dezembro 14, 2004

Newsletter #29

Olá a todos,

O mês de Novembro começou com duas novas chegadas à Faraja.
O primeiro, mais pequeno, foi o Joseph, tem à volta de 6 anos e vivia com a avó e mais dois irmãos. Como a avó não tinha meios suficientes para sustentar os netos todos veio até nós pedindo ajuda. O segundo é o Ezequia, tem à volta dos 10 anos e é seropositivo.

Estava em Dodoma num centro para crianças seropositivas, mas como o Centro estava a ficar sem condições, antes que fechasse, as irmãs da Consolata recolheram-no e trouxeram-no até à Faraja. Aqui poderão ter uma infância normal e frequentar a escola. Para o Ezequia é um bocadinho mais complicado. Devido à sua condição específica, algumas vezes não lhe é permitido participar nalgumas das brincadeiras dos colegas como subir às árvores ou jogar à bola, por exemplo. Tem também uma alimentação reforçada o que por vezes causa problemas aos outros rapazes, em especial os mais novos, que não percebem bem o porquê do tratamento um pouco diferenciado. Todos os dias toma um cocktail de 6 comprimidos. Há pouco tempo os medicamentos estavam a acabar e não se conseguiam encontrar em Iringa, só em Dar-es-Salaam. A sorte foi que uma Irmã da Consolata estava de viagem de Dar para Iringa e trouxe-nos os medicamentos, e assim o Ezequia não precisou de saltar nenhuma toma.

No dia 12 foi o Dia de Graduação para os alunos da escola técnica. Acabaram o curso 19 jovens; 7 saíram formados em metalo-mecânica, 3 em sapataria e curtumes e 9 em carpintaria. No meio deles, 2 eram rapazes da Faraja.

O dia começou com uma celebração eucarística de acção de graças pelo fim do curso, em que participaram também alguns familiares que vieram para a festa.
Depois de um almoço partilhado, foi a vez de uma tarde de recreação com a entrega dos prémios e diplomas aos alunos, e abrilhantada com actuações dos grupos da Faraja e dos próprios alunos.
O P. Júlio foi o convidado de honra e fez o discurso de despedida. No fim ainda houve tempo para as últimas fotos juntando alunos, familiares e o responsável máximo da escola, o P. Franco.

Com a partida dos alunos do terceiro ano, os restantes preparavam-se para os seus exames finais. Assim, do dia 22 até ao dia 25 estiveram ocupados entre exames teóricos e práticos. No sábado, 27, partiram para casa para as férias grandes.


No dia 23 tivemos visitas. Os três seminaristas que terminaram o noviciado em Moçambique passaram por aqui. Augustine, Hyacinth e Richard irão no início do ano prosseguir os seus estudos de Teologia. O primeiro vai para o Brasil, o segundo para Roma e o último para Nairobi.

Ao fim da tarde apareceu-nos por cá o P. Manel, que tinha vindo trazer uns visitantes italianos de Makambako a Iringa. Aproveitou para nos fazer uma visita e passar cá a noite.


Dia 24 à tarde dirigimo-nos à Casa Regional, onde iríamos passar a noite. O motivo era a chegada do P. Casimiro e seus familiares, para no dia seguinte fazermos um pequeno safari pelo Parque Nacional do Ruaha.



Na quinta-feira lá fomos até ao Parque. O P. Casimiro estava bastante animado com a vinda do irmão e nem a perspectiva de duas semanas “carregadas” de estrada e canseira lhe tiravam a alegria. É que os nossos amigos portugueses só cá ficariam 10 dias, o que não é muito tempo, em especial tendo em conta as condições rodoviárias da Tanzânia.
Apesar do guia experiente que tínhamos (o Paulo), desta vez não conseguimos ver os sempre esperados leões. Aliás, em termos de quantidade acho que vimos menos animais. É que já tinham caído as primeiras chuvinhas e já se começava a ver o verde a despontar, portanto os animais já estariam mais dispersos, sendo mais difícil avistá-los. Mesmo assim conseguimos ver uma variedade considerável. O que serviu para fazer o teste inicial à nova máquina do P. Casimiro.
Mesmo antes de virmos embora fomos brindados com um espectáculo bonito. Uma família de elefantes estava à beira do lago dos crocodilos a prepararem-se para o banho da tarde, o que deu umas fotografias bonitas.


