema habilidade do P. Inverardi que evitou que ficássemos presos no lamaçal em que se tinha transformado a estrada. Por duas vezes estávamos mesmo a ver que era desta que lá ficávamos.
A vista da parte de trás do carro era idêntica à quando se anda de barco, tal era a quantidade de água na “estrada”.

O que podem ver aqui na foto não é nenhum lago, é mesmo a estrada!
Mas graças a Deus lá chegámos sãos e salvos.
Na sexta-feira seguinte foi o jantar de boas-vindas, com cânticos e o tradicional bolo.
É sempre uma alegria receber visitantes e os miúdos da Faraja são exímios em o demonstrar.

Na segunda-feira fomos visitar o Parque Nacional do Ruaha. Levámos o Abbi connosco e contratámos uma guia, a ver se desta vez conseguíamos ver leões.
Mas ainda não foi desta.
No entanto, e devido às chuvas que tinham começado, o parque estava muito mais verde e vimos muito mais búfalos e elefantes do que da primeira vez que lá tínhamos estado. Aliás, eles estavam mesmo ao lado do carro :-).
O que vimos também foram hipopótamos, aliás quando pensávamos que estávamos a olhar para um animal ferido e em agonia, eis que ele “acordou” e mostrou-nos o seu desagrado pela interrupção da sesta!

Uma das “atracões” de Iringa é a pedra em Gangilonga. A subida é um pouquinho complicada, mas a vista que se tem lá de cima é fabulosa.
E nós não podíamos deixar de lá ir.
Aproveitámos para tirar algumas fotos de família com Iringa como pano de fundo.

E eis-nos chegados ao Natal! Ainda não foi desta que tivemos árvore de Natal, mas o resto das decorações ajudaram a dar um aspecto mais festivo à casa.

Por volta das sete da tarde realizou-se a Vigília de Natal.
Apesar de já estar um pouco escuro a população da aldeia acorreu para cantar Aleluias ao Rei que celebrávamos nessa noite.

Desta vez o jantar foi quase como se estivéssemos em Portugal. Bacalhau e aletria não faltou assim como as frutas secas da época. Só faltaram mesmo foi as rabanadas. Mas fica para uma próxima oportunidade.
E depois do jantar veio o momento tão esperado por todas as crianças, e pelos adultos também. A chegada do Pai Natal com as prendas.

Houve prendas para todos e para todos os gostos, e entre roupa, alguns brinquedos e guloseimas, todos passaram uma boa noite.

No dia de Natal a celebração tornou a ser bem festiva, com muitos cânticos e alegria.

O almoço foi na casa dos Padres, e como um verdadeiro almoço de Natal foi por volta das 2 da tarde.
É que o P. Franco tinha ido celebrar missa a Nduli, uma localidade aqui perto, que só recebe a visita do sacerdote duas vezes por ano.
À noite celebramos todos juntos na Faraja. E que grande festa foi!
Durante o começo das férias, o Paulo tinha dado a ideia de os grupos fazerem presépios, cartazes e postais de natal. Tinha sido uma forma de os ocupar e por a sua criatividade a trabalhar. E nesta noite seria a escolha dos melhores.
Cada grupo apresentou um presépio, um cartaz e 3 postais de Natal. O júri, constituído pelo P. Júlio, eu, minha mãe e meu irmão, e um dos professores teria que escolher os 3 melhores trabalhos em cada categoria. E que tarefa difícil foi!
Aqui estão alguns dos trabalhos:


No fim houve prémios para quase todos e a certeza de que actividades deste género se tornarão a repetir.
No dia seguinte, 26, regressámos a Dar-es-Salaam pois o avião do meu irmão seria nessa noite.
Tornámos a Iringa no domingo e os 3 últimos dias do ano foram passados aqui em Mgongo. É a altura das sementeiras e parece que este ano somos capazes de ter mais sorte, pelo menos tem chovido mais regularmente. Os rapazes têm andado atarefados a plantar o milho e feijão, e também algumas árvores.
No dia 31 voltámos a ter um jantar tradicionalmente português – o que não vale estar cá a minha mãe :-) – e ficámos à espera da meia-noite para comer as passas e brindar com um bocadinho de champanhe.
Foi uma boa passagem de ano.
Esperámos que a vossa também tenha sido boa e que este ano que agora iniciou nos traga Alegria, Paz e Saúde.
Heri kwa mwaka mpya! Feliz Ano Novo!
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia