janeiro 04, 2005

Newsletter #30

Olá a todos,

Como na última newsletter não incluimos fotos dos últimos dias de Novembro, e para um melhor seguimento aos acontecimentos, vamos voltar um bocadinho atrás.

Fomos para Dar-es-Salaam no domingo, 28 de Novembro, e chegamos por volta das 16.30h. Como de costume eu estava estourada da viagem, não sou eu que conduzo e muitas vezes venho a dormitar, mas aqueles 600km são mesmo puxados, e depois o calor, abafado e húmido, que se começa a sentir assim que entramos na região de Dar-es-Salaam, é demais. Por isso eu fiquei em casa a descansar, e o Paulo lembrou-se de ir tomar uma soda ao barzito da praia a que costumávamos ir. Eram 18.30h (já quase escuro) e ele ainda não tinha vindo.

O jantar na Procura é às 19.00h, de modos que comecei a estranhar. Chega a hora do jantar e nada. Ainda por cima não havia maneira de contactar com ele pois o telemóvel tinha ficado comigo. Os minutos iam passando e não havia maneira do Paulo chegar. No fim do jantar eis que finalmente chega. Tinha ficado “preso” com o carro porque um engraçadinho resolveu estacionar mesmo atrás dele, e para a frente também não podia sair porque tinha uns mecos. Ele bem tinha ido ao bar a perguntar se o carro era de alguém, mas ninguém se tinha “acusado”. Quando o fulano finalmente veio, estava num tal estado que o Paulo achou por bem não fazer grande barulho, além de que nunca se sabe quando não apareciam alguns compinchas do fulano para ajudar à festa.
O Paulo estava de tal maneira furioso que decidiu logo que não íamos mais para aquela praia.
Sendo assim resolvemos ir, na segunda-feira, para Kigamboni. Sempre tínhamos querido lá ir (já nos tinham dito que o mar lá é 5 estrelas) mas não sabíamos como. O P. Júlio deu-nos as indicações e disse-nos o resort onde havíamos de ir.
Deixem-me explicar como são os “resorts” por estas bandas. É um hotel na praia, com bangalows, restaurante e afins; mas pode-se ir só por um dia, almoçar lá ou só tomar qualquer coisa e estar na praia.
Para se chegar a Kigamboni temos que apanhar o ferry. Não é uma ilha, mas o caminho por terra são 40km, de maneira que é mais directo atravessar no ferry.


O Paulo não gosta muito até porque não há muitos anos houve um acidente e um ferry afundou-se e passado algumas semanas ainda havia corpos a dar à costa, mas prontos nem é assim tão mau. A viagem são entre 5 a 10 minutos e demora-se bem mais à espera que ele arranque; é que só quando está cheio é que parte, é para rentabilizar os custos (digo eu).


O sítio, em Kigamboni, é espectacular e os funcionários são bastante simpáticos. Depois de lá chegarmos encomendamos logo o almoço (marisco pois claro) e fomos para a praia. Eu fui logo para o mar.
Ainda choveu um bocadito, mas no geral o dia correu bem.


Na terça-feira resolvemos ir até Bagamoyo onde tínhamos estado em Julho (lembram-se da newsletter?). O dia prometia sol mas, ainda pelo caminho, começou a chover.
Pensávamos nós que iria abrandar ou isso mas quando lá chegamos até parecia que chovia mais! No entanto, resolvemos ficar e pedimos o almoço para as 11.30h, na esperança que o sol abrisse e pudéssemos aproveitar toda a tarde. Engano nosso! Ficamos dentro do restaurante, a apreciar a chuva e comigo embrulhada na toalha (é que o restaurante não tem paredes e o tempo estava fresco).
A dada altura o Paulo lembra-se de ir dar uma volta pela praia, mesmo a chover. Quando se preparava para sair do restaurante vem um trovão daqueles fortes de deitar tudo abaixo, nem sei como não falhou a luz. As coisas acalmam e passado um pedaço o Paulo decide ir outra vez. Levanta-se e… mais um trovão (desta vez mais fraco). Alguém não queria que fossemos à praia nesse dia. Nesta altura já estávamos a contar o tempo para almoçarmos e virmos embora. Valeu pelo passeio e pela comida que é boa.
Eu vim a viagem para casa a dormitar (são há volta de 70kms) e o Paulo disse que durante 40km choveu torrencialmente!
Por volta das 16.30 chegou o P. Casimiro com o pessoal dele e combinamos levá-los no dia seguinte a Kigamboni, sempre era mais perto.

Lá fizemos mais uma travessia de ferry e, pelo caminho caíram umas pinguitas de chuva. Encomendamos o almoço para o meio-dia, pelo sim pelo não, não fosse repetir-se a chuva do dia anterior .
Deu para dar um bom mergulho pois a água estava simplesmente deliciosa. O pior era cá fora pois as nuvens estavam a juntar-se e não estava calor nenhum.
O irmão do P. Casimiro ainda deu umas voltas pela praia e descobriu uns barquitos. Eu vi-os foi na água.










Entretanto começa a chover (outra vez!) e fomos para dentro do restaurante esperar pela hora de comer. Assim que almoçamos viemos embora.

Na quinta-feira, como era véspera de os familiares do P. Casimiro se irem embora, eles preferiram ficar por casa, para arrumarmos as malas. E falo no plural porque, além das malas deles, o irmão do P. Casimiro fez-nos o favor de levar uma mala com coisas nossas para casa.
De manhã demos um salto ao mercado das estátuas e artesanato, para eles comprarem os últimos recuerdos. Como nos despachamos cedo, eu e o Paulo ainda demos um salto à praia que fica aqui perto (a tal que o Paulo disse que não ia mais). O sol estava interessante, a água é que é pouca. Tem-se que andar bastante até termos uma altura decente e tem bastantes rochas. De tarde fizemos a “ronda” pelos supermercados para levarmos coisas que não se encontram em Iringa.
Estavam a ser umas férias mornas uma vez que ainda não tínhamos tido um dia completo de sol.

Na sexta-feira bem cedinho, 6.30h, fomos até ao aeroporto levar o pessoal que ia de regresso para o frio. Partiram felizes pois, apesar de o tempo cá passado ter sido bastante curto (10 dias) sempre deu para matar um bocadinho as saudades e ver “in loco” a realidade tanzaniana onde o P. Casimiro trabalha.
Às 10h decidimos ir outra vez para Kigamboni.
Desta vez, esteve um verdadeiro dia de praia e pudemos disfrutar das maravilhas da natureza que a Tanzânia tem para nos oferecer. Inclusivé deu para almoçar na praia.
Feitas as escolhas para o almoço, foi tempo de nos deliciarmo-nos no Indico. Podem ver pela foto como a água é mais do que suficiente. Não é preciso andar quilómetros para podermos mergulhar e nadar à vontade. E não se perde o pé facilmente. E até tem algumas ondas! Tem algumas algas, coisa pouca, e a temperatura é excelente!










Há uma hora, em ponto, vieram dizer-nos que o almoço estava pronto e se queríamos que fosse servido na praia. Como o tempo estava bastante agradável dissemos que sim.



O P. Casimiro e o Paulo tinham pedido camarões mas desta vez eu pedi pizza Hawaiana. A fruta que lá vinha resumia-se a ananás e cebola, e tinha também uns bocadinhos de peixe (que mais parece carne, muito bom). O prato deles consiste em camarão grelhado com salada, vem acompanhado de batata frita e pedimos também pão de alho. Os preços são bastante convidativos. Claro que para o tanzaniano comum é um pouco caro, mas para nós até nem são maus. Por exemplo, o prato de camarões grelhados são 6000tsh (à volta dos 5€), cada um dos pães (que é do tamanho de um crepe) custa 1000ths (menos de 1€) e a minha pizza foi 3500ths (perto de 3€). Claro que, como em todos os sítios, o mais caro são as bebidas. Se for um sumo natural (o de maracujá é excelente) são 1000ths, as sodas saem a 700ths (mais/menos 0.50€) e a cerveja nacional (que até é bastante agradável, e é meio litro) custa 1200ths.

Aquela moleza boa que dá depois de um bom almoço aliada ao tempo excelente que se fazia sentir e ajudada pela sombra das palmeiras ajudou ao descanso da tarde, enquanto não eram horas de ir ao banho outra vez. Eu aproveitei para tirar umas fotos ao sítio.












Entretanto o Paulo já tinha feito amizade com o pessoal dali e tinha descoberto que um dos empregados era de Pawaga e tinha sido baptizado pelo P. Crema, e outro tinha sido baptizado pelo P. Franco, que também tinha ajudado alguém da família nos estudos.

Fomos outra vez ao banho e dava para notar que tanto eu como o Casimiro tínhamos apanhado uma “corzita”. Eu foi quase por todo o lado, o P. Casimiro foi mais nos joelhos.. A culpa foi do mar, estava sempre a ir à água… não dava tempo para por creme :-).
Escusado será dizer que nessa noite foi um bocadinho mais chato adormecer, por causa do “calor” que sentia.


Antes de virmos embora ainda vimos camelos. Lá no resort podemos inscrever-nos para andar de camelo, cavalo e até de burro!

No sábado o P. Casimiro regressou a Sanza e nós fomos para… o sítio do costume. Desta vez com o Carlo, um rapaz italiano que esteve na Tanzânia a passar umas semanas, a ajudar no seminário de Morogoro, e agora vinha para Dar enquanto o dia do voo de regresso não chegava. Eu já o conhecia, de quando tinha estado em Itália em 2001


Estávamos meio desconfiados do tempo, não estava muito calor e viam-se algumas nuvens um pouco escuras ao longe. A verdade é que choveu mesmo, o que não foi impedimento para que as crianças que lá estavam se divertissem na mesma.


Mas depois que a chuva passou… O dia esteve mais uma vez excelente.

À vinda embora o Carlo tirou-nos uma foto e podem ver a cor que “ganhei”
Sim, sim, eu sei! Estava ligeiramente queimada. Mas na semana seguinte tinha uma cor muito decente e bonita (ou como disse o P. Daniel quando me viu: uma cor de rica :-)).

Como a missa dominical na Procura é ao sábado ao fim da tarde, no domingo de manhã estávamos livres para, mais uma vez irmos dar uma volta.


Levamos o Carlo até ao mercado de artesanato e descobrimos um sítio novo também onde se podem arranjar bastantes pinturas. Como nos disse um dos vendedores, o que está a dar agora é a arte Masai. Vejam algumas amostras.

Durante essa semana, regressaram de férias mais dois missionários.

O P. Lumetti, 85 anos de idade e mais de 60 de África; que trabalha em Makambako, junto com o P. Manel.
O P. Giorda, 77 anos de idade, mais de 50 de África; que trabalha em Tosamanganga.
Chegou também o P. Marini, ecónomo geral do Instituto.











(da esquerda para a direita, na ultima foto: Padres Lumeti, Kibura, Dido, Marini, Salvador, Giorda; e o Carlo)


Enquanto uns regressavam de férias, havia também quem estivesse de férias aqui na Tanzânia.
O P. Lucio, italiano, veio cá passar uns dias com uns amigos. Foi ele que começou o projecto da Faraja House, antes de o P. Franco ir para lá. Vejam-no aqui ao lado do P. Giullio, todo sorridente (o P. Lucio é o do chapéu.)

Depois destas mini-férias, na segunda-feira, dia 6 regressamos a casa.
Apesar de a escola primária já ter terminado, os miúdos (alguns) ainda iam para a escola.
O motivo era trabalhar os campos da escola e dos professores, para preparar as colheitas.
É costume por aqui assim acontecer. Desde a escola primária, até à secundária, parte do trabalho dos alunos é no campo. Na maior parte das escolas secundárias (que são internas) esta é a única maneira de os alunos terem alimentação ao longo do ano.

Por aqui, na escola técnica, preparava-se o próximo ano. Entre o dia 8 e o dia 10 realizaram-se os exames de admissão e as respectivas entrevistas.
Este ano entram 6 rapazes da Faraja que terminaram a Darasa La Saba.

As chuvas também parece que chegaram com força. Em Iringa e em outras missões tem chovido bastante, mas aqui em Mgongo ainda não é suficiente. Mas apesar de não ser muita, já é o bastante para que certos bichinhos menos agradáveis apareçam. Como por exemplo cobras e escorpiões. É por esta altura que eles são mais frequentes e é preciso ter-se um certo cuidado. Nós andamos sempre com botas ou sapatilhas, mas os miúdos ou andam de chinelos ou então, o que é mais comum, descalços.

Por acaso não foi nenhum dos rapazes que encontrou o espécimen que está ao lado, mas sim o Paulo. Teve o bom senso de, quando sentiu algo estranho a puxar a meia, não fazer nenhum movimento brusco ou podia ter sido picado. Eu sei que são perigosos, mas até são uns bichinhos interessantes, não acham?

E assim se passou a primeira quinzena de Dezembro.
Esperamos que tenham gostado das fotos!

Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em janeiro 4, 2005 11:44 AM
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