À noite o Paulo regressou a Mgongo e eu fiquei em Iringa pois ia acompanhar o P. Casimiro a Makambako no dia seguinte.

Quando chegamos a Makambako estava a terminar um casamento e pudemos assistir à saída dos noivos da igreja e às danças que se seguiram. O P. Casimiro aproveitou e deu também um pézinho de dança.
Digam lá se não tem a felicidade estampada no rosto.
Depois o P. Manel levou-nos até Ilamgamoto onde interrompemos o almoço dos mais pequeninos do infantário.
Uma das professoras fez-nos uma visita guiada às instalações da escola, e no fim assinamos o Livro de Honra.
Depois do almoço fomos até Kijombe, outra das comunidades que está a cargo da missão de Makambako. É uma pequena aldeia muito arenosa, e a população tem alguma dificuldade em tirar o sustento da terra.


De regresso a Iringa o P. Casimiro trouxe-me até Mgongo e assim os nossos amigos tiveram oportunidade de visitar também a Faraja.
Teve que ser uma visita curta, nem deu para jantarem cá, pois tinham que regressar à Casa Regional já que no dia seguinte, bem cedo, partiriam para Sanza.

Quanto a nós, com o fim das aulas na escola técnica e na escola primária, pudemos tirar uma semanita de repouso e assim, no domingo, partimos para Dar-es-Salaam.
Pelo caminho ainda fomos parados pela Polícia. Mas não era nada de grave, foi mesmo só para pedir uma boleia. Foi uma viagem bastante “segura”, pois íamos acompanhados pelo número 2 da Polícia de Iringa, que também já tinha trabalhado bastante tempo em Dar-es-Salaam.
Pelo caminho, já todas as brigadas sabiam qual era o nosso carro e nem precisávamos de abrandar quando passávamos por elas :-)!

Em Dar-es-Salaam encontramos o Ir. Liduino que já tinha regressado de férias (e dos exames médicos) e o “nosso” P. Júlio, que também lá esteve a passar uns dias de descanso. Aliás, foi ele que nos indicou um novo sítio onde poderíamos ir para a praia – Kigamboni, e na segunda-feira fomos até lá. (As fotos ficam para a próxima newsletter.)

Na terça-feira, último dia do mês, fomos até Bagamoyo mas pelo caminho começou a chover e depois de lá chegarmos, em vez de abrandar (ou passar), a chuva ficou ainda mais forte e acompanhada de trovoada. Viemos logo a seguir ao almoço para casa e, a meio da tarde, o P. Casimiro e os seus chegaram de Sanza. Tinham vindo um dia mais cedo, pois também para lá a chuva tinha começado e estavam com receio de que as estradas ficassem intransitáveis e não pudessem passar (coisa perfeitamente normal na época das chuvas), ficando assim impedidos de apanharem o avião.
E assim, em companhia portuguesa, chegamos ao fim de mais um mês.


O Natal já está aí à porta e aproveitamos para desejar a todos os nossos familiares e amigos umas Boas Festas cheias de alegria na esperança do Deus Menino que veio para nos trazer Paz e Amor.

Até ao próximo mês e uma boa entrada em 2005
Beijinhos e abraços para todos.
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em dezembro 14, 2004 04:19 PM
Comentários

caríssimo

desejos de bom natal para todos por aí.
obrigado pelo trabalho que fazem em nome da humanidade, pela humanidade. todos temos de fazer alguma coisa, mais do que falar.
um forte abraço.
e já agora, em que língua comunicam por aí?
tudo de bom,

pp

Afixado por: pp em dezembro 19, 2004 02:02 AM