março 10, 2005

Newsletter #33

Olá a todos,

Fevereiro continuou chuvoso, ao contrário das notícias que nos iam chegando de Portugal, que nos davam conta da seca que por lá se estava a começar a sentir.

Logo a começar o mês tivemos uma boa notícia, o P. Gianni, que está na Casa Regional conseguiu finalmente por a funcionar a rede interna, e agora já posso usar o meu próprio pc para me ligar à internet.

No dia 3 falámos com o P. Casimiro pela rádio e confirmámos que ele vinha para a Assembleia Regional e, mais importante, ele disse-nos que estava tudo tratado para ir de férias a tempo de participar na festa da Consolata em Águas Santas.

O P. Manel fez anos dia 6 e assim, na segunda-feira dia 7, fomos até Makambako para festejarmos todos juntos. Aproveitámos que o dia seguinte, era o nosso dia de folga e passamos lá a noite. Era também Carnaval, mas aqui não há festejos carnavalescos, nem desfiles de máscaras.
Em vez disso resolvemos fazer um almoço especial, com um toque português, caldo verde! O P. Manel foi para a cozinha e além de ir dando as instruções às cozinheiras, pegou ele mesmo na colher e cozinhou também :-).
Eu fiquei encarregue de fazer o sumo para o almoço, sumo de cenoura e côco; que deu algum trabalho pois a máquina de sumos além de ser bastante velha já não era usada há muito tempo. Resultado, de 3 em 3 minutos tinha que parar pois o motor aquecia e até deitava fumo :-o)

Mas o resultado final foi muito bom, e todos gostaram; nós em especial pois o caldo verde estava mesmo apetitoso.


Na quarta-feira, já de regresso a Mgongo, realizou-se a imposição das Cinzas, marcando o início da Quaresma. Mais uma vez a Igreja encheu-se; alguns habitantes da aldeia não são católicos, mas vieram na mesma participar na eucaristia.


Na semana seguinte, dia 14, o P. Casimiro passou por cá a caminho da Casa Regional. Vinha de boleia, com os missionários de Heka (vizinhos de Sanza) mas como nós nos oferecemos para o levar mais tarde à Casa Regional, ele acabou por passar cá a tarde, o que deu para por a conversa em dia.


Na terça-feira, tivemos oportunidade de, mais uma vez, nos maravilharmos com o que as novas tecnologias fazem nos dias de hoje. Instalámos um programa novo no pc que nos permite fazer chamadas telefónicas através da internet, e falar com quem também utiliza o mesmo programa. Tivemos sorte e podemos dizer que fizemos uma mini-conferência, nós, os padres Casimiro e Manel na Tanzânia, o P. Zé Martins, o P. Marçal e o P. Tomás em Portugal. Até consegui falar com o meu irmão!


No dia seguinte, foi dia 16 de Fevereiro, uma data especial para os Missionários e Missionárias da Consolata pois celebra-se o dia do seu Fundador, o Beato José Allamano.
Homem de uma espiritualidade forte e com um carisma próprio, sempre atento aos sinais do seu tempo e capaz de ver mais além, com um forte amor pela Missão, animado de ardente zelo pelo bem dos irmãos e possuindo um vivo senso da missão universal da Igreja, levou-a a alargar os seus horizontes ao mundo inteiro, através da Fundação dos dois Institutos.
Na Tanzânia, a comunidade dos Missionários e Missionárias da Consolata, reuniu-se para festejar o seu Fundador, na casa das Irmãs Missionárias da Consolata, em Iringa.









Durante a eucaristia, que foi animada pelo grupo de Leigos Missionários da Tanzânia, foram também celebrados, em acção de gaças, 185 anos de serviço à Missão. O P. Pancotti e o P. Poloni celebraram 50 anos, o P. Mbuba 25, e a Irmã Gabrielina 60 anos. Com a Profissão Religiosa disseram o seu sim para se dedicarem ao anúncio do Evangelho, e à consolação dos mais desfavorecidos, seguindo o carisma dos Missionários e Missionárias da Consolata.

Na foto podem ver, da esquerda para a direita, a Irmã Virgiliana (superiora das Irmãs na Tanzânia), Ir. Gabrielina, P. Mbuba, P. Pancotti, P. Poloni e o P. Inverardi (superior dos Missionários na Tanzânia).


Durante a homília o P. Inverardi, lembrou a figura e o modo de actuação do Fundador, pondo em evidência o seu papel de pai, sempre presente (através das suas cartas) que tenta guiar os seus filhos e filhas através de princípios firmes mas sempre com carinho e amor.

O almoço, partilhado, foi realizado no novo espaço que está a ser construído na casa das Irmãs. Servirá para realizar encontros de formação e/ou momentos de convívio e faz parte do projecto Nyumba ya Furaha (Casa da Alegria); casa de acolhimento para “meninas de rua”, que está a cargo das Irmãs Missionárias da Consolata.


Após o almoço a tarde foi preenchida com cânticos e danças, de vários grupos ligados aos Missionários/as. É de destacar a actuação do grupo das meninas que fazem parte da Nyumba ya Furaha.

Como todo o bom dia de festa, também este foi passado em família. Primeiro com toda a família dos Missionários e Missionárias da Consolata, e depois com a família portuguesa aqui presente. Os P. Manel e Casimiro deram-nos a honra de passarem o resto do dia em nossa casa, e jantamos todos juntos.


No dia seguinte de manhã, o Paulo levou-os de regresso à Casa Regional, mas antes ainda tiveram a oportunidade de visitarem a escola técnica daqui e a escola primária de Mgongo; foi para verem como é que dávamos as aulas :-).

Ao longo do mês, o Paulo esteve a preparar algum material didáctico para a escola primária. Tal como a maioria das escolas das aldeias deste país, também esta tem carência deste tipo de material, causando algumas dificuldades aos professores e alunos.
Logo no primeiro ano, o Paulo tinha feito um pequeno mapa para o ajudar nas suas aulas de catequese. O Director da escola achou que estava tão bem feito que pediu logo para ficar com ele.
Desta vez foram cartazes para as primeiras classes, com as letras, números, algumas palavras com os respectivos desenhos (como se via no tempo em que nós andávamos na primária), também alguns cartazes para as aulas de ciências dos mais velhos – o aparelho digestivo, o aparelho respiratório – e ainda material para as aulas de Inglês. O P. Casimiro deu uma ajuda na colocação dos cartazes.


Como é habitual durante a Quaresma, todas as sextas-feiras faz-se a Via-Sacra.
Este ano o P. Franco, que recebeu de Itália o dvd do filme “A Paixão de Cristo”, achou que seria interessante todos assistirmos. Assim, todas as sextas, juntamente com a Via-Sacra, temos estado a ver o filme, cada sexta-feira vê-se uns 15/20 minutos. O filme está legendado em Inglês mas, tirando os alunos da escola técnica, a maior parte dos miúdos e a população da aldeia não tem conhecimentos suficientes, portanto o P. Franco vai fazendo a tradução. No entanto é um facto que uma imagem vale mais que mil palavras, e todos conseguem entender bem o que passa no pequeno ecrán.

No último domingo do mês, o Evangelho contava-nos a história da Samaritana que se encontra junto ao poço de Jacob com Jesus. Mais uma vez, o elemento visual funcionou como complemento à homília que o P. Franco realizou pois o Paulo, com a ajuda de alguns miúdos, fizeram um poço em papel e uma das meninas do coro fez de Samaritana.

E com este sinal quaresmal despedimo-nos deixando já os votos de uma Boa Páscoa para todos.
Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em março 10, 2005 12:54 PM
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