abril 13, 2004

Newsletter #20

05-Abril-2004

Olá a todos,


Março é o mês em que a Primavera regressa ao hemisfério norte. Aqui, na parte sul do globo, sentimos isso pois as andorinhas são cada vez menos e o calor começa a diminuir um pouco.
A chuva continuou a abençoar-nos com a sua presença e a vida na missão seguiu o seu curso normal.

No início do mês o P. Júlio deslocou-se até ao Hospital de Ikonda, pois não andava a sentir-se muito bem. Após quatro dias regressou e felizmente não tinha nada de grave, apenas um pouco de cansaço. Afinal já são 80 anos de vida e 54 ao serviço da Missão!

No primeiro domingo do mês foi a apresentação à comunidade dos Catecúmenos que irão ser baptizados no Sábado de Aleluia durante a Vigília Pascal. Este ano são 30! 20 são rapazes da Faraja, 10 são crianças da aldeia e 2 são alunos aqui da Chuo.

Na segunda-feira dia 8, o P. Manel foi até Morogoro. Como a viagem é longa, parou para almoçar aqui em nossa casa. Aproveitamos para nos por a par dos seus progressos em Makambako.

Sexta-feira, dia 12 foi o dia de aniversário da mãe do P. Franco. A D. Rita festejou o seu 88º aniversário. O jantar e a festa foram na Faraja como é tradição. Mas os entretenimentos estão a melhorar. As músicas são novas, e os rapazes em vez de se limitarem a imitar uma espécie de dança que vêem na televisão, começam a apresentar cada vez mais números tradicionais.

Claro que o Paulo não podia deixar de aproveitar para se divertir um pouco também :-)!


Junto com a Mamma Rita estava também a mãe do nosso Masai, Obadia que se encontra a estudar no Seminário em Mafinga. Ela tinha vindo cá para falar com o P. Franco de assuntos relacionados com os estudos do filho e participou também da festa.


Dia 24 de Março é Dia de Oração e Jejum em toda a Igreja pelos Missionários Mártires.
E em Iringa realizou-se uma celebração na Igreja da Consolata para lembrar todos os Missionários que têm dado a sua vida ao Serviço da Missão e por Amor ao próximo.
O mote era “Não existe maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15:13) e o “título” da celebração era “Mashahidi wa Upendo” isto é, “Mártires do Amor”.

Cerca de uma centena de pessoas, entre Padres, Irmãs, Irmãos, Leigos e outros cristãos reuniram-se para reflectir na Palavra de Deus, e lembrar todos os Missionários que deram a sua vida ao Serviço da Missão e do Amor a Cristo.

Só no ano passado mais 35 Missionários deram o seu sangue, para que o Amor continue a florescer.

Um dos momentos marcantes da celebração foi a memória de todos quantos foram martirizados o ano passado.
Uma a uma, 35 crianças vieram depositar o nome do Missionário Mártir aos pés da cruz.

Entre esses nomes encontrava-se um muito especial para a comunidade Tanzaniana: Irmã Rosimila Mhesa. Esta Irmã, pertencente às Irmãs Teresinas, tinha 73 anos de idade e trabalhava numa casa de apoio às crianças orfãs e de rua em Tosamanga. O ano passado, em Março foi assassinada, vítima de roubo. As suas crianças tornaram a ficar orfãs.
Durante a celebração ouvimos o testemunho de uma sua Irmã que nos falou do trabalho que a Ir. Rosimila fazia junto dos mais pequenos e desfavorecidos. Mais uma semente de sangue que veio regar este território de Missão que é a Tanzânia.

É sempre difícil compreender este tipo de violência, em especial quando cometido contra quem só faz o bem ao seu próximo. Mas em Jesus Cristo e no seu Amor supremo por nós encontramos conforto e lembramo-nos das suas palavras: “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas, se morre, produz muito fruto.” (Jo 12:24)

Apesar do tempo chuvoso, as obras aqui na Missão continuam a andar bem e este mês ficou concluído um bloco onde funcionarão os “serviços administrativos” da Escola Técnica, bem como a sala de reuniões do staff.

O fim do mês aproximava-se do fim e terminou com a celebração do aniversário do Ir. Boniface. Desta vez a festa foi na Chuo animado com alguns cantos e pequenas peças de teatro.

E por este mês é tudo, a Páscoa está aí a chegar e aproveitamos desde já para desejar a todos uma Santa Páscoa na alegria de Cristo Ressuscitado.

Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia

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Newsletter #19

05-Março-2004

Olá a todos,

Esperamos que esta carta vos vá encontrar bem.
O mês de Fevereiro marcou o meu regresso à Tanzânia e à minha missão de Mgongo.
Este mês é um mês importante na vida dos Missionários e Missionárias da Consolata pois celebra-se a Festa do Beato Allamano, nosso fundador.
Foi um mês também marcado pela chuva, quase diariamente o precioso líquido nos brindou com a sua presença, levando a crer que este será um bom ano para as colheitas.

Mas comecemos pelo início.
Nos primeiros dias do mês eu ainda me encontrava em Portugal. Entre algumas visitas finais e preparação das malas o tempo passou rápido e chegou altura de fazer a viagem de regresso à minha missão.
O meu avião seria às 5.50 da manhã em Lisboa do dia 9, por isso domingo de manhã junto com a minha mãe, irmão e o Alex, pusemo-nos à estrada.
Dirigimo-nos para Fátima, onde iríamos participar na eucaristia da comunidade que se reúne na casa dos Missionários da Consolata em Fátima, para também aí poder dar o meu testemunho do que tem sido a nossa missão na Tanzânia.
O almoço foi-nos oferecido pela Comunidade dos Missionários.
Em Fátima encontramos também familiares do Pe. Manel. Trocamos notícias e eu aproveitei para trazer algumas coisas para ele.
E ainda houve tempo para uma foto de família, com a nova bandeira que seria usada na peregrinação do dia 14 da família consolatina.

A meio da tarde seguimos para Lisboa, onde ficamos na Casa Regional.
Jantamos com a comunidade e ainda recebemos a visita de outro casal de leigos que trabalha em Portugal. O Gonçalo e a Ana Isabel vieram despedir-se de mim e transmitir os votos de boa viagem de toda a comunidade laical.
Antes de ir descansar um pouco ainda troquei algumas impressões com o nosso Superior, P. Tomás; acerca de como estava a correr a nossa missão e algumas notícias de antigos companheiros de trabalho. É que o P. Tomás passou muito anos a trabalhar na missão na Tanzânia.

Às 3 da manhã lá nos dirigimos ao aeroporto. À minha mãe, meu irmão e ao Alex, juntou-se o meu padrinho para me ajudarem a despachar as malas J. É muito complicado viajar sozinha, em especial se há muito que se quer carregar. Felizmente não houve problemas nenhuns no check-in. Aproximava-se a hora da despedida.
Apesar de já não ser a primeira vez, não foi muito fácil tornar a dizer adeus, até breve. Mas a tristeza era atenuada pela completa alegria de regressar ao meu trabalho, à minha missão.
A viagem correu bem; tirando alguma correria em Amesterdão, pois tinha pouco mais de uma hora entre um avião e outro; e até deu para apreciar a paisagem pois ia à janela. Assim consegui ver os Alpes, cobertos de neve, deu para ver um bocado do deserto e, mais ao fim da tarde um pôr-do-sol magnífico, se não estou em erro, na Etiópia.

Cheguei a Dar-es-Salaam às 23.30 da noite. Também aqui não houve problema nenhum com as bagagens. À minha espera estava o Paulo e muito calor (pelo menos comparado com o que eu tinha deixado em Portugal).


Entretanto, durante este tempo em que estive fora a vida continuou em Mgongo.
Os rapazes da Faraja recomeçaram as suas aulas na escola primária, e os alunos da Chuo aos poucos foram chegando também.
A maior parte deste início do mês foi dedicado à lavoura. A chuva estava a cair certinha e era preciso ir cuidando das sementeiras.

Aos familiares do P. Júlio, que ainda se encontravam cá, juntaram-se a mãe e o irmão do P. Franco. A mãe, mamma Rita, que no ano anterior tinha dito que era o último em que vinha, veio desta vez acompanhada por outro seu filho, também padre missionário da Consolata. O P. Sílvio Sordella que está a trabalhar na Etiópia.
Ainda no início do mês o P. Júlio passou um pouco mal tendo sido necessário recorrer aos cuidados das Irmãs.


Dia 11 regressamos a Mgongo. Ao chegarmos a Iringa paramos na Casa Regional onde encontramos o P. Casimiro, que se encontrava a participar na Assembleia Regional dos Missionários. Trocamos saudações e saudades e aproveitei para lhe entregar os miminhos que lhe tinham enviado de Portugal

Na sexta-feira, toda a família Consolatina juntou-se em Iringa, na Casa Allamano (casa das Irmãs idosas) para celebrar a festa do Pai Fundador. Todos sentimos como é forte o seu amor por todos nós: “Deus poderia ter escolhido uma pessoa mais santa e mais inteligente do que eu para fundar o Instituto da Consolata; mas alguém que vos amasses mais do que eu, isso não creio.”

Padres, Irmãos, Irmãs e Leigos reuniram-se para dar graças e partilhar a alegria desse dia, enriquecido com a celebração de quatro jubileus de consagração religiosa da Ir. Domízia (75), Ir. Elvina (50), P. Ferraroni (60) e P. Lumiri (25). Ao todo 210 anos!

E foi também oportunidade para missionários de diferentes gerações e com diferentes experiências partilharem uns com os outros os Dons da Missão.

Após a celebração eucarística seguiu-se o almoço partilhado e convívio. Desta vez não foram só as crianças que quiseram homenagear e agradecer os Missionários e Missionárias jubilares pela sua dedicação à Missão, mas também alguns Padres e Irmãos os presentearam com cânticos de alegria e celebração festiva.

Recordando as palavras do Beato Allamano – “a união do coração e da vontade alivia o cansaço, produz energia e conduz à vitória” – é fácil verificar como a união do coração e da vontade está bem presente nos trabalhos dos Missionários e Missionárias da Consolata, presentes na Tanzânia há mais de 80 anos.

Na semana seguinte foi o regresso ao trabalho.
Este ano o Paulo ficou com a 6ª e a 7ª classe da catequese, na escola primária, e com o 2º e 3º ano de Bíblia na Chuo.
A mim calhou-me o 2º ano de Inglês e Matemática e o 3º ano de Inglês. Ou seja, este ano tenho menos horas de aulas. Vou aproveitar para ver se consigo arranjar algo que torne mais fácil as aulas, facilite a aprendizagem e motive mais os meus alunos.
Além destas actividades, continuo com alguns aulas de computadores e o Paulo está a dar apoio nos estudos aos rapazes mais velhos.

Na semana seguinte fomos até Makambako. Aproveitando que a viagem é curta (mais/menos duas horas de viagem) e que na terça-feira era o nosso dia de folga, saímos depois do almoço de segunda e fomos passar o Carnaval com o P. Manel.
Chegamos ao fim da tarde e encontramos o P. Manel no meio da reunião comunitária. Ele tinha chegado a Makambako há menos de um mês e ainda se estava a ambientar à sua nova missão. Pareceu-nos muito feliz e satisfeito. E trabalho em Makambako é coisa que não falta. Conversamos bastante e a só não foi pela noite dentro porque nessa altura a cidade estava com alguns problemas no abastecimento de energia. Pelos vistos, devido ao crescimento da cidade algumas obras e modificações estavam a ser feitas nos postos e a maior parte do tempo não existia luz. Assim, era o gerador que estava a funcionar, e como é muito caro tê-lo em funcionamento, às dez da noite é desligado.
Na terça de manhã demos uma volta pela cidade e depois do almoço regressamos a Iringa.

No dia seguinte era Quarta-feira de cinzas, e na eucaristia fizemos o ritual da imposição das cinzas.
A Quaresma começava.


Como todos os domingos, também este, o primeiro da Quaresma, teria um cartaz alusivo às leituras da eucaristia. E como parte da catequese dos rapazes são eles que colaboram na feitura do cartaz. Cada domingo um grupo diferente, mas o mesmo objectivo: por os rapazes a reflectir um bocadinho nas leituras da eucaristia e mostrarem o que delas retiram.

E assim chegamos ao fim do mês mais curto do ano.

Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em 02:16 PM | Comentários (0) | TrackBack

Newsletter #18

05-Fevereiro-2004

Olá a todos,

Cá estamos nós, mais uma vez no início de um novo ano, a dar-vos conta das novas por estes lados.

Como “prenda” de Ano Novo, os rapazes tiveram direito a um passeio. A ideia era ir até ao Parque Nacional do Mikumi. Os mais pequeninos como não podiam ir vieram até nossa casa onde assistiram a uma matiné com o filme de Natal da Disney.
Infelizmente a camioneta onde os rapazes seguiam avariou, e o passeio teve que terminar bem mais cedo, sem sequer chegarem às imediações do Parque.


Como é hábito em ocasiões festivas, a comunidade junta-se para o almoço/jantar. Desta vez, e aproveitando a estadia da minha mãe por cá, o almoço foi em nossa casa juntamente com os Padres Júlio e Franco.

O mês começou com a promessa de um bom ano de colheitas. A chuva foi caindo a tempo e horas e todos andavam ocupados nos campos e hortas a semear e plantar. Aqui na Faraja não foi excepção e além das culturas habituais (milho, feijão) também algumas árvores foram plantadas; perto de duas centenas. O objectivo é ajudar a segurar o solo e a fornecer alguma humidade necessária neste clima tão seco. Das centenas plantadas todos os anos, menos de 30% sobrevivem, por isso este é um hábito que é repetido todos os anos.

No dia 6 resolvemos ir visitar o P. Manel a Sadani, missão onde ele estaria até ao final do mês. Como não sabíamos bem o tempo que iríamos demorar resolvemos sair cedo. Mas de nada nos valeu! Depois de descermos a montanha e já na estrada principal fomos parados pela polícia. Até aqui nada de mais, já não era a primeira vez que acontecia. O pior foi quando o polícia resolveu dar uma boa vista de olhos ao carro! E não gostou de ver que os pneus estavam em não muito bom estado. Em abono da verdade, os pneus novos já se encontravam na missão para trocar, só estávamos à espera do mecânico. Mas não adiantou nada. Desta vez o polícia estava mesmo decidido a “mostrar trabalho”. Lá foi perguntando ao Paulo onde íamos, de onde vínhamos, e até lhe perguntou de que “tribo” ele era, duas vezes! O Paulo ainda pensou em responder-lhe que era “tripeiro”, mas achou por bem manter-se pelo português.
O polícia lá acabou por nos passar uma multa. Mas o mais estranho disto tudo é que tivemos que regressar a Iringa, para pagar a multa, e só depois poderíamos seguir viagem, pois ele tinha ficado com a carta de condução do Paulo. Há hábitos/formas de agir que ainda nos fazem um pouco de confusão.
Lá regressamos à missão onde trocamos de carro e fomos ao posto de polícia pagar a multa. Nesta altura não vos sei dizer quem ficou mais admirado por termos apanhado uma multa: se nós, se o polícia que a recebeu! Mas ele lá nos passou o comprovativo do pagamento e pudemos seguir viagem.

Chegámos a Sadani mesmo a tempo do almoço. O P. Manel já estava à nossa espera, bem disposto apesar de uma pequena constipação lhe fazer companhia.
Depois do almoço tivemos oportunidade de visitar um pouco a missão e pudemos constatar a diferença que um pouco de àgua faz.
A começar logo pela avenida maravilhosa à entrada da missão.
Talvez um dia em Mgongo também haja uma avenida desta natureza!

Infelizmente não nos pudemos demorar muito tempo pois a viagem de regresso iria demorar mais tempo. É que tinha chovido um pouco e os perto de 30 km que separam a missão da estrada principal, como são em terra batida, tornam-se um pouco perigosos.
Desta vez o perigo foi só para uma pobre galinha que se lembrou de atravessar a estrada, nós não podíamos travar senão arriscávamos a sair da estrada, assim foi a galinha que acabou sendo atropelada.

Os restantes dias desta semana foram tempo para começar a preparar as malas. É sempre uma tarefa morosa e nada agradável, especialmente se existe limite de peso.
O facto de eu acompanhar a minha mãe na viagem de regresso facilitou um pouco as coisas, já que eu não precisaria de levar quase roupa nenhuma.
E como não podia deixar de ser, houve festa de despedida na Faraja.
Com direito a algumas prendas bem típicas e até uma lição de como usar as kangas e kitenges.

No sábado, dia 10 seguimos viagem para Dar-es-Salaam.
E na bagagem trazíamos um pedido das Irmãs para, no regresso, o Paulo levar algumas encomendas. Como era um pouco complicado as Irmãs transportarem tudo até à Casa Procura, ficou combinado que no domingo iríamos nós almoçar a casa das Irmãs, em Mbagala.

Apesar de nesse domingo a comunidade das irmãs estar reduzida a metade fomos, como habitualmente, muito bem recebidos. A Ir. Ida e a Ir. Francalídia (médica e responsável pelo dispensário) presentearam-nos com um gostoso almoço, após o qual nos mostraram a missão.

Nesta altura o dispensário estava fechado para férias e limpeza, mas a maternidade não, e tivemos a oportunidade de ver um recém-nascido junto com a sua mãe

Às 21.30 da noite dirigimo-nos ao aeroporto para apanhar o avião para Portugal.
Depois do calor intenso de África e de uma viagem de 13 horas, vimos finalmente terra à vista.

O almoço foi na Casa Regional em Lisboa, e depois seguimos viagem para o Porto. Pelo caminho pude ver um pouco do que os incêndios do verão passado tinham feito à paisagem.


Entretanto, em Mgongo a vida continuava. Os efeitos da seca do ano anterior continuavam a fazer-se sentir, pois muitas famílias continuavam a bater à porta da missão a pedir ajuda. Na Faraja estas dificuldades traduziram-se em cerca de uma dúzia de rapazes novos. Alguns trazidos por parentes que já não tinham condições para os sustentar, outros pelo seu próprio pé. Como é o caso do Imani (fé) que tendo perdido os pais encontrou-se a trabalhar numa quinta, a lavar animais, em troca de sustento. Mas os donos mal lhe pagavam e o Imani, tendo ouvido falar de uma casa nos arredores de Iringa que acolhia rapazes em dificuldade, resolveu pôr-se a caminho. Nesse dia encontrou uma senhora que lhe deu um pouco de chá com leite e um pedaço de pão.
Foi o seu alimento nos dois dias de viagem até chegar à Faraja House, verdadeira casa da consolação para ele.
Agora já se encontra integrado com os restantes rapazes e com eles frequenta a escola primária que começou o seu ano lectivo por estes dias.
Com uma pequena foto de 4 dos novos rapazes nos despedimos.

Até à próxima.
Beijinhos e abraços para todos,

Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

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Newsletter #17

05-Janeiro-2004

Olá a todos,

Esperamos que tenham tido umas boas festas Natalícias e que o Novo Ano tenha começado da melhor maneira.

Este ano, o nosso mês de Dezembro foi preenchido com viagens. O motivo: a minha mãe e o meu irmão vieram até cá para passar o Natal :-)

No início do mês, os alunos do 1º e 2º ano deixaram a escola, para irem de férias, e os dormitórios começaram a ser ocupados pelos nossos rapazes da Secundária.
Apesar de estarem de férias foram eles, e mais alguns dos rapazes mais velhos que foram dando uma ajuda nas construções que estão a decorrer aqui na Missão. Além disso, ao fim da tarde, ainda havia tempo para um pouco de estudo. As minhas aulas tinham acabado, mas agora era tempo de explicações.

Entretanto nos dias 9, 10 e 11 decorreram os exames de admissão para o próximo ano. Foram cerca de 70 rapazes que concorreram para os pouco mais de 30 lugares disponíveis.

Dia 12 era o dia da reunião final, para escolher os novos alunos, mas nós partimos para Dar-es-Salaam. Nessa noite, a minha mãe e o meu irmão chegavam de Portugal para cá passarem uns dias.
Na viagem de ida parámos em Morogoro onde combinámos com o P. Manel que na volta lhe dávamos boleia para Iringa.

À noite, lá fomos para o aeroporto. O avião chegou à tabela e o reencontro foi muito emocionante.
Esse fim-de-semana ficámos na capital, fomos até à praia um pouco e passeámos pela cidade. Mas o calor era insuportável! E nesta altura do ano é sempre a subir!

Segunda-feira fizemos a viagem de regresso a Iringa e, como tínhamos combinado, parámos em Morogoro para trazer o P. Manel que, tendo acabado as aulas, ia para a Casa Regional onde ficaria a aguardar a boleia para Sadani, missão onde estará até ao final do mês de Janeiro.
Em Morogoro descansámos um bocadinho e gozámos da hospitalidade tão característica dos Missionários da Consolara. O P. Thomas tinha à nossa espera um gelado de manga muito saboroso feito com a fruta do seminário.

Chegando à Casa Regional, em Iringa, soubemos que o P. Inverardi ia no dia seguinte para Sanza. Como nós já tínhamos pensado em ir visitar o P. Casimiro por estes dias e como não sabíamos bem o caminho, combinámos logo que iríamos com ele.

Assim, 3ª feira dia 16 lá fomos de viagem outra vez. O caminho para Sanza é um bocado complicado em especial na época das chuvas, que estava a começar. Mas felizmente a viagem para lá correu bem.

Á nossa espera estava o P. Casimiro que ficou muito feliz com a visita. Depois de termos descansado um pouco da viagem fomos dar uma volta pela povoação.


O P. Casimiro levou-nos a ver o “seu território” e fomos sempre acompanhados por um bando de crianças, que não largam o P. Casimiro.
Visitámos algumas famílias e podemos constatar como o P. Casimiro já está bem inserido na comunidade e é querido pelas pessoas.
Uma das famílias que visitámos foi a de um nosso seminarista que se encontra a estudar em Morogoro.

Nessa noite começou a chover, e nós começamos a ficar um pouco preocupados. Pois se a chuva é uma bênção para este povo, o mesmo não podemos dizer para as estradas…
Na tarde do dia seguinte o P. Casimiro levou-nos a ver as suas “aventuras agrícolas” no quintal da missão.
Ele tinha lá plantado melões e melancias, mas só alguns melões vingaram, a culpa era de um bichinho qualquer que lá andava a comer as sementes. No entanto têm algumas árvores de fruta e as papaias para o jantar foram colhidas na hora.

Com o começo da chuva, alguns bichinhos mais indesejáveis começam a sair das tocas. Nessa noite o P. Casimiro matou dois escorpiões e o Paulo ainda matou uma “senhora” cobra que tinha vindo passear até perto de nós!
E a chuva não parou a noite toda!
Na quinta de manhã, continuava a chover, e já estávamos a pensar que iríamos ter que passar o Natal em Sanza!

Quando começou a abrandar, pusemo-nos à estrada. Desta vez foi mesmo complicado!
Valeu-nos a extrema habilidade do P. Inverardi que evitou que ficássemos presos no lamaçal em que se tinha transformado a estrada. Por duas vezes estávamos mesmo a ver que era desta que lá ficávamos.
A vista da parte de trás do carro era idêntica à quando se anda de barco, tal era a quantidade de água na “estrada”.

O que podem ver aqui na foto não é nenhum lago, é mesmo a estrada!
Mas graças a Deus lá chegámos sãos e salvos.


Na sexta-feira seguinte foi o jantar de boas-vindas, com cânticos e o tradicional bolo.
É sempre uma alegria receber visitantes e os miúdos da Faraja são exímios em o demonstrar.

Na segunda-feira fomos visitar o Parque Nacional do Ruaha. Levámos o Abbi connosco e contratámos uma guia, a ver se desta vez conseguíamos ver leões.
Mas ainda não foi desta.
No entanto, e devido às chuvas que tinham começado, o parque estava muito mais verde e vimos muito mais búfalos e elefantes do que da primeira vez que lá tínhamos estado. Aliás, eles estavam mesmo ao lado do carro :-).
O que vimos também foram hipopótamos, aliás quando pensávamos que estávamos a olhar para um animal ferido e em agonia, eis que ele “acordou” e mostrou-nos o seu desagrado pela interrupção da sesta!

Uma das “atracões” de Iringa é a pedra em Gangilonga. A subida é um pouquinho complicada, mas a vista que se tem lá de cima é fabulosa.
E nós não podíamos deixar de lá ir.
Aproveitámos para tirar algumas fotos de família com Iringa como pano de fundo.

E eis-nos chegados ao Natal! Ainda não foi desta que tivemos árvore de Natal, mas o resto das decorações ajudaram a dar um aspecto mais festivo à casa.

Por volta das sete da tarde realizou-se a Vigília de Natal.
Apesar de já estar um pouco escuro a população da aldeia acorreu para cantar Aleluias ao Rei que celebrávamos nessa noite.

Desta vez o jantar foi quase como se estivéssemos em Portugal. Bacalhau e aletria não faltou assim como as frutas secas da época. Só faltaram mesmo foi as rabanadas. Mas fica para uma próxima oportunidade.

E depois do jantar veio o momento tão esperado por todas as crianças, e pelos adultos também. A chegada do Pai Natal com as prendas.

Houve prendas para todos e para todos os gostos, e entre roupa, alguns brinquedos e guloseimas, todos passaram uma boa noite.

No dia de Natal a celebração tornou a ser bem festiva, com muitos cânticos e alegria.

O almoço foi na casa dos Padres, e como um verdadeiro almoço de Natal foi por volta das 2 da tarde.
É que o P. Franco tinha ido celebrar missa a Nduli, uma localidade aqui perto, que só recebe a visita do sacerdote duas vezes por ano.


À noite celebramos todos juntos na Faraja. E que grande festa foi!
Durante o começo das férias, o Paulo tinha dado a ideia de os grupos fazerem presépios, cartazes e postais de natal. Tinha sido uma forma de os ocupar e por a sua criatividade a trabalhar. E nesta noite seria a escolha dos melhores.
Cada grupo apresentou um presépio, um cartaz e 3 postais de Natal. O júri, constituído pelo P. Júlio, eu, minha mãe e meu irmão, e um dos professores teria que escolher os 3 melhores trabalhos em cada categoria. E que tarefa difícil foi!

Aqui estão alguns dos trabalhos:


No fim houve prémios para quase todos e a certeza de que actividades deste género se tornarão a repetir.

No dia seguinte, 26, regressámos a Dar-es-Salaam pois o avião do meu irmão seria nessa noite.
Tornámos a Iringa no domingo e os 3 últimos dias do ano foram passados aqui em Mgongo. É a altura das sementeiras e parece que este ano somos capazes de ter mais sorte, pelo menos tem chovido mais regularmente. Os rapazes têm andado atarefados a plantar o milho e feijão, e também algumas árvores.

No dia 31 voltámos a ter um jantar tradicionalmente português – o que não vale estar cá a minha mãe :-) – e ficámos à espera da meia-noite para comer as passas e brindar com um bocadinho de champanhe.
Foi uma boa passagem de ano.
Esperámos que a vossa também tenha sido boa e que este ano que agora iniciou nos traga Alegria, Paz e Saúde.

Heri kwa mwaka mpya! Feliz Ano Novo!

Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em 10:30 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 01, 2004

Newsletter #16

04-Dez-2003
Olá a todos!


Novembro começou com sol e com as temperaturas a subir. O “verão” aproxima-se e sente-se a chegada do fim do ano.

Logo no início do mês o Pe. Casimiro passou por aqui a caminho de Mafinga, onde ia fazer os seus Exercícios Espirituais. No fim da semana, e antes de regressar à sua Missão tornou a passar e desta vez estivemos juntos a tarde toda. Foi bom pois pudemos trocar algumas experiências acerca das nossas vidas missionárias e das dificuldades que este
povo está a atravessar.

Está muito feliz com a missão dele, em Sanza, e pareceu-nos muito bem. Ele diz que rejuvenesce quando está connosco, mas eu acho que ele é que nos dá força a nós. O P. Casimiro é a personificação do verdadeiro missionário: Feliz, alegre e sempre com um sorriso. Não perde a esperança, apesar de todas as dificuldades que o “seu povo” está a passar: a fome começou a bater à porta e os missionários já esgotaram os stocks de farinha que tinham e já tiveram que comprar mais para acudir aos mais necessitados. Não se demorou, aqui por Iringa, porque tinha a Missão à espera e as comunidades para visitar no domingo.

Entretanto os preparativos para a cerimónia de graduação dos alunos do 3º ano da escola técnica começaram.
Vários grupos foram organizados, cada um responsável por uma parte da cerimónia. A mim e ao Paulo coube-nos tratar dos diplomas, dos presentes e de fazer alguns cartazes para a decoração.
Com os cartazes e diplomas não tivemos dificuldades, mas termos ficado encarregue dos presentes deixou-nos um pouco surpresos. Afinal era o primeiro ano que estávamos presentes e não tínhamos ideia nenhuma em relação à cultura/tradição que deveríamos seguir para preparar as coisas.
Felizmente o Pe. Franco, que também tinha achado a escolha um pouco “radical”, deu-nos uma ajuda.

No domingo seguinte, dia 9, foi a vez de nos despedirmos do Luciano. Um amigo italiano que esteve cá durante estes 2 meses. Como é habitual, houve jantar na Faraja e uma pequena festa com algumas actuações dos rapazes.


A semana seguinte foi a última para os alunos do 3º ano da escola técnica. Foram 3 dias de exames oficiais (isto é, exames feitos pela entidade que regula as escolas técnicas) e no sábado realizou-se a cerimónia de graduação.
Foi um dia bem preenchido. Começou com uma celebração eucarística, presidida pelo Pe. Jerry, Superior do Seminário de Mafinga, preenchida com cânticos de louvor e acção de graças pelo ano que terminava.

Depois do almoço, que foi partilhado pelos alunos graduados e suas famílias e pelos professores e staff da escola, tivemos uma tarde recreativa. Era altura de descontrair e ao mesmo tempo dizer adeus aos finalistas. Todos os que se juntaram no salão para a tarde festiva puderam assistir a um bom espectáculo: tivemos acrobacias apresentadas pelos rapazes da Faraja, cânticos, declamações e até uma pequena mostra de magia.

Mas o momento mais importante, e esperado, foi mesmo a entrega dos diplomas. Um a um, os 18 rapazes foram sendo chamados e, junto com os seus diplomas de fim de curso, recebiam um pequeno presente. Houve ainda diplomas e lembranças extras para alguns alunos que se distinguiram em algumas actividades, como por exemplo melhor aluno, melhor desportista, aluno mais responsável e, este ano pela primeira vez, um prémio para o aluno que mais se destacou na preparação da Liturgia.

Para estes 18 jovens, a vida laboral começa agora. Nove são carpinteiros, 6 são mecânicos e 3 artífices de sapatos e bolas de futebol. Três ou quatro deles continuarão a receber a nossa ajuda, vão ser contratados como trabalhadores da Missão por forma a facilitar a sua entrada no mundo laboral. Outros, regressando às suas terras, também já têm trabalho. Quase todos eles levam consigo, além do diploma da escola e do diploma oficial reconhecendo-os como artfices, a caixa de ferramentas que foi fornecida pela escola para os seus trabalhos práticos.

Digo quase todos porque, infelizmente, para alguns as ferramentas com que chegaram ao fim do ano estão reduzidas. É um problema que ainda não se conseguiu resolver e que a nós muito espanto nos causa.

O que se passa é que, ao longo do ano, vários alunos vão vendendo as suas ferramentas (por um preço ridículo) e entre eles vão havendo roubos. Volta e meia perde-se uma peça ou outra, mas a maior parte das ferramentas desaparecidas foram roubadas/vendidas.
Temos o caso de um aluno que chegou ao fim do ano sem uma única ferramenta! Ora nós perguntámo-nos como é possível ter conseguido fazer os seus trabalhos práticos e exames desta maneira, e como pensará ele em iniciar o seu ofício.

Pode-se pensar que há certos hábitos que custam a perder e que a infância difícil ainda mostra as suas marcas. Mas estes alunos não são os “meninos de rua”. Neste momento, dos 70 alunos que estudam aqui na Chuo, apenas 5 provém da Faraja, isto é, foram meninos de rua.
Ainda há muito trabalho a fazer no campo da formação e estes pequenos exemplos ajudam-nos a perceber isso de uma forma muito crua.
Mas ao mesmo tempo é um pouco desmoralizante. Se estes jovens, que são os futuros adultos deste país, não tiverem uma boa formação, dificilmente a Tanzânia andará para a frente.

Felizmente, que existem bons exemplos que nos dão um pouco de esperança e alento e por certo que aos poucos, ao seu próprio ritmo, as condições melhorarão.
As duas últimas semanas passaram a correr. Só com o segundo e o terceiro ano na escola, era altura de preparar os exames finais para eles.
Os resultados até nem foram maus de todo.
Os alunos do segundo ano não corresponderam às expectativas. E podem acreditar que os meus exames não foram difíceis, muito pelo contrário porque todas as perguntas foram “repescadas” dos testes e exames que eles tinham feito ao longo do ano. Mesmo assim a maioria deles ainda conseguiu baixar a média ?.
Para compensar, os alunos do primeiro ano portaram-se muito bem. Todos subiram as notas e a média geral da turma está muito acima da média dos outros anos. Pelo menos sempre me dá ânimo para o próximo ano.

Durante esta última semana do mês tivemos a notícia de que o Pe. Manel vai para Makambako. Para nós foi uma boa notícia pois Makambako fica mais/menos a 250km de distância de Iringa e as estradas são boas. O que significa que é muito mais fácil irmos visitá-lo do que ao Pe. Casimiro pois dá para ir e vir no mesmo dia. Além disso tem telefone e internet, o que facilita as comunicações.

Do que sabemos da Missão de Makambako, trabalho não vai faltar. O Pe. Aldo que lá se encontrava, e que foi chamado subitamente pelo Senhor, sempre que nos encontrava perguntava se não havia mais leigos para virem pois ele precisava bastante deles lá.
E assim chegámos ao fim do mês.
Os alunos da Chuo começaram a fazer as malas para regressarem a casa.
E ao mesmo tempo os rapazes da Faraja que estão na secundária começam a regressar para as férias.
Mais um ano que chegou ao fim, e outro que se inicia.
Dia 30 de Novembro foi o início de um novo ano litúrgico e o começo do Advento.
O Natal aproxima-se e nós, daqui de Mgongo, aproveitámos para vos desejar a todos umas Boas Festas.

Até à próxima,
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Publicado por Teresa Silva em 04:54 PM | Comentários (1) | TrackBack

Newsletter #15

07-Nov-2003
Olá a todos,

Outubro, mês Missionário é sempre um mês especial. Este ano ainda o foi mais. Três canonizações (Daniel Comboni, fundador dos Missionários Combonianos; Arnold Janssen, fundador da Sociedade do Verbo Divino, da Congregação das Religiosas Missionárias Servas do Espírito Santo e da Congregação das Religiosas Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua; Joseph Freinademetz, presbítero do Sul de Tirol, da Sociedade do Verbo Divino) uma beatificação (Madre Teresa de Calcutá) e o Jubileu do Papa João Paulo II.
Acontecimentos que nos fazem pensar e reflectir no papel que nós próprios temos a desempenhar na Missão.

Nos países dito desenvolvidos, este mês é preenchido com congressos, jornadas, reflexões e vigílias tendo como tema as Missões. Algumas campanhas são também levadas a cabo para ajudar as Missões com mais dificuldades.

Mas nos países geralmente conhecidos como “países de Missão”, este mês também é celebrado.
Aqui na nossa Missão este mês foi vivido intensamente. As crianças da Faraja House, primeiros destinatários dos missionários da Missão de Mgongo levaram a sério o apelo do Papa para este ano: o ano do Rosário. Assim, ao longo de todo o mês, depois do jantar todos se juntaram para meditar e rezar dois ou três mistérios.

Mas o mês começou com a celebração dos aniversários de todos os rapazes que tinham feito anos até ao fim de Setembro. Um bom motivo para nos juntarmos todos e convivermos um bocado e para os miúdos receberam umas prendas; cadernos e canetas, coisas que fazem sempre falta.

Na terça-feira, dia 7 de Outubro, aniversário da beatificação de José Allamano, fomos até à casa de Postulantes das Irmãs. Almoçamos lá e tivemos oportunidade de conhecer uma Irmã tanzaniana que está a trabalhar no Roraima; a Ir. Lina, que se encontra cá por algum tempo de férias. Foi um dia bem passado a falar meio português meio kiswahili.

Na sexta-feira seguinte foi a festa dos alunos da Darasa la Saba (sétima classe) aqui na escola primária de Mgongo. Foram 48 os alunos que terminaram a primária (17 raparigas e 31 rapazes, 9 dos quais são aqui da Faraja).
Com cânticos, pequenos sketches e algumas declamações, os restantes alunos disseram adeus aos seus colegas mais velhos desejando-lhes um bom futuro.

Como é normal nestas alturas, houve também distribuição de diplomas. Desde o aluno com melhor notas, ao aluno com melhor apresentação, passando pelo que mais ajuda dá aos colegas 10 diplomas foram entregues. Desses 10, 5 foram para os nossos rapazes, incluindo o de melhor aluno.
Aqui está o Yohanes, que recebeu o prémio de mais bem comportado e de quem mais ajuda os colegas.

Também os protagonistas da festa aproveitaram para agradecer aos professores os sete anos de ensino que tiveram.

Para a maior parte destas crianças, os anos de escola acabam aqui. Nem todos conseguem as notas necessárias para entrar na secundária e a maior parte nem sequer tem como suportar os gastos com os estudos.

No sábado passou por nossa casa o Pe. Norberto. Tinha estado durante a semana a orientar os exercícios espirituais e estava já de partida para a Etiópia, mas não quis deixar de nos vir ver.

No dia 15 o Pe. Franco regressou de Itália. Todos ficámos muito admirados por ele ter regressado tão rápido e ao mesmo tempo muito felizes, pois era sinal de que estava tudo bem com a sua saúde.
Para celebrar o seu rápido regresso e para festejarmos o fim do ensino primário dos nossos 9 rapazes tornou a haver festa. Ao mesmo tempo aproveitámos para dizermos adeus aos alunos finalistas.

Terminada a instrução primária, termina também a sua estadia na Faraja House. Todos irão para “suas casas” (apesar de alguns já não terem pais, têm algum parente que é responsável por eles). Quatro regressarão em Novembro para fazerem o exame da escola secundária e em Dezembro todos virão fazer o exame aqui na escola técnica. A ajuda que a Missão dá a estes rapazes não termina com a escola primária, apenas muda de forma. Mesmo os quatro que fizeram o exame da secundária, se não conseguirem entrar, poderão, caso o queiram, vir estudar e aprender um ofício aqui na escola

Aqui estão os alunos finalistas: Apolinário, Simon, Erick, Alfred, Eduard, Given, Yohanes e Pori e no órgão, Patrick.

No domingo, dia Mundial das Missões, os protagonistas foram os mais pequenos.
Durante a eucaristia apresentaram a toda a comunidade as reflexões que fizeram, ao longo do mês, acerca do que é o trabalho missionário, e quem o deve fazer. As conclusões a que chegaram foram mostradas em pequenos desenhos que fizeram. Neles podia-se ler que o trabalho missionário é de todos, que os missionários deixam os seus lares para irem por todo o mundo anunciar o Evangelho, constroem igrejas, escolas e hospitais, curam, ajudam os pobres...
Estas crianças, que estão entre as mais desfavorecidas da sociedade sentem o testemunho que os missionários dão e sentem que eles também têm um papel a desempenhar na obra da evangelização No Dia Missionário Mundial foram as crianças que fizeram a homilia à comunidade, foram elas “os missionários”.
Aqui ficam algumas amostras:

E com estes trabalhos feitos pelas nossas crianças nos despedimos.

Até à próxima,
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em 04:50 PM | Comentários (1) | TrackBack

Newsletter #14

07-Out-2003
Olá a todos!

Cá estamos mais uma vez, para o nosso encontro mensal.
Este mês não foi propriamente muito “grande” em acontecimentos. A vida vai correndo normalmente e, tirando um outro facto, não se passou nada de extraordinário. Mas como a vida numa Missão é feita no dia-a-dia, e não apenas com feitos extraordinários, cá estamos a dar conta de como correu o mês.


Antes de mais queremos aproveitar para agradecer desde já a todos quantos contribuíram para a campanha que lançamos. Os primeiros donativos já chegaram às nossas mãos! 905 euros ou seja, 1040750 shilingis. Uma quantia bastante valiosa e generosa. As primeiras obras também já começaram a ser feitas. Já temos mais um quarto disponível e algumas reparações nas casas de banho também já foram feitas.
A todos o nosso muito obrigado, e dos rapazes também!

O mês começou com mais uma comemoração. Era o aniversário do Paulo. Mas como uma festa nunca vem só, juntou-se também a despedida da Cristina e do Maximiliano.
A Cristina é sobrinha do Pe. Franco e recém-casada. Ela e o Maximiliano, o marido, aproveitaram a viagem de lua-de-mel para vir conhecer um pouco mais o trabalho do tio.

Enquanto que em Portugal, este mês significa o regresso às aulas, por aqui é bem diferente. Para alguns está-se a meio do ano, para outros no fim.
Assim, no dia 12 de Setembro o Paulo deu a sua última aula de catequese à Darasa la saba (o último ano da escola primária). As crianças tiveram duas semanas de férias e depois fizeram o exame final. Se bem que o ano escolar só terminará realmente em Outubro, o que é certo é que, depois dos exames, mais ninguém pensa em estudar :).

Dos rapazes da Faraja, nove fizeram o exame final. O passo seguinte é bem mais complicado! Em toda a Tanzânia, a grande maioria dos alunos fica-se pela escola primária. Ou porque não conseguem nota para entrar na secundária ou, principalmente, porque as famílias não têm como sustentar os gastos com a educação.
Quanto aos nossos rapazes, só depois do resultado dos exames da primária e dos exames de admissão na secundária é que saberemos o futuro deles, mas em princípio dois ou três continuarão os estudos na secundária, e os restantes deverão entrar aqui na escola técnica. Afinal, a escola foi construída a pensar especificamente no futuro destes rapazes.

Nessa sexta-feira tornou a haver festa. A coincidir com o fim das aulas para alguns, também se fez a despedida do Maurizio e Fabrizio que iriam regressar a casa. Mas não iam sozinhos. O Pe. Franco iria com eles pois precisava de se deslocar a Itália para uns exames médicos de rotina.

No dia seguinte de manhã, antes da partida ainda houve tempo para algumas “fotos de família”.

Os Padres Franco e Júlio com as suas crianças.

Todos desejamos boa viagem ao Pe. Franco e esperamos que os exames corram pelo melhor e que lhe permitam regressar tão rapidamente quanto ele deseja!

Entretanto os trabalhos continuam. Um dos projectos que a nossa Missão de Mgongo está a apoiar é a construção da “chekechea” (infantário/pré-primária) para as crianças da aldeia. Os pais passam o dia inteiro fora, a cuidar dos campos, e as crianças ficam entregues à sua sorte. A Missão fornece os materiais e a população contribui com a mão-de-obra. Tanto os homens como as mulheres trabalham na construção. Em breve estas crianças, não precisarão mais de brincar na rua e terão um sítio para darem os primeiros passos na sua aprendizagem.

Por falar em construções, e voltando ao tema inicial desta newsletter, também em breve começarão outras obras aqui na Faraja. Em breve os rapazes terão um sítio próprio para lavar a sua roupa e imagens como estas farão parte do passado.

Nas próximas notícias iremos dando conta dos trabalhos realizados.


Até lá, fiquem bem e bom regresso às actividades escolares, laborais e pastorais.
Um bom Mês Missionário e até à próxima.
Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
 

Publicado por Teresa Silva em 04:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

Newsletter #13

09-Set-2003
Olá a todos!

Este mês fez um ano que saímos de casa! É verdade, já passou um ano inteirinho desde que chegámos à Tanzânia. Mesmo com as saudades que vamos sentindo de casa podemos dizer que passou bem depressa!


Também durante este mês Portugal foi notícia, infelizmente. As altas temperaturas que se fizeram sentir e os incêndios que assolaram o país passaram em todos os noticiários: desde a TVMoçambique, a BBCnews e até a ITV (televisão da Tanzânia).

Os rapazes que compõem a Faraja estão dividos em pequenos grupos de 6 ou 7. Cada grupo tem um capitão, um nome próprio e o seu grito de guerra. Quando chega a altura de trabalhar, cada grupo tem o seu próprio serviço, de acordo com a idade dos elementos. O Capitão é o responsável pelo bom ambiente entre todos no grupo e é quem reporta aos professores os problemas e necessidades que vão surgindo.
No primeiro fim-de-semana do mês realizou-se uma pequena competição entre os diferentes grupos. Foi uma tarde de convívio entre grandes e pequenos com muitos jogos e muita animação. Desde o jogo das cadeiras, puxar à corda, encontrar rebuçados no meio da farinha e corridas de pares, houve vencedores de todos os tamanhos e todos nos divertimos bastante.

No fim-de-semana seguinte, tivemos uma “visita” muito importante: a imagem de Nossa Senhora de Fátima visitou a Missão da Faraja House, em Mgongo.
Esta imagem foi trazida, em 1994, por um Bispo Tanzaniano que esteve em Fátima e conheceu a sua mensagem. De regresso ao seu país formou a "Chama ya Fatima", algo que se pode dizer como «Zeladores de Fátima». A sua missão é dar a conhecer e espalhar a mensagem de Fátima. Este trabalho é feito principalmente pelos catequistas responsáveis das comunidades. A imagem de Nossa Senhora, além de visitar algumas paróquias, demora-se mais tempo nas pequenas comunidades de base onde o único agente evangelizador é, muitas vezes, apenas o catequista.
No dia 13 de Maio de cada ano, faz-se um encontro a nível nacional de todos os responsáveis do "Chama ya Fatima", em Mbeya.

Desta vez coube-nos a nós a honra dessa visita.
Crianças da Faraja, alunos e professores da Escola Técnica, alguma população da aldeia de Mgongo (que é maioritariamente Luterana) e a comunidade da Missão, organizaram procissões e celebrações para melhor viver o acontecimento.
A primeira celebração foi logo no sábado de tarde, com a passagem da imagem de uma comunidade para a outra. Da comunidade de Kihesa até à Faraja são cerca de 4km, percorridos a pé, com cânticos de louvor a Nossa Senhora.

À chegada à Faraja já um altar simples estava preparado para acolher a imagem. Depois de uma pequena explicação acerca da história de Fátima rezou-se o Terço e celebrou-se a Eucaristia.
Nessa noite, a sala de televisão da Faraja tornou-se pequena para todos os que queriam saber mais acerca de 3 pastorinhos que há mais de 80 anos viram "uma Senhora mais brilhante que o sol". A população da aldeia foi convidada para assistir ao filme sobre Fátima e não se ouvia uma mosca, quando o Paulo ia traduzindo um pouco o filme e explicando a história.
Na Eucaristia de domingo tivemos a presença dos Zeladores responsáveis, que vieram dar a conhecer a mensagem de Fátima. Ainda durante a Eucaristia, as crianças ofereceram a Nossa Senhora um Terço, que elas mesmas ajudaram a fazer.

Além disso, este domingo realizou-se um baptizado.
Margaret, ou Mage como é conhecida, pediu para ser baptizada na nossa missão.
A Mage é uma rapariga jovem que sofre de poliomielite e vive numa cadeira de rodas. A sua casa fica em Nduri, uma aldeia vizinha, e há longo tempo que é ajudada pelos padres da nossa Missão.
Os padrinhos foram o Lúcio e a Bruna, os italianos que cá se encontravam.

Domingo de tarde todos se juntaram na igreja para a oração do Terço, rezando e meditando na maravilha e no exemplo de Maria, nossa Mãe. E, em particular, no pedido que Nª Sr.ª de Fátima nos faz: rezar pela paz do mundo.
Segunda-feira de tarde era a altura de Nª Sr.ª Fátima continuar a sua viagem. Mais uma vez, depois de uma pequena celebração, todos partiram em procissão pela Missão e pela aldeia, até à próxima comunidade que ia receber a visita da imagem de Nª Sr.ª
O que mais se faz notar, nestas pequenas coisas, é a devoção profunda que estas pessoas têm a Nossa Senhora.
Para quem conhece Fátima, para quem já participou nas cerimónias do dia 13, para quem já viu de perto a bela imagem de Nossa Senhora de Fátima, talvez não seja de admirar. Mas aqui, na Tanzânia, a mais de dez mil quilómetros do lugar onde ocorreram as aparições, onde a estátua de Nª Sr.ª Fátima não teria mais que 30cm, é de louvar e dar graças.
Creio que este sentimento que existe no coração das pessoas vem da "proximidade" com os pastorinhos: Crianças, de famílias simples que tinham que lutar no dia-a-dia para sobreviver, que foram abençoadas com as aparições; tudo isto traz um sentimento de esperança a este povo, também sofredor. E, como a grande maioria das crianças tanzanianas também começa a trabalhar cedo para o sustento da família, é fácil identificarem-se com Francisco, Jacinta e Lúcia.
Que a mensagem de Fátima se continue a espalhar pelo mundo e, a exemplo deste povo, todos acolham a sua mensagem para que realmente a paz possa triunfar.

Durante a semana seguinte, um vírus estranho “andou à solta” atacando a maior parte da população de Iringa e arredores. Num dos dias, na escola primária, 70 alunos ficaram em casa. O Pe. Pancotti, da Casa Regional ainda brincou com a situação a dizer que o “Sars” tinha entrado na Tanzânia. Felizmente não era nada de mais grave do que uma gripezita, mas que incomodou bastante. Alguns dos miúdos da Faraja estiveram um pouco mal durante a semana e nem nós os dois escapámos. O Paulo teve mais sorte pois escapou apenas com uma ligeira indisposição e dor de cabeça, nada que um aspegic não resolvesse. Mas a mim custou-me uma noite de sono. Ora com frio, ora com calor, pouco dormi, mas pelo menos deu para confirmar um facto interessante: o Paulo está perfeitamente inserido na realidade tanzaniana. Tanto que até já sonha em kiswahili :)!!!

Também durante esta semana o Pe. Casimiro veio até Iringa. Veio acompanhar os sobrinhos do Pe. Ossola (que é quem está em Sanza com o Pe. Casimiro) que iam regressar a Itália. No entanto, como não havia necessidade de o Pe. Casimiro fazer a viagem toda até Dar-es-Salam, combinámos em fazer um “fim de semana” português em Morogoro, que fica a meio caminho entre a capital e Iringa.

E assim, sexta-feira depois do almoço pusemo-nos a caminho. A viagem levou-nos cerca de 4 horas a fazer e, como era uma hora quente, desta vez não vimos a mesma quantidade de animais que geralmente encontramos no Mikumi. No entanto vimos um animal “novo”. Lembram-se do “Pumba” do “Rei Leão”? Pois foi mesmo esse que vimos, bem à beirinha da estrada a fazer o seu “five o’clock tea”.

Quando chegámos a Morogoro, por volta das 6 da tarde, já o Pe. Casimiro lá estava, junto com o Pe. Manel, à nossa espera.
Foi um fim-de-semana muito bom.
Foi a primeira vez que nós, os quatro missionários da Consolata portugueses a trabalhar na Tanzânia, nos encontramos, e esse breve momento serviu para matar saudades e partilhamos um pouco as nossas diferentes experiências da missão.
O Pe. Manuel está a dar-se bem na escola e a aplicar-se no estudo da língua.
O Pe. Casimiro está bastante feliz na sua Missão e contou-nos algumas novidades: Conseguiram abrir dois poços na Missão e assim podem ajudar um pouco mais as populações em volta.
O Paulo que com o Pe. Casimiro é um adepto ferrenho do FCP levou um livro do Deco, que tinha recebido, para o Pe. Casimiro ler nos seus momentos de lazer.
A noite de sexta foi dedicada aos computadores! Todos estávamos equipados com este excelente instrumento de trabalho e aproveitámos para trocar alguns programas tais como textos, música, fotos e até filmes.

Aproveitámos também para trocar alguns conselhos, desde alguns aspectos culturais até conselhos de saúde, pois os nossos corpos de "wazungo" (brancos) nem sempre estão preparados para as condições que, por vezes, deparamos na Missão.
Na manhã seguinte a eucaristia, celebrada na capela do Seminário, foi bilingue. O Pe. Manel ainda só tem um mês de aulas e assim usámos os livros dos seminaristas (em Inglês) e partilhamos em Português.

Depois fomos dar uma volta pela cidade. Morogoro está em crescimento (tem água!) e é uma cidade bonita. É maior que Iringa e nota-se bem que tem grande actividade.

Quando regressamos ao Seminário, o motorista do Pe. Casimiro já lá estava e assim ele teve que partir. A viagem até Sanza ainda lhe iria levar pelo menos umas 6horas e não é muito agradável conduzir quando começa escurecer.

Apesar de nós já cá estarmos há um ano, ainda sentimos algumas dificuldades com a língua, e assim o Pe. Manuel ofereceu-nos uma gramática de kiswahili que tinha adquirido na escola.
O Pe. Casimiro aproveitou também para deixar uns rolos de fotografias com eles, pois em Iringa, ao contrário de Sanza, é possível revelá-las.
Apesar de estarmos todos separados por vários quilómetros e horas de distância, o sentido de comunidade e união é grande. E se algum de nós precisar de alguma coisa pode comunicar com os outros, quanto mais não seja através da rádio, e mais tarde ou mais cedo o que tinha pedido chega-lhe às mãos: sejam livros, medicamentos ou até umas simples disquetes ou CDs.
Domingo depois do almoço regressamos a casa, pois segunda-feira era dia de aulas.

Para o fim da semana, o descodificador de canais avariou. Ficámos sem televisão nós e os miúdos . Durante o tempo do curso de kiswahili também não tínhamos televisão, mas agora já estávamos habituados e foi um pouco esquisito estar uma semana inteira sem televisão.

Neste fim-de-semana mais um Missionário foi chamado para junto do Pai. O Pe. Aldo Pellizari, com apenas 61 anos de idade, faleceu subitamente. Trabalhava em Makambako e nós tínhamos estado algumas vezes com ele. Era um dos padres que estava bastante aberto à colaboração com os leigos e desejava que fossem trabalhar com ele. Tinha muitos projectos em mente e a sua morte chocou-nos um pouco pois foi completamente inesperads.

Como já tinha referido, estes meses são a altura escolhida para os amigos e benfeitores das Missões visitarem-nas.
É um ir e vir de “wageni” (visitantes, hóspedes) que muito agrada aos miúdos. Até porque isso implica sempre festa com bolo e sodas! Penso que todas as crianças gostam disso, mas aqui é por demais evidente. Mesmo que não haja bolo, festa sem soda não é festa!
Assim, sábado à noite lá se fez mais uma. Para dizer adeus ao Lúcio, Bruna e Maria, e para dar as boas-vindas ao Pe. Arzelio, ao Giacomo e ao Petro. O Pe. Arzelio é um dos mais importantes benfeitores da Escola Técnica e muito tem ajudado, seja com o envio de dinheiro seja com o envio de máquinas para os alunos trabalharem.

Na terça-feira seguinte, como era o nosso dia de folga e para o Pe. Franco também poder descansar um pouco, fomos nós que acompanhamos o Pe. Arzelio, Giacomo e Petro até Pawaga. Uma Missão em que o Pe. Arzelio tinha visitado há 20 atrás, numa altura em que o Pe. Franco lá trabalhava.

Para nós foi bom pois nunca lá tínhamos ido e tivemos a oportunidade de conhecer mais uma Missão.
Pawaga fica a cerca de 80km de Iringa, mas para lá chegar demoramos cerca de 2.30 horas, porque a estrada já estava melhorada! Dantes demorava-se cerca de 4 horas. No entanto eu não lhe chamaria estrada, mas antes caminho. Curvas e mais curvas, muita terra, muita pedra, assim um pouco parecido com os caminhos de cabras e bois que ainda vão existindo nas aldeias portuguesas. Apesar da canseira da viagem (controlar um carro nestas condições é bastante complicado) vale bem a pena.
Pawaga fica no Rift Valley, a 250 metros de altitude abaixo do nível do mar. Foi iniciada há 58 anos atrás pelo Pe. Crema, que lá se instalou com uma bicicleta, uma tenda, um saco-cama e uma arma. O clima é muito quente mas existe um riozinho à beira.
A terra é boa e as vinhas que lá se encontram dão fruto duas vezes ao ano!

Nesta altura encontram-se lá os Padres Crema (regressado depois de ter andado por outras missões) com 80 anos de idade, e Antonucci com 73 anos de idade.
Não obstante a idade, ambos mostram uma jovialidade impressionante.

A Igreja da Missão está decorada com quadros da Via-Sacra que foram pintados pelo Pe. Antonucci.

E assim chegamos a mais um fim-de-semana, o último do mês.
O Pe. Manel, que completou um mês de aulas teve direito a umas mini-férias. Como na segunda-feira não iria ter aulas, aproveitou a boleia do Pe. Inverardi e veio até Iringa passar o fim-de-semana. Na sexta ficou na Casa Regional, e no sábado fomos buscá-lo para vir conhecer Mgongo e ficar connosco.
Nem de propósito, era mais uma vez dia de festa!
O adeus e obrigado ao Pe. Arzelio, Giacomo e Petro; e as boas-vindas ao Maurizio e Fabrizio, Maximiliano e Cristina (sobrinha do Pe. Franco).
Cânticos, danças, raps, pequenas peças de teatro… Os rapazes da Faraja até representaram danças tradicionais dos “wahehe”.

No domingo, o Pe. Manel teve a sua primeira eucaristia em kiswahili! Sim, porque no Seminário as eucaristias são em Inglês.

Durante a tarde aproveitamos para lhe mostrar a Missão e no fim levamo-lo de volta à Casa Regional pois como infelizmente não tinha arranjado boleia para Morogoro, iria ter que partir no expresso da manhã.

Mas ficou a promessa de voltar, até porque vai tornar a ter mais mini-férias.

E assim foi o mês de Agosto.

Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
 

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Newsletter #12

05-Ago-2003
Olá a todos!

Mais uma vez vos escrevemos a dar-vos conta de como é a vida neste cantinho do mundo. Este mês foi bastante preenchido, desde regressos, festejos, experiências novas e problemas de todos os dias, muitas coisas aconteceram.


Como sabem, o nosso dia de folga é às terças-feiras, mas desta vez fizemos uma troca. O dia 2 de Julho foi uma quarta-feira e como era o dia do meu aniversário achamos que era boa ideia fazer a folga nesse dia :). O dia correu muito bem. Foi a primeira vez que festejei os anos fora da família e dos amigos, o que pareceu um bocado esquisito. Mas foram muito bem festejados com a nova família daqui. Logo de manhã o Paulo fez-me o pequeno-almoço e levou-o ao quarto. Mas eu, apesar de ter apreciado muito o gesto, quis aproveitar para dormir mais um bocadinho! Fomos almoçar à Casa Regional onde a Irmã Bruna não deixou passar a data em branco e fez um bolo para sobremesa. Depois durante a tarde tive a sorte de encontrar o meu irmão e alguns amigos no ciberespaço. No regresso a casa fomos também celebrar este dia com a nossa comunidade daqui. Assim o lanche dessa tarde foi um cálice de vinho do Porto (para matar saudades) acompanhado de presunto Italiano. Digam lá se não é uma boa combinação?

Mas a festa grande foi mesmo à noite com os rapazes da Faraja.
Como tradição, jantámos juntos e houve cânticos e muita alegria, seguido pelo bolo e prendas. O nosso desenhador oficial, o Isaya, até fez um quadro de propósito para a ocasião!

Entretanto as férias continuam e, além das actividades já mencionadas na última newsletter, os rapazes também estão a aprender a fazer animais com pasta de papel. Aqui está o Zawadi a preparar a pasta, e o Jonhy e Zamoioni dando os últimos retoques naquilo que viria a ser uma zebra.

Este ano choveu muito pouco e os efeitos já se estão a fazer sentir. Nós sentimos isso quando vamos ao mercado. Os preços já aumentaram, as cenouras chegaram mesmo a sofrer um aumento de 100%! Mas pior do que nós estão as populações das aldeias, sem água para as suas necessidades básicas do dia a dia. A Missão ajuda um pouco fornecendo água. E assim, duas vezes ao dia é ver a fila de crianças e mulheres com os seus baldes e bidões à espera do precioso líquido. Algumas fazem mais de 9km desde as suas casa até à Missão! Primeiro chegam as crianças, vêm marcar lugar, algumas bem pequenas. E depois vão chegando as mães, tias ou avós. Este é um aspecto da cultura deste povo que ainda está bem enraizado e que nos custa a compreender: raramente se vê um homem neste tipo de trabalhos.

No dia 10 todos os que tinham ido passar uns dias a suas casas regressaram, juntamente com os seus “encarregados de educação”. As férias para os alunos da primária estavam a acabar e era também altura da “reunião de pais”. Entre mães, tias, avós, meia-dúzia de pais ou simplesmente a responsável pela criança (mesmo sem laços de parentesco), eram à volta de 50. Estas reuniões servem para por os encarregados a par da situação escolar da criança, falar um pouco do comportamento na Faraja e, em último caso, explorar a possibilidade de a criança regressar a casa. Alguns destes rapazes deram entrada na Faraja devido a uma situação de emergência. Por exemplo, a mãe ou o pai morrerram, quem ficou a tomar conta da família não tem sustento suficiente para manter a criança e vem pedir ajuda. Por vezes, passado uns tempos, a situação económica melhora minimamente e torna-se possível que a criança vá viver para o seu ambiente familiar. Neste caso, continuamos a ajudar (economicamente) a família mas a criança sai da Faraja, tornando assim possível a entrada de mais crianças também necessitadas.

Apesar dos alunos da primária terem recomeçado as aulas, os da Chuo ainda tinham mais uma semana e meia de férias. Deste modo aproveitámos para tirarmos uns dias de descanso e ir buscar o Pe. Manuel, que estava para chegar.

Assim dia 15 pusemo-nos à estrada. Era a primeira vez que iríamos fazer tão grande viagem, sem mais ninguém a acompanhar. O único problema seria depois de chegar a Dar-es-Salaam encontrar a Casa Procura. Mas armados com um mapa da cidade e algumas instruções, seguimos confiantes.
A estrada está a ser arranjada em várias partes do seu percurso, provocando uma certa demora, mas não há alternativa! Volta e meia encontramos pequenas paragens pois só é possível usar uma faixa da estrada. Numa dessas paragens estivemos uma hora inteirinha! Mas esta estrada atravessa também o Parque Nacional de Mikumi e aí, apesar de também a velocidade ser limitada, as vistas são bem mais interessantes.
Ainda não foi desta que vimos leões, mas macacos, zebras, girafas, gazelas e até uns elefantes deram um ar da sua graça.

Logo a seguir a Mikumi fica Morogoro, e como já era uma da tarde, achamos que era uma boa altura de fazer uma pausa e também para comer. Ainda passamos no Seminário, onde o Pe. Salvatore nos ofereceu um cafezinho que nos ajudou no resto da viagem.
E eis que, passado 8 horas de viagem, chegámos a Dar. Era já hora de ponta, por isso podem imaginar a confusão! Lá íamos seguindo o mapa e estava tudo a correr bem quando reparámos que tínhamos acabado de passar a rua para onde devíamos virar. Nada de muito grave, à frente havia um cruzamento e poderíamos fazer inversão de marcha. E assim foi… até que um polícia nos mandou parar :-/. Tínhamos cometido uma infracção! Apesar de não haver qualquer tipo de sinalização nesse sentido, não era permitido fazer inversão de marcha. Lá explicamos que era a primeira vez que vínhamos a Dar e tínhamos falhado o nosso cruzamento. Depois de uma vista de olhos aos documentos e de se inteirar do nosso destino, o polícia mandou-nos seguir com um bem-vindo “Go, I forgive you!”.

No dia seguinte resolvemos dar um salto à praia. O Ir. Liduino indicou-nos o caminho e, apesar de aqui ser Inverno, lá fomos experimentar o Índico.
Realmente não havia ninguém na praia, e não estava muito quente (20 e poucos graus). Mas a paisagem era digna de um postal e passamos lá 2/3 horas.
A costa tem muitas algas, o que nos fez lembrar das praias do norte de Portugal, com a excepção de aqui ninguém as apanha, tanto para limpar a praia, como para adubar os campos. Existem também muitos ouriços, que nos deixaram algumas marcas. A água não é caldo (ainda bem) mas bastante agradável e permitindo uma entrada fácil. Nada de estar quase duas horas a tentar ganhar coragem! Ainda aproveitamos para apanhar algumas conchas e búzios.
De tarde ficamos a descansar um pouco e depois fomos às compras. É verdade! Aproveitamos para um cheirinho de “civilização” com uma ida aos supermercados. Ainda é difícil encontrar certas coisas em Iringa, mas nos supermercados já se consegue arranjar quase tudo, em especial produtos italianos!!

Na sexta-feira era o dia da chegada do Pe. Manel. Levantamo-nos cedo e, juntamente com o Pe. Parola, seguimos para o aeroporto. E após entre 14 a 15 horas de viagem o Pe. Manel finalmente chegou. Uma viagem deste tipo é sempre muito cansativa, mas como também queríamos saber das novidades de Portugal juntamos o útil ao agradável! Depois de termos regressado à Casa Procura para pousar as malas e tomar o pequeno-almoço decidimos ir até à praia onde poderíamos conversar e descontrair ao mesmo tempo. Nada como um bom mergulho no oceano para retemperar as forças :).

Domingo fizemo-nos à estrada mais uma vez, pois estava na altura de regressar. Afinal o Pe. Manel começava as aulas logo na segunda-feira seguinte!
Chegámos a Morogoro perto da hora do almoço e resolvemos ficar lá nesse dia. A principal razão foi o receio de que tornássemos a demorar muito nas paragens por causa das obras e que o anoitecer ainda nos apanhasse na zona das montanhas. O Seminário Allamano, onde o Pe. Manel vai ficar nestes quatro meses de curso, fica a 5km da cidade propriamente dita. É um local bastante aprazível, sossegado e muito verde, pois nesta zona do país chove com mais frequência.
A escola de kiswahili fica situada no Seminário Júnior Luterano, a dez minutos de bicicleta do Seminário Allamano.
Como nota de curiosidade refiro que esta zona é conhecida como o “Pequeno Vaticano”, pois existem muitas congregações aqui instaladas, não só Católicas mas também Protestantes.
E segunda de manhã, depois das últimas fotos, e de termos ido levar o Pe. Manel à sua nova escola, pusemo-nos a caminho de Iringa.
Os nossos receios não se confirmaram e a viagem de regresso demorou menos tempo do que pensávamos. Ao princípio da tarde estávamos em casa.
Na sexta seguinte, dia 25, realizou-se uma pequena celebração festiva na Casa Regional. O motivo de celebração era a ordenação de dois novos padres. O Pe. Deogratias tinha sido ordenado em Moshi no dia 12, e o Pe. Cyprian em Nyabula no dia 23. São os mais novos elementos da família Consolatina na Tanzânia, mais dois padres para as Missões. O Pe. Cyprian está destinado para a República Democrática do Congo, região de Isiro e o Pe. Deogratias para Moçambique. Ele ainda se lembrava de nós pois tinha passado por Portugal no verão de 2000.
Na celebração toda a família da Consolata estava representada. Padres, Irmãs, Irmãos e Leigos. Do lado dos padres, além dos que fazem parte da comunidade da Casa Regional estavam também os que trabalham na paróquia da Consolara aqui em Iringa. Pelas Irmãs estavam a Ir. Domízia e a Ir. Bruna, que trabalham aqui na Casa. Pelos Irmãos estava o Ir. Bonifácio. E pelos leigos estávamos nós os dois! Diferentes vocações, diferentes experiências, várias gerações. Todos reunidos no mesmo Carisma do Beato Allamano e no mesmo amor à Missão.
Aqui ficam algumas fotos desse dia. Nesta primeira temos a Ir. Domízia, 92 anos de idade, com o Pe. Cyprian e o Pe. Deogratias.
Eu com as duas Irmãs. É caso para dizer que a idade não conta!

E para terminar, um brinde.
O Pe. Inverardi, Superior dos Missionários da Consolata na Tanzânia, com o Pe. Deogratias e o Pe. Cyprian.

Com o mês de Agosto a aproximar-se, começam também a chegar os primeiros visitantes. Estes meses de férias de verão (na Europa) trazem sempre até aos países de Missão bastantes grupos. Alguns visitantes, outros que fazem pequenas experiências missionárias, a maior parte benfeitores. A Tanzânia não é excepção e, sendo a maioria dos padres da Consolata italianos, é deste país que a maior parte dos “wageni” (visitante/hóspede) vem.
E assim, dia 27 fez-se mais uma festa de boas-vindas para Maria, Bruna e Lúcio.
Bruna e Lúcio, um casal italiano, e Maria, também italiana, são alguns dos muitos benfeitores que a Faraja tem. Maria já cá vem há quatro anos, e como é professora de Inglês, dá sempre uma certa ajuda aos rapazes. Aliás, quando os conhecemos o ano passado na consagração da igreja da missão, ela estava até a dar aulas na Chuo.
Durante a festa, e no intervalo das músicas e dos teatros, alguns dos rapazes entretinham-se a jogar à sardinha! Eu nem me atrevo a experimentar! É tudo na brincadeira, claro, mas eles dão cada sapatada nas mãos uns dos outros!!! Reparem só na cara de felicidade do Isaya enquanto estava a jogar com o Paulo :)!

O fim do mês coincidiu com o fim das férias dos alunos da Chuo. E para preparar o 2º período de aulas fizemos, professores e staff, uma pequena reunião. O ponto mais importante da agenda era acerca do curso que os nossos professores estão a tirar. Uma espécie de curso de formadores, que no fim lhe dará um diploma dizendo que são professores habilitados. Até aqui tudo muito bem. Formação, seja em que área for nunca é de mais. O problema é que, nas alturas em que os nossos professores tiverem que se deslocar à escola deles, os nossos alunos ficam sem aulas!
O Pe. Júlio e o Pe. Franco inicialmente tinham concordado e dado autorização aos professores, pois tinha-lhes sido informado que os estes só estariam fora um ou outro dia de longe a longe, mas a realidade é que afinal, os professores terão que se ausentar por semanas inteiras! Foi então necessário refazer o calendário escolar de modo a tentar minimizar os efeitos nos alunos. Inclusive, quando forem os exames oficiais de fim de ano, os professores não se encontram cá!! Outra consequência desta re-calendarização foi que os alunos do 3º ano já não irão fazer os exames do finais próprios aqui da escola. É um facto que no diploma que eles levam só diz que frequentaram o curso, e não vem nada referente a notas ou médias, mas se já é difícil motivá-los a estudar havendo testes e exames, imaginem agora que nem isso precisam. Vai ser um 2º período muito “emocionante” :-/

E se o mês começou com festa, com festa acabou também.
Desta vez foi em Wasa (duas horas de viagem). Fomos a uma ordenação de um Padre pertencente à congregação dos “White Fathers”.
Foi a primeira vez que participamos de uma ordenação, aqui em África e foi também a primeira vez que fomos a Wasa.
Wasa é também uma das primeiras Missões que os padres da Consolata construíram aqui na Tanzânia. Tem mais água do que em Mgongo, mas não há energia eléctrica, funciona com gerador.
A celebração, de quase 5 horas foi muito bonita, cheia de cânticos e danças. E como sempre com as crianças a fazerem a sua parte. Vejam como esta menina (que de certo não terá mais que 5 anos) está compenetrada na sua dança!

Até estavam Wahehe (uma das tribos da Tanzânia) vestidos a rigor. E o Paulo aproveitou para tirar uma foto com eles.


E assim se passou mais um mês.
Até à próxima,

Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em 04:46 PM | Comentários (1) | TrackBack

Newsletter #11

2003.Jul.02
Olá a todos!

Junho: mês dos Santos Populares, começo de Verão, exames, férias, festa da Consolata… Isto tudo em Portugal!

Por aqui, tirando o começo do Verão, e substituindo os Santos Populares por outras festividades litúrgicas, tudo o resto é igual.
De facto o mês esteve bem mais fresco, o principal culpado foi o vento. Em especial ao amanhecer e ao anoitecer soprava com força suficiente para obrigar a uma mudança de guarda-roupa: camisas de mangas, casacos de malha, sweats quentinhas. Bem diferente do calor que passou por Portugal, pelo menos segundo o boletim meteorológico e as notícias que nos iam chegando daí davam conta.

Mas vamos às festas!
O mês começou logo no dia 1 com a celebração da Ascensão do Senhor.
Fez-se um pequeno “igizo” (representação) do Evangelho.

Tudo acompanhado de muitos cânticos e danças. Além disso, esta celebração serviu para a estreia dos uniformes do coro das meninas.

Entretanto, os dias da Mamma Rita entre nós estavam a chegar ao fim. Foram mais/menos 4 meses que passou aqui na Faraja. Sempre a trabalhar (capas para os colchões, protecções de mesa e cortinas para o refeitório dos rapazes, …), sempre de bom-humor. E claro que não podia faltar uma grande festa de despedida.
Assim, dia 5, jantámos na Faraja e, depois no ginásio os alunos da Chuo também se juntaram para a festa de despedida da mãe e da irmã do Pe. Franco. Claro que o famoso bolo não podia faltar, bem como a tradição de que aos homenageados deve ser dado de comer o bolo.
No dia seguinte de manhã, o Pe. Franco lá partiu para Dar-es-Salam com a mãe e a irmã.

No domingo dia 8, dia de Pentecostes, os nossos corações estavam também em Portugal. Foi o dia do Envio do Pe. Manel, que em breve nos fará companhia nestas terras africanas. Estivemos unidos na oração,e durante a tarde ainda trocámos umas palavras via telemóvel :).

Na terça-feira, dia 10, o Pe. Franco regressou de Dar e trouxe com ele mais de uma centena de livros para equipar a biblioteca que se está a começar a fazer aqui na escola técnica. No momento já temos à volta de 200 livros e 40 revistas. Entre o Inglês e o kiswahili, entre livros de histórias e de formação humana e revistas missionárias (The Seed, Enendeni) e de actualidade (Times), aos poucos a biblioteca vai ganhado força.

No sábado seguinte começaram então os exames. Foram 3 dias de exames teóricos e 2 de práticos, antes do descanso das férias. Se bem que os resultados continuaram a não ser brilhantes (pelo menos nas minhas disciplinas :() notou-se, no geral, uma certa melhoria.
Além disso, os “nossos” 7 alunos (aqueles que passam da Faraja para a Chuo), estão quase todos nos lugares cimeiros da classificação geral. Tendo em conta que a Escola Técnica está vocacionada principalmente para estes rapazes, este facto é algo que nos deixa muito felizes.

Mas não foram só os alunos da escola técnica que terminaram as suas aulas.
Os da primária também. E como tal, a Faraja voltou a estar repleta de miúdos super-activos a todas as horas do dia!
Para os ocupar durante este período de férias organizou-se um calendário de actividades que vão desde campeonatos de futebol, idas à cidade e outros passeios, algum estudo e trabalho nos jardins e campos e muita, muita brincadeira (ou não fossem crianças em férias).
Além disso alguns iriam também passar uns dias às suas casas.

O início oficial das férias foi no dia 17 com o arranque do campeonato de futebol.
Aqui ficam as duas primeiras equipas, e o Pe. Júlio a dar o pontapé de saída.

 



E eis-nos chegados ao dia da grande festa. 20 de Junho, festa de Nossa Senhora da Consolata. Este ano a festa foi celebrada na catedral de Iringa. A Nossa Senhora da Consolata é a Padroeira da Diocese de Iringa e assim, todos os anos a festa é alternada entre a Igreja da Consolata, aqui em Iringa, e a Catedral.
A Eucaristia, presidida pelo Bisbo de Iringa, D. Tarcisius Ngalalekumtwa, e concelebrada pelo Bispo de Mbeya, D. Evaristus Chengula, (missionário da Consolata) e pelo Superior Regional dos Missionários da Consolata, Pe. Inverardi, foi também o momento da celebração dos 75, 65, 60 e 25 anos de Profissão Religiosa de algumas das Irmãs da Consolata e dos 60 e 50 anos de Ordenação de dois Padres da Consolata.
Na foto estão os Padres Jubilares, Pe. Lumetti 60 anos e Pe. Mário Biestra, 50 anos.

A Catedral encheu-se com os Padres, Irmãos e Irmãs da Consolata, os paroquianos, amigos e alguns "frutos" dos primeiros anos de trabalho dos missionários aqui na Tanzânia.

Destes “frutos” há que salientar um grupo de mulheres, filhas de soldados alemães do tempo da guerra que as Irmãs tomaram a seu cargo. Naquele tempo as crianças mestiças eram completamente discriminadas e se não fossem as Irmãs teriam sido abandonadas à sua sorte. Uma dessas senhoras chegou a ser Ministra da Educação e, hoje em dia, essas senhoras continuam o trabalho que as Irmãs começaram com elas – a educação das raparigas.
Depois da Eucaristia, a festa continuou no "salão paroquial" com cânticos bem ao estilo africano, protagonizados pelas alunas da Escola de Economia Doméstica e pelas crianças da paróquia. Aqui estão as Irmãs Jubilares a cortar o bolo. Da esquerda para a direita: Ir. Amata 65 anos, Ir. Venanzia 75 anos e Ir. Floriana 25 anos. Conseguem imaginar o que são 75 anos dedicados a anunciar o Evangelho, a Consolar os mais necessitados, ao serviço do próximos? Muitos de nós nem sabemos se chegamos aos 75 anos de idade!

No domingo em Mgongo a festa da Consolata foi celebrada pela comunidade da Faraja House, juntamente com a comunidade da aldeia. Foi uma celebração dupla.
Fez-se a festa da Consolata e também a do Corpo de Deus. Foi mais simples que a festa em Iringa, mas nem por isso menos vivida. Aqui o maior papel coube às crianças, onde não fosse a Faraja (Consolação) um centro a elas destinado.


Na segunda-feira recebemos a visita do Pe. Casimiro, que tinha vindo a Iringa fazer umas compras. Combinámos de passar a quarta-feira com ele, mas como o Padre que o vinha buscar veio logo na terça já não pudemos fazer isso. Pelo menos deu para passarmos um pouco da tarde de terça juntos.
Lá nos inteirámos das novidades de Sanza (é realmente uma Missão isolada!), e saber como estava a dar-se a adaptação dele. O Pe. Casimiro estava animado, apesar de dizer que ainda lhe falta muito o kiswahili. Nada que o tempo não resolva!

Costuma-se dizer que o bom filho à casa torna. E desta vez o ditado aplicou-se a um dos cachorros que cá temos. Se se lembram tínhamos 5. Entretanto um foi para uma Missão e outros dois foram vendidos a outras pessoas. Pois qual não é o nosso espanto, quando no dia 25 de manhã vemos um desses cachorros! Completamente pele e osso, menos de metade dos seus dois irmãos que cá tinham ficado. Pensámos que terá fugido (de certo devido aos “bons tratos” recebidos) e veio procurar refúgio junto dos seus amigos.

No dia 27 foi chamado para junto do Pai mais um missionário. O Pe. Olivo que contava 91 de idade. Passou 66 anos da sua vida sacerdotal aqui na Tanzânia, ao serviço da Missão

Para terminar o mês fizemos no sábado um passeio a Njombe.
O mini-bus e um dos carros serviram de transporte aos perto de 40 miúdos e 10 adultos. Foram cerca de 300 km para cada lado, mas para alguns foi a primeira vez que fizeram tão grande passeio.
O almoço foi piquenique e no fim ainda se teve que empurrar a camioneta que não queria pegar!
Penso que depois deste exercício deviam comer outra vez!!

Na volta parámos em Makambako, uma grande cidade (tem a estação do comboio) para umas compras no “sokoni” (pelo mercado) e para passear um pouco.
Eu e o Paulo aproveitámos e demos um salto à Missão para falar um bocadinho com o Pe. Aldo e visitar a igreja.

E com estes pormenores do interior da Igreja da Missão de Makambako nos despedimos até à próxima.

Bons exames, boas férias e “muito calor” para todos!

Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
 

Publicado por Teresa Silva em 04:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

Newsletter #10

2003.Jun.10
Olá a todos!

O mês de Maio chegou em grande estilo. Dia 1 de Maio, dia do trabalhador, é dedicado a S. José Operário. Neste dia celebrou-se a festa dos Irmãos do Instituto Missionário da Consolata. Este ano a festa foi celebrada aqui em Mgongo.


Na Tanzânia trabalham 5 Irmãos Missionários da Consolata, dos quais estiveram presentes o Ir. Paolino (Casa Regional), o Ir. Nashon (Ng´ingula) e o Ir. Boniface (Mgongo). O Ir. Liduino (com 73 anos) que se encontra em Dar-es-Salam, e o Ir. Gianfranco que está em Ikonda não puderam participar na celebração. O primeiro por motivos de saúde, e o segundo por motivos de trabalho, pois está a orientar as construções no hospital em Ikonda.
Os Irmãos Missionários são uma componente muito importante no trabalho missionário. Desde o primeiro grupo de missionários enviados para a Missão que Irmãos e Padres estão juntos. Enquanto os Padres vão pelas comunidades para o trabalho específico da Evangelização, são os Irmãos que se ocupam dos trabalhos propriamente ditos da Missão: Desde a construção de instalações, dispensários e hospitais, até ao ensino dos ofícios.

Assim, neste dia de S. José Operário, prestou-se homenagem a todos aqueles que contribuem para o bom andamento da Missão e que dão o seu testemunho através do trabalho.
As celebrações começaram com a Eucaristia e, depois do almoço, tivemos um momento de variedades onde os rapazes da Faraja e os alunos da Escola Técnica prestaram também a sua homenagem. No fim houve bolo e prendas.
Para este dia o Paulo fez uma pequena lembrança: uma base de madeira com uma pedra a representar que os Irmãos são firmes, silenciosos – “o bem não faz barulho" – e uma das bases da Missão.
Ao fim do dia o Pe. Júlio chegou de Dar-es-Saalam com a irmã, Maria Teresa, e o irmão do Pe. Franco, Bepe, que vieram cá passar uns dias.

No dia seguinte, apesar de ser sexta-feira, houve aulas (aqui não se “usa” fazer pontes) e a entrega dos exames. Não posso dizer que tenha sido uma experiência emocionante, bem pelo contrário . Em teoria, os resultados dos alunos reflectem também o trabalho do professor. Se assim for o caso, este primeiro teste foi tudo menos positivo, pois as notas dos exames foram francamente baixas.
Se bem que a Matemática já estava à espera de resultados fracos (os alunos nunca gostam da disciplina e por vezes é complicado explicar certos conceitos numa língua estrangeira), esperava melhor dos resultados de Inglês. A única alegria foi o facto de mais de 60% dos alunos do 1º ano terem atingido resultados positivos (alguns francamente bons), em contraste com os 10% dos outros anos.
Suponho que tenho que encontrar outras maneiras de os motivar, pois uma das grandes dificuldades que encontro é mesmo a falta de interesse pelos alunos.

Como as terças-feiras são os nossos dias livres, no dia 6 acompanhámos os irmãos do Pe. Franco numa visita a Njombe. O objectivo era visitar umas cooperativas de senhoras que fabricam artigos artesanais, para depois poder estabelecer negócio. A empresa dele faz este tipo de negócios também como forma de ajudar estas pequenas cooperativas. Um contrato desta natureza fornece trabalho por pelo menos um ano e assim, estas senhoras encontram um meio subsistência.



Na quinta-feira tivemos a visita do Pe. Casimiro.
Os dias dele aqui em Iringa estavam a terminar e, em breve, iria partir para a sua Missão em Sanza. De Iringa a Sanza são uns 280 quilómetros, e nove horas de viagem! Ao que sabemos, em Sanza ainda não há luz – utilizam gerador – e não tem telefone. Dodoma, a capital, fica a duas horas de distância (apesar de serem só 70 quilómetros!) e o posto de correios também é lá. As comunicações são feitas via rádio.

No sábado seguinte, os Padres Inverardi, Norberto e Bellagamba vieram cá almoçar. Desta vez sem ser “em serviço” (Visita Canónica), mas sim para convivermos mais um pouco.

Nesta noite, com o resultado do Benfica-Sporting, começou-se a suspeitar que o dia seguinte seria o de confirmação de campeões! E assim aconteceu. O Paulo, com as suas engenhocas, lá conseguiu por uma antena a funcionar e conseguiu-se acompanhar minimamente o jogo do Porto no rádio que pertence aos miúdos.

Não foi de propósito, mas o que é certo é que nessa noite houve festa.
O motivo era a despedida do irmão do Pe. Franco e, como é costume da Faraja, foi feita em grande estilo. Houve cânticos, pequenos sketches, rap, entrega de prendas e o tradicional bolo.
Aqui ao lado está a Família Sordella: Pe. Franco, Beppe, Maria Teresa e Mama Rita.


Na terça-feira seguinte foi um dia passado em grande parte na companhia das Irmãs da Consolata. Na parte da manhã fomos à Casa Regional (das Irmãs) dar uma vista de olhos aos computadores e tentar resolver pequenos problemas, e depois fomos almoçar à casa das Postulantes, para também tratar dos vírus informáticos. Foi muito agradável, pois como está lá a Irmã Jocelyne, que é brasileira, aproveitamos para mais um pouco de português.

Entretanto temos mais uma “hóspede” cá em casa. Os miúdos com as suas fisgas apanharam um falcão (por acaso é uma) e estavam a “brincar” com a ave quando os seus gritos nos alertaram. Lá fomos em socorro da avezinha e resolvemos instalá-la num dos quartos até estar recuperada para tornar a voar. Uma das asas parecia um bocadinho partida mas como um dos nossos colegas do curso de kiswahili é veterinário, assim que tivermos oportunidade levamo-la para “uma consulta”. Portanto agora, além dos lagartinhos que temos cá em casa, mais os 5 cachorros que nasceram o mês passado e que dormem à nossa porta, temos um falcão. Companhia não nos falta :).
Na semana seguinte o Paulo sofreu uma desilusão futebolística, acompanhada por uma grande alegria (passe a contradição). A TVMoçambique, que tantos jogos internacionais tem transmitido, não deu a final da Taça Uefa! No entanto, não foi impedimento para não seguirmos o jogo. Com a ajuda do rádio lá fomos ouvindo os golos, sempre na dúvida para que lado seriam pois a transmissão estava muito fraca. No fim do jogo lá gritámos Campeões!
Mas a melhor surpresa estava reservada para o dia seguinte. Na Casa Regional, como o sistema televisivo é outro, com mais canais, conseguiram gravar o jogo de propósito para nós, e mais tarde o Pe. Casimiro, vermos. Assim, na quinta-feira a comunidade aqui de Mgongo juntou-se para jantar e depois assistir ao jogo. Foi um bom momento de convívio que vem reforçar o espírito de família, uma das características do Carisma dos Missionários da Consolata.

Sexta-feira, dia 23, participamos no encontro de Leigos que se estava a realizar em Iringa. Este segundo encontro de Leigos Missionários da Consolata da Tanzânia, teve lugar na «Casa Irene», centro de dia para crianças de rua, centro de acompanhamento para doentes de Sida e centro de formação para catequistas e leigos.
Os LMC tanzanianos tiveram o seu primeiro encontro em 1999. São originários das missões onde estão presentes os Missionários e as Irmãs da Consolata e na sua grande maioria são adultos empenhados nas actividades paroquiais.
Este seminário contou com a presença de uns 30 LMC que, durante quatro dias, orientados pelas Irmãs Zita Amanzia e Ida Luisa e pelo Padre Dario Rampin, reflectiram sobre a Palavra de Deus à luz dos ensinamentos do Beato Allamano.
Nós fomos chamados a participar para darmos o nosso testemunho. Mais do que falar sobre o trabalho específico que cá nos encontramos a fazer, a partilha centrou-se sobre o chamamento sentido, o que nos levou a querer ser leigos e como é viver esta vocação como casal.
Foi uma experiência muito boa pois ficamos a conhecer um pouco mais da realidade tanzaniana, e deu também para fazermos uma “pequena prova” ao nosso kiswahili. O resultado foi… quase hora e meia entre o nosso testemunho e as perguntas que os outros leigos colocaram, em que mais de 80% do tempo foi usado pelo Paulo. A língua já lhe sai naturalmente e é capaz de estabelecer uma conversa de uma forma quase natural! Quanto é mim é mais fácil perceber o que ouço ou leio do que propriamente falar, ainda.

Os Leigos tanzanianos ainda estão a dar os primeiros passos na realidade laical mas mostram-se bastante motivados e bem organizados.
Os Missionários e as Irmãs da Consolata trabalham em conjunto no acompanhamento dos Leigos e na sua formação. Pela parte dos Missionários o responsável é o Pe. Inverardi e pelas Irmãs é a Irmã Zita.
A especificidade geográfica do país e as dificuldades económicas tornam um pouco difícil os encontros em conjunto. Neste encontro estavam presentes elementos desde Ikonda a Dar-es-Salam, que estão a uma distância de 1000km!

Para terminar a crónica do mês falta só referir que, como em muitos outros sítios do planeta, também se celebrou o mês de Maria. Os rapazes da Faraja têm um carinho muito especial por Nossa Senhora e assim, todos os dias, ao fim da tarde, nos juntávamos para rezar dois ou três Mistérios.




E com este belo pôr-do-sol africano nos despedimos.
Até ao próximo mês!
Beijinhos e abraços para todos,


Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em 04:43 PM | Comentários (1) | TrackBack

Newsletter #9

2003.Mai.07
Olá a todos!

Cá estamos mais uma vez para o nosso encontro mensal.
O nosso mês de Abril começou com uma visita à Missão de Mafinga. Mafinga fica a duas horas de viagem de Iringa e é onde se encontra o Seminário Menor do IMC aqui na Tanzânia. O nosso propósito ao lá ir era o de pedir algum tipo de ajuda ao Pe. Goleto para as minhas aulas de matemática. Mas, como em todas as escolas secundárias aqui, as aulas são dadas em inglês e assim não consegui muito. No entanto não demos o nosso tempo por perdido. Pois tivemos oportunidade de visitar a Missão.


A Missão tem uma quinta onde, além de outras coisas, fazem plantação de café e de girassóis, para fazer óleo. O café é realmente bom e, como depois também é levado para a Casa Regional, é desse que costumamos comprar. Nesta parte da Tanzânia chove mais do que em Iringa, e isso nota-se logo na paisagem, muito mais verde.

O símbolo da Missão é uma avestruz, que foi trazida ainda pintainho (6 semanas) pelo Pe. Tomás (actual superior do IMC em Portugal) quando cá se encontrava a trabalhar.
O que também tivemos oportunidade de ver foi uma espécie de maracujá que é verdadeiramente impressionante. Reparem só no tamanho!

No sábado seguinte, dia 5,tivemos a visita de uma equipa de reportagem da televisão Municipal de Iringa. Foi muito interessante!
O Pe. Franco contou um pouco da história da Faraja e depois fizemos uma visita guiada à Missão.
Os miúdos fizeram alguns jogos (para o filme) e até simulámos uma “aula de computadores”, como eu faço ao domingo. Também na Escola Técnica (Chuo) todos os alunos estavam vestidos a rigor e nas suas salas de aulas. Até tiveram direito a uma aula extra!
Claro que era tudo só para ser filmado :).
Eu e o Paulo ainda tivemos direito a sermos entrevistados, em kiswahili claro!

No dia seguinte, 5º domingo da Quaresma, fez-se durante a Eucaristia a representação da parábola do Filho Pródigo. Como de costume as meninas da aldeia também participaram. Continuámos a ficar surpreendidos com a capacidade destas crianças/jovens para em pouco mais que 2, 3 dias não só decorarem os seus papéis mas também decorarem as músicas novas, que geralmente são compostas propositadamente para a representação.
O Paulo tornou a dar uma ajuda na caracterização das personagens, desta vez com os porquinhos. Foram os mais pequeninos que fizeram esse papel, mas tiveram direito a nariz, cauda e orelhas. Digam lá se não eram uns leitõezinhos bonitos :)?

Estávamos a aproximarmo-nos rapidamente da Páscoa. Além de termos que preparar os exames para os alunos da Chuo também era preciso começar a pensar no que iríamos fazer durante as celebrações pascais. Todas as sextas-feiras durante a Quaresma fizemos a Via-Sacra, no interior da Igreja. Mas para a Sexta-feira Santa estava-se a pensar fazer com quadros vivos.

No Domingo de Ramos a Missão encheu-se de gente para celebrar a Entrada de Cristo em Jerusalém. Não erámos só Católicos. A maioria da população da aldeia é protestante (Luteranos), mas também se juntaram a nós para a celebração. Fez-se um arco com palmas, para as pessoas passarem e todos cantaram cânticos de louvores.

Também foi neste dia que se apresentaram à comunidade os 7 catecúmenos que iriam ser baptizados na Vigília de Sábado Santo. Para a Faraja era motivo para celebrar triplamente. 3 dos nossos rapazes iam ser baptizados.
A grande maioria dos rapazes, quando chega à Faraja, não são baptizados.
Depois de 3 anos de catequese são então admitidos ao baptismo.


A semana Santa começou com os exames dos alunos da Chuo. Foram 3 manhãs em que eles foram testados nos seus conhecimentos, antes de irem para umas curtas férias. Para mim e para o Paulo foi uma experiência nova, pois nunca tínhamos preparado exames anteriormente.
O Paulo tinha a vantagem de só ter 3 para preparar, mas eram todos em kiswahili…
Eu, apesar de serem em Inglês, ou em “numerês”, tive que fazer 6.
Os alunos bem queriam saber as notas rapidamente mas nós achámos que era preferível passarem as férias descansados, além de que só eu tinha 130!!! testes para corrigir e era um bocado impossível fazê-lo em duas tardes!
Assim, esquecemos a escola por uns tempos e, Quinta-feira Santa, começámos as celebrações do Tríudo Pascal.

Às 6.00 da tarde celebrou-se a Eucaristia, com o Lava-pés. Os “discípulos” eram rapazes e jovens da Faraja, da Chuo e da aldeia.
Neste dia celebra-se o dia do Celebrante e, para festejar, depois da celebração eucarística jantámos em casa dos Padres.
Por volta das 21.30 dirigimo-nos outra vez para a Igreja para um momento de Adoração da Cruz.
Todos os miúdos estiveram presentes. Desde os mais pequeninos aos mais velhos. O pequeno Zawadi (que só tem 6 anos) acabou por adormecer encostado ao Paulo.

No dia seguinte tivemos a Visita Canónica aqui em Mgongo. O Pe. Bellagamba (Vice-Superior-Geral do Instituto), o Pe. Norberto (Conselheiro para África) acompanhados do Pe. Inverardi (Superior da Tanzânia) passaram connosco este dia.
Enquanto o Pe. Bellagamba esteve reunido com os Padres e o Irmão, o Pe. Norberto reuniu-se connosco, pois como português seria mais fácil para nós falarmos na nossa língua.
Ao fim da tarde realizámos a Via-Sacra com quadros vivos. Desde o Julgamento por Pilatos até à Crucificação, todas as estações foram encenadas pelos rapazes, com verdadeiro fervor.
Mas como as imagens falam mais que mil palavras…



No Sábado de manhã concluiu-se a Visita Canónica.
Da esquerda para a direita:
Pe. Norberto, Pe. Franco, eu, Pe. Bellagamba, Ir. Boniface, Pe. Júlio e Pe. Inverardi.



Ao fim da tarde, depois do fogo aceso iniciou-se então a grande Vigília. Mais uma vez tivemos a presença da comunidade Luterana.

Depois da bênção do fogo e de termos acendido o Círio Pascal foi a bênção da água com que iriam ser baptizados os 7 catecúmenos nessa noite.

O Paulo, que não tem afilhados em Portugal, foi padrinho de dois dos nossos rapazes.

No Domingo de Páscoa, o nosso primeiro sem a tradição do Compasso, tornámos a almoçar juntos. O almoço foi mais tarde, pois o Pe. Franco tinha ido a Nduri, uma localidade mais/menos a uma hora de viagem daqui, celebrar a eucaristia.
À noite jantámos todos na Faraja para também fazermos a festa com os 3 novos baptizados da nossa comunidade. Como não podia deixar de ser houve cânticos, teatro, bolo e prendas.
Cá estão eles, na mesa de honra.

A segunda-feira de Páscoa é feriado aqui na Tanzânia e, tal como aconteceu no Natal, também desta vez os rapazes mais velhos foram passar o dia à cidade, enquanto alguns dos street-boys de Iringa vieram cá passar o dia. Jogaram futebol, viram alguns vídeos, comeram e no fim receberam uma pequena prendita; t-shirts, cadernos e canetas (para os que frequentam a escola) sabão e um pouco de dinheiro.
Ao fim da tarde foram levados de volta à cidade, às suas casas: paragens de camionetas, mercado, casas abandonadas… Pelo menos por um dia puderam também eles festejar a Páscoa com um pouco de alegria.
Os Padres, o Irmão e o Paulo levaram os perto de 70 rapazes que cá tinham estado e, na volta trouxeram os nossos que tinham passado o dia na cidade. Dois dos miúdos da cidade ainda pediram para cá ficar, mas infelizmente isso não era possível. É triste ver tantas crianças e jovens que precisam de ajuda e não podermos fazer quase nada para lhes dar a dignidade que merecem. Depois de um dia em que puderam ser crianças à vontade, teriam que voltar à dura realidade das ruas.

Para terminar um pormenor interessante. Dia 23 de Abril é o Dia Mundial do Livro. Neste dia, no correio, estava à nossa espera uma prenda da minha tia: o novo livro de um dos meus autores favoritos! Digam lá se não há coincidências interessantes:)!

O último dia do mês foi também o início das aulas na Chuo, e a entrega dos testes. Mas disso vos daremos conta na próxima newsletter.
Até lá,

Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
 

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Newsletter #8

2003.Abr.08
Habari zenu! (Olá, como estão!)

Depois de um período relativamente seco, Março começou com chuva. Apesar de ter chovido bastante durante todo o mês, para a maior parte das colheitas já não fez grande diferença pois o milho já estava todo seco. Mesmo assim agradecemos a água que caiu pois sempre deu para encher um pouco mais os lagos e poços.

O mês também foi preenchido com festejos e celebrações A primeira foi logo no dia 2. As duas senhoras que cá se encontravam iam embora e, além de termos almoçado com a comunidade, tivemos, como é hábito, um jantar de despedida na Faraja.

Logo depois foi o Carnaval. Aqui não se festeja o Carnaval e, como tal, foi um perfeitamente normal. Para nós até correu bem pois a terça-feira é o nosso dia livre. Festejamo-lo passando duas horas na internet a conversar com amigos e família e almoçámos na Casa Regional. O Pe. Casimiro também nem se lembrava que era Carnaval! Mas o melhor foi o fim do dia!! O grande jogo Benfica-Porto deu na televisão e lá ficamos até às duas da manhã!!! a ver o jogo. No fim comemorámos a grande vitória (desculpem-nos todos os benfiquistas) com troca de mensagens por telemóvel com o Pe. Casimiro e alguns em Portugal. Mas no dia seguinte pagámos o preço por nos termos deitado tão tarde, não ouvimos o despertador e acabámos por faltar ao primeiro tempo nas aulas. Começamos a Quaresma logo a cometer faltas.

No dia seguinte “recebemos agradecimento e presente”. Isto é, Shukrani e Zawadi. Dois irmãos de 8 e 6 anos que uma senhora que os tinha recolhido da rua nos veio pedir para os acolher. Os pais e a avó estão presos (acusados de feitiçaria), os irmãos mais velhos foram para outras cidades e a tia que tratava deles passa a maior parte do tempo a beber. Os dois últimos anos passaram-nos na rua a tentar sobreviver até que esta senhora os acolheu. Mas não lhe é possível ficar com mais duas crianças a cargo pois já tem perto de outras dez nas mesmas condições. No meio disto tudo aconteceu uma situação caricata. Dada a forma como estavam vestidos o Pe. Franco pensou que o Zawadi fosse antes “uma prenda” em vez de “um presente” e já estava a explicar à senhora que nós só podemos recolher meninos. Perante a insistência da senhora o Pe. Franco, para tirar as dúvidas, lá levantou o vestido e confirmou-se “o presente”.

Como parte da catequese, os miúdos fazem agora cartazes, que são usados na missa de domingo, com a indicação das Leituras e desenhos alusivos. Cada grupo está encarregue de um domingo e o Paulo ajuda-os com os desenhos. Os cartazes servem não só para alegrar um pouco mais a Igreja, mas também para a explicação das leituras e para a homilía. E uma vez por outra, faz-se um pequeno “igizo” (representação/teatro).

Neste primeiro domingo representou-se as tentações de Jesus no deserto e, além de se ter feito um pequeno deserto dentro da igreja tivemos direito a 3 “mashetani” (diabos), um para cada tentação. Para isso foi necessário fazer os cornos e as caudas e vesti-los a condizer. O Paulo mais uma vez usou da sua habilidade e o resultado podem ver pelas fotos.

É claro que houve alguma risota durante a representação, mas o importante é que a mensagem foi percebida por todos e, como é normal, todos os que participaram não se vão esquecer da “lição de catequese”.

Durante a tarde os Pe. Casimiro, Giani e Pascoal, juntamente com um amigo italiano e o Prof. John, da escola de kiswahili passaram por cá para uma partidinha de futebol com os miúdos. Todos passaram um bom momento e ficou a promessa de tornar a fazer encontros desportivos deste género, não só com os miúdos da Faraja, mas possivelmente também com os da Chuo. O resultado acabou num empate.
Vejam a habilidade do Pe. Casimiro a fintar um jogador!! A continuar assim ainda pode vir a reforçar a equipa do Porto :)!

Na terça-feira seguinte festejou-se mais um aniversário. A D. Rita fez 87 anos (e não 85 como eu disse na última newsletter). Não deixa de ser admirável a força que esta senhora continua a ter. Agora que os colchões da Chuo estão prontos, está a fazer o mesmo para a Faraja (à volta dos 70) e ainda quer fazer umas cortinas para o refeitório da Faraja. Cá está ela a receber o bolo.




No sábado seguinte passou por cá o Bispo Evaristu Chengula, de Mbeya, padre da Consolata. A sessão de catequese desse dia foi dada por ele.
E para que não digam que eu (Teresa) não apareço nas fotos :) 


Também neste sábado um dos nossos rapazes, o Eduard, fez exame de Karaté para passar a cinto negro. Agora já cá temos dois cinturões negros. O Abby, que se encontra a estudar na Escola Secundária em Moshi, e o Edu que está na sétima classe aqui em Mgongo. Vejam-no todo vaidoso do seu novo cinturão no meio dos Mestres.



Entretanto a vida na Chuo também continua. Este mês, os alunos do primeiro ano receberam as suas caixas de ferramentas para os seus trabalhos e estudos. Estas toolboxes permanecerão com eles ao longo dos 3 anos do curso e, no fim, tornam-se sua propriedade. Uma pequena ajuda para iniciarem a sua vida laboral. Aqui estão os alunos de carpintaria, nos seus fatos de trabalho, acompanhados do professor, do Irmão Bonifácio e do Pe. Franco.

O fim do mês coincidiu com o começo das férias para os alunos da escola primária. Mas férias, para os miúdos da Faraja, não significa a total ausência de trabalho. Em especial aqui em Mgongo, onde há sempre algo que fazer, seja tratar dos campos ou dos jardins; ainda para mais porque a chuva fez crescer bastante as ervas daninhas. No entanto, mesmo durante o trabalho há tempo para brincar um pouco. Afinal, crianças e natureza são uma combinação garantida para alguns momentos bem passados! Vejam algum deles, descansando depois de algum trabalho e muitas subidas às árvores.

E, da mesma forma que começámos, fechámos o mês com uma celebração. Dia 31 o Irmão Bonifácio festejou o seu aniversário. Desta vez o jantar foi na Chuo, mas ainda assim com direito a um momento de entretenimento protagonizado pelos alunos dos 3 anos, com pequenas peças humorísticas, canções e danças. A grinalda a volta do pescoço do Irmão é a maneira como se distingue a pessoa homenageada. Já tínhamos visto nos casamentos e agora também nos aniversários.

Beijinhos e abraços para todos e até à próxima,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

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Newsletter #7

2003.Mar.11
Olá a todos

Cá estamos mais uma vez a dar-vos notícias deste “cantinho” do mundo.
O mês de Fevereiro é o mais pequeno do ano, para condizer também pouca coisa se passou por cá. Entre aulas, trabalhos e pouca água o mês passou a correr.

Como não tem chovido muito, o nosso “pintor oficial”, Isaya, tem aproveitado para colorir mais um pouco as paredes da Faraja.

O Isaya é o da esquerda e faz os desenhos só olhando para o papel. A maior parte das paredes da Faraja estão decoradas com desenhos dele.

Dia 14 de Fevereiro era o dia de S. Valentim. No dia anterior recebemos de Portugal, para grande espanto nosso por ter chegado a tempo, alguma correspondência alusiva e, dos Correios onde eu trabalhava, dois postais para nós trocarmos; que a minha chefe e a minha colega de trabalho acharam por bem nos mandar!

No dia seguinte estivemos com o pensamento em Portugal pois estava-se a realizar a XIII Peregrinação da Consolata a Fátima. Mais uma vez demos graças pelas novas tecnologias que nos permitiram estar um bocadinho mais perto daqueles que nos são queridos. Nós aqui festejamos o dia do Beato José Allamano, 16 de Fevereiro, de uma forma muito simples. No domingo tivemos uma pequena celebração eucarística festiva; almoçámos com Pe. Júlio e o Irmão Bonifácio, pois o Pe. Franco tinha-se deslocado a Dar-es-Salaam; e jantámos na Faraja com os rapazes.

Na quarta-feira o Pe. Franco regressou com a mãe e duas senhoras irmãs amigas. A mãe do Pe. Franco, D. Rita, é uma senhora de 85 anos que, além de ter dado dois filhos para as missões (o irmão do Pe. Franco é missionário da Consolata na Etiópia) tem passado bastante do seu tempo também a trabalhar nas missões. Desta vez está a fazer as coberturas para os colchões para os alunos da escola técnica (são perto de 60). As outras duas senhoras contribuíram com bastante ajuda monetária para a construção da escola primária de Mgongo.

As duas irmãs estão na ponta, D. Rita está no meio.




A escola, foi construída pela Consolata mas pertence ao estado. O objectivo foi o de permitir que as crianças da Faraja tivessem uma escola que pudessem frequentar que ficasse mais perto de casa.



Para mostrarem o seu agradecimento. A escola preparou uma pequena celebração.
Com danças, cantos e até uma galinha, a aldeia mostrou o seu reconhecimento a quem tanto os ajudou.
Um grupo de alunas executa uma dança, enquanto o Ombeni marca o ritmo.

Duas crianças oferecem uma galinha para o almoço, sob o olhar atento do pe. Franco e da Professora Annete

Á parte os trabalhos com os miúdos, e algumas celebrações, as nossas aulas na escola técnica e na escola primária começaram.

 

O Paulo não tem grandes problemas no ensino da Bíblia. Além da formação que ele já tem, também tem guias por onde “seguir a matéria”. E na escola primária, onde ele dá catequese, também tem 15 anos de experiência e um guia para o ajudar. Claro que o pouco domínio (ainda) da língua atrapalha um bocadinho, mas nada de mais. Entre desenhos e jogo do enforcado para revisões (aos mais pequenos), até um bocadinho de história e geografia (para todos), mais a ajuda do dicionário, as aulas estão a correr bem.

Quanto a mim já é mais complicado. Quando pensei que a matemática seria a disciplina que me iria dar problemas, enganei-me bem! Apesar de ter que explicar as coisas em kiswahili e o livro que estou a seguir ser todo em Inglês, os alunos estão a acompanhar medianamente a matéria. Digo medianamente pois ainda não consegui que todos eles percebessem que precisam de copiar para o caderno a matéria e os exercícios que eu faço no quadro. Outro pormenor é que os alunos do 2º ano estão mais bem preparados que os do 3º. O que me leva ao Inglês: no início das aulas dei um teste diagnóstico de gramática a estes dois anos. O teste era igual e, qual não foi o meu espanto, quando verifiquei que os resultados eram, no geral, melhores no 2º ano do que no 3º. Conclusão: estou a dar a mesma matéria aos dois anos! Outra dificuldade é a falta de vocabulário que todos têm, isto torna-se especialmente grave quando eu estou a explicar algo e eles acabam por não perceber sequer o que é que eu estou a dizer. Tendo em conta que supostamente deveria usar só o Inglês nestas aulas… Mas o que me deixa algo frustrada é que se eu pergunto se perceberam, ou dizem que sim, ou não dizem nada (que é o mais comum). Assim como se eu chamar algum aluno para vir ao quadro fazer um exercício leva sempre mais de 2 minutos a decidirem-se a levantar (quase só falta eu ir ao lugar buscá-los pelo braço :-/ ). Se levarmos em conta que as aulas demoram 40 minutos apenas (já estou mesmo a ver muita a gente a pensar que aqui é que é bom :) e cada disciplina só tem duas aulas por semana, não há grande oportunidade de aprender muito!

No entanto estou confiante de que com o tempo as coisas irão melhorar. Aliás, o meu objectivo para este ano será ensinar o melhor que puder o 3º ano, para que o pouco que eles sabem, saibam-no bem; e preparar uma espécie de programa a seguir ao longo dos três anos de curso. Para estas duas disciplinas não há programa oficial a seguir nem exames do estado para fazer no final do curso. Fica tudo ao critério dos professores responsáveis. Neste caso são eu que, aos poucos, tenho que ver as necessidades de aprendizagem que eles têm (neste momento o lema é: pouco mas bem) e fazer todo o tipo de avaliações.

Outro problema que nos começa a afligir é a pouca chuva que tem caído, por todo o país. O milho nos campos está a começar a secar e se não chove depressa, as colheitas vão-se perder.

E assim vai a nossa vida por aqui.

Beijinhos e abraços para todos e continuem a mandar-nos notícias.

Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

 

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Newsletter #6

2003.Fev.07
Olá a todos!

Este mês de Janeiro passou a correr entre trabalho, surpresas, reencontros, peripécias e o começo do Ano Lectivo.

A primeira surpresa foi a chegada de um envelope de Portugal que nos tinham enviado em Novembro!!!! Nós já tínhamos perdido as esperanças em o reaver. Afinal o que aconteceu foi que ele foi dar uma voltinha pelos correios de França. Desde já fica aqui um aviso a quem nos escrever: não se admirem se demorarmos a dar resposta pois a correspondência pode demorar a chegar às nossas mãos entre 5 dias a quase 2 meses :).

Entretanto o trabalho também não pára e, aos poucos estamos a começar a ficar mais envolvidos. Uma das nossas funções é atender as pessoas que cá aparecem a pedir para ficarmos com crianças. Às vezes são mães, outras vezes são irmãs, ou até simplesmente alguém que tinha tomado conta da criança porque os pais tinham morrido. É sempre uma situação não muito agradável, até porque todos precisam de ajuda, mas é preciso fazer uma selecção pois já não há espaço nem condições na Faraja para acolher mais miúdos. É lógico que onde há perto de 70 crianças, cabe sempre mais algum. Mas também é preciso ter a consciência de não piorar as condições dos que já cá estão.

Um dos últimos a chegar foi o Emanuel. Miúdo com 9 anos que veio com a mãe e o meio-irmão bébé. O pai tinha morrido e o padrasto não queria o miúdo em casa, batia-lhe e nem o deixava ir à escola. Ele estava tão traumatizado que, no dia seguinte quando o Paulo estava a tentar brincar com ele a fazer-lhe umas cócegas, o Emanuel correu a esconder-se debaixo da mesa a soluçar de medo pois pensava que o Paulo lhe ia bater. A parte boa é que passado uns dias, já estava com outro aspecto e já brincava com os outros meninos, começando a ter um aspecto um pouco mais feliz. Vejam-no abraçado ao Nain, um dos seus novos amigos! (O Emanuel é o do lado direito)

No dia 10 tivemos o primeiro reencontro. O Pe. Norberto Louro, que cá se encontrou para um seminário fez-nos uma visita. Foi uma manhã muito boa, a matar saudades em português. Afinal tinha sido há doze anos atrás que o Pe. Norberto nos tinha “fisgado” para a Consolata.

Depois no sábado à noite tivemos o prazer de assistir a um joguinho de futebol especial. A TVMoçambique transmitiu um jogo do Porto! Foi muito bom, em especial para o Paulo :).

Durante a semana os 4 visitantes Italianos que cá estavam foram embora. Estes amigos do Pe. Franco não se limitaram a cá vir passar umas férias. Eles também vieram ajudar um bocadinho. Dois deles sãos especializados em informática e electrónica e, como tal, foram fazendo umas reparações que sempre vão sendo necessários. Aliás, a Missão também vive um bocadinho da ajuda destes visitantes que por vezes cá vêm passar umas semanas. Os familiares do Pe. Júlio que cá estiveram em Dezembro, ajudaram a fazer os uniformes para os miúdos irem para a escola. Desde já fica aqui o convite para se alguém estiver a pensar em fazer umas férias diferentes, podem cá vir que serão acolhidos de braços abertos!

Entretanto as aulas foram começando. As manhãs agora são bem mais sossegadas pois os miúdos estão nas aulas. Perto de 20 deles, que estão na Secundária, também saíram da Faraja e agora só regressarão nas férias.

Na semana seguinte, lá nos dirigimos para a Casa Regional para participar no seminário que foi orientado pelo Pe. Norberto e pelo Pe. Okello. O tema era “A nossa missionaridade aproximada ao nosso Carisma” e, desta vez foi em Inglês.
Éramos cerca de 20 pessoas. Foi uma experiência muito rica pois tivemos a oportunidade de contactar com outros missionários, a maioria dos quais já com largos anos de vida missionária. E se pensarmos que alguns chegaram a contactar de perto com alguns dos primeiros missionários no Quénia… Além dessa partilha de experiências ficámos também a conhecer um bocadinho mais a realidade da Missão, neste país tão grande como é a Tanzânia.

Enquanto lá estávamos tivemos o segundo reencontro. O Pe. Casimiro chegou de Portugal, com notícias fresquinhas (e algumas lembranças) da família e amigos. Nessa noite tivemos uma verdadeira mesa portuguesa com nós os dois, o Pe. Norberto e o Pe. Casimiro. Aliás, quase que o português era a língua mais falada pois alguns dos padres que lá estava tinham estudado em Moçambique e havia um brasileiro, além de nós os quatro. Ainda chegámos a propor que o seminário fosse em português, mas sem grande resultado :(.

Passada a semana e regressados a casa tínhamos mais um assunto pendente para resolver: os nossos atestados médicos para mandar para a Segurança Social em Portugal, pois o processo ainda não estava pronto. Assim na terça-feira, nosso dia de folga, bem cedo, lá nos dirigimos a Tosamaganga, onde temos uma missão, para irmos ao hospital tentar arranjar um Atestado de Robustez. Seria de admirar se as coisas tivessem ficado logo resolvidas. E realmente, no hospital pediram-nos primeiro que fizéssemos uns exames antes de passarem o atestado. Coisa perfeitamente normal de se pedir, mas que nos iria dificultar um bocadinho o andamento da coisa. Viemos embora para nos aconselharmos primeiro qual melhor forma sobre o que fazer.

Durante a tarde, enquanto eu estava na internet a tratar do correio, o Paulo foi fazer, ou pelo menos tentar fazer, as compras. Acontece que o nosso carro já tem quase 200mil km e já teve alguns problemas. E assim aconteceu que as mudanças bloquearam no meio da rua!! A sorte foi que o Paulo estava perto da Paróquia da Consolata e dirigiu-se lá a pedir ajuda. Chamaram o mecânico, mas não estavam a conseguir resolver o problema. E entretanto estava a começar a chover. Então resolveram por o carro dentro do adro da igreja da paróquia, pois no meio da rua é que ele não estava bem. Só que puxar um carro daqueles, com tração às 4 rodas e completamente bloqueado... é dose!! E como um azar nunca vem só… enquanto o estavam a puxar, os homens que estavam a fazer isso acabaram por bater com o carro num pilar. O Paulo até agora ainda não percebeu como foi possível não terem visto o pilar, mas prontos, são coisas que acontecem. Ficou a porta traseira completamente empenada. Entretanto ele tinha vindo avisar-me do sucedido e eu já me tinha dirigido para a Casa Regional onde aproveitei para dar uma ajudinha ao Pe. Casimiro com o computador dele. Como não foi possível arranjar o carro nesse dia, fomos para casa com o Pe. Júlio que para nossa sorte tinha passado na Casa Regional. Como tínhamos acabado por não fazer as compras regressámos no dia seguinte. O que até foi bom pois o nosso carro já lá estava pronto, à excepção da porta. Mas afinal não era assim tão grave e não havia pressa em arranjar. Só uma questão se punha: como levar dois carros de volta a Mgongo? Simples. Cada um ia num carro, e assim foi a primeira vez que eu conduzi desde que saí de Portugal :). Até nem correu muito mal, ainda para mais porque o volante do nosso carro é do lado esquerdo (como em Portugal) e as estradas têm tantos buracos que quase nem há necessidade de conduzir do lado direito. É preciso é desviar dos buracos!

Foi uma sorte termos o carro novamente pois assim foi mais fácil ir buscar o Pe. Casimiro no sábado para vir passar a noite em nossa casa. O motivo era mais um jogo do Porto, desta vez com o Boavista. E como na Casa Regional não há a TVMoçambique, e como o Pe. Casimiro também é portista, achamos que ele iria gostar. Foi uma agradável noite portuguesa!

Durante a semana seguinte, última do mês, começaram a chegar os alunos da Escola Técnica. Fez-se uma primeira reunião com o staff da escola, agora reforçado com nós os dois, e ficou decidido que eu iria dar as aulas de Matemática e Inglês aos 3 anos, e o Paulo as aulas de Bíblia, também aos 3 anos. Quanto ao Inglês não tenho grandes dificuldades, mas quanto à Matemática é capaz de ser um bocadinho mais difícil pois o domínio do kiswahili ainda não é muito grande. E ensinar algo que à partida a maior parte dos alunos não gosta… vai ser um desafio interessante!

Apesar de estarmos na época das chuvas, este ano ainda não choveu muito. Mesmo assim tudo está muito verde, ao contrário de quando cá tínhamos chegado. As ervas crescem depressa e é preciso ir cuidando dos jardins dos campos e de todo o espaço da Missão. Assim, o trabalho agora é dividido entre o campo, o limpar das ervas e o pastoreio dos animais. Esta é uma das tarefas que os rapazes fazem, desde os maiores aos mais pequenos.

E com estas fotos dos rapazes em pleno trabalho nos despedimos.
Beijinhos e abraços para todos e continuem a mandar-nos notícias.




Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
 

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Newsletter #5

2003.Jan.12
Olá a todos,

Cá estamos em Mgongo, e já se passou um mês desde que aqui chegámos!

A última newsletter acabou com a nossa saída da escola de kiswahili. Essa noite passamo-la na Casa Regional e, no dia seguinte participámos num pequeno retiro lá realizado. O tema era “Umuhimu wetu katika fumbo la ukombozi” (A nossa importância no plano de salvação) e foi em kiswahili. Não vamos dizer que percebemos tudo ? mas algumas coisas já vamos apanhando.
Mas logo ao pequeno-almoço tivemos uma notícia triste. A missão de Matembwe tinha sido assaltada na noite anterior. Além de bastante dinheiro entre euros, dólares e tshillingis que os ladrões levaram (dinheiro destinado à construção total de uma igreja em Image) o Pe. Dário foi agredido. Infelizmente, os roubos a missões começam a ser frequentes por aqui!

Ao fim da tarde, depois de terminado o retiro, o Pe. Franco recém-chegado de Itália veio-nos buscar para irmos para Mgongo, para a casa que será nossa nestes 3 anos.Á nossa espera estavam todos os rapazes que estão na Faraja House para nos darem as boas vindas. Nesse dia foi mesmo só um olá muito breve, pois já era tarde.

No dia seguinte lá desfizemos as malas e a, verdadeiramente, instalar-nos na casa. Como ainda não estava tudo pronto, a nível de utensílios, especialmente, nos primeiros dias tomámos as refeições na casa dos padres, com a comunidade: Pe. Franco, Pe. Júlio, ambos italianos e o Ir. Bonifácio, queniano.

Na terça-feira, dia 10 foi a “cerimónia oficial” de boas vindas. Jantámos todos na Faraja House e, no fim do jantar, fomos brindados com um espectáculo cultural e recreativo organizado pelos rapazes e até tivemos direito a bolo!

Os primeiros dias foram passados a arrumar a casa e a conhecer os cantos à Missão e as pessoas que cá trabalham. Participámos numa reunião com os professores da escola técnica, fomos até aos campos de cultivo, vimos o dispensário… Fomo-nos ambientando.
E fomos começando a trabalhar! O Paulo começou por dar uma de carpinteiro e fez alguns trabalhos de manutenção, em especial nos quartos dos miúdos. Desde camas a portas, havia bastante coisa a precisar de reparação. E claro, não esquecendo da familiarização com os miúdos.

Não foram dias muito fáceis! Todo o cansaço de fazer e desfazer malas, o facto de estarmos num sítio (apesar de muito apetecido) novo, todas as pequenas coisas que faltavam na casa, o não nos podermos expressar da melhor maneira (há sentimentos difíceis de explicar em português, quanto mais em kiswahili, inglês ou italiano!) e, principalmente os poucos meios de comunicação existentes (na escola tinhamos internet todos os dias, aqui nem o telefone funcionava em condições) fizeram com que sentíssemos de maneira um pouco mais forte a solidão. Não que estivéssemos sozinhos, mas a distância dos familiares e amigos, nestas alturas sente-se mais. No entanto, aos poucos as coisas foram-se compondo. Aliás, com tantas crianças à volta é difícil estar muito tempo triste.

Entretanto ainda não tínhamos as nossas cartas de condução e faltavam-nos algumas coisas para podermos começar a fazer as refeições na nossa casa. Para isso teríamos que ir a Dar-es-Salam e, no dia 15 lá fomos com o Pe. Júlio e o Ir. Bonifácio (que ia de férias) até à capital económica do país. Foi uma longa viagem, perto de 9 horas! Mas tudo correu bem. Dar-es-Salam é uma cidade quente. Mas é um calor húmido e mesmo à noite só se está bem debaixo de uma ventoinha ou ar condicionado!

Nessa noite tivemos que ir jantar fora, pois a cozinheira tinha adoecido. Imaginem que fomos comer a um restaurante italiano. Fantástico! Já agora um pormenor: a 2ª língua mais falada na ilha de Zanzibar é o italiano. No dia seguinte o Pe. Júlio levou-nos a fazer compras e aproveitámos para ver um bocadinho de cidade. Pela primeira vez na vida, vimos o Oceano Indico. Que saudades de dar um mergulho!

Muita gente na rua e muito trânsito também, mas achámos que era uma cidade um bocado suja! Nas ruas vende-se de tudo, desde a tradicional bijutaria e peças de madeira, t-shirts e sapatos e até livros técnicos de economia, informática e outros. Os vendedores tentam entre o inglês e o italiano convencer-nos a comprar. Ainda passámos no mercado principal da cidade “Soko Kariakoo” mas foi de carro e acho que não me atrevia a meter lá no meio. Para terem uma ideia imaginem o Bolhão com o dobro do tamanho e 5vezes mais pessoas! Um pandemónio!

De tarde fomos até à”zona das estátuas” ?. Uma rua onde loja sim loja sim se encontra todo o tipo de souvenirs que os europeus tanto gostam de levar de África. Como por exemplo, kangas, kitenges, sandálias, missangas e, as mais apetecidas peças em madeira, as esculturas Makonde. A serem feitas ali mesmo à nossa frente. Infelizmente só foi mesmo para regalar os olhos, mas um dia lá voltaremos para umas compritas ?

Na terça-feira começou a nossa aventura das cartas de condução. Pelo que sabíamos só era preciso assinarmos uns papéis e prontos. Mas revelou-se algo mais complicado! Quando fomos até ao posto da polícia para resolver isso a resposta que nos deram foi: “kesho” (amanhã), uma resposta que é muito usual por aqui. Sendo assim, lá fomos embora e aproveitámos para comprar um telemóvel. Um luxo que nos dispusemos a comprar para poder ser mais fácil comunicar com Portugal.

No dia seguinte, às 6.30 da manhã, já estávamos em frente ao Posto da Polícia. No entanto ainda tivemos que esperar mais de 4 horas até vermos que as coisas começavam a ser resolvidas. Ainda tivemos que ir até ao hospital fazer um exame aos olhos. Teve o seu quê de interessante pois eu, sem óculos, já começo a ter dificuldade em ver a uma certa distância. No entanto, a fotografia para a carta de condução não tem óculos! Algumas letras foi o Paulo que me disse e outras fui eu que fiz batota e olhei com os dois olhos, em vez de só com um. Mas o exame era só um pró-forma, pois como já se tinha pago, não havia problema. Este é um dos grandes problemas do país! Toda a gente quer receber subornos, seja pelo que for e, sem pagar, dificilmente se conseguem as coisas! Mas o importante é que, no fim da manhã, tínhamos as cartas na nossa mão. Agora só faltava mesmo o carro!

Quinta-feira de manhã lá partimos de regresso a Mgongo, desta vez com mais 4 pessoas. A irmã e cunhado do Pe. Júlio, mais uma cunhada dele e uma amiga. Visitantes que vinham passar uns dias à missão.
De regresso ao trabalho, era necessário fazer o presépio pois o Natal estava a bater à porta. O Paulo e alguns dos rapazes encarregaram-se disso, enquanto eu ia ajudando a Prof. Annete a terminar os presentes para a noite de Natal. E para nos irmos preparando também espiritualmente, durante os dias que precederam o Natal tivemos a Novena de Natal.

Finalmente chegámos à Véspera de Natal. Como escurece cedo e é um bocadinho perigoso andar pelos campos depois do sol-pôr, a Missa do Galo foi às 6.30 da tarde. Foi uma celebração muito bonita, com cânticos e procissões e danças de louvor. No fim foram distribuídos alguns presentes pelas crianças da aldeia (rebuçados, cadernos e canetas). Nessa noite jantámos na casa dos Padres. Não havia bacalhau, mas havia panetone (bolo tradicional italiano). Entretanto lá fora a chuva caía com força e a trovoada demorava em passar. Felizmente o tempo acalmou e até deu para ligar para as nossas famílias em Portugal! (é que quando chove e/ou troveja o mais certo é ficarmos sem comunicações telefónicas).

Por volta das 10.00 noite dirigimo-nos outra vez para a Igreja onde os rapazes da Faraja e o resto do staff já se encontravam. Era o momento de abrir os presentes ?.Todos tivemos direito a prendas, incluindo o Pe. Júlio e o Pe. Franco e os visitantes. Para os rapazes as prendas eram roupa, cadrenos e canetas, sabonete e rebuçados. O Pe. Júlio foi brindado com umas ceroulas, que logo experimentou: quem disse que o Pai Natal não existe :) E eu tive direito a um Snoopy :)

 

Em nossa casa esperava-nos uma mesa de Natal composta com alguns regalos que vieram de Portugal a tempo da quadra Natalícia e um panetone (fez a vez do bolo-rei), oferta dos visitantes italianos. No dia seguinte almoçámos na Faraja todos juntos e, o resto da tarde passou-se entre jogos e brincadeiras. Mas no dia seguinte, 26 de Dezembro, também é feriado. É o chamado “Boxing day”. Nesse dia, os mais velhos foram passar o dia a Iringa enquanto que um grupo à volta de 40 rapazes (também rapazes de rua) vieram passar o dia connosco a Mgongo. Entre jogos de futebol, matraquilhos e vídeo, também eles tiveram um bocadinho de Natal. No fim todos levaram uma pequena prendinha: t-shirt, rebuçados, creme para a pele e um pouco de dinheiro

Passado o Natal veio a Passagem de Ano. Mais uma daquelas festas que estamos acostumados a passar com a família e os amigos. Desta vez foi muito diferente!

Entretanto chegaram mais 4 Italianos para cá passar um mês.

Na véspera de Ano Novo fizemos uma celebração especial para agradecer as bênçãos recebidas ao longo do ano e acolhermos 2003 com força renovada. Nessa noite jantámos só os dois e foi bacalhau, como é tradição, que a minha mãe nos tina enviado. Esperámos pelas doze badaladas para brindar e comer as passas e, depois, fiquei eu à espera que fosse meia-noite em Portugal. Desta vez posso dizer que tive 3 passagens de ano! A da Tanzânia, a de Moçambique (pois aqui conseguimos ver a televisão moçambicana) e a de Portugal. Esta foi acompanhada pelo fogo de artifício realizado em Inglaterra (pois também temos a BCC). Entretanto recebemos algumas mensagens no telemóvel e o pessoal do JMC que estava reunido em Águas Santas a celebrar a passagem de ano ainda tentou ligar! Infelizmente a rede aqui é muito fraca e apesar dos vários esforços (chamadas) que eles fizeram, não me conseguiram ouvir. Mas eu ouvi-os a falar e também assim estivemos unidos: Muito obrigado!

No dia de Ano Novo fomos todos para Iringa pois ia-se realizar uma demonstração de Karaté e iam ser realizados alguns exames de passagem de cinto. Os nossos karatecas saíram-se bem e subiram de graduação.

No dia 4 de Janeiro foi o aniversário do Pe. Franco. O Pe. Júlio também festejava o aniversário passado uns dias, mas como iria para Dar-es-Salam para levar os primeiros visitantes ao aeroporto, fez-se a festa toda junta. Ao mesmo tempo também se aproveitou para fazer a despedida de uns e dar as boas-vindas aos outros visitantes.
Algumas das prendas que os padres tiveram foram realizadas pelos rapazes com a ajuda do Paulo. Um tabuleiro de damas para cada um.

Para terminar as festas Natalícias tínhamos a Festa da Epifania para realizar. Esta celebração envolveu perto de 30 pessoas, entre os rapazes da Faraja e as meninas da aldeia. Fez-se a representação da história do 4º Rei Mago e, apesar de só se ter ensaiado 3 vezes tudo correu bem. Fizeram-se duas músicas alusivas à história e não só os soldados tinham espadas como o anjo teve direito a asas. Estes trabalhos foram realizados pelo Paulo com a ajuda dos rapazes. Faz parte do trabalho dele a área de “Trabalhos Manuais”.
 

Alguns Reis Magos

O Anjo e a Sagrada Família em Belém.

Herodes com a esposa e os guardas.

Artaban, o 4ºRei mago, a ajudar um ferido

A matança dos inocentes.
Aqui os bebés ficaram mesmo assustados e choraram a sério

No fim todos perceberam a história. Afinal, com este tipo de representações faz-se catequese. Os participantes nuca mais se vão esquecer do que aprenderam e, quem viu também se vai lembrar melhor dos ensinamentos transmitidos.

E assim foram as nossas Festas e entrámos no Novo Ano.
Um ano diferente pois vai ser vivido em Missão.
Esperámos que tenham passado bem este tempo e que o Novo Ano traga muita Paz, Amor e Alegria para todos.
Continuaremos juntos através destas notícias ao longo do ano.
Até à próxima,

Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em 04:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

Newsletter #4

2002.Dez.18
Olá a todos,

Vamos então dar conta do que foi o resto das nossas (curtas) férias e também o fim do nosso tempo de estudo.

Esta semana de férias passou a correr!! Aproveitámos para estudar mais um bocadinho, mas na quarta-feira fomos até à Casa Regional, onde o Pe. Gianni estava às voltas com o novo “magazine” que vai sair em Janeiro do próximo ano. Aproveitámos para dizer que quem dizer assinar, é só dizer :)!
Durante a tarde chegou o Pe. George, que nós já tínhamos conhecido no Quénia.

Enquanto eu fiquei a tentar dar uma ajuda ao Pe. Gianni com o computador, o Paulo aproveitou e deu um salto a Mgongo com o Pe. George.
Por volta das seis da tarde fui a casa das Irmãs da Consolata para a celebração da Eucaristia onde se festejou os 60 anos de Profissão de uma das Irmãs. Esta é a casa das Irmãs idosas, Irmãs que dedicaram toda a sua vida a Consolar os mais fracos, os mais pobres, os mais necessitados. Entre elas está também uma Irmã que já fez 75 anos de África!! Conseguem imaginar o que isso é? É formidável!!

Entretanto, o Paulo não teve uma boa experiência em Mgongo. Quando lá chegaram, foi praticamente jantar e regressar à cidade pois tiveram que ir ao hospital, ver como estava um dos alunos, um rapaz dos seus 17 anos, da Escola Técnica, que no dia anterior tinha cortado os 4 dedos da mão esquerda. Ele estava a trabalhar com as máquinas, a cortar um tronco quando, num abrir e fechar de olhos a máquina apanhou-lhe os dedos. Foi imediatamente para o hospital mas, apesar de o professor ainda ter levado os dedos, nada se pôde fazer! Estamos em África e não na Europa, e no hospital não havia maneira de amputar os dedos!! Foi uma situação muito desagradável, pois apesar de ter sido a esquerda, é muito difícil trabalhar só com uma mão.
No dia seguinte levantámo-nos cedo, pois as laudes e a eucaristia são às 6.20 da manhã. Por volta das 9.30 fomos com o Pe. George até Tosamaganga, até ao cemitério onde está enterrado o Pe. Alex que faleceu juntamente com o nosso Pe. Paulino na Àfrica do Sul.
Nesta tarde foi a vez do Paulo ir às Irmãs com o Pe. Gianni, enquanto eu fiquei na Casa Regional para rezar as Vésperas e o terço com as duas Irmãs que fazem parte desta comunidade: a Irmã Domízia, que tem 92 anos, e a Irmã Bruna que tem perto de 80. Não se deixem enganar pela idade!! Estas duas Irmãs são bastante activas e são quem coordena as meninas/senhoras que trabalham na Casa; seja na cozinha ou na arrumação da casa!

Sexta-feira de manhã, chegou a hora de regressar à escola, pois as férias estavam a acabar :(. Mas partimos contentes pois estávamos um bocadinho mais fortalecidos por termos partilhado e vivido estes dias junto com os “nossos”.

Os dias lá se foram passando entre aulas e estudos! Num dos fins-de-semana, fomos escalar uma rocha muito grande que existe aqui em Iringa – Gangilonga. Fomos com um casal de americanos que tínhamos conhecido na escola.
Para lá chegar temos que subir por entre duas rochas, bem apertadinhas! Mas depois de chegar ao cimo… a vista é algo de formidável! Dá para ver a cidade toda! Outra particularidade desta pedra, é que ela fica, por assim dizer, nas traseiras da Casa Regional.


Se para subir custou um bocadinho, imaginem o descer!
Lá continuámos a “explorar o sítio e, vejam lá, ainda conseguimos ver macacos!! Muito tímidos, mas sempre deu para “apanhar” alguns com a câmara ?.

Durante o mês de Novembro, começamos a ter o que se chama de aulas práticas.
Fomos a casa de um Tanzaniano, treinar o nosso kiswahili.

Visitámos um orfanato que ficava perto da escola (pertença da Igreja Luterana), onde ficámos a saber que menos de 10% das crianças órfãs, abandonadas e de rua, na zona de Iringa, recebem algum tipo de apoio das poucas Instituições que existem, “Faraja House” incluída.

E, já no fim do mês, uma aula de culinária! Passámos toda a manhã a aprender a preparar e cozinhar alguma da típica comida tanzaniana, com os utensílios que são utilizados. Desde a escolha da arroz, o moer das especiarias, o partir e ralar do coco, até ao matar da galinha. Tudo isto foi muito bem preparado pois no fim foi o nosso almoço ?! Mas as imagens falam por si:

Professora Mariam
 a escolher o arroz
Eu e a Suzy a moer gengibre Eu a ralar o coco e o resultado semi-final O Paulo num
momento de brincadeira
com o Professor Tumku
Esparguete com açúcar

 

As alunas e professoras (os alunos estavam a tirar as fotos!)
E o resultado final: O almoço foi partilhado por todos, alunos e professores, à excepção de 5 professores que, sendo muçulmanos e estando em pleno Ramadão, não se juntaram a nós.
E para terminar só falta dizer que, obviamente, comemos com as mãos e sentados no chão.

No dia seguinte, sábado, era o “Dia da Graduação” na escola técnica de Mgongo.
Fomos à celebração e à cerimónia de entrega dos diplomas com o Pe. Inverardi e acompanhados também do Pe. Diego, o anterior responsável pelos Leigos para o Instituto que está de partida novamente para a Coreia do Sul, e vai para a mesma comunidade onde está o português Pe. Álvaro.

A celebração foi, mais uma vez, muito bela, com cantos e danças, realizadas por crianças da aldeia.

No fim da celebração seguiu-se o almoço e, após um curto descanso, assistimos à entrega dos diplomas aos alunos finalistas e a um show realizado pelos meninos/jovens da “Faraja House” que, além de danças tradicionais, também cantaram algum rap; em kiswahili como é lógico.

Aqui estão os alunos finalistas, nas artes de carpintaria, sapataria (e bolas e malas em pele) e serralharia.
E eis-nos finalmente chegados ao tão esperado dia, 4 de Dezembro, dia em que, terminámos o curso de kiswahili. Juntamente com nós os dois, mais alguns alunos faziam o encerramento oficial.
Durante a manhã, após uma curta avaliação, começámos a arrumar as malas, pois nessa tarde sairíamos da escola.
Algumas professoras enfeitaram a sala das refeições com flores e até o cozinheiro fez alguns desenhos.

Estava tudo pronto para um almoço de festa, e para a entrega dos diplomas. Até bolo havia, com os nomes dos alunos finalistas!!
Neste momento temos que vos confessar uma coisa: verdadeiramente, só eu e o Paulo é que terminávamos naquele dia. Alguns alunos continuariam até ao fim da semana, e outros ainda teriam mais uma semana inteira de aulas. No entanto, para a festa não ser só para nós os 2, fez-se tudo no mesmo dia. Além de que assim, não parecia tão mal uma festa tão grande.
É que, modéstia à parte, nós os dois deixámos uma “marca” naquela escola. Todos eram muitos simpáticos e nós sempre retribuímos essa simpatia. Acho que Portugal, os católicos, e os Leigos da Consolata irão ser lembrados naquela escola Baptista, por algum tempo!

E prontos, entregaram-se os diplomas, comeu-se o bolo e tiraram-se as últimas fotos.
Estava na hora de partir, foram 4 meses bem passados e novas amizades foram feitas, mas o trabalho esperava-nos!
Não vamos dizer que já sabemos tudo da língua, mas acho que se pode fazer uma comparação com aprender a conduzir. Só depois do exame feito, quando nos metemos à estrada, é que verdadeiramente aprendemos!
Uma das nossas melhores professoras, Levina, por sinal a única professora católica lá a trabalhar!

Por volta das 5 horas, o Pe. Gianni veio-nos buscar e fomos para a casa Regional. A nossa verdadeira missão estava prestes a começar…

Teresa e Paulo
Lmc
Tanzânia

 

Publicado por Teresa Silva em 04:31 PM | Comentários (0) | TrackBack

Newsletter #3

2002.Dez.09
Habari rafiki zetu! (Olá amigos nossos!)

Cá estamos mais uma vez, a dar-vos conta das nossas andanças.
Depois de um fim-de-semana missionário, tivemos o que se chama um dia turístico!
Fomos visitar um dos 4 grandes parques naturais que a Tanzânia tem: o Parque Nacional do Ruaha.
Este Parque fica na zona central da Tanzânia, cobre uma área de 12950km^2, é o segundo maior parque nacional e fica situado no Rift Valley.

Dos alunos residentes aqui no centro, só eu o Paulo e o Andy é que fomos.
A partida foi às 7.00 da manhã (com uma hora de atraso do previsto) pois de Iringa até ao Parque ainda são entre duas a três horas de caminho.
O tempo estava agradável, mas assim que começamos a descer em direcção ao Rift Valley começou-se a sentir mais calor :) !

Logo à chegada, e ainda antes de entrarmos verdadeiramente no parque, vimos os primeiros animais: hipopótamos (kiboko – hippopotamus amphibius). Deviam estar a descansar por causa do calor, e nem se dignaram a levantar a cabeça!

Lá fomos pagar as entradas e comprar um mapa do Parque para nos pormos a caminho. Os guardas avisaram-nos logo que seria muito difícil ver leões, leopardos e chitas pois já era tarde. A melhor hora para ver esse tipo de animais é durante o amanhecer, ou o entardecer.

Mas quanto a girafas e elefantes não devia haver problema.
E realmente, girafas não faltaram.
Cada uma mais bonita do que a outra, e algumas até parecia que se punham em pose para a fotografia.



Junto com as girafas (twiga – giraffa camelopardalis), estavam também gazelas (swala – gazella granti), apesar de um bocadinho mais assustadas que as suas amigas grandes




Mas o Parque não é famoso só pelos seus animais,
também o é pelos seus pássaros. E como tal, tivemos a sorte de avistar algumas águias (mwewe samaki – haliaeetus vocifer).



No entanto, aquele que mais vezes avistamos foram galinhas da Guiné (kanga ou chepeo – guterra edouardi). A maior parte destes pássaros encontrava-se debaixo das partes e dificilmente se vêem a voar, preferindo antes correr, seja para fugir a inimigos que se aproximam, seja para simplesmente atravessar a estrada :)!


A paisagem do Parque reflectia bem a época seca, em que nos encontrávamos.
Aliás, até existem dois “rios de areia” bastante grandes.
Só muito raramente se via um riachozinho de água.

A hora do almoço estava a aproximar-se. Parámos num dos vários pontos de descanso que existem ao longo do parque e comemos da merenda que nos tinham preparado.
Enquanto descansávamos um bocadinho comentávamos que ainda não tínhamos visto elefantes!
Após tornarmos a por tudo no jipe, retomámos o caminho e, qual não é o nosso espanto, uma família de elefantes (tembo – loxodonta africana) à nossa frente! Pai, mãe e filhote.

Outro animal bastante visível neste parque é o “greater kudu” (tandala – tragelaphus strepsiceros). Os cornos do macho são em espirais espectaculares e podem crescer até aos 180cm.




Mas a nossa verdadeira aventura ainda estava para começar!
Ao atravessar um dos rios de areia, o nosso jipe ficou preso.
Não havia ninguém por ali para ajudar a rebocar o carro e de cada vez que as rodas giravam, mais afundado o carro ia ficando… Era uma da tarde e o sol estava a pino, estava a ficar complicado…
Finalmente lá se consegui arranjar uns pedacitos de madeira, para servir de alavanca. Entretanto o Paulo e o Andy fartaram-se de escavar e, com a ajuda do nosso guia lá conseguiram por os toros debaixo das rodas.
Estivemos nisto perto de duas horas! Por madeira e pedras, dar à chave e empurrar. Muito lentamente o carro foi avançando. Mas mesmo muito lentamente!
Até que finalmente lá conseguimos por o carro na outra margem do rio. Para grande infelicidade de um abutre (tai – gyps africanus) que esperava pacientemente no cimo de uma árvore!
 

Para nossa grande felicidade, tornámos a ver elefantes. E desta vez era uma manada considerável! Não nos demoramos muito tempo a admirá-los, pois havia algumas crias e um dos machos não estava lá muito satisfeito com a nossa presença.


Outro animal bastante popular por estes lados é a zebra (punda milia – equus burchelli).
Também tivemos oportunidade de ver bastantes.





Dos cinco grandes mamíferos que são símbolo deste parque (elefante, búfalo, leão, chita e leopardo); ainda só tínhamos visto elefantes. Queríamos muito