abril 10, 2005

Newsletter #34

Olá a todos,

Esperamos que as vossas festas pascais tenham corrido bem.
Por aqui o mês de Março foi um pouco “agitado”.


A chuva que estava a cair regularmente parou e fez-se sentir um calor pouco habitual nesta zona do país, durante as primeiras semanas. Tanto assim foi que o milho começou a espigar antes do tempo e as populações já estavam a deitar as mãos à cabeça de preocupação com a perda das colheitas. Graças a Deus, no Domingo de Ramos a chuva voltou e ainda foi possível salvar alguma coisa.

Entretanto alguns azares foram-nos acontecendo. Primeiro foi o carro que utilizamos. Dois pneus furados em pouco espaço de tempo e depois a bateria. É que as estradas por aqui tem bastantes buracos, e com tantos solavancos o suporte da bateria acabou por partir, o que fez com que o líquido se entornasse; resultado, tivemos que comprar uma bateria nova.

Depois foi o meu computador que resolveu, mais uma vez, pregar-nos um susto. De um momento para o outro deixei de ter imagem no écran. Ora mandar arranjar estava fora de questão, pois sendo um écran de um portátil, mais valia comprar um novo! A solução foi ligar-lhe um monitor externo, para poder continuar a trabalhar. Mas tal como a chuva, o monitor resolveu aparecer no Sábado de Aleluia! Ainda não contente, no Domingo de Páscoa tornou a “sumir” e só reapareceu depois da eucaristia. Penso que terão sido os cânticos alegres que se fizeram ouvir que lhe deu força e confiança para continuar a trabalhar :-) .
Até ao momento tem estado a funcionar bem, mas cruzo sempre os dedos quando ligo o computador ;-).

E em relação às aulas, foram realizados os primeiros exames sendo os resultados, mais uma vez, muito desanimadores.


Mais sério do que isto foi o facto de alguns dos miúdos mais velhos terem sido “convidados” a irem passar uns dias para suas casas, para “arejarem as ideias”. É que foram apanhados a roubar, desde canetas e cadernos, até açúcar e arroz . Há hábitos difíceis de perder.

Como podem ver, a vida nem sempre é fácil por aqui, mas vamos levando com a Graça de Deus e tentando proporcionar o melhor e ajudar no crescimento destas crianças.


Passando a coisas mais alegres.
Logo no primeiro dia de Março o P. Manel passou por aqui, a caminho de Morogoro, onde iria ficar durante uma semana para dar um mini-curso de internet aos seminaristas.

E no dia seguinte a Ir. Zita ligou-nos a convidar para participarmos da Eucaristia que se iria realizar no domingo de tarde, como conclusão do encontro de Leigos Missionários da Consolata da Tanzânzia.
O momento alto seria o compromisso feito por cerca de 30 elementos.
Depois de 3 anos de formação e acompanhamento pelos Missionários e Missionárias da Consolata, assumiram o seu compromisso numa cerimónia litúrgica bastante simples mas muito significativa.

O celebrante foi o P. Inverardi, superior dos Missionários, e presente estava também a Ir. Virgiliana, superiora das Missionárias. Na breve homilia que fez, o P. Inverardi, fez uma espécie de síntese do trabalho que tinha sido feito ao longo destes 3 anos de formação sobre o carisma dos Institutos e do fundador, o Beato Allamano, focando 3 aspecto: o ser leigo, o ser missionário, e o que significa ser da Consolata. No final cada um dos leigos recebeu, pelas nossas mãos um terço e um livrinho de orações também usadas por todos os missionários e missionárias, para assim estarem em comunhão com a família consolatina. Foi um gesto simbólico mas que mais uma vez nos fez sentir o quão bem recebidos temos sido na Comunidade dos Missionários e Missionárias da Consolata aqui na Tanzânia.

Os elementos do “Wamisco” (leigos missionários da Consolata) são na sua maioria catequistas, chefes de comunidade ou pertencentes a outros grupos pastorais. São jovens com uma média de 40 anos, que estão a dar os primeiros passos nesta nova realidade, que também se faz sentir em “países de Missão”. Depois de terem recebido tanto dos missionários/as, agora sentem que chegou a altura de darem também eles um pouco do muito pouco que têm, e assumirem a sua missão como cristãos: anunciar o Evangelho, levando a consolação a todos.


Chegados à Semana Santa, as celebrações pascais começaram como habitualmente com o Domingo de Ramos. Mais uma vez muitas pessoas das aldeias vizinhas vieram até à Missão para participarem da liturgia do dia.

Este ano, na cerimónia do Lava-pés na Quinta-feira Santa, o celebrante foi o P. Júlio. E depois do jantar, os diferentes grupos dos rapazes foram passando pela igreja para um momento de Adoração.

Sexta-feira Santa realizou-se a Via Sacra, e como já se via tornando um hábito aqui na Faraja, foi com quadros vivos. Notamos que a população tem vindo a aumentar de ano para ano.
E como as imagens falam melhor que as palavras, aqui fica uma pequena amostra.


Sábado realizou-se a Vigília Pascal. Este ano não houve baptizados, apenas a apresentação dos futuros catecúmenos. São cerca de 30, entre rapazes e raparigas e uns poucos de jovens adultos.
A celebração começou com a benção do Fogo Santo e a procissão do círio, representando a Luz de Cristo.


E no domingo tivemos uma das celebrações mais animadas e alegres. Os cânticos estavam especialmente bem ensaiados, os rapazes cantaram com alegria que lhes vinha do coração. Cristo tinha verdadeiramente Ressuscitado e isso notava-se em todas as pessoas. O almoço foi “em família”, com a comunidade missionária de Mgongo, e à noite jantamos todos na Faraja, aproveitando para fazer a festa de despedida de duas nossas benfeitoras que cá passaram três semanas.

Segunda-feira de Páscoa seguimos viagem para Dar-es-Salaam. Mais do que aproveitar uns dias de férias, o assunto que lá nos levava era a nossa viagem de regresso.
Por incrível que pareça estava na hora de começar a tratar disso.
Ver qual a melhor data, conciliar com a viagem da minha mãe até cá, e todo esse tipo de coisas.

Num dos dias fomos até à missão de Kigamboni para cumprimentar os Padres Dario, Verna e Lucciano. O Paulo já há muito tempo que não via nenhum deles e aproveitámos para ver a nova Igreja que já tem portas e janelas (se se lembram, quando eu por lá passei em Janeiro ainda estavam à espera do contentor que estava preso no porto).
Na vigília de Sábado Santo fizeram a primeira celebração lá e encheram a Igreja. Infelizmente eu não estava com a máquina fotográfica e não fiz fotos, mas acreditem que a Igreja além de bonita é muito grande por dentro. Na próxima oportunidade vocês vêem as fotos.

E assim chegou ao fim mais um mês.

Beijinhos e abraços para todos.
Até à próxima,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em abril 10, 2005 07:06 AM
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