abril 13, 2004

Newsletter #19

05-Março-2004

Olá a todos,

Esperamos que esta carta vos vá encontrar bem.
O mês de Fevereiro marcou o meu regresso à Tanzânia e à minha missão de Mgongo.
Este mês é um mês importante na vida dos Missionários e Missionárias da Consolata pois celebra-se a Festa do Beato Allamano, nosso fundador.
Foi um mês também marcado pela chuva, quase diariamente o precioso líquido nos brindou com a sua presença, levando a crer que este será um bom ano para as colheitas.

Mas comecemos pelo início.
Nos primeiros dias do mês eu ainda me encontrava em Portugal. Entre algumas visitas finais e preparação das malas o tempo passou rápido e chegou altura de fazer a viagem de regresso à minha missão.
O meu avião seria às 5.50 da manhã em Lisboa do dia 9, por isso domingo de manhã junto com a minha mãe, irmão e o Alex, pusemo-nos à estrada.
Dirigimo-nos para Fátima, onde iríamos participar na eucaristia da comunidade que se reúne na casa dos Missionários da Consolata em Fátima, para também aí poder dar o meu testemunho do que tem sido a nossa missão na Tanzânia.
O almoço foi-nos oferecido pela Comunidade dos Missionários.
Em Fátima encontramos também familiares do Pe. Manel. Trocamos notícias e eu aproveitei para trazer algumas coisas para ele.
E ainda houve tempo para uma foto de família, com a nova bandeira que seria usada na peregrinação do dia 14 da família consolatina.

A meio da tarde seguimos para Lisboa, onde ficamos na Casa Regional.
Jantamos com a comunidade e ainda recebemos a visita de outro casal de leigos que trabalha em Portugal. O Gonçalo e a Ana Isabel vieram despedir-se de mim e transmitir os votos de boa viagem de toda a comunidade laical.
Antes de ir descansar um pouco ainda troquei algumas impressões com o nosso Superior, P. Tomás; acerca de como estava a correr a nossa missão e algumas notícias de antigos companheiros de trabalho. É que o P. Tomás passou muito anos a trabalhar na missão na Tanzânia.

Às 3 da manhã lá nos dirigimos ao aeroporto. À minha mãe, meu irmão e ao Alex, juntou-se o meu padrinho para me ajudarem a despachar as malas J. É muito complicado viajar sozinha, em especial se há muito que se quer carregar. Felizmente não houve problemas nenhuns no check-in. Aproximava-se a hora da despedida.
Apesar de já não ser a primeira vez, não foi muito fácil tornar a dizer adeus, até breve. Mas a tristeza era atenuada pela completa alegria de regressar ao meu trabalho, à minha missão.
A viagem correu bem; tirando alguma correria em Amesterdão, pois tinha pouco mais de uma hora entre um avião e outro; e até deu para apreciar a paisagem pois ia à janela. Assim consegui ver os Alpes, cobertos de neve, deu para ver um bocado do deserto e, mais ao fim da tarde um pôr-do-sol magnífico, se não estou em erro, na Etiópia.

Cheguei a Dar-es-Salaam às 23.30 da noite. Também aqui não houve problema nenhum com as bagagens. À minha espera estava o Paulo e muito calor (pelo menos comparado com o que eu tinha deixado em Portugal).


Entretanto, durante este tempo em que estive fora a vida continuou em Mgongo.
Os rapazes da Faraja recomeçaram as suas aulas na escola primária, e os alunos da Chuo aos poucos foram chegando também.
A maior parte deste início do mês foi dedicado à lavoura. A chuva estava a cair certinha e era preciso ir cuidando das sementeiras.

Aos familiares do P. Júlio, que ainda se encontravam cá, juntaram-se a mãe e o irmão do P. Franco. A mãe, mamma Rita, que no ano anterior tinha dito que era o último em que vinha, veio desta vez acompanhada por outro seu filho, também padre missionário da Consolata. O P. Sílvio Sordella que está a trabalhar na Etiópia.
Ainda no início do mês o P. Júlio passou um pouco mal tendo sido necessário recorrer aos cuidados das Irmãs.


Dia 11 regressamos a Mgongo. Ao chegarmos a Iringa paramos na Casa Regional onde encontramos o P. Casimiro, que se encontrava a participar na Assembleia Regional dos Missionários. Trocamos saudações e saudades e aproveitei para lhe entregar os miminhos que lhe tinham enviado de Portugal

Na sexta-feira, toda a família Consolatina juntou-se em Iringa, na Casa Allamano (casa das Irmãs idosas) para celebrar a festa do Pai Fundador. Todos sentimos como é forte o seu amor por todos nós: “Deus poderia ter escolhido uma pessoa mais santa e mais inteligente do que eu para fundar o Instituto da Consolata; mas alguém que vos amasses mais do que eu, isso não creio.”

Padres, Irmãos, Irmãs e Leigos reuniram-se para dar graças e partilhar a alegria desse dia, enriquecido com a celebração de quatro jubileus de consagração religiosa da Ir. Domízia (75), Ir. Elvina (50), P. Ferraroni (60) e P. Lumiri (25). Ao todo 210 anos!

E foi também oportunidade para missionários de diferentes gerações e com diferentes experiências partilharem uns com os outros os Dons da Missão.

Após a celebração eucarística seguiu-se o almoço partilhado e convívio. Desta vez não foram só as crianças que quiseram homenagear e agradecer os Missionários e Missionárias jubilares pela sua dedicação à Missão, mas também alguns Padres e Irmãos os presentearam com cânticos de alegria e celebração festiva.

Recordando as palavras do Beato Allamano – “a união do coração e da vontade alivia o cansaço, produz energia e conduz à vitória” – é fácil verificar como a união do coração e da vontade está bem presente nos trabalhos dos Missionários e Missionárias da Consolata, presentes na Tanzânia há mais de 80 anos.

Na semana seguinte foi o regresso ao trabalho.
Este ano o Paulo ficou com a 6ª e a 7ª classe da catequese, na escola primária, e com o 2º e 3º ano de Bíblia na Chuo.
A mim calhou-me o 2º ano de Inglês e Matemática e o 3º ano de Inglês. Ou seja, este ano tenho menos horas de aulas. Vou aproveitar para ver se consigo arranjar algo que torne mais fácil as aulas, facilite a aprendizagem e motive mais os meus alunos.
Além destas actividades, continuo com alguns aulas de computadores e o Paulo está a dar apoio nos estudos aos rapazes mais velhos.

Na semana seguinte fomos até Makambako. Aproveitando que a viagem é curta (mais/menos duas horas de viagem) e que na terça-feira era o nosso dia de folga, saímos depois do almoço de segunda e fomos passar o Carnaval com o P. Manel.
Chegamos ao fim da tarde e encontramos o P. Manel no meio da reunião comunitária. Ele tinha chegado a Makambako há menos de um mês e ainda se estava a ambientar à sua nova missão. Pareceu-nos muito feliz e satisfeito. E trabalho em Makambako é coisa que não falta. Conversamos bastante e a só não foi pela noite dentro porque nessa altura a cidade estava com alguns problemas no abastecimento de energia. Pelos vistos, devido ao crescimento da cidade algumas obras e modificações estavam a ser feitas nos postos e a maior parte do tempo não existia luz. Assim, era o gerador que estava a funcionar, e como é muito caro tê-lo em funcionamento, às dez da noite é desligado.
Na terça de manhã demos uma volta pela cidade e depois do almoço regressamos a Iringa.

No dia seguinte era Quarta-feira de cinzas, e na eucaristia fizemos o ritual da imposição das cinzas.
A Quaresma começava.


Como todos os domingos, também este, o primeiro da Quaresma, teria um cartaz alusivo às leituras da eucaristia. E como parte da catequese dos rapazes são eles que colaboram na feitura do cartaz. Cada domingo um grupo diferente, mas o mesmo objectivo: por os rapazes a reflectir um bocadinho nas leituras da eucaristia e mostrarem o que delas retiram.

E assim chegamos ao fim do mês mais curto do ano.

Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em abril 13, 2004 02:16 PM
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