05-Abril-2004 
Olá a todos,
Março é o mês em que a Primavera regressa ao hemisfério norte. Aqui, na parte sul do globo, sentimos isso pois as andorinhas são cada vez menos e o calor começa a diminuir um pouco.
A chuva continuou a abençoar-nos com a sua presença e a vida na missão seguiu o seu curso normal.
No início do mês o P. Júlio deslocou-se até ao Hospital de Ikonda, pois não andava a sentir-se muito bem. Após quatro dias regressou e felizmente não tinha nada de grave, apenas um pouco de cansaço. Afinal já são 80 anos de vida e 54 ao serviço da Missão!
No primeiro domingo do mês foi a apresentação à comunidade dos Catecúmenos que irão ser baptizados no Sábado de Aleluia durante a Vigília Pascal. Este ano são 30! 20 são rapazes da Faraja, 10 são crianças da aldeia e 2 são alunos aqui da Chuo.
Na segunda-feira dia 8, o P. Manel foi até Morogoro. Como a viagem é longa, parou para almoçar aqui em nossa casa. Aproveitamos para nos por a par dos seus progressos em Makambako.
Sexta-feira, dia 12 foi o dia de aniversário da mãe do P. Franco. A D. Rita festejou o seu 88º aniversário. O jantar e a festa foram na Faraja como é tradição. Mas os entretenimentos estão a melhorar. As músicas são novas, e os rapazes em vez de se limitarem a imitar uma espécie de dança que vêem na televisão, começam a apresentar cada vez mais números tradicionais.

Claro que o Paulo não podia deixar de aproveitar para se divertir um pouco também :-)!
Junto com a Mamma Rita estava também a mãe do nosso Masai, Obadia que se encontra a estudar no Seminário em Mafinga. Ela tinha vindo cá para falar com o P. Franco de assuntos relacionados com os estudos do filho e participou também da festa.

Dia 24 de Março é Dia de Oração e Jejum em toda a Igreja pelos Missionários Mártires.
E em Iringa realizou-se uma celebração na Igreja da Consolata para lembrar todos os Missionários que têm dado a sua vida ao Serviço da Missão e por Amor ao próximo.
O mote era “Não existe maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15:13) e o “título” da celebração era “Mashahidi wa Upendo” isto é, “Mártires do Amor”.

Cerca de uma centena de pessoas, entre Padres, Irmãs, Irmãos, Leigos e outros cristãos reuniram-se para reflectir na Palavra de Deus, e lembrar todos os Missionários que deram a sua vida ao Serviço da Missão e do Amor a Cristo.

Só no ano passado mais 35 Missionários deram o seu sangue, para que o Amor continue a florescer.
Um dos momentos marcantes da celebração foi a memória de todos quantos foram martirizados o ano passado.
Uma a uma, 35 crianças vieram depositar o nome do Missionário Mártir aos pés da cruz.

Entre esses nomes encontrava-se um muito especial para a comunidade Tanzaniana: Irmã Rosimila Mhesa. Esta Irmã, pertencente às Irmãs Teresinas, tinha 73 anos de idade e trabalhava numa casa de apoio às crianças orfãs e de rua em Tosamanga. O ano passado, em Março foi assassinada, vítima de roubo. As suas crianças tornaram a ficar orfãs.
Durante a celebração ouvimos o testemunho de uma sua Irmã que nos falou do trabalho que a Ir. Rosimila fazia junto dos mais pequenos e desfavorecidos. Mais uma semente de sangue que veio regar este território de Missão que é a Tanzânia.
É sempre difícil compreender este tipo de violência, em especial quando cometido contra quem só faz o bem ao seu próximo. Mas em Jesus Cristo e no seu Amor supremo por nós encontramos conforto e lembramo-nos das suas palavras: “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas, se morre, produz muito fruto.” (Jo 12:24)
Apesar do tempo chuvoso, as obras aqui na Missão continuam a andar bem e este mês ficou concluído um bloco onde funcionarão os “serviços administrativos” da Escola Técnica, bem como a sala de reuniões do staff.

O fim do mês aproximava-se do fim e terminou com a celebração do aniversário do Ir. Boniface. Desta vez a festa foi na Chuo animado com alguns cantos e pequenas peças de teatro.

E por este mês é tudo, a Páscoa está aí a chegar e aproveitamos desde já para desejar a todos uma Santa Páscoa na alegria de Cristo Ressuscitado.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia
05-Março-2004
Olá a todos,
Esperamos que esta carta vos vá encontrar bem.
O mês de Fevereiro marcou o meu regresso à Tanzânia e à minha missão de Mgongo.
Este mês é um mês importante na vida dos Missionários e Missionárias da Consolata pois celebra-se a Festa do Beato Allamano, nosso fundador.
Foi um mês também marcado pela chuva, quase diariamente o precioso líquido nos brindou com a sua presença, levando a crer que este será um bom ano para as colheitas.
Mas comecemos pelo início.
Nos primeiros dias do mês eu ainda me encontrava em Portugal. Entre algumas visitas finais e preparação das malas o tempo passou rápido e chegou altura de fazer a viagem de regresso à minha missão.
O meu avião seria às 5.50 da manhã em Lisboa do dia 9, por isso domingo de manhã junto com a minha mãe, irmão e o Alex, pusemo-nos à estrada.
Dirigimo-nos para Fátima, onde iríamos participar na eucaristia da comunidade que se reúne na casa dos Missionários da Consolata em Fátima, para também aí poder dar o meu testemunho do que tem sido a nossa missão na Tanzânia.
O almoço foi-nos oferecido pela Comunidade dos Missionários.
Em Fátima encontramos também familiares do Pe. Manel. Trocamos notícias e eu aproveitei para trazer algumas coisas para ele.
E ainda houve tempo para uma foto de família, com a nova bandeira que seria usada na peregrinação do dia 14 da família consolatina.

A meio da tarde seguimos para Lisboa, onde ficamos na Casa Regional.
Jantamos com a comunidade e ainda recebemos a visita de outro casal de leigos que trabalha em Portugal. O Gonçalo e a Ana Isabel vieram despedir-se de mim e transmitir os votos de boa viagem de toda a comunidade laical.
Antes de ir descansar um pouco ainda troquei algumas impressões com o nosso Superior, P. Tomás; acerca de como estava a correr a nossa missão e algumas notícias de antigos companheiros de trabalho. É que o P. Tomás passou muito anos a trabalhar na missão na Tanzânia.
Às 3 da manhã lá nos dirigimos ao aeroporto. À minha mãe, meu irmão e ao Alex, juntou-se o meu padrinho para me ajudarem a despachar as malas J. É muito complicado viajar sozinha, em especial se há muito que se quer carregar. Felizmente não houve problemas nenhuns no check-in. Aproximava-se a hora da despedida.
Apesar de já não ser a primeira vez, não foi muito fácil tornar a dizer adeus, até breve. Mas a tristeza era atenuada pela completa alegria de regressar ao meu trabalho, à minha missão.
A viagem correu bem; tirando alguma correria em Amesterdão, pois tinha pouco mais de uma hora entre um avião e outro; e até deu para apreciar a paisagem pois ia à janela. Assim consegui ver os Alpes, cobertos de neve, deu para ver um bocado do deserto e, mais ao fim da tarde um pôr-do-sol magnífico, se não estou em erro, na Etiópia.

Cheguei a Dar-es-Salaam às 23.30 da noite. Também aqui não houve problema nenhum com as bagagens. À minha espera estava o Paulo e muito calor (pelo menos comparado com o que eu tinha deixado em Portugal).
Entretanto, durante este tempo em que estive fora a vida continuou em Mgongo.
Os rapazes da Faraja recomeçaram as suas aulas na escola primária, e os alunos da Chuo aos poucos foram chegando também.
A maior parte deste início do mês foi dedicado à lavoura. A chuva estava a cair certinha e era preciso ir cuidando das sementeiras.
Aos familiares do P. Júlio, que ainda se encontravam cá, juntaram-se a mãe e o irmão do P. Franco. A mãe, mamma Rita, que no ano anterior tinha dito que era o último em que vinha, veio desta vez acompanhada por outro seu filho, também padre missionário da Consolata. O P. Sílvio Sordella que está a trabalhar na Etiópia.
Ainda no início do mês o P. Júlio passou um pouco mal tendo sido necessário recorrer aos cuidados das Irmãs.
Dia 11 regressamos a Mgongo. Ao chegarmos a Iringa paramos na Casa Regional onde encontramos o P. Casimiro, que se encontrava a participar na Assembleia Regional dos Missionários. Trocamos saudações e saudades e aproveitei para lhe entregar os miminhos que lhe tinham enviado de Portugal
Na sexta-feira, toda a família Consolatina juntou-se em Iringa, na Casa Allamano (casa das Irmãs idosas) para celebrar a festa do Pai Fundador. Todos sentimos como é forte o seu amor por todos nós: “Deus poderia ter escolhido uma pessoa mais santa e mais inteligente do que eu para fundar o Instituto da Consolata; mas alguém que vos amasses mais do que eu, isso não creio.”

Padres, Irmãos, Irmãs e Leigos reuniram-se para dar graças e partilhar a alegria desse dia, enriquecido com a celebração de quatro jubileus de consagração religiosa da Ir. Domízia (75), Ir. Elvina (50), P. Ferraroni (60) e P. Lumiri (25). Ao todo 210 anos!

E foi também oportunidade para missionários de diferentes gerações e com diferentes experiências partilharem uns com os outros os Dons da Missão.

Após a celebração eucarística seguiu-se o almoço partilhado e convívio. Desta vez não foram só as crianças que quiseram homenagear e agradecer os Missionários e Missionárias jubilares pela sua dedicação à Missão, mas também alguns Padres e Irmãos os presentearam com cânticos de alegria e celebração festiva.

Recordando as palavras do Beato Allamano – “a união do coração e da vontade alivia o cansaço, produz energia e conduz à vitória” – é fácil verificar como a união do coração e da vontade está bem presente nos trabalhos dos Missionários e Missionárias da Consolata, presentes na Tanzânia há mais de 80 anos.
Na semana seguinte foi o regresso ao trabalho.
Este ano o Paulo ficou com a 6ª e a 7ª classe da catequese, na escola primária, e com o 2º e 3º ano de Bíblia na Chuo.
A mim calhou-me o 2º ano de Inglês e Matemática e o 3º ano de Inglês. Ou seja, este ano tenho menos horas de aulas. Vou aproveitar para ver se consigo arranjar algo que torne mais fácil as aulas, facilite a aprendizagem e motive mais os meus alunos.
Além destas actividades, continuo com alguns aulas de computadores e o Paulo está a dar apoio nos estudos aos rapazes mais velhos.
Na semana seguinte fomos até Makambako. Aproveitando que a viagem é curta (mais/menos duas horas de viagem) e que na terça-feira era o nosso dia de folga, saímos depois do almoço de segunda e fomos passar o Carnaval com o P. Manel.
Chegamos ao fim da tarde e encontramos o P. Manel no meio da reunião comunitária. Ele tinha chegado a Makambako há menos de um mês e ainda se estava a ambientar à sua nova missão. Pareceu-nos muito feliz e satisfeito. E trabalho em Makambako é coisa que não falta. Conversamos bastante e a só não foi pela noite dentro porque nessa altura a cidade estava com alguns problemas no abastecimento de energia. Pelos vistos, devido ao crescimento da cidade algumas obras e modificações estavam a ser feitas nos postos e a maior parte do tempo não existia luz. Assim, era o gerador que estava a funcionar, e como é muito caro tê-lo em funcionamento, às dez da noite é desligado.
Na terça de manhã demos uma volta pela cidade e depois do almoço regressamos a Iringa.
No dia seguinte era Quarta-feira de cinzas, e na eucaristia fizemos o ritual da imposição das cinzas.
A Quaresma começava.


Como todos os domingos, também este, o primeiro da Quaresma, teria um cartaz alusivo às leituras da eucaristia. E como parte da catequese dos rapazes são eles que colaboram na feitura do cartaz. Cada domingo um grupo diferente, mas o mesmo objectivo: por os rapazes a reflectir um bocadinho nas leituras da eucaristia e mostrarem o que delas retiram.
E assim chegamos ao fim do mês mais curto do ano.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia
05-Fevereiro-2004
Olá a todos,
Cá estamos nós, mais uma vez no início de um novo ano, a dar-vos conta das novas por estes lados.
Como “prenda” de Ano Novo, os rapazes tiveram direito a um passeio. A ideia era ir até ao Parque Nacional do Mikumi. Os mais pequeninos como não podiam ir vieram até nossa casa onde assistiram a uma matiné com o filme de Natal da Disney.
Infelizmente a camioneta onde os rapazes seguiam avariou, e o passeio teve que terminar bem mais cedo, sem sequer chegarem às imediações do Parque.
Como é hábito em ocasiões festivas, a comunidade junta-se para o almoço/jantar. Desta vez, e aproveitando a estadia da minha mãe por cá, o almoço foi em nossa casa juntamente com os Padres Júlio e Franco.
O mês começou com a promessa de um bom ano de colheitas. A chuva foi caindo a tempo e horas e todos andavam ocupados nos campos e hortas a semear e plantar. Aqui na Faraja não foi excepção e além das culturas habituais (milho, feijão) também algumas árvores foram plantadas; perto de duas centenas. O objectivo é ajudar a segurar o solo e a fornecer alguma humidade necessária neste clima tão seco. Das centenas plantadas todos os anos, menos de 30% sobrevivem, por isso este é um hábito que é repetido todos os anos.
No dia 6 resolvemos ir visitar o P. Manel a Sadani, missão onde ele estaria até ao final do mês. Como não sabíamos bem o tempo que iríamos demorar resolvemos sair cedo. Mas de nada nos valeu! Depois de descermos a montanha e já na estrada principal fomos parados pela polícia. Até aqui nada de mais, já não era a primeira vez que acontecia. O pior foi quando o polícia resolveu dar uma boa vista de olhos ao carro! E não gostou de ver que os pneus estavam em não muito bom estado. Em abono da verdade, os pneus novos já se encontravam na missão para trocar, só estávamos à espera do mecânico. Mas não adiantou nada. Desta vez o polícia estava mesmo decidido a “mostrar trabalho”. Lá foi perguntando ao Paulo onde íamos, de onde vínhamos, e até lhe perguntou de que “tribo” ele era, duas vezes! O Paulo ainda pensou em responder-lhe que era “tripeiro”, mas achou por bem manter-se pelo português.
O polícia lá acabou por nos passar uma multa. Mas o mais estranho disto tudo é que tivemos que regressar a Iringa, para pagar a multa, e só depois poderíamos seguir viagem, pois ele tinha ficado com a carta de condução do Paulo. Há hábitos/formas de agir que ainda nos fazem um pouco de confusão.
Lá regressamos à missão onde trocamos de carro e fomos ao posto de polícia pagar a multa. Nesta altura não vos sei dizer quem ficou mais admirado por termos apanhado uma multa: se nós, se o polícia que a recebeu! Mas ele lá nos passou o comprovativo do pagamento e pudemos seguir viagem.
Chegámos a Sadani mesmo a tempo do almoço. O P. Manel já estava à nossa espera, bem disposto apesar de uma pequena constipação lhe fazer companhia.
Depois do almoço tivemos oportunidade de visitar um pouco a missão e pudemos constatar a diferença que um pouco de àgua faz.
A começar logo pela avenida maravilhosa à entrada da missão.
Talvez um dia em Mgongo também haja uma avenida desta natureza!

Infelizmente não nos pudemos demorar muito tempo pois a viagem de regresso iria demorar mais tempo. É que tinha chovido um pouco e os perto de 30 km que separam a missão da estrada principal, como são em terra batida, tornam-se um pouco perigosos.
Desta vez o perigo foi só para uma pobre galinha que se lembrou de atravessar a estrada, nós não podíamos travar senão arriscávamos a sair da estrada, assim foi a galinha que acabou sendo atropelada.
Os restantes dias desta semana foram tempo para começar a preparar as malas. É sempre uma tarefa morosa e nada agradável, especialmente se existe limite de peso.
O facto de eu acompanhar a minha mãe na viagem de regresso facilitou um pouco as coisas, já que eu não precisaria de levar quase roupa nenhuma.
E como não podia deixar de ser, houve festa de despedida na Faraja.
Com direito a algumas prendas bem típicas e até uma lição de como usar as kangas e kitenges.
No sábado, dia 10 seguimos viagem para Dar-es-Salaam.
E na bagagem trazíamos um pedido das Irmãs para, no regresso, o Paulo levar algumas encomendas. Como era um pouco complicado as Irmãs transportarem tudo até à Casa Procura, ficou combinado que no domingo iríamos nós almoçar a casa das Irmãs, em Mbagala.
Apesar de nesse domingo a comunidade das irmãs estar reduzida a metade fomos, como habitualmente, muito bem recebidos. A Ir. Ida e a Ir. Francalídia (médica e responsável pelo dispensário) presentearam-nos com um gostoso almoço, após o qual nos mostraram a missão.
Nesta altura o dispensário estava fechado para férias e limpeza, mas a maternidade não, e tivemos a oportunidade de ver um recém-nascido junto com a sua mãe



Às 21.30 da noite dirigimo-nos ao aeroporto para apanhar o avião para Portugal.
Depois do calor intenso de África e de uma viagem de 13 horas, vimos finalmente terra à vista.

O almoço foi na Casa Regional em Lisboa, e depois seguimos viagem para o Porto. Pelo caminho pude ver um pouco do que os incêndios do verão passado tinham feito à paisagem.
Entretanto, em Mgongo a vida continuava. Os efeitos da seca do ano anterior continuavam a fazer-se sentir, pois muitas famílias continuavam a bater à porta da missão a pedir ajuda. Na Faraja estas dificuldades traduziram-se em cerca de uma dúzia de rapazes novos. Alguns trazidos por parentes que já não tinham condições para os sustentar, outros pelo seu próprio pé. Como é o caso do Imani (fé) que tendo perdido os pais encontrou-se a trabalhar numa quinta, a lavar animais, em troca de sustento. Mas os donos mal lhe pagavam e o Imani, tendo ouvido falar de uma casa nos arredores de Iringa que acolhia rapazes em dificuldade, resolveu pôr-se a caminho. Nesse dia encontrou uma senhora que lhe deu um pouco de chá com leite e um pedaço de pão.
Foi o seu alimento nos dois dias de viagem até chegar à Faraja House, verdadeira casa da consolação para ele.
Agora já se encontra integrado com os restantes rapazes e com eles frequenta a escola primária que começou o seu ano lectivo por estes dias.
Com uma pequena foto de 4 dos novos rapazes nos despedimos.

Até à próxima.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
05-Janeiro-2004
Olá a todos,
Esperamos que tenham tido umas boas festas Natalícias e que o Novo Ano tenha começado da melhor maneira.
Este ano, o nosso mês de Dezembro foi preenchido com viagens. O motivo: a minha mãe e o meu irmão vieram até cá para passar o Natal :-)
No início do mês, os alunos do 1º e 2º ano deixaram a escola, para irem de férias, e os dormitórios começaram a ser ocupados pelos nossos rapazes da Secundária.
Apesar de estarem de férias foram eles, e mais alguns dos rapazes mais velhos que foram dando uma ajuda nas construções que estão a decorrer aqui na Missão. Além disso, ao fim da tarde, ainda havia tempo para um pouco de estudo. As minhas aulas tinham acabado, mas agora era tempo de explicações.
Entretanto nos dias 9, 10 e 11 decorreram os exames de admissão para o próximo ano. Foram cerca de 70 rapazes que concorreram para os pouco mais de 30 lugares disponíveis.
Dia 12 era o dia da reunião final, para escolher os novos alunos, mas nós partimos para Dar-es-Salaam. Nessa noite, a minha mãe e o meu irmão chegavam de Portugal para cá passarem uns dias.
Na viagem de ida parámos em Morogoro onde combinámos com o P. Manel que na volta lhe dávamos boleia para Iringa.
À noite, lá fomos para o aeroporto. O avião chegou à tabela e o reencontro foi muito emocionante.
Esse fim-de-semana ficámos na capital, fomos até à praia um pouco e passeámos pela cidade. Mas o calor era insuportável! E nesta altura do ano é sempre a subir!
Segunda-feira fizemos a viagem de regresso a Iringa e, como tínhamos combinado, parámos em Morogoro para trazer o P. Manel que, tendo acabado as aulas, ia para a Casa Regional onde ficaria a aguardar a boleia para Sadani, missão onde estará até ao final do mês de Janeiro.
Em Morogoro descansámos um bocadinho e gozámos da hospitalidade tão característica dos Missionários da Consolara. O P. Thomas tinha à nossa espera um gelado de manga muito saboroso feito com a fruta do seminário.
Chegando à Casa Regional, em Iringa, soubemos que o P. Inverardi ia no dia seguinte para Sanza. Como nós já tínhamos pensado em ir visitar o P. Casimiro por estes dias e como não sabíamos bem o caminho, combinámos logo que iríamos com ele.
Assim, 3ª feira dia 16 lá fomos de viagem outra vez. O caminho para Sanza é um bocado complicado em especial na época das chuvas, que estava a começar. Mas felizmente a viagem para lá correu bem.
Á nossa espera estava o P. Casimiro que ficou muito feliz com a visita. Depois de termos descansado um pouco da viagem fomos dar uma volta pela povoação.

O P. Casimiro levou-nos a ver o “seu território” e fomos sempre acompanhados por um bando de crianças, que não largam o P. Casimiro.
Visitámos algumas famílias e podemos constatar como o P. Casimiro já está bem inserido na comunidade e é querido pelas pessoas.
Uma das famílias que visitámos foi a de um nosso seminarista que se encontra a estudar em Morogoro.
Nessa noite começou a chover, e nós começamos a ficar um pouco preocupados. Pois se a chuva é uma bênção para este povo, o mesmo não podemos dizer para as estradas…
Na tarde do dia seguinte o P. Casimiro levou-nos a ver as suas “aventuras agrícolas” no quintal da missão.
Ele tinha lá plantado melões e melancias, mas só alguns melões vingaram, a culpa era de um bichinho qualquer que lá andava a comer as sementes. No entanto têm algumas árvores de fruta e as papaias para o jantar foram colhidas na hora.

Com o começo da chuva, alguns bichinhos mais indesejáveis começam a sair das tocas. Nessa noite o P. Casimiro matou dois escorpiões e o Paulo ainda matou uma “senhora” cobra que tinha vindo passear até perto de nós!
E a chuva não parou a noite toda!
Na quinta de manhã, continuava a chover, e já estávamos a pensar que iríamos ter que passar o Natal em Sanza!
Quando começou a abrandar, pusemo-nos à estrada. Desta vez foi mesmo complicado!
Valeu-nos a extrema habilidade do P. Inverardi que evitou que ficássemos presos no lamaçal em que se tinha transformado a estrada. Por duas vezes estávamos mesmo a ver que era desta que lá ficávamos.
A vista da parte de trás do carro era idêntica à quando se anda de barco, tal era a quantidade de água na “estrada”.

O que podem ver aqui na foto não é nenhum lago, é mesmo a estrada!
Mas graças a Deus lá chegámos sãos e salvos.
Na sexta-feira seguinte foi o jantar de boas-vindas, com cânticos e o tradicional bolo.
É sempre uma alegria receber visitantes e os miúdos da Faraja são exímios em o demonstrar.

Na segunda-feira fomos visitar o Parque Nacional do Ruaha. Levámos o Abbi connosco e contratámos uma guia, a ver se desta vez conseguíamos ver leões.
Mas ainda não foi desta.
No entanto, e devido às chuvas que tinham começado, o parque estava muito mais verde e vimos muito mais búfalos e elefantes do que da primeira vez que lá tínhamos estado. Aliás, eles estavam mesmo ao lado do carro :-).
O que vimos também foram hipopótamos, aliás quando pensávamos que estávamos a olhar para um animal ferido e em agonia, eis que ele “acordou” e mostrou-nos o seu desagrado pela interrupção da sesta!

Uma das “atracões” de Iringa é a pedra em Gangilonga. A subida é um pouquinho complicada, mas a vista que se tem lá de cima é fabulosa.
E nós não podíamos deixar de lá ir.
Aproveitámos para tirar algumas fotos de família com Iringa como pano de fundo.

E eis-nos chegados ao Natal! Ainda não foi desta que tivemos árvore de Natal, mas o resto das decorações ajudaram a dar um aspecto mais festivo à casa.

Por volta das sete da tarde realizou-se a Vigília de Natal.
Apesar de já estar um pouco escuro a população da aldeia acorreu para cantar Aleluias ao Rei que celebrávamos nessa noite.

Desta vez o jantar foi quase como se estivéssemos em Portugal. Bacalhau e aletria não faltou assim como as frutas secas da época. Só faltaram mesmo foi as rabanadas. Mas fica para uma próxima oportunidade.
E depois do jantar veio o momento tão esperado por todas as crianças, e pelos adultos também. A chegada do Pai Natal com as prendas.

Houve prendas para todos e para todos os gostos, e entre roupa, alguns brinquedos e guloseimas, todos passaram uma boa noite.

No dia de Natal a celebração tornou a ser bem festiva, com muitos cânticos e alegria.

O almoço foi na casa dos Padres, e como um verdadeiro almoço de Natal foi por volta das 2 da tarde.
É que o P. Franco tinha ido celebrar missa a Nduli, uma localidade aqui perto, que só recebe a visita do sacerdote duas vezes por ano.
À noite celebramos todos juntos na Faraja. E que grande festa foi!
Durante o começo das férias, o Paulo tinha dado a ideia de os grupos fazerem presépios, cartazes e postais de natal. Tinha sido uma forma de os ocupar e por a sua criatividade a trabalhar. E nesta noite seria a escolha dos melhores.
Cada grupo apresentou um presépio, um cartaz e 3 postais de Natal. O júri, constituído pelo P. Júlio, eu, minha mãe e meu irmão, e um dos professores teria que escolher os 3 melhores trabalhos em cada categoria. E que tarefa difícil foi!
Aqui estão alguns dos trabalhos:


No fim houve prémios para quase todos e a certeza de que actividades deste género se tornarão a repetir.
No dia seguinte, 26, regressámos a Dar-es-Salaam pois o avião do meu irmão seria nessa noite.
Tornámos a Iringa no domingo e os 3 últimos dias do ano foram passados aqui em Mgongo. É a altura das sementeiras e parece que este ano somos capazes de ter mais sorte, pelo menos tem chovido mais regularmente. Os rapazes têm andado atarefados a plantar o milho e feijão, e também algumas árvores.
No dia 31 voltámos a ter um jantar tradicionalmente português – o que não vale estar cá a minha mãe :-) – e ficámos à espera da meia-noite para comer as passas e brindar com um bocadinho de champanhe.
Foi uma boa passagem de ano.
Esperámos que a vossa também tenha sido boa e que este ano que agora iniciou nos traga Alegria, Paz e Saúde.
Heri kwa mwaka mpya! Feliz Ano Novo!
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
04-Dez-2003
Olá a todos!
Novembro começou com sol e com as temperaturas a subir. O “verão” aproxima-se e
sente-se a chegada do fim do ano.
Logo no início do
mês o Pe. Casimiro passou por aqui a caminho de Mafinga, onde ia fazer os seus
Exercícios Espirituais. No fim da semana, e antes de regressar à sua Missão
tornou a passar e desta vez estivemos juntos a tarde toda. Foi bom pois pudemos
trocar algumas experiências acerca das nossas vidas missionárias e das
dificuldades que este

A
semana seguinte foi a última para os alunos do 3º ano da escola técnica. Foram 3
dias de exames oficiais (isto é, exames feitos pela entidade que regula as
escolas técnicas) e no sábado realizou-se a cerimónia de graduação.
Depois do almoço,
que foi partilhado pelos alunos graduados e suas famílias e pelos professores e
staff da escola, tivemos uma tarde recreativa. Era altura de descontrair e ao
mesmo tempo dizer adeus aos finalistas. Todos os
que se juntaram no salão para a tarde festiva puderam assistir a um bom
espectáculo: tivemos acrobacias apresentadas pelos rapazes da Faraja, cânticos,
declamações e até uma pequena mostra de magia.
Mas o momento mais
importante, e esperado, foi mesmo a entrega dos diplomas. Um a um, os 18 rapazes
foram sendo chamados e, junto com os seus diplo
mas
de fim de curso, recebiam um pequeno presente. Houve ainda diplomas e lembranças
extras para alguns alunos que se distinguiram em algumas actividades, como por
exemplo melhor aluno, melhor desportista, aluno mais responsável e, este ano
pela primeira vez, um prémio para o aluno que mais se destacou na preparação da
Liturgia.
Para estes 18
jovens, a vida laboral começa agora. Nove são carpinteiros, 6 são mecânicos e 3
artífices de sapatos e bolas de futebol. Três ou quatro deles continuarão a
receber a nossa ajuda, vão ser contratados como trabalhadores da Missão por
forma a facilitar a sua en
trada
no mundo laboral. Outros, regressando às suas terras, também já têm trabalho.
Quase todos eles levam consigo, além do diploma da escola e do diploma oficial
reconhecendo-os como artfices, a caixa de ferramentas que foi fornecida pela
escola para os seus trabalhos práticos.
Digo quase todos
porque, infelizmente, para alguns as ferramentas com que chegaram ao fim do ano
estão reduzidas. É um problema que ai
nda
não se conseguiu resolver e que a nós muito espanto nos causa.
Até à próxima,07-Nov-2003
Olá a todos,
Outubro, mês
Missionário é sempre um mês especial. Este ano ainda o foi mais. Três
canonizações (Daniel Comboni, fundador dos Missionários Combonianos; Arnold
Janssen, fundador da Sociedade do Verbo Divino, da Congregação das Religiosas
Missionárias Servas do Espírito Santo e da Congregação das Religiosas Servas do
Espírito Santo da Adoração Perpétua; Joseph Freinademetz, presbítero do Sul de
Tirol, da Sociedade do Verbo Divino) uma beatificação (Madre Teresa de Calcutá)
e o Jubileu do Papa João Paulo II.
Acontecimentos que nos fazem pensar e reflectir no papel que nós próprios temos
a desempenhar na Missão.

Mas nos países
geralmente conhecidos como “países de Missão”, este mês também é celebrado.
Mas
o mês começou com a celebração dos aniversários de todos os rapazes que tinham
feito anos até ao fim de Setembro. Um bom motivo para nos juntarmos todos e
convivermos um bocado e para os miúdos receberam umas prendas; cadernos e
canetas, coisas que fazem sempre falta.
está a trabalhar no
Roraima; a Ir. Lina, que se encontra cá por algum tempo de férias. Foi um dia
bem passado a falar meio português meio kiswahili.
Com cânticos,
pequenos sketches e algumas declamações, os restantes alunos disseram adeus aos
seus colegas mais velhos desejando-lhes um bom futuro. 
Aqui está o Yohanes,
que recebeu o prémio de mais bem comportado e de quem mais ajuda os colegas.

muito felizes, pois
era sinal de que estava tudo bem com a sua saúde.



07-Out-2003
Olá a todos!
Cá estamos mais uma vez, para o nosso encontro mensal.
Este mês não foi propriamente muito “grande” em acontecimentos. A vida vai
correndo normalmente e, tirando um outro facto, não se passou nada de
extraordinário. Mas como a vida numa Missão é feita no dia-a-dia, e não apenas
com feitos extraordinários, cá estamos a dar conta de como correu o mês.

O mês começou com mais uma comemoração. Era o aniversário do Paulo. Mas como uma
festa nunca vem só, juntou-se também a despedida da Cristina e do Maximiliano.
Enquanto que em Portugal, este mês significa o regresso às aulas, por aqui é bem
diferente. Para alguns está-se a meio do ano, para outros no fim.
Dos rapazes da Faraja, nove fizeram o exame final. O passo seguinte é bem mais
complicado! Em toda a Tanzânia, a grande maioria dos alunos fica-se pela escola
primária. Ou porque não conseguem nota para entrar na secundária ou,
principalmente, porque as famílias não têm como sustentar os gastos com a
educação.
foi construída a pensar
especificamente no futuro destes rapazes.

No dia seguinte de manhã, antes da partida ainda houve tempo para algumas “fotos
de família”.
Entretanto os trabalhos continuam. Um dos projectos que a nossa Missão de Mgongo
está a apoiar é a construção da “chekechea” (infantário/pré-primária) para as
crianças da aldeia. Os pais passam o dia inteiro fora, a cuidar dos campos, e as
crianças ficam entregues à sua sorte. A Missão fornece os materiais e a
população contribui com a mão-de-obra. Tanto os homens como as mulheres
trabalham na construção. Em breve estas crianças, não precisarão mais de brincar
na rua e terão um sítio para darem os primeiros passos na sua aprendizagem.
Por falar em construções, e voltando ao tema inicial desta newsletter, também em
breve começarão outras obras aqui na Faraja. Em breve os rapazes terão um sítio
próprio para lavar a sua roupa e imagens como estas farão parte do passado.09-Set-2003
Olá a todos!
Este mês fez um ano que saímos de casa! É verdade, já passou um ano inteirinho
desde que chegámos à Tanzânia. Mesmo com as saudades que vamos sentindo de casa
podemos dizer que passou bem depressa!
Os rapazes que compõem a
Faraja estão dividos em pequenos grupos de 6 ou 7. Cada
grupo tem um capitão, um nome próprio e o seu grito de guerra. Quando chega a
altura de trabalhar, cada grupo tem o seu próprio serviço, de acordo com a idade
dos elementos. O Capitão é o responsável pelo bom ambiente entre todos no grupo
e é quem reporta aos professores os problemas e necessidades que vão surgindo.
Foi uma tarde de convívio entre grandes e pequenos com muitos
jogos e muita animação. Desde o jogo das cadeiras, puxar à corda, encontrar
rebuçados no meio da farinha e corridas de pares, houve vencedores de todos os
tamanhos e todos nos divertimos bastante.
D
esta vez coube-nos a nós a honra dessa visita.
se o Terço e
celebrou-se a Eucaristia.
sobre Fátima e não se ouvia uma mosca, quando o Paulo ia
traduzindo um pouco o filme e explicando a história.
Além disso, este domingo realizou-se um baptizado.
Segunda-feira de tarde era a altura de Nª Sr.ª Fátima continuar a sua viagem.
Mais uma vez, depois de uma pequena celebração, todos partiram em procissão pela
Missão e pela aldeia, até à próxima comunidade que ia receber a visita da imagem
de Nª Sr.ª
Para quem conhece Fátima, para quem já participou nas cerimónias do dia 13, para
quem já viu de perto a bela imagem de Nossa Senhora de Fátima, talvez não seja
de admirar. Mas aqui, na Tanzânia, a mais de dez mil quilómetros do lugar onde
ocorreram as aparições, onde a estátua de Nª Sr.ª Fátima não teria mais que
30cm, é de louvar e dar graças.
E assim, sexta-feira depois do almoço pusemo-nos a caminho. A viagem levou-nos
cerca de 4 horas a fazer e, como era uma hora quente, desta vez não vimos a
mesma quantidade de animais que geralmente encontramos no Mikumi. No entanto
vimos um animal “novo”. Lembram-se do “Pumba” do “Rei Leão”? Pois foi mesmo esse
que vimos, bem à beirinha da estrada a fazer o seu “five o’clock tea”.
O Pe. Casimiro está bastante feliz na sua Missão e contou-nos algumas novidades:
Conseguiram abrir dois poços na Missão e assim podem ajudar
um pouco mais as
populações em volta.
Aproveitámos também para trocar alguns conselhos, desde alguns aspectos
culturais até conselhos de saúde, pois os nossos corpos de "wazungo" (brancos)
nem sempre estão preparados para as condições que, por vezes, deparamos na
Missão.
Assim, sábado à noite lá se fez mais uma. Para dizer adeus ao Lúcio, Bruna e
Maria, e para dar as boas-vindas ao Pe. Arzelio, ao Giacomo e ao Petro. O Pe.
Arzelio é um dos mais importantes benfeitores da Escola Técnica e muito tem
ajudado, seja com o envio de dinheiro seja com o envio de máquinas para os
alunos trabalharem.
Para nós foi bom pois nunca lá tínhamos ido e tivemos a oportunidade de conhecer
mais uma Missão.
A terra é boa e as vinhas que lá se encontram dão fruto duas vezes ao ano!
A Igreja da Missão está decorada com quadros da Via-Sacra que foram pintados
pelo Pe. Antonucci.
Nem de propósito, era mais uma vez dia de festa!
No domingo, o Pe. Manel teve a sua primeira eucaristia em kiswahili! Sim, porque
no Seminário as eucaristias são em Inglês.
Durante a tarde aproveitamos para lhe mostrar a Missão e no fim levamo-lo de
volta à Casa Regional pois como infelizmente não tinha arranjado boleia para
Morogoro, iria ter que partir no expresso da manhã.05-Ago-2003
Olá a todos!
Mais uma vez vos escrevemos a dar-vos conta de como é a vida neste cantinho do
mundo. Este mês foi bastante preenchido, desde regressos, festejos, experiências
novas e problemas de todos os dias, muitas coisas aconteceram.
Como
sabem, o nosso dia de folga é às terças-feiras, mas desta vez fizemos uma troca.
O dia 2 de Julho foi uma quarta-feira e como era o dia do meu aniversário
achamos que era boa ideia fazer a folga nesse dia :). O dia correu muito bem.
Foi a primeira vez que festejei os anos fora da família e dos amigos, o que
pareceu um bocado esquisito. Mas foram muito bem festejados com a nova família
daqui. Logo de manhã o Paulo fez-me o pequeno-almoço e levou-o ao quarto. Mas
eu,
apesar de ter apreciado muito o gesto, quis aproveitar para dormir mais um
bocadinho! Fomos almoçar à Casa Regional onde a Irmã Bruna não deixou passar a
data em branco e fez um bolo para sobremesa. Depois durante a tarde tive a sorte
de encontrar o meu irmão e alguns amigos no ciberespaço. No regresso a casa
fomos também celebrar este dia com a nossa comunidade daqui. Assim o lanche
dessa tarde foi um cálice de
vinho do
Porto (para matar saudades) acompanhado de presunto Italiano. Digam lá se não é
uma boa combinação?
E
ntretanto
as férias continuam e, além das actividades já mencionadas na última newsletter,
os rapazes também estão a aprender a fazer animais com pasta de papel. Aqui está
o Zawadi a preparar a pasta, e o Jonhy e Zamoioni dando os últimos retoques
naquilo que viria a ser uma zebra.
do que nós estão as
populações das aldeias, sem água para as suas necessidades básicas do dia a dia.
A Missão ajuda um pouco fornecendo água. E assim, duas vezes ao dia é ver a fila
de crianças e mulheres com
os seus baldes e
bidões à espera do precioso líquido. Algumas fazem mais de 9km desde as suas
casa até à Missão! Primeiro chegam as crianças, vêm marcar lugar, algumas bem
pequenas. E depois vão chegando as mães, tias ou avós. Este é um aspecto da
cultura deste povo que ainda está bem enraizado e que nos custa a compreender:
raramente se vê um homem neste tipo de trabalhos.
Assim dia 15
pusemo-nos à estrada. Era a primeira vez que iríamos fazer tão grande viagem,
sem mais ninguém a acompanhar. O único problema seria depois de chegar a
Dar-es-Salaam encontrar a Casa Procura. Mas armados com um mapa da cidade e
algumas instruções, seguimos confiantes.
A estrada está a ser
arranjada em várias partes do seu percurso, provocando uma certa demora, mas não
há alternativa! Volta e meia encontramos pequenas paragens pois só é possível
usar uma faixa da estrada. Numa dessas paragens estivemos uma hora inteirinha!
Mas esta estrada atravessa também o Parque Nacional de Mikumi e aí, apesar de
também a velocidade ser limitada, as vistas são bem mais interessantes.
A costa tem muitas
algas, o que nos fez lembrar das praias do norte de Portugal, com a excepção de
aqui ninguém as apanha, tanto para limpar a praia, como para adubar os campos.
Existem também muitos ouriços, que nos deixaram algumas marcas.
A água não é caldo
(ainda bem) mas bastante agradável e permitindo uma entrada fácil. Nada de estar
quase duas horas a tentar ganhar coragem! Ainda aproveitamos para apanhar
algumas conchas e búzios.
Na
sexta-feira era o dia da chegada do Pe. Manel. Levantamo-nos cedo e, juntamente
com o Pe. Parola, seguimos para o aeroporto. E após entre 14 a 15 horas de
viagem o Pe. Manel finalmente chegou. Uma viagem deste tipo é sempre muito
cansativa, mas como também queríamos saber das novidades de Portugal juntamos o
útil ao agradável! Depois de termos regressado à Casa Procura para pousar as
malas e tomar o pequeno-almoço decidimos ir até à praia onde poderíamos
conversar e descontrair ao mesmo tempo. Nada como um bom mergulho no oceano para
retemperar as forças :).
Domingo fizemo-nos à
estrada mais uma vez, pois estava na altura de regressar. Afinal o Pe. Manel
começava as aulas logo na segunda-feira seguinte!
Aqui
ficam algumas fotos desse dia. Nesta primeira temos a Ir. Domízia, 92 anos de
idade, com o Pe. Cyprian e o Pe. Deogratias.
O Pe. Inverardi,
Superior dos Missionários da Consolata na Tanzânia, com o Pe. Deogratias e o Pe.
Cyprian.
Durante a festa, e no
intervalo das músicas e dos teatros, alguns dos rapazes entretinham-se a jogar à
sardinha! Eu nem me atrevo a experimentar! É tudo na brincadeira, claro, mas
eles dão cada sapatada nas mãos uns dos outros!!! Reparem só na cara de
felicidade do Isaya enquanto estava a jogar com o Paulo :)!
E
se o mês começou com festa, com festa acabou também.
A celebração, de quase
5 horas foi muito bonita, cheia de cânticos e danças. E como sempre com as
crianças a fazerem a sua parte. Vejam como esta menina (que de certo não terá
mais que 5 anos) está compenetrada na sua dança!
Até estavam Wahehe
(uma das tribos da Tanzânia) vestidos a rigor. E o Paulo aproveitou para tirar
uma foto com eles.2003.Jul.02
Olá a todos!
Junho: mês dos Santos
Populares, começo de Verão, exames, férias, festa da Consolata… Isto tudo em
Portugal!
Mas vamos às festas!
O mês começou logo no
dia 1 com a celebração da Ascensão do Senhor. 
Entretanto, os dias da
Mamma Rita entre nós estavam a chegar ao fim. Foram mais/menos 4 meses que
passou aqui na Faraja. Sempre a trabalhar (capas para os colchões, protecções de
mesa e cortinas para o refeitório dos rapazes, …), sempre de bom-humor. E claro
que não podia faltar uma grande festa de despedida.
Assim, dia 5,
jantámos na Faraja e, depois no ginásio os alunos da Chuo também se juntaram
para a festa de despedida da mãe e da irmã do Pe. Franco. Claro que o famoso
bolo não podia faltar, bem como a tradição de que aos homenageados deve ser dado
de comer o bolo.
No dia seguinte de
manhã, o Pe. Franco lá partiu para Dar-es-Salam com a mãe e a irmã.
Mas
não foram só os alunos da escola técnica que terminaram as suas aulas.
O início oficial das
férias foi no dia 17 com o arranque do campeonato de futebol.
E eis-nos chegados ao
dia da grande festa. 20 de Junho, festa de Nossa Senhora da Consolata. Este ano
a festa foi celebrada na catedral de Iringa. A Nossa Senhora da Consolata é a
Padroeira da Diocese de Iringa e assim, todos os anos a festa é alternada entre
a Igreja da Consolata, aqui em Iringa, e a Catedral.
A Eucaristia,
presidida pelo Bisbo de Iringa, D. Tarcisius Ngalalekumtwa, e concelebrada pelo
Bispo de Mbeya, D. Evaristus Chengula, (missionário da Consolata) e pelo
Superior Regional dos Missionários da Consolata, Pe. Inverardi, foi também o
momento da celebração dos 75, 65, 60 e 25 anos de Profissão Religiosa de algumas
das Irmãs da Consolata e dos 60 e 50 anos de Ordenação de dois Padres da
Consolata.
Na foto estão os Padres Jubilares, Pe. Lumetti 60 anos e Pe. Mário Biestra, 50
anos.
A Catedral encheu-se
com os Padres, Irmãos e Irmãs da Consolata, os paroquianos, amigos e alguns
"frutos" dos primeiros anos de trabalho dos missionários aqui na Tanzânia.
Destes “frutos” há
que salientar um grupo de mulheres, filhas de soldados alemães do tempo da
guerra que as Irmãs tomaram a seu cargo. Naquele tempo as crianças mestiças eram
completamente discriminadas e se não fossem as Irmãs teriam sido abandonadas à
sua sorte. Uma dessas senhoras chegou a ser Ministra da Educação e, hoje em dia,
essas senhoras continuam o trabalho que as Irmãs começaram com elas – a educação
das raparigas.
Depois da Eucaristia,
a festa continuou no "salão paroquial" com cânticos bem ao estilo africano,
protagonizados pelas alunas da Escola de Economia Doméstica e pelas crianças da
paróquia. Aqui estão as Irmãs Jubilares a cortar o bolo. Da esquerda para a
direita: Ir. Amata 65 anos, Ir. Venanzia 75 anos e Ir. Floriana 25 anos.
Conseguem imaginar o que são 75 anos dedicados a anunciar o Evangelho, a
Consolar os mais necessitados, ao serviço do próximos? Muitos de nós nem sabemos
se chegamos aos 75 anos de idade!
No domingo em Mgongo a
festa da Consolata foi celebrada pela comunidade da Faraja House, juntamente com
a comunidade da aldeia. Foi uma celebração dupla.
Fez-se a festa da
Consolata e também a do Corpo de Deus. Foi mais simples que a festa em Iringa,
mas nem por isso menos vivida. Aqui o maior papel coube às crianças, onde não
fosse a Faraja (Consolação) um centro a elas destinado.
Na segunda-feira recebemos a visita do Pe. Casimiro, que tinha vindo a Iringa
fazer umas compras. Combinámos de passar a quarta-feira com ele, mas como o
Padre que o vinha buscar veio logo na terça já não pudemos fazer isso. Pelo
menos deu para passarmos um pouco da tarde de terça juntos.
Lá nos inteirámos das novidades de Sanza (é realmente uma Missão isolada!), e
saber como estava a dar-se a adaptação dele. O Pe. Casimiro estava animado,
apesar de dizer que ainda lhe falta muito o kiswahili. Nada que o tempo não
resolva!
Costuma-se dizer que o bom filho à casa torna. E desta vez o ditado aplicou-se a
um dos cachorros que cá temos. Se se lembram tínhamos 5. Entretanto um foi para
uma Missão e outros dois foram vendidos a outras pessoas. Pois qual não é o
nosso espanto, quando no dia 25 de manhã vemos um desses cachorros!
Completamente pele e osso, menos de metade dos seus dois irmãos que cá tinham
ficado. Pensámos que terá fugido (de certo devido aos “bons tratos” recebidos) e
veio procurar refúgio junto dos seus amigos.
No dia 27 foi chamado para junto do Pai mais um missionário. O Pe. Olivo que
contava 91 de idade. Passou 66 anos da sua vida sacerdotal aqui na Tanzânia, ao
serviço da Missão
Para terminar o mês
fizemos no sábado um passeio a Njombe.

O mini-bus e um dos carros serviram de transporte aos perto de 40 miúdos e 10
adultos. Foram cerca de 300 km para cada lado, mas para alguns foi a primeira
vez que fizeram tão grande passeio.
O almoço foi piquenique e no fim ainda se teve que empurrar a camioneta que não
queria pegar!
Penso que depois deste exercício deviam comer outra vez!!
Na volta parámos em
Makambako, uma grande cidade (tem a estação do comboio) para umas compras no
“sokoni” (pelo
mercado) e para passear um pouco.
Eu e o Paulo aproveitámos e demos um salto à Missão para falar um bocadinho com
o Pe. Aldo e visitar a igreja.
E com estes pormenores do interior da Igreja da Missão de Makambako nos
despedimos até à próxima.
Bons exames, boas férias e “muito calor” para todos!
Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
2003.Jun.10
Olá a todos!
O mês de Maio chegou em grande estilo. Dia 1 de Maio, dia do trabalhador, é
dedicado a S. José Operário. Neste dia celebrou-se a festa dos Irmãos do
Instituto Missionário da Consolata. Este ano a festa foi celebrada aqui em
Mgongo.
Na Tanzânia trabalham 5 Irmãos Missionários da Consolata, dos quais estiveram
presentes o Ir. Paolino (Casa Regional), o Ir. Nashon (Ng´ingula) e o Ir.
Boniface (Mgongo). O Ir. Liduino (com 73 anos) que se encontra em Dar-es-Salam,
e o Ir. Gianfranco que está em Ikonda não puderam participar na celebração. O
primeiro por motivos de saúde, e o segundo por motivos de trabalho, pois está a
orientar as construções no hospital em Ikonda.
Assim, neste dia de S. José Operário, prestou-se homenagem a todos aqueles que
contribuem para o bom andamento da Missão e que dão o seu testemunho através do
trabalho.
Como as terças-feiras são os nossos dias livres, no dia 6 acompanhámos os irmãos
do Pe. Franco numa visita a Njombe. O objectivo era visitar umas cooperativas de
senhoras que fabricam artigos artesanais, para depois poder estabelecer negócio.
A empresa dele faz este tipo de negócios também como forma de ajudar estas
pequenas cooperativas. Um contrato desta natureza fornece trabalho por pelo
menos um ano e assim, estas senhoras encontram um meio subsistência.
Na quinta-feira tivemos a visita do Pe. Casimiro.
Não foi de propósito, mas o que é certo é que nessa noite houve festa.
Entretanto temos mais uma “hóspede” cá em casa. Os miúdos com as suas fisgas
apanharam um falcão (por acaso é uma) e estavam a “brincar” com a ave quando os
seus gritos nos alertaram. Lá fomos em socorro da avezinha e resolvemos
instalá-la num dos quartos até estar recuperada para tornar a voar. Uma das asas
parecia um bocadinho partida mas como um dos nossos colegas do curso de
kiswahili é veterinário, assim que tivermos oportunidade levamo-la para “uma
consulta”. Portanto agora, além dos lagartinhos que temos cá em casa, mais os 5
cachorros que nasceram o mês passado e que dormem à nossa porta, temos um
falcão. Companhia não nos falta :).
Este seminário contou com a presença de uns 30 LMC que, durante quatro dias,
orientados pelas Irmãs Zita Amanzia e Ida Luisa e pelo Padre Dario Rampin,
reflectiram sobre a Palavra de Deus à luz dos ensinamentos do Beato Allamano.
Os Leigos tanzanianos ainda estão a dar os primeiros passos na realidade laical
mas mostram-se bastante motivados e bem organizados.
Para terminar a crónica do mês falta só referir que, como em muitos outros
sítios do planeta, também se celebrou o mês de Maria. Os rapazes da Faraja têm
um carinho muito especial por Nossa Senhora e assim, todos os dias, ao fim da
tarde, nos juntávamos para rezar dois ou três Mistérios.
E com este belo pôr-do-sol africano nos despedimos.2003.Mai.07
Olá a todos!
Cá estamos mais uma vez para o nosso encontro mensal.
O nosso mês de Abril começou com uma visita à Missão de Mafinga. Mafinga fica a
duas horas de viagem de Iringa e é onde se encontra o Seminário Menor do IMC
aqui na Tanzânia. O nosso propósito ao lá ir era o de pedir algum tipo de ajuda
ao Pe. Goleto para as minhas aulas de matemática. Mas, como em todas as escolas
secundárias aqui, as aulas são dadas em inglês e assim não consegui muito. No
entanto não demos o nosso tempo por perdido. Pois tivemos oportunidade de
visitar a Missão.
A Missão tem uma quinta onde, além de outras coisas, fazem plantação de café e
de girassóis, para fazer óleo. O café é realmente bom e, como depois também é
levado para a Casa Regional, é desse que costumamos comprar. Nesta parte da
Tanzânia chove mais do que em Iringa, e isso nota-se logo na paisagem, muito
mais verde.
O símbolo da Missão é uma avestruz, que foi trazida ainda pintainho (6 semanas)
pelo Pe. Tomás (actual superior do IMC em Portugal) quando cá se encontrava a
trabalhar.
No sábado seguinte, dia 5,tivemos a visita de uma equipa de reportagem da
televisão Municipal de Iringa. Foi muito interessante!
Claro que era tudo só para ser filmado :).
No dia seguinte, 5º domingo da Quaresma, fez-se durante a Eucaristia a
representação da parábola do Filho Pródigo. Como de costume as meninas da aldeia
também participaram. Continuámos a ficar surpreendidos com a capacidade destas
crianças/jovens para em pouco mais que 2, 3 dias não só decorarem os seus papéis
mas também decorarem as músicas novas, que geralmente são compostas
propositadamente para a representação.
O Paulo tornou a dar uma ajuda na caracterização das personagens, desta vez com
os porquinhos. Foram os mais pequeninos que fizeram esse papel, mas tiveram
direito a nariz, cauda e orelhas. Digam lá se não eram uns leitõezinhos bonitos
:)?
Também foi neste dia que se apresentaram à comunidade os 7 catecúmenos que iriam
ser baptizados na Vigília de Sábado Santo. Para a Faraja era motivo para
celebrar triplamente. 3 dos nossos rapazes iam ser baptizados. 
A semana Santa começou com os exames dos alunos da Chuo. Foram 3 manhãs em que
eles foram testados nos seus conhecimentos, antes de irem para umas curtas
férias. Para mim e para o Paulo foi uma experiência nova, pois nunca tínhamos
preparado exames anteriormente.

Da esquerda para a direita: 
Ao fim da tarde, depois do fogo aceso iniciou-se então a grande Vigília. Mais
uma vez tivemos a presença da comunidade Luterana.
À noite jantámos todos na Faraja para também fazermos a festa com os 3 novos
baptizados da nossa comunidade. Como não podia deixar de ser houve cânticos,
teatro, bolo e prendas.
Ao fim da tarde foram levados de volta à cidade, às suas casas: paragens de
camionetas, mercado, casas abandonadas… Pelo menos por um dia puderam também
eles festejar a Páscoa com um pouco de alegria.2003.Abr.08
Habari zenu! (Olá, como estão!)
Depois de um período relativamente seco, Março começou com chuva. Apesar de ter chovido bastante durante todo o mês, para a maior parte das colheitas já não fez grande diferença pois o milho já estava todo seco. Mesmo assim agradecemos a água que caiu pois sempre deu para encher um pouco mais os lagos e poços.
O mês também foi preenchido com festejos e celebrações A primeira foi logo no dia 2. As duas senhoras que cá se encontravam iam embora e, além de termos almoçado com a comunidade, tivemos, como é hábito, um jantar de despedida na Faraja.
Logo depois foi o Carnaval. Aqui não se festeja o Carnaval e, como tal, foi um perfeitamente normal. Para nós até correu bem pois a terça-feira é o nosso dia livre. Festejamo-lo passando duas horas na internet a conversar com amigos e família e almoçámos na Casa Regional. O Pe. Casimiro também nem se lembrava que era Carnaval! Mas o melhor foi o fim do dia!! O grande jogo Benfica-Porto deu na televisão e lá ficamos até às duas da manhã!!! a ver o jogo. No fim comemorámos a grande vitória (desculpem-nos todos os benfiquistas) com troca de mensagens por telemóvel com o Pe. Casimiro e alguns em Portugal. Mas no dia seguinte pagámos o preço por nos termos deitado tão tarde, não ouvimos o despertador e acabámos por faltar ao primeiro tempo nas aulas. Começamos a Quaresma logo a cometer faltas.
No dia seguinte “recebemos agradecimento e presente”. Isto é, Shukrani e
Zawadi. Dois irmãos de 8 e 6 anos que uma senhora que os tinha recolhido da
rua nos veio pedir para os acolher. Os pais e a avó estão presos (acusados
de feitiçaria), os irmãos mais velhos foram para outras cidades e a tia que
tratava deles passa a maior parte do tempo a beber. Os dois últimos anos
passaram-nos na rua a tentar sobreviver até que esta senhora os acolheu. Mas
não lhe é possível ficar com mais duas crianças a cargo pois já tem perto de
outras dez nas mesmas condições. No meio disto tudo aconteceu uma situação
caricata. Dada a forma como estavam vestidos o Pe. Franco pensou que o
Zawadi fosse antes “uma prenda” em vez de “um presente” e já estava a
explicar à senhora que nós só podemos recolher meninos. Perante a
insistência da senhora o Pe. Franco, para tirar as dúvidas, lá levantou o
vestido e confirmou-se “o presente”.
Como parte da catequese, os miúdos fazem agora cartazes, que são usados na missa de domingo, com a indicação das Leituras e desenhos alusivos. Cada grupo está encarregue de um domingo e o Paulo ajuda-os com os desenhos. Os cartazes servem não só para alegrar um pouco mais a Igreja, mas também para a explicação das leituras e para a homilía. E uma vez por outra, faz-se um pequeno “igizo” (representação/teatro).

Neste primeiro domingo representou-se as tentações de Jesus no deserto e,
além de se ter feito um pequeno deserto dentro da igreja tivemos direito a 3
“mashetani” (diabos), um para cada tentação. Para isso foi necessário fazer
os cornos e as caudas e vesti-los a condizer. O Paulo mais uma vez usou da
sua habilidade e o resultado podem ver pelas fotos.
É claro que houve alguma risota durante a representação, mas o importante é que a mensagem foi percebida por todos e, como é normal, todos os que participaram não se vão esquecer da “lição de catequese”.
Durante a tarde os Pe. Casimiro, Giani e Pascoal, juntamente com um amigo
italiano e o Prof. John, da escola de kiswahili passaram por cá para uma
partidinha de futebol com os miúdos. Todos passaram um bom momento e ficou a
promessa de tornar a fazer encontros desportivos deste género, não só com os
miúdos da Faraja, mas possivelmente também com os da Chuo. O resultado
acabou num empate.
Vejam a habilidade do Pe. Casimiro a fintar um jogador!! A continuar assim
ainda pode vir a reforçar a equipa do Porto :)!
Na terça-feira seguinte festejou-se mais um aniversário. A D. Rita fez 87
anos (e não 85 como eu disse na última newsletter). Não deixa de ser
admirável a força que esta senhora continua a ter. Agora que os colchões da
Chuo estão prontos, está a fazer o mesmo para a Faraja (à volta dos 70) e
ainda quer fazer umas cortinas para o refeitório da Faraja. Cá está ela a
receber o bolo.

No sábado seguinte passou por cá o Bispo Evaristu Chengula, de Mbeya,
padre da Consolata. A sessão de catequese desse dia foi dada por ele.
E para que não digam que eu (Teresa) não apareço nas fotos :)
Também neste sábado um dos nossos rapazes, o Eduard, fez exame de Karaté
para passar a cinto negro. Agora já cá temos dois cinturões negros. O Abby,
que se encontra a estudar na Escola Secundária em Moshi, e o Edu que está na
sétima classe aqui em Mgongo. Vejam-no todo vaidoso do seu novo cinturão no
meio dos Mestres.
Entretanto a vida na Chuo também continua. Este mês, os alunos do
primeiro ano receberam as suas caixas de ferramentas para os seus trabalhos
e estudos. Estas toolboxes permanecerão com eles ao longo dos 3 anos do
curso e, no fim, tornam-se sua propriedade. Uma pequena ajuda para iniciarem
a sua vida laboral. Aqui estão os alunos de carpintaria, nos seus fatos de
trabalho, acompanhados do professor, do Irmão Bonifácio e do Pe. Franco.
O fim do mês coincidiu com o começo das férias para os alunos da escola
primária. Mas férias, para os miúdos da Faraja, não significa a total
ausência de trabalho. Em especial aqui em Mgongo, onde há sempre algo que
fazer, seja tratar dos campos ou dos jardins; ainda para mais porque a chuva
fez crescer bastante as ervas daninhas. No entanto, mesmo durante o trabalho
há tempo para brincar um pouco. Afinal, crianças e natureza são uma
combinação garantida para alguns momentos bem passados! Vejam algum deles,
descansando depois de algum trabalho e muitas subidas às árvores.

E, da mesma forma que começámos, fechámos o mês com uma celebração. Dia
31 o Irmão Bonifácio festejou o seu aniversário. Desta vez o jantar foi na
Chuo, mas ainda assim com direito a um momento de entretenimento
protagonizado pelos alunos dos 3 anos, com pequenas peças humorísticas,
canções e danças. A grinalda a volta do pescoço do Irmão é a maneira como se
distingue a pessoa homenageada. Já tínhamos visto nos casamentos e agora
também nos aniversários.
Beijinhos e abraços para todos e até à próxima,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2003.Mar.11
Olá a todos
Cá estamos mais uma vez a dar-vos notícias deste “cantinho” do mundo.
O mês de Fevereiro é o mais pequeno do ano, para condizer também pouca coisa se
passou por cá. Entre aulas, trabalhos e pouca água o mês passou a correr.
Como não tem chovido muito, o nosso “pintor oficial”, Isaya, tem aproveitado para colorir mais um pouco as paredes da Faraja.
O Isaya é o da esquerda e faz os desenhos só olhando para o papel. A maior
parte das paredes da Faraja estão decoradas com desenhos dele.
Dia 14 de Fevereiro era o dia de S. Valentim. No dia anterior recebemos de Portugal, para grande espanto nosso por ter chegado a tempo, alguma correspondência alusiva e, dos Correios onde eu trabalhava, dois postais para nós trocarmos; que a minha chefe e a minha colega de trabalho acharam por bem nos mandar!
No dia seguinte estivemos com o pensamento em Portugal pois estava-se a realizar a XIII Peregrinação da Consolata a Fátima. Mais uma vez demos graças pelas novas tecnologias que nos permitiram estar um bocadinho mais perto daqueles que nos são queridos. Nós aqui festejamos o dia do Beato José Allamano, 16 de Fevereiro, de uma forma muito simples. No domingo tivemos uma pequena celebração eucarística festiva; almoçámos com Pe. Júlio e o Irmão Bonifácio, pois o Pe. Franco tinha-se deslocado a Dar-es-Salaam; e jantámos na Faraja com os rapazes.
Na quarta-feira o Pe. Franco regressou com a mãe e duas senhoras irmãs amigas. A mãe do Pe. Franco, D. Rita, é uma senhora de 85 anos que, além de ter dado dois filhos para as missões (o irmão do Pe. Franco é missionário da Consolata na Etiópia) tem passado bastante do seu tempo também a trabalhar nas missões. Desta vez está a fazer as coberturas para os colchões para os alunos da escola técnica (são perto de 60). As outras duas senhoras contribuíram com bastante ajuda monetária para a construção da escola primária de Mgongo.
As duas irmãs estão na ponta, D. Rita está no meio.
A escola, foi construída pela Consolata mas pertence ao estado. O objectivo
foi o de permitir que as crianças da Faraja tivessem uma escola que pudessem
frequentar que ficasse mais perto de casa.

Para mostrarem o seu agradecimento. A escola preparou uma pequena celebração.
Com danças, cantos e até uma galinha, a aldeia mostrou o seu reconhecimento a
quem tanto os ajudou.
Um grupo de alunas executa uma dança, enquanto o Ombeni marca o ritmo.
Duas crianças oferecem uma galinha para o almoço, sob o olhar atento do pe.
Franco e da Professora Annete
Á parte os trabalhos com os miúdos, e algumas celebrações, as nossas aulas na
escola técnica e na escola primária começaram.
O Paulo não tem grandes problemas no ensino da Bíblia. Além da formação que ele
já tem, também tem guias por onde “seguir a matéria”. E na escola primária, onde
ele dá catequese, também tem 15 anos de experiência e um guia para o ajudar.
Claro que o pouco domínio (ainda) da língua atrapalha um bocadinho, mas nada de
mais. Entre desenhos e jogo do enforcado para revisões (aos mais pequenos), até
um bocadinho de história e geografia (para todos), mais a ajuda do dicionário,
as aulas estão a correr bem.
Quanto a mim já é mais complicado. Quando pensei que a matemática seria a disciplina que me iria dar problemas, enganei-me bem! Apesar de ter que explicar as coisas em kiswahili e o livro que estou a seguir ser todo em Inglês, os alunos estão a acompanhar medianamente a matéria. Digo medianamente pois ainda não consegui que todos eles percebessem que precisam de copiar para o caderno a matéria e os exercícios que eu faço no quadro. Outro pormenor é que os alunos do 2º ano estão mais bem preparados que os do 3º. O que me leva ao Inglês: no início das aulas dei um teste diagnóstico de gramática a estes dois anos. O teste era igual e, qual não foi o meu espanto, quando verifiquei que os resultados eram, no geral, melhores no 2º ano do que no 3º. Conclusão: estou a dar a mesma matéria aos dois anos! Outra dificuldade é a falta de vocabulário que todos têm, isto torna-se especialmente grave quando eu estou a explicar algo e eles acabam por não perceber sequer o que é que eu estou a dizer. Tendo em conta que supostamente deveria usar só o Inglês nestas aulas… Mas o que me deixa algo frustrada é que se eu pergunto se perceberam, ou dizem que sim, ou não dizem nada (que é o mais comum). Assim como se eu chamar algum aluno para vir ao quadro fazer um exercício leva sempre mais de 2 minutos a decidirem-se a levantar (quase só falta eu ir ao lugar buscá-los pelo braço :-/ ). Se levarmos em conta que as aulas demoram 40 minutos apenas (já estou mesmo a ver muita a gente a pensar que aqui é que é bom :) e cada disciplina só tem duas aulas por semana, não há grande oportunidade de aprender muito!
No entanto estou confiante de que com o tempo as coisas irão melhorar. Aliás, o meu objectivo para este ano será ensinar o melhor que puder o 3º ano, para que o pouco que eles sabem, saibam-no bem; e preparar uma espécie de programa a seguir ao longo dos três anos de curso. Para estas duas disciplinas não há programa oficial a seguir nem exames do estado para fazer no final do curso. Fica tudo ao critério dos professores responsáveis. Neste caso são eu que, aos poucos, tenho que ver as necessidades de aprendizagem que eles têm (neste momento o lema é: pouco mas bem) e fazer todo o tipo de avaliações.
Outro problema que nos começa a afligir é a pouca chuva que tem caído, por todo o país. O milho nos campos está a começar a secar e se não chove depressa, as colheitas vão-se perder.
E assim vai a nossa vida por aqui.
Beijinhos e abraços para todos e continuem a mandar-nos notícias.
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2003.Fev.07
Olá a todos!
Este mês de Janeiro passou a correr entre trabalho, surpresas, reencontros, peripécias e o começo do Ano Lectivo.
A primeira surpresa foi a chegada de um envelope de Portugal que nos tinham enviado em Novembro!!!! Nós já tínhamos perdido as esperanças em o reaver. Afinal o que aconteceu foi que ele foi dar uma voltinha pelos correios de França. Desde já fica aqui um aviso a quem nos escrever: não se admirem se demorarmos a dar resposta pois a correspondência pode demorar a chegar às nossas mãos entre 5 dias a quase 2 meses :).
Entretanto o trabalho também não pára e, aos poucos estamos a começar a ficar mais envolvidos. Uma das nossas funções é atender as pessoas que cá aparecem a pedir para ficarmos com crianças. Às vezes são mães, outras vezes são irmãs, ou até simplesmente alguém que tinha tomado conta da criança porque os pais tinham morrido. É sempre uma situação não muito agradável, até porque todos precisam de ajuda, mas é preciso fazer uma selecção pois já não há espaço nem condições na Faraja para acolher mais miúdos. É lógico que onde há perto de 70 crianças, cabe sempre mais algum. Mas também é preciso ter a consciência de não piorar as condições dos que já cá estão.
Um dos últimos a chegar foi o Emanuel. Miúdo com 9 anos que veio com a mãe e
o meio-irmão bébé. O pai tinha morrido e o padrasto não queria o miúdo em casa,
batia-lhe e nem o deixava ir à escola. Ele estava tão traumatizado que, no dia
seguinte quando o Paulo estava a tentar brincar com ele a fazer-lhe umas
cócegas, o Emanuel correu a esconder-se debaixo da mesa a soluçar de medo pois
pensava que o Paulo lhe ia bater. A parte boa é que passado uns dias, já estava
com outro aspecto e já brincava com os outros meninos, começando a ter um
aspecto um pouco mais feliz. Vejam-no abraçado ao Nain, um dos seus novos
amigos! (O Emanuel é o do lado direito)
No dia 10 tivemos o primeiro reencontro. O Pe. Norberto Louro, que cá se
encontrou para um seminário fez-nos uma visita. Foi uma manhã muito boa, a matar
saudades em português. Afinal tinha sido há doze anos atrás que o Pe. Norberto
nos tinha “fisgado” para a Consolata.
Depois no sábado à noite tivemos o prazer de assistir a um joguinho de futebol especial. A TVMoçambique transmitiu um jogo do Porto! Foi muito bom, em especial para o Paulo :).
Durante a semana os 4 visitantes Italianos que cá estavam foram embora. Estes amigos do Pe. Franco não se limitaram a cá vir passar umas férias. Eles também vieram ajudar um bocadinho. Dois deles sãos especializados em informática e electrónica e, como tal, foram fazendo umas reparações que sempre vão sendo necessários. Aliás, a Missão também vive um bocadinho da ajuda destes visitantes que por vezes cá vêm passar umas semanas. Os familiares do Pe. Júlio que cá estiveram em Dezembro, ajudaram a fazer os uniformes para os miúdos irem para a escola. Desde já fica aqui o convite para se alguém estiver a pensar em fazer umas férias diferentes, podem cá vir que serão acolhidos de braços abertos!
Entretanto as aulas foram começando. As manhãs agora são bem mais sossegadas pois os miúdos estão nas aulas. Perto de 20 deles, que estão na Secundária, também saíram da Faraja e agora só regressarão nas férias.
Na semana seguinte, lá nos dirigimos para a Casa Regional para participar no
seminário que foi orientado pelo Pe. Norberto e pelo Pe. Okello. O tema era “A
nossa missionaridade aproximada ao nosso Carisma” e, desta vez foi em Inglês.
Éramos cerca de 20 pessoas. Foi uma experiência muito rica pois tivemos a
oportunidade de contactar com outros missionários, a maioria dos quais já com
largos anos de vida missionária. E se pensarmos que alguns chegaram a contactar
de perto com alguns dos primeiros missionários no Quénia… Além dessa partilha de
experiências ficámos também a conhecer um bocadinho mais a realidade da Missão,
neste país tão grande como é a Tanzânia.
Enquanto lá estávamos tivemos o segundo reencontro. O Pe. Casimiro chegou de
Portugal, com notícias fresquinhas (e algumas lembranças) da família e amigos.
Nessa noite tivemos uma verdadeira mesa portuguesa com nós os dois, o Pe.
Norberto e o Pe. Casimiro. Aliás, quase que o português era a língua mais falada
pois alguns dos padres que lá estava tinham estudado em Moçambique e havia um
brasileiro, além de nós os quatro. Ainda chegámos a propor que o seminário fosse
em português, mas sem grande resultado :(.
Passada a semana e regressados a casa tínhamos mais um assunto pendente para
resolver: os nossos atestados médicos para mandar para a Segurança Social em
Portugal, pois o processo ainda não estava pronto. Assim na terça-feira, nosso
dia de folga, bem cedo, lá nos dirigimos a Tosamaganga, onde temos uma missão,
para irmos ao hospital tentar arranjar um Atestado de Robustez. Seria de admirar
se as coisas tivessem ficado logo resolvidas. E realmente, no hospital
pediram-nos primeiro que fizéssemos uns exames antes de passarem o atestado.
Coisa perfeitamente normal de se pedir, mas que nos iria dificultar um bocadinho
o andamento da coisa. Viemos embora para nos aconselharmos primeiro qual melhor
forma sobre o que fazer.
Durante a tarde, enquanto eu estava na internet a tratar do correio, o Paulo foi
fazer, ou pelo menos tentar fazer, as compras. Acontece que o nosso carro já tem
quase 200mil km e já teve alguns problemas. E assim aconteceu que as mudanças
bloquearam no meio da rua!! A sorte foi que o Paulo estava perto da Paróquia da
Consolata e dirigiu-se lá a pedir ajuda. Chamaram o mecânico, mas não estavam a
conseguir resolver o problema. E entretanto estava a começar a chover. Então
resolveram por o carro dentro do adro da igreja da paróquia, pois no meio da rua
é que ele não estava bem. Só que puxar um carro daqueles, com tração às 4 rodas
e completamente bloqueado... é dose!! E como um azar nunca vem só… enquanto o
estavam a puxar, os homens que estavam a fazer isso acabaram por bater com o
carro num pilar. O Paulo até agora ainda não percebeu como foi possível não
terem visto o pilar, mas prontos, são coisas que acontecem. Ficou a porta
traseira completamente empenada. Entretanto ele tinha vindo avisar-me do
sucedido e eu já me tinha dirigido para a Casa Regional onde aproveitei para dar
uma ajudinha ao Pe. Casimiro com o computador dele. Como não foi possível
arranjar o carro nesse dia, fomos para casa com o Pe. Júlio que para nossa sorte
tinha passado na Casa Regional. Como tínhamos acabado por não fazer as compras
regressámos no dia seguinte. O que até foi bom pois o nosso carro já lá estava
pronto, à excepção da porta. Mas afinal não era assim tão grave e não havia
pressa em arranjar. Só uma questão se punha: como levar dois carros de volta a
Mgongo? Simples. Cada um ia num carro, e assim foi a primeira vez que eu conduzi
desde que saí de Portugal :). Até nem correu muito mal, ainda para mais porque o
volante do nosso carro é do lado esquerdo (como em Portugal) e as estradas têm
tantos buracos que quase nem há necessidade de conduzir do lado direito. É
preciso é desviar dos buracos!
Foi uma sorte termos o carro novamente pois assim foi mais fácil ir buscar o Pe. Casimiro no sábado para vir passar a noite em nossa casa. O motivo era mais um jogo do Porto, desta vez com o Boavista. E como na Casa Regional não há a TVMoçambique, e como o Pe. Casimiro também é portista, achamos que ele iria gostar. Foi uma agradável noite portuguesa!
Durante a semana seguinte, última do mês, começaram a chegar os alunos da Escola Técnica. Fez-se uma primeira reunião com o staff da escola, agora reforçado com nós os dois, e ficou decidido que eu iria dar as aulas de Matemática e Inglês aos 3 anos, e o Paulo as aulas de Bíblia, também aos 3 anos. Quanto ao Inglês não tenho grandes dificuldades, mas quanto à Matemática é capaz de ser um bocadinho mais difícil pois o domínio do kiswahili ainda não é muito grande. E ensinar algo que à partida a maior parte dos alunos não gosta… vai ser um desafio interessante!

Apesar de estarmos na época das chuvas, este ano ainda não choveu muito.
Mesmo assim tudo está muito verde, ao contrário de quando cá tínhamos chegado.
As ervas crescem depressa e é preciso ir cuidando dos jardins dos campos e de
todo o espaço da Missão. Assim, o trabalho agora é dividido entre o campo, o
limpar das ervas e o pastoreio dos animais. Esta é uma das tarefas que os
rapazes fazem, desde os maiores aos mais pequenos.
E com estas fotos dos rapazes em pleno trabalho nos despedimos.
Beijinhos e abraços para todos e continuem a mandar-nos notícias.
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2003.Jan.12
Olá a todos,
Cá estamos em Mgongo, e já se passou um mês desde que aqui chegámos!
A última newsletter acabou com a nossa saída da escola de kiswahili.
Essa noite passamo-la na Casa Regional e, no dia seguinte participámos
num pequeno retiro lá realizado. O tema era “Umuhimu wetu katika fumbo
la ukombozi” (A nossa importância no plano de salvação)
e foi em kiswahili. Não vamos dizer que percebemos tudo ? mas algumas
coisas já vamos apanhando.
Mas logo ao pequeno-almoço tivemos uma notícia triste. A missão
de Matembwe tinha sido assaltada na noite anterior. Além de bastante
dinheiro entre euros, dólares e tshillingis que os ladrões levaram
(dinheiro destinado à construção total de uma igreja
em Image) o Pe. Dário foi agredido. Infelizmente, os roubos a missões
começam a ser frequentes por aqui!
Ao fim da tarde, depois de terminado o retiro, o Pe. Franco recém-chegado de Itália veio-nos buscar para irmos para Mgongo, para a casa que será nossa nestes 3 anos.Á nossa espera estavam todos os rapazes que estão na Faraja House para nos darem as boas vindas. Nesse dia foi mesmo só um olá muito breve, pois já era tarde.
No dia seguinte lá desfizemos as malas e a, verdadeiramente, instalar-nos na casa. Como ainda não estava tudo pronto, a nível de utensílios, especialmente, nos primeiros dias tomámos as refeições na casa dos padres, com a comunidade: Pe. Franco, Pe. Júlio, ambos italianos e o Ir. Bonifácio, queniano.

Na terça-feira, dia 10 foi a “cerimónia oficial” de boas vindas.
Jantámos todos na Faraja House e, no fim do jantar, fomos brindados
com um espectáculo cultural e recreativo organizado pelos rapazes e
até tivemos direito a bolo!
Os primeiros dias foram passados a arrumar a casa e a conhecer os cantos
à Missão e as pessoas que cá trabalham. Participámos
numa reunião com os professores da escola técnica, fomos até
aos campos de cultivo, vimos o dispensário… Fomo-nos ambientando.
E fomos começando a trabalhar! O Paulo começou por dar uma de
carpinteiro e fez alguns trabalhos de manutenção, em especial
nos quartos dos miúdos. Desde camas a portas, havia bastante coisa
a precisar de reparação. E claro, não esquecendo da familiarização
com os miúdos.
Não foram dias muito fáceis! Todo o cansaço de fazer
e desfazer malas, o facto de estarmos num sítio (apesar de muito apetecido)
novo, todas as pequenas coisas que faltavam na casa, o não nos podermos
expressar da melhor maneira (há sentimentos difíceis de explicar
em português, quanto mais em kiswahili, inglês ou italiano!) e,
principalmente os poucos meios de comunicação existentes (na
escola tinhamos internet todos os dias, aqui nem o telefone funcionava em
condições) fizeram com que sentíssemos de maneira um
pouco mais forte a solidão. Não que estivéssemos sozinhos,
mas a distância dos familiares e amigos, nestas alturas sente-se mais.
No entanto, aos poucos as coisas foram-se compondo. Aliás, com tantas
crianças à volta é difícil estar muito tempo triste.
Entretanto ainda não tínhamos as nossas cartas de condução e faltavam-nos algumas coisas para podermos começar a fazer as refeições na nossa casa. Para isso teríamos que ir a Dar-es-Salam e, no dia 15 lá fomos com o Pe. Júlio e o Ir. Bonifácio (que ia de férias) até à capital económica do país. Foi uma longa viagem, perto de 9 horas! Mas tudo correu bem. Dar-es-Salam é uma cidade quente. Mas é um calor húmido e mesmo à noite só se está bem debaixo de uma ventoinha ou ar condicionado!
Nessa noite tivemos que ir jantar fora, pois a cozinheira tinha adoecido. Imaginem que fomos comer a um restaurante italiano. Fantástico! Já agora um pormenor: a 2ª língua mais falada na ilha de Zanzibar é o italiano. No dia seguinte o Pe. Júlio levou-nos a fazer compras e aproveitámos para ver um bocadinho de cidade. Pela primeira vez na vida, vimos o Oceano Indico. Que saudades de dar um mergulho!
Muita gente na rua e muito trânsito também, mas achámos que era uma cidade um bocado suja! Nas ruas vende-se de tudo, desde a tradicional bijutaria e peças de madeira, t-shirts e sapatos e até livros técnicos de economia, informática e outros. Os vendedores tentam entre o inglês e o italiano convencer-nos a comprar. Ainda passámos no mercado principal da cidade “Soko Kariakoo” mas foi de carro e acho que não me atrevia a meter lá no meio. Para terem uma ideia imaginem o Bolhão com o dobro do tamanho e 5vezes mais pessoas! Um pandemónio!
De tarde fomos até à”zona das estátuas” ?. Uma rua onde loja sim loja sim se encontra todo o tipo de souvenirs que os europeus tanto gostam de levar de África. Como por exemplo, kangas, kitenges, sandálias, missangas e, as mais apetecidas peças em madeira, as esculturas Makonde. A serem feitas ali mesmo à nossa frente. Infelizmente só foi mesmo para regalar os olhos, mas um dia lá voltaremos para umas compritas ?
Na terça-feira começou a nossa aventura das cartas de condução. Pelo que sabíamos só era preciso assinarmos uns papéis e prontos. Mas revelou-se algo mais complicado! Quando fomos até ao posto da polícia para resolver isso a resposta que nos deram foi: “kesho” (amanhã), uma resposta que é muito usual por aqui. Sendo assim, lá fomos embora e aproveitámos para comprar um telemóvel. Um luxo que nos dispusemos a comprar para poder ser mais fácil comunicar com Portugal.
No dia seguinte, às 6.30 da manhã, já estávamos em frente ao Posto da Polícia. No entanto ainda tivemos que esperar mais de 4 horas até vermos que as coisas começavam a ser resolvidas. Ainda tivemos que ir até ao hospital fazer um exame aos olhos. Teve o seu quê de interessante pois eu, sem óculos, já começo a ter dificuldade em ver a uma certa distância. No entanto, a fotografia para a carta de condução não tem óculos! Algumas letras foi o Paulo que me disse e outras fui eu que fiz batota e olhei com os dois olhos, em vez de só com um. Mas o exame era só um pró-forma, pois como já se tinha pago, não havia problema. Este é um dos grandes problemas do país! Toda a gente quer receber subornos, seja pelo que for e, sem pagar, dificilmente se conseguem as coisas! Mas o importante é que, no fim da manhã, tínhamos as cartas na nossa mão. Agora só faltava mesmo o carro!
Quinta-feira de manhã lá partimos de regresso a Mgongo, desta
vez com mais 4 pessoas. A irmã e cunhado do Pe. Júlio, mais
uma cunhada dele e uma amiga. Visitantes que vinham passar uns dias à
missão.
De regresso ao trabalho, era necessário fazer o presépio pois
o Natal estava a bater à porta. O Paulo e alguns dos rapazes encarregaram-se
disso, enquanto eu ia ajudando a Prof. Annete a terminar os presentes para
a noite de Natal. E para nos irmos preparando também espiritualmente,
durante os dias que precederam o Natal tivemos a Novena de Natal.

Finalmente chegámos à Véspera de Natal. Como escurece
cedo e é um bocadinho perigoso andar pelos campos depois do sol-pôr,
a Missa do Galo foi às 6.30 da tarde. Foi uma celebração
muito bonita, com cânticos e procissões e danças de louvor.
No fim foram distribuídos alguns presentes pelas crianças da
aldeia (rebuçados, cadernos e canetas). Nessa noite jantámos
na casa dos Padres. Não havia bacalhau, mas havia panetone (bolo tradicional
italiano). Entretanto lá fora a chuva caía com força
e a trovoada demorava em passar. Felizmente o tempo acalmou e até deu
para ligar para as nossas famílias em Portugal! (é que quando
chove e/ou troveja o mais certo é ficarmos sem comunicações
telefónicas).

Por volta das 10.00 noite dirigimo-nos outra vez para a Igreja onde os rapazes
da Faraja e o resto do staff já se encontravam. Era o momento de abrir
os presentes ?.Todos tivemos direito a prendas, incluindo o Pe. Júlio
e o Pe. Franco e os visitantes. Para os rapazes as prendas eram roupa, cadrenos
e canetas, sabonete e rebuçados. O Pe. Júlio foi brindado com
umas ceroulas, que logo experimentou: quem disse que o Pai Natal não
existe :) E eu tive direito a um Snoopy :)
Em nossa casa esperava-nos uma mesa de Natal composta com alguns regalos
que vieram de Portugal a tempo da quadra Natalícia e um panetone (fez
a vez do bolo-rei), oferta dos visitantes italianos. No dia seguinte almoçámos
na Faraja todos juntos e, o resto da tarde passou-se entre jogos e brincadeiras.
Mas no dia seguinte, 26 de Dezembro, também é feriado. É
o chamado “Boxing day”. Nesse dia, os mais velhos foram passar o dia a Iringa
enquanto que um grupo à volta de 40 rapazes (também rapazes
de rua) vieram passar o dia connosco a Mgongo. Entre jogos de futebol, matraquilhos
e vídeo, também eles tiveram um bocadinho de Natal. No fim todos
levaram uma pequena prendinha: t-shirt, rebuçados, creme para a pele
e um pouco de dinheiro
Passado o Natal veio a Passagem de Ano. Mais uma daquelas festas que estamos acostumados a passar com a família e os amigos. Desta vez foi muito diferente!
Entretanto chegaram mais 4 Italianos para cá passar um mês.
Na véspera de Ano Novo fizemos uma celebração especial para agradecer as bênçãos recebidas ao longo do ano e acolhermos 2003 com força renovada. Nessa noite jantámos só os dois e foi bacalhau, como é tradição, que a minha mãe nos tina enviado. Esperámos pelas doze badaladas para brindar e comer as passas e, depois, fiquei eu à espera que fosse meia-noite em Portugal. Desta vez posso dizer que tive 3 passagens de ano! A da Tanzânia, a de Moçambique (pois aqui conseguimos ver a televisão moçambicana) e a de Portugal. Esta foi acompanhada pelo fogo de artifício realizado em Inglaterra (pois também temos a BCC). Entretanto recebemos algumas mensagens no telemóvel e o pessoal do JMC que estava reunido em Águas Santas a celebrar a passagem de ano ainda tentou ligar! Infelizmente a rede aqui é muito fraca e apesar dos vários esforços (chamadas) que eles fizeram, não me conseguiram ouvir. Mas eu ouvi-os a falar e também assim estivemos unidos: Muito obrigado!
No dia de Ano Novo fomos todos para Iringa pois ia-se realizar uma demonstração de Karaté e iam ser realizados alguns exames de passagem de cinto. Os nossos karatecas saíram-se bem e subiram de graduação.
No dia 4 de Janeiro foi o aniversário do Pe. Franco. O Pe. Júlio
também festejava o aniversário passado uns dias, mas como iria
para Dar-es-Salam para levar os primeiros visitantes ao aeroporto, fez-se
a festa toda junta. Ao mesmo tempo também se aproveitou para fazer
a despedida de uns e dar as boas-vindas aos outros visitantes.
Algumas das prendas que os padres tiveram foram realizadas pelos rapazes com
a ajuda do Paulo. Um tabuleiro de damas para cada um.
Para terminar as festas Natalícias tínhamos a Festa da Epifania
para realizar. Esta celebração envolveu perto de 30 pessoas,
entre os rapazes da Faraja e as meninas da aldeia. Fez-se a representação
da história do 4º Rei Mago e, apesar de só se ter ensaiado
3 vezes tudo correu bem. Fizeram-se duas músicas alusivas à
história e não só os soldados tinham espadas como o anjo
teve direito a asas. Estes trabalhos foram realizados pelo Paulo com a ajuda
dos rapazes. Faz parte do trabalho dele a área de “Trabalhos Manuais”.
|
Alguns Reis Magos |
O Anjo e a Sagrada Família em Belém. |
Herodes com a esposa e os guardas. |
Artaban, o 4ºRei mago, a ajudar um ferido |
A matança dos inocentes. |
No fim todos perceberam a história. Afinal, com este tipo de representações faz-se catequese. Os participantes nuca mais se vão esquecer do que aprenderam e, quem viu também se vai lembrar melhor dos ensinamentos transmitidos.
E assim foram as nossas Festas e entrámos no Novo Ano.
Um ano diferente pois vai ser vivido em Missão.
Esperámos que tenham passado bem este tempo e que o Novo Ano traga
muita Paz, Amor e Alegria para todos.
Continuaremos juntos através destas notícias ao longo do ano.
Até à próxima,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2002.Dez.18
Olá a todos,
Vamos então dar conta do que foi o resto das nossas (curtas) férias e também o fim do nosso tempo de estudo.
Esta semana de férias passou a correr!! Aproveitámos para estudar
mais um bocadinho, mas na quarta-feira fomos até à Casa Regional,
onde o Pe. Gianni estava às voltas com o novo “magazine” que vai sair
em Janeiro do próximo ano. Aproveitámos para dizer que quem
dizer assinar, é só dizer :)!
Durante a tarde chegou o Pe. George, que nós já tínhamos
conhecido no Quénia.
Enquanto eu fiquei a tentar dar uma ajuda ao Pe. Gianni com o computador,
o Paulo aproveitou e deu um salto a Mgongo com o Pe. George.
Por volta das seis da tarde fui a casa das Irmãs da Consolata para
a celebração da Eucaristia onde se festejou os 60 anos de Profissão
de uma das Irmãs. Esta é a casa das Irmãs idosas, Irmãs
que dedicaram toda a sua vida a Consolar os mais fracos, os mais pobres, os
mais necessitados. Entre elas está também uma Irmã que
já fez 75 anos de África!! Conseguem imaginar o que isso é?
É formidável!!
Entretanto, o Paulo não teve uma boa experiência em Mgongo.
Quando lá chegaram, foi praticamente jantar e regressar à cidade
pois tiveram que ir ao hospital, ver como estava um dos alunos, um rapaz dos
seus 17 anos, da Escola Técnica, que no dia anterior tinha cortado
os 4 dedos da mão esquerda. Ele estava a trabalhar com as máquinas,
a cortar um tronco quando, num abrir e fechar de olhos a máquina apanhou-lhe
os dedos. Foi imediatamente para o hospital mas, apesar de o professor ainda
ter levado os dedos, nada se pôde fazer! Estamos em África e
não na Europa, e no hospital não havia maneira de amputar os
dedos!! Foi uma situação muito desagradável, pois apesar
de ter sido a esquerda, é muito difícil trabalhar só
com uma mão.
No dia seguinte levantámo-nos cedo, pois as laudes e a eucaristia são
às 6.20 da manhã. Por volta das 9.30 fomos com o Pe. George
até Tosamaganga, até ao cemitério onde está enterrado
o Pe. Alex que faleceu juntamente com o nosso Pe. Paulino na Àfrica
do Sul.
Nesta tarde foi a vez do Paulo ir às Irmãs com o Pe. Gianni,
enquanto eu fiquei na Casa Regional para rezar as Vésperas e o terço
com as duas Irmãs que fazem parte desta comunidade: a Irmã Domízia,
que tem 92 anos, e a Irmã Bruna que tem perto de 80. Não se
deixem enganar pela idade!! Estas duas Irmãs são bastante activas
e são quem coordena as meninas/senhoras que trabalham na Casa; seja
na cozinha ou na arrumação da casa!
![]()
Sexta-feira de manhã, chegou a hora de regressar à escola,
pois as férias estavam a acabar :(. Mas partimos contentes pois estávamos
um bocadinho mais fortalecidos por termos partilhado e vivido estes dias junto
com os “nossos”.
Os dias lá se foram passando entre aulas e estudos! Num dos fins-de-semana,
fomos escalar uma rocha muito grande que existe aqui em Iringa – Gangilonga.
Fomos com um casal de americanos que tínhamos conhecido na escola.
Para lá chegar temos que subir por entre duas rochas, bem apertadinhas!
Mas depois de chegar ao cimo… a vista é algo de formidável!
Dá para ver a cidade toda! Outra particularidade desta pedra, é
que ela fica, por assim dizer, nas traseiras da Casa Regional.

Se para subir custou um bocadinho, imaginem o descer!
Lá continuámos a “explorar o sítio e, vejam lá,
ainda conseguimos ver macacos!! Muito tímidos, mas sempre deu para
“apanhar” alguns com a câmara ?.
Durante o mês de Novembro, começamos a ter o que se chama de
aulas práticas.
Fomos a casa de um Tanzaniano, treinar o nosso kiswahili.
Visitámos um orfanato que ficava perto da escola (pertença
da Igreja Luterana), onde ficámos a saber que menos de 10% das crianças
órfãs, abandonadas e de rua, na zona de Iringa, recebem algum
tipo de apoio das poucas Instituições que existem, “Faraja House”
incluída.
E, já no fim do mês, uma aula de culinária! Passámos toda a manhã a aprender a preparar e cozinhar alguma da típica comida tanzaniana, com os utensílios que são utilizados. Desde a escolha da arroz, o moer das especiarias, o partir e ralar do coco, até ao matar da galinha. Tudo isto foi muito bem preparado pois no fim foi o nosso almoço ?! Mas as imagens falam por si:
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
| Professora Mariam a escolher o arroz |
Eu e a Suzy a moer gengibre | Eu a ralar o coco | e o resultado semi-final | O Paulo num momento de brincadeira com o Professor Tumku |
Esparguete com açúcar
|

As alunas e professoras (os alunos estavam a tirar as fotos!)
E o resultado final:
O almoço foi partilhado por todos, alunos e professores, à excepção
de 5 professores que, sendo muçulmanos e estando em pleno Ramadão,
não se juntaram a nós.
E para terminar só falta dizer que, obviamente, comemos com as mãos
e sentados no chão.
No dia seguinte, sábado, era o “Dia da Graduação” na
escola técnica de Mgongo.
Fomos à celebração e à cerimónia de entrega
dos diplomas com o Pe. Inverardi e acompanhados também do Pe. Diego,
o anterior responsável pelos Leigos para o Instituto que está
de partida novamente para a Coreia do Sul, e vai para a mesma comunidade onde
está o português Pe. Álvaro.
A celebração foi, mais uma vez, muito bela, com cantos e danças,
realizadas por crianças da aldeia.
No fim da celebração seguiu-se o almoço e, após um curto descanso, assistimos à entrega dos diplomas aos alunos finalistas e a um show realizado pelos meninos/jovens da “Faraja House” que, além de danças tradicionais, também cantaram algum rap; em kiswahili como é lógico.
Aqui estão os alunos finalistas, nas artes de carpintaria, sapataria
(e bolas e malas em pele) e serralharia.
E eis-nos finalmente chegados ao tão esperado dia, 4 de Dezembro, dia
em que, terminámos o curso de kiswahili.
Juntamente com nós
os dois, mais alguns alunos faziam o encerramento oficial.
Durante a manhã, após uma curta avaliação, começámos
a arrumar as malas, pois nessa tarde sairíamos da escola.
Algumas professoras enfeitaram a sala das refeições com flores
e até o cozinheiro fez alguns desenhos.
Estava tudo pronto para um almoço de festa, e para a entrega dos diplomas.
Até bolo havia, com os nomes dos alunos finalistas!!
Neste momento temos que vos confessar uma coisa: verdadeiramente, só
eu e o Paulo é que terminávamos naquele dia. Alguns alunos continuariam
até ao fim da semana, e outros ainda teriam mais uma semana inteira
de aulas. No entanto, para a festa não ser só para nós
os 2, fez-se tudo no mesmo dia. Além de que assim, não parecia
tão mal uma festa tão grande.
É que, modéstia à parte, nós os dois deixámos
uma “marca” naquela escola. Todos eram muitos simpáticos e nós
sempre retribuímos essa simpatia. Acho que Portugal, os católicos,
e os Leigos da Consolata irão ser lembrados naquela escola Baptista,
por algum tempo!
E prontos, entregaram-se os diplomas, comeu-se o bolo e tiraram-se as últimas
fotos.
Estava na hora de partir, foram 4 meses bem passados e novas amizades foram
feitas, mas o trabalho esperava-nos!
Não vamos dizer que já sabemos tudo da língua, mas acho
que se pode fazer uma comparação com aprender a conduzir. Só
depois do exame feito, quando nos metemos à estrada, é que verdadeiramente
aprendemos!
Uma das nossas melhores professoras, Levina, por sinal a única professora
católica lá a trabalhar!
Por volta das 5 horas, o Pe. Gianni veio-nos buscar e fomos para a casa Regional. A nossa verdadeira missão estava prestes a começar…
Teresa e Paulo
Lmc
Tanzânia
2002.Dez.09
Habari rafiki zetu! (Olá amigos nossos!)
Cá estamos mais uma vez, a dar-vos conta das nossas andanças.
Depois de um fim-de-semana missionário, tivemos o que se chama um dia
turístico!
Fomos visitar um dos 4 grandes parques naturais que a Tanzânia tem:
o Parque Nacional do Ruaha.
Este Parque fica na zona central da Tanzânia, cobre uma área
de 12950km^2, é o segundo maior parque nacional e fica situado no Rift
Valley.
Dos alunos residentes aqui no centro, só eu o Paulo e o Andy é
que fomos.
A partida foi às 7.00 da manhã (com uma hora de atraso do previsto)
pois de Iringa até ao Parque ainda são entre duas a três
horas de caminho.
O tempo estava agradável, mas assim que começamos a descer em
direcção ao Rift Valley começou-se a sentir mais calor
:) !
Logo à chegada, e ainda antes de entrarmos verdadeiramente no parque,
vimos os primeiros animais: hipopótamos (kiboko – hippopotamus amphibius).
Deviam estar a descansar por causa do calor, e nem se dignaram a levantar
a cabeça!
Lá fomos pagar as entradas e comprar um mapa do Parque para nos pormos a caminho. Os guardas avisaram-nos logo que seria muito difícil ver leões, leopardos e chitas pois já era tarde. A melhor hora para ver esse tipo de animais é durante o amanhecer, ou o entardecer.
![]()
Mas quanto a girafas e elefantes não devia haver problema.
E realmente, girafas não faltaram.
Cada uma mais bonita do que a outra, e algumas até parecia que se punham
em pose para a fotografia.

Junto com as girafas (twiga – giraffa camelopardalis), estavam também
gazelas (swala – gazella granti), apesar de um bocadinho mais assustadas que
as suas amigas grandes
Mas o Parque não é famoso só pelos seus animais,
também o é pelos seus pássaros. E como tal, tivemos a
sorte de avistar algumas águias (mwewe samaki – haliaeetus vocifer).
No entanto, aquele que mais vezes avistamos foram galinhas da Guiné
(kanga ou chepeo – guterra edouardi). A maior parte destes pássaros
encontrava-se debaixo das partes e dificilmente se vêem a voar, preferindo
antes correr, seja para fugir a inimigos que se aproximam, seja para simplesmente
atravessar a estrada :)!

A paisagem do Parque reflectia bem a época seca, em que nos encontrávamos.
Aliás, até existem dois “rios de areia” bastante grandes.
Só muito raramente se via um riachozinho de água.
A hora do almoço estava a aproximar-se. Parámos num dos vários
pontos de descanso que existem ao longo do parque e comemos da merenda que
nos tinham preparado.
Enquanto descansávamos um bocadinho comentávamos que ainda não
tínhamos visto elefantes!
Após tornarmos a por tudo no jipe, retomámos o caminho e, qual
não é o nosso espanto, uma família de elefantes (tembo
– loxodonta africana) à nossa frente! Pai, mãe e filhote.

Outro animal bastante visível neste parque é o “greater kudu”
(tandala – tragelaphus strepsiceros). Os cornos do macho são em espirais
espectaculares e podem crescer até aos 180cm.
Mas a nossa verdadeira aventura ainda estava para começar!
Ao atravessar um dos rios de areia, o nosso jipe ficou preso.
Não havia ninguém por ali para ajudar a rebocar o carro e de
cada vez que as rodas giravam, mais afundado o carro ia ficando…
Era uma da
tarde e o sol estava a pino, estava a ficar complicado…
Finalmente lá se consegui arranjar uns pedacitos de madeira, para servir
de alavanca. Entretanto o Paulo e o Andy fartaram-se de escavar e, com a ajuda
do nosso guia lá conseguiram por os toros debaixo das rodas.
Estivemos nisto perto de duas horas! Por madeira e pedras, dar à chave
e empurrar. Muito lentamente o carro foi avançando. Mas mesmo muito
lentamente!
Até que finalmente lá conseguimos por o carro na outra margem
do rio. Para grande infelicidade de um abutre (tai – gyps africanus) que esperava
pacientemente no cimo de uma árvore!
Para nossa grande felicidade, tornámos a ver elefantes. E desta vez
era uma manada considerável! Não nos demoramos muito tempo a
admirá-los, pois havia algumas crias e um dos machos não estava
lá muito satisfeito com a nossa presença.
Outro animal bastante popular por estes lados é a zebra (punda milia
– equus burchelli).
Também tivemos oportunidade de ver bastantes.

Dos cinco grandes mamíferos que são símbolo deste parque
(elefante, búfalo, leão, chita e leopardo); ainda só
tínhamos visto elefantes. Queríamos muito ver leões e
os outros dois felinos, mas não devia ser o dia deles!
Quando nos cruzávamos com outros jipes, a pergunta era sempre a mesma:
Simba? (leão) e a resposta também não variava: Hapana!
(não há).
O tempo começava a apertar pois tínhamos de sair do parque
até às sete da tarde.
Ainda assim, o nosso guia levou-nos por outro trilho, para tentar a sorte,
e conseguimos avistar uma manada de búfalos (nyati – syncerus caffer)
com os seus respectivos pássaros nas costas “oxpecker” (toboa-ng’ombe
– buphagus).
Se pensarmos que há turistas que pagam bastante dinheiro para pernoitarem
no parque e terem oportunidade de verem os “cinco grandes” e nem sequer um
elefante conseguem avistar, então nós tivemos muito sorte pois
vimos 2/5 deles :)!
O sol estava a começar a baixar e a dar uma tonalidade arrosada ao céu. Era sinal que tínhamos que ir embora.
Tinha sido um dia em cheio! Um bom safari!
À saída do parque ainda deu tempo para mais uma fotografia
e depois, foi “sempre a abrir”!
Tendo em conta a “qualidade” das estradas, estão a imaginar como correu
bem a viagem!
Chegámos à escola pouco depois das nove da noite, mais moídos
que farinha, cheios de pó, mas super felizes!
A nossa sorte é que era sexta-feira e, além disso, na semana
seguinte teríamos férias!! Ou seja, iria dar para recuperar
o cansaço!
Não se pode dizer que não tenha sido um bom começo de
férias!!
E por hoje é tudo, espero que tenham gostado deste pequeno safari!
Até breve,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
2002.Nov.04
Olá a todos!
Finalmente cá estamos a dar notícias! Por incrível que
pareça, já fez um mês, desde que vos demos as primeiras
notícias, desta nossa nova vida.
Se bem se lembram, começamos a última newsletter a dizer que
íamos passar o fim-de-semana fora. Pois é exactamente por aí
que vamos começar!
Nos últimos dias de Setembro, o Pe. Inverardi partiu para Itália,
para a Consulta Intercapitular do IMC (Instituto Missionário da Consolata).
Antes de partir ainda nos trouxe uma surpresa! O Pe. Silvanus, que estava
de regresso a Portugal, depois de umas bem merecidas férias (para quem
não souber, o Pe. Silvanus é tanzaniano e está a trabalhar
no seminário da Consolata em Águas Santas; foi com ele que começamos
a aprender o kiswahili). Foi bom estar um bocadinho com ele e falar português!
(se bem que nessa altura, já misturávamos kiswahili, com inglês,
português e até italiano ? estamos a ficar uns poliglotas!).
Aproveitámos para mandar lembranças para as nossas mães,
porque mandar alguma coisa pelo correio é um balúrdio!!
Como sabíamos que o Pe. Inverardi iria ficar fora até Novembro, ficámos um bocadinho apreensivos! Afinal, ele sempre nos vinha visitar/falar/saber como as coisas estavam, pelo menos uma vez por semana. Agora, com ele para fora por dois meses pensámos que nos ia custar bastante este tempo. Mas o Senhor não nos desampara nunca!
E eis senão quando na sexta-feira, o Pe. Dário (italiano, a
trabalhar aqui há um ano e pouco) aparece a convidar-nos para ir passar
o fim-de-semana a Matembwe. Claro que aceitámos!
Assim, sábado de manhã metemo-nos à estrada. Matembwe
fica no sul da Tanzânia e demorámos 6 horitas. Nem foi muito
desagradável, pois ainda parámos em Mafinga, em Makambako (para
um cházinho e esticar as pernas) e em Njombe (para levantar o correio
da missão).
Pelo caminho apanhámos chuva!! Podem imaginar?! Bem, não era
chuva forte, mas tínhamos que ir com o limpa pára-brisas ligado!
Atravessámos também uma extensão enorme (bem mais de
20km) de floresta de pinheiros. Parecia que estávamos no Norte da Europa,
tal era a paisagem!
Como à medida que se vão cortando os pinheiros, se estão
a plantar outros, nalgumas partes mais parecia uma exposição
de árvores de Natal! Havia de vários tamanhos e feitios. O mais
interessante era quando no meio de alguns pinheiros, se encontravam bananeiras!
De Njombe (cidade) até Matembwe (missão) ainda são perto
de 50km. Infelizmente, este foi o troço que mais custou a fazer. Não
existe estrada digna desse nome e, já aconteceu, em especial na época
das chuvas, o carro ficar preso na lama.
As “estradas” que ligam a missão às localidades, são
assim, ou piores! A ponto de 10km levar uma hora a fazer!
Quando chegámos à missão, estava a ser celebrado um casamento.
Como a cerimónia já estava no fim, esperámos um pouco
para assim podermos almoçar todos juntos: nós e o Pe. Panero
(também italiano, com mais de 20 anos de Tanzânia).
No fim da cerimónia, os noivos foram agraciados com danças e
cânticos, antes de partirem para a “boda”.
Durante o almoço, chegámos à conclusão que, em vez de dois dias, íamos cá ficar 4!! É que o Pe. Dário pensava que o Pe. Panero ia para Iringa domingo depois do almoço ou, no máximo, segunda de manhã. Mas afinal o Pe. Panero só ia terça depois do almoço! Nós não tínhamos maneira de regressar pelos nossos meios, e além disso, a ideia de estar uns dias fora do ambiente do Centro e poder passá-los numa missão agradou-nos imenso! O único contra era que não havia maneira de avisar ninguém que nós iríamos demorar mais do que o previsto. A missão não tem Internet e muito menos telefone. As comunicações fazem-se via rádio. Todos os dias, por volta das 20.15, todas as missões na Tanzânia se “encontram no rádio”. É a maneira de todas as missões se manterem unidas, pois para algumas não existe outro meio de comunicação!
No fim do almoço ainda demos um salto à boda. Foi interessante
ver as diferenças que existem entre as nossas culturas. Para começar,
primeiro foram servidos os convidados importantes (pais dos noivos, padres
e nós; sendo wazungos adquirimos logo outro estatuto) e só depois
os noivos. Os noivos não estavam nada alegres! Mais parecia que lhes
tinham feito algum mal! Quando perguntámos o porquê, disseram-nos
que tinha que ser assim! Os noivos não podiam mostrar alegria por deixarem
a casa dos pais, daí as suas faces sombrias (claro que o facto de os
noivos já estarem juntos à mais de um ano, não queria
dizer nada!) Apesar de já termos almoçado, comemos um bocadinho,
para não desrespeitarmos ninguém. Regressámos à
missão e fomos descansar um bocadinho, até às 18.30,
hora em que rezamos as vésperas, juntamente com a comunidade.
N
o dia seguinte, domingo, acompanhámos o Pe. Dário a Image,
uma localidade que apesar de ficar a 10 km de distância, levou-nos perto
de uma hora a percorrer. No caminho passámos pela barragem que o Pe.
Pequito construiu para levar eletricidade a várias localidades à
volta. (Para aqueles que não sabem, o Pe. Pequito era um missionário
da Consolata, português.).
Enquanto o Pe. Dário ministrava a sacramento da reconciliação,
aproveitámos para praticar um bocadinho o nosso kiswahili com alguns
membros daquela comunidade, em especial com as crianças, e com um senhor
de idade indefinida, um verdadeiro Mze, que apesar de já não
ver direito, fez questão de posar para a nossa câmara!
Durante a eucaristia, mais/menos a meio, uma senhora toca no ombro do Paulo. Ele vira-se e, qual não é o seu espanto, quando a vê com um pau, de tamanho razoável, na mão. Fica muito espantado, sem saber bem o que pensar quando a senhora lhe diz: “Bwana, bwana! Nyoca! Sumo sana!” e aponta para o chão. O nosso kiswahili já é mais que suficiente para perceber que a senhora tinha dito que estava ali uma cobra, com veneno! E realmente, lá estava ela, para aí com uns 10cm, a passear junto dos cordões das botas do Paulo. Todos os que estávamos ali à volta levantamo-nos assustados, e era ver a senhora cheia de força a dar com o pau na cobra! Entretanto, o Pe. Dário como estava no altar não percebeu bem o que se estava a pensar. Pensou que alguém se tinha sentido mal e estava a receber massagens cardíacas (pois a única coisa que ele conseguia ver era o braço da senhora a subir e a descer). Escusado será dizer que o Paulo passou o resto da celebração a olhar para o chão à espera de ver aparecer algum parente do animalzinho! No fim quando contámos ao Pe. Dário ainda nos rimos um bocadinho (só passado uns dias é que viemos a saber que era realmente uma cobra perigosa: era uma naja que, apesar de ser nova, já tinha veneno suficiente para fazer alguns estragos!).
Durante a tarde visitámos a missão. Vimos os animais que ali são criados (desde vacas, galinhas a coelhos, que pudemos saborear a algumas refeições), a horta com bastantes vegetais, a serralharia, um mini-hospital, a escola de costura e a escola das crianças.
Segunda de manhã levantámo-nos às 6.00 da manhã
para assistirmos à missa matinal, juntamente com a comunidade. Depois
do pequeno-almoço, acompanhámos o Pe. Dário na visita
às salas de aula onde fomos entusiasticamente recebidos com vários
“Ciao”! Ao que o Pe. Dário replicou dizendo que nós não
erámos italianos, mas sim portugueses. Lá dissemos olá
e, durante a tarde e o dia seguinte, quando nos cruzávamos com alguns
dos meninos erámos agraciados com uns “Olá” bem calorosos!
Mas o dia não acabou sem uma notícia triste. Após as
vésperas, fomos com o Pe. Dário visitar alguns dos doentes que
estavam internados. Quando chegámos à enfermaria das mulheres,
algumas estavam a chorar. Disseram-nos então que uma doente tinha falecido.
Era uma rapariga com 23-25 anos que tinha dado entrada à uns dias.
Quando perguntámos de que é que tinha morrido, não nos
disseram. Disseram apenas “a doença dos dias de hoje”, isto é,
Sida. A rapariga deixou 3 filhos para criar e, soubemos depois, o companheiro
já a tinha abandonado à algum tempo e estava a viver noutra
aldeia com outra rapariga. Algumas questões se põem: será
que ele está infectado? Será que ele vai infectar a outra rapariga?
Quem vai cuidar das crianças? Apesar de já sabermos que a Sida
é um dos maiores problemas da Tanzânia, foi a primeira vez que
fomos confrontados directamente com a situação.
No dia seguinte, o Pe. Dário ia celebrar missa a aldeiazinha à volta da missão, uma das comunidades de base. Nós também fomos, e como íamos passar na aldeia de onde era a rapariga, levámos o corpo e alguns dos familiares. Foi uma experiência algo estranha! A estrada, para variar, era bastante acidentada e, como íamos numa carrinha de caixa aberta, volta e meia o corpo, apenas embrulhado em lençóis, saltava devido aos buracos. É esquisito quando pensámos que em Portugal, mesmo nas famílias mais pobres, existe sempre um caixão para transportar o ente querido condignamente. Mais um sinal da extrema pobreza que afecta o povo tanzaniano, em especial nas aldeias.
A aldeia onde chegámos é mesmo um conjunto de pouco mais de
dez famílias. A celebração foi feita num espaço
aberto que fica no meio de quatro ou cinco casas. É o sítio
onde as pessoas se reúnem para tratar dos assuntos da comunidade, onde
as crianças brincam e, onde se celebra a missa, quando o Padre lá
vai. Os catequistas e mais algumas pessoas puseram umas tábuas a servir
de cadeiras, e toda a gente pode-se sentar. Toda a gente canta, apesar de
só haver 3 ou 4 cadernos onde as músicas estão escritas.
Neste dia era dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das Missões.
O Pe. Dário apresentou-
nos durante a homilia e disse que nós
éramos missionários, como ele, que vinham durante uns tempos
trabalhar com o povo tanzaniano, mais concretamente com as crianças
da Faraja House. Disse que vínhamos de Portugal, terra do Pe. Pequito
e, no fim, as pessoas agradeceram-nos o termos vindo e ainda havia quem se
lembrasse do Pe. Pequito! Como é costume, no fim da celebração
fomos convidados a partilhar da refeição na casa do catequista,
juntamente com alguns dos elementos, representantes, da comunidade. Infelizmente
não nos podíamos demorar muito, pois tínhamos que arrumar
as coisas para nesse dia regressarmos a Iringa.
Lá regressámos e, depois do almoço partimos com o Pe.
Panero de regresso a Iringa.
No caminho tornámos a parar em Makambako para um cházinho e
falámos um bocadinho com o Pe. Aldo.
Desta vez a viagem demorou menos uma hora, pois o Pe. Panero gosta bem de
carregar no acelerador!
Chegámos por volta das 18.30, mesmo a tempo para o jantar, e encontrámos
toda a gente preocupada! Já pensavam que tínhamos desistido,
ou que tinha acontecido alguma coisa, pois ninguém sabia onde estávamos!
Como não tínhamos tido maneira de comunicar…

Podemos dizer que não podíamos ter começado da melhor
forma o mês de Outubro, mês Missionário por excelência!
Foram 4 dias onde vimos mais de perto a realidade da vida missionária
E acreditem que, ser missionário num país como a Tanzânia
às vezes custa! Mas também traz as suas alegrias. A lembrança
daquela comunidade de base a agradecer-nos o facto de nós estarmos
ali, dá-nos alento para enfrentar as pequenas dificuldades do dia-a-dia.
Como esta crónica já está comprida, deixamo-vos com duas fotos nossas acompanhados do Pe. Dário.
O resto do mês segue na próxima.
Até breve,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
2002.Set.27
versão em pdf (23kb)
Na próxima segunda-feira, dia 30 de Setembro, faz 50 dias que chegámos
à Tanzânia!
É uma boa altura de fazer um breve apanhado do que tem sido estes dias,
num país diferente, com uma língua nada parecida com o que estamos
habituados, e uma cultura completamente nova.
Como no fim-de-semana não estaremos por cá (vamos passear :)
), achei por bem antecipar a “comemoração” destes «siku
hamsini» (50 dias), escrevendo hoje e, fazendo deste texto o primeiro
(de muitos espero!) da tão famosa e prometida newsletter.
Chegamos a Dar-es-Salam (capital económica da Tanzânia) no dia 12 de Agosto, depois de uma viagem de 14horas e meia de autopulman, vindos de Nairobi. Durante a viagem não conseguimos ver o famoso Kilimanjaro pois estava encoberto! Conseguimos, isso sim, ir dormitando a espaços pois, apesar de ser um autocarro de luxo e de nós irmos nos dois lugares da frente, tínhamos aos nossos pés alguma da bagagem (impressora, computador, mochila de mão…)
A passagem na fronteira foi uma experiência verdadeiramente fabulosa! Primeiro tivemos todos que sair do autocarro para carimbar os passaportes com o visto de saída, no Quénia. Tornámos a entrar e, dez metros à frente, tornámos a sair, desta vez para carimbar o passaporte com o visto de entrada na Tanzânia. Não tivemos problemas pois tínhamos as autorizações de residência connosco (Residence Permit). A aventura maior foi tirar as bagagens (duas grandes malas, mais dois grandes sacos, tudo pesadíssimo :( ) para passar na alfândega. Aqui ficamos ligeiramente preocupados, pois pensámos que fosse preciso abrir tudo. Afinal, fazer as malas já tinha dado trabalho que se chegasse e tinha sido preciso bastante força para fechar duas delas. Felizmente acabámos por só abrir duas (as mais fáceis) pois enquanto andávamos às voltas com as chaves dos aloquetes, o funcionário perguntou o que tinham e nós respondemos roupa e calçado (o que era verdade), e ele limitou-se a por um visto com giz nas malas todas.
Lá seguimos viagem e chegámos a Dar-es-Salam perto das 21.30,
hora local.
Tornámos a carregar com as malas e, depois de encontrarmos um taxista,
lá nos pusemos a caminho. A noite estava quente (22graus), e via-se
algum trânsito nas ruas.
Apesar de o Pe. Inverardi nos ter dado as instruções para chegarmos
à casa, mesmo assim o motorista ainda teve que perguntar duas vezes
o caminho!
Finalmente chegámos e tínhamos à nossa espera o nosso
novo Superior, o Pe. Inverardi, que nos deu as boas vindas, acompanhadas de
um jantarinho que nos soube pela vida! Não que tivéssemos fome,
mas sim pela satisfação de termos chegado bem! Também
tínhamos à espera as primeiras notícias de boas vindas.
O Ricardo e a Elisabete ( outro casal de Leigos Missionários da Consolata)
que estão a trabalhar em Moçambique, tinham mandado um e-mail
no início do mês para quando nós chegássemos. Foi
realmente uma alegria poder ler aquelas linhas em português!
O quarto onde nos instalaram parecia-nos de um hotel de 5estrelas!! Ventoinha,
rede mosquiteira, cama super confortável, e com casa de banho! Estas
últimas palavras podem parecer estranhas, mas depois dos dias (maravilhosos)
que tínhamos passado no Quénia, com o mínimo de condições
(às vezes sem casa de banho como as conhecemos) acreditem que parecia
um hotel de luxo!
No dia seguinte pusemo-nos a caminho de manhã cedo, pois tínhamos
mais uns 500km a percorrer até Iringa, nosso destino final.
Pelo caminho, feito desta vez num jipe, além de dormir a maior parte
do tempo (é um facto, não sou grande companhia para viagens!)
ainda deu para vermos macacos, girafas, zebras e até tirámos
fotografias a uns elefantes que estavam mesmo à beira da estrada!
A estrada não é muito má (em especial se compararmos
com o resto das estradas-caminhos daqui), mas está a ser “remendada”
nalguns sítios; assim, de cada vez que fazíamos um desvio por
causa das obras, os nossos ossos eram novamente chocalhados. A isto se chama,
ossos do ofício!
Parámos em Morogoro, para tomar um cházinho e comer uma frutita.
As papaias daqui são as mais doces!
Chegámos a Iringa ao princípio da tarde. Iringa fica num planalto,
e eu sei isso porque quando vínhamos a subir eu vinha acordada! A subida
fez-me lembrar as estradas portuguesas da zona de Trás-os-Montes e
do Gerês. Mas assim que se entra na cidade, não mais se tem a
noção de se ter subido tanto!
Nesta noite ficámos na Casa Regional, onde ao jantar tivemos oportunidade
de comer um queijinho italiano, ou não fossem a maioria dos padres
de Itália. As Irmãs que lá estavam ainda se lembravam
do Paulo, dele lá ter estado no ano anterior!
No dia seguinte tornámos a levantar-nos cedo, pois era dia de festa
em Mgongo! A Igreja ia ser consagrada. Ora digam lá se não há
coincidências interessantes? Chegamos a tempo de tão importante
festa! Além do mais, Mgongo será a missão onde vamos
trabalhar, após terminarmos o curso de kiswahili. Fica mais/menos a
uma distância de 45 min. de carro. As distâncias aqui são
mais fáceis de medir em unidades de tempo, pois as estradas nem sempre
são muito transitáveis.
A festa foi digna desse nome, cheia de cânticos e danças, bem
ao estilo africano!
E de tarde ainda houve uma demonstração de Karaté, que
os miúdos da Faraja House (Casa da Consolação, casa de
acolhimento a crianças de rua), bem como algumas peças de “teatro”
e músicas, feitas não só pelas crianças, mas também
pelos coros.
A festa estava realmente muito boa, mas tivemos que vir embora, pois ainda
tínhamos que dar entrada na escola onde íamos passar os próximos
4 meses.
A escola de kiswahili faz parte de um complexo que funciona como hotel e
centro de conferências. É um centro Baptista mas os professores
e todo o pessoal que aqui trabalha (desde cozinheiros até ao gerente)
são de diversas religiões. Aliás, os alunos também!
Neste momento somos 2 católicos (portugueses), 2 protestantes (japoneses),
2 anglicanos (ingleses), 1 presbiteriana (coreana) e 6ou7 baptistas (americanos)
(estes últimos só chegaram à duas semanas por isso não
sabemos muito sobre eles ainda).
Ou seja, além das diferentes religiões, temos diferentes nacionalidades.
Só temos uma coisa em comum: somos todos «wazungos» - brancos/estrangeiros!
Este centro fica situado em Huruma que está a uma distância
de +/-30min. a pé de Iringa. A estrada é sempre a direito e
um terço dela é em terra batida. tendo em conta que o clima
é extremamente seco, podem imaginar a poeirada!
Estamos também a uma distância de 1hora da Igreja da Consolata
(que fica no ponto mais alto da cidade), 1hora e meia da Casa Regional, 15min.
da Igreja de Don Bosco e meia-horita da casa das Irmãs da Consolata
(estes dois últimos na mesma direcção).
Nota: todas as distâncias são percorridas a pé.
Iringa, em relação ao ano anterior quando o Paulo cá
esteve, mudou um bocadinho. Agora existem pelo menos 5 “Internet café”
(que de café só tem o nome), em comparação com
o único do ano anterior, que ainda não estava a funcionar a
100%.
No entanto, não é por isso que haja mais das outras coisas!
Os nossos dias são passados quase todos aqui no centro.
Temos 5 horas de aulas por dia, à semana, das 8.00 às 12.30
e das 14.00 às 15.00.
Geralmente íamos à cidade depois das aulas, pelo menos 3 vezes
durante a semana. Íamos até à net saber novidades e verificar
o correio, dar uma volta pela cidade, passar pelo mercado, ir até à
loja buscar algumas bolachas, enfim, passear. Nos dias que não íamos,
ficávamos a dormir ou a estudar.
Nos fins-de-semana, aproveitamos para dormir mais um bocadinho e para estudar
mais alguma coisa. Já temos ido jantar/almoçar à Casa
Regional (depois o regresso é feito de carro que o Pe. Inverardi traz-nos
? ), já passámos um domingo em casa das Irmãs, ou então
jantar a casa de um casal americano que conhecemos aqui nas aulas. Eles já
terminaram o curso, mas continuámos a manter contacto.
Por aqui dá para ver que o ambiente é bom entre os alunos. Apesar
das nossas diferenças, damo-nos bem!
Já tivemos algumas aventurazitas!
No primeiro domingo que cá passámos, fomos à missa à
paróquia da Consolata (a tal que fica no ponto mais alto da cidade!).
Pensámos que a missa era às 9.00 pois era isso que nos tinham
dito. Lá nos levantámos cedo para ter tempo de comer alguma
coisita antes de sair. Quando lá chegámos, esperámos
que a eucaristia que estava a decorrer acabasse e fomos cumprimentar o Padre.
Convidou-nos para um chá e conversámos um bocadinho. Conhece
o Pe. Casimiro (que vem para cá em Janeiro) e disse-nos que, nesse
domingo, ia haver casamentos. Bem, pensámos nós, mais uma nova
experiência! E foi o que aconteceu! A eucaristia só começou
já perto das 10.00 e os casamentos (14-quatorze) foram realizados no
meio. Tendo em conta que o Padre pergunta a cada um dos nubentes as perguntas
como nós as conhecemos… façam as contas! Apesar de tudo foi
uma cerimónia muito bonita. A nossa sorte foi pelo caminho de regresso
apanharmos boleia de um dos grandes aqui do centro. Senão íamos
chegar atrasados para o almoço (13.00)!
Como a paróquia fica bastante distante, em especial se tivermos que
ir a pé, optámos por ir à missa à Igreja de Don
Bosco. As Irmãs da Consolata também lá vão, pois
estão perto.
Da primeira vez que fomos, perdemo-nos!! Tinham-nos dito que era mais/menos
15 min., e que pelo caminho se via a torre com o sino. Passado mais de 10
min. a andar começámos a achar que não íamos bem.
Mas, como aqui em África as distâncias são relativas,
decidimos continuar a andar mais um pouco. Finalmente decidimo-nos a pedir
ajuda. No pouco kiswahili que sabíamos, interpelámos um Mzee
(senhor) que ia com a sua bicicleta e lá percebemos que tínhamos
que fazer todo o caminho para trás novamente! O nosso engano tinha
sido logo no início da caminhada!! Felizmente chegámos a tempo
pois tínhamos saído com bastante antecedência!
As eucaristias em que participámos são sempre em kiswahili, o que é bom pois vamos habituando o ouvido à língua e vamos vendo até ponto já percebemos ou não. Seguimo-las por um livrinho que nos foi dado no Quénia e as leituras pelo Novo Testamento em kiswahili que trouxemos de Portugal.
Em cima escrevi que íamos à cidade ver a net, porque agora já não vamos mais! Desde a semana passada que temos ligação à Internet aqui no centro! Não é tão rápida e, às vezes durante a tarde, não funciona. Mas poupa-nos a viagem a pé à cidade e é mais barata. Na cidade meia hora (eles dão sempre 35 a 40 min.) custa 500tsh (shilingi Tanzaniano), aqui meia hora são 400tsh (com a vantagem de como eles não têm contador, às vezes fica-se sempre mais uns minutitos a acabar as conversas ou a descarregar o correio; mas não abusámos!).
O câmbio é qualquer coisa como 1 dólar dá entre
900 a 100tsh.
A viagem de daladala (autocarro) até à cidade são 100tsh,
independentemente do ponto da estrada onde se entra. Uma soda (coca-cola,
fanta, …) são 250tsh, uma embalagem de leite em pó Nido de 250gr.
são 1700tsh, um iogurte são 125tsh, uma embalagem de Omo de
500gr são 500tsh, uma barrita de sabão (parecido com o nosso
sabão azul ou cor de rosa, mas mais pequeno) são 100tsh.
Este são alguns preços que já sei mas ainda não
dá para fazer uma boa ideia do custo de vida.
Se formos ao mercado comprar fruta ou arroz é aconselhável regatear
os preços!
Um bom salário (a alguém que tem uma espécie de curso
profissional) são 200tsh por dia.
O salário mínimo (que pouquíssima gente recebe) são
42 000tsh, bruto.
E prontos, assim é um pouco desta nova vida a nos estamos a habituar.
Acho que para começo já dá para fazerem uma ideia de
como nós estamos.
Não percam as próximas aventuras (viagem de daladala :) ) nas próximas newsletters!
Beijinhos e abraços para todos e até à próxima!
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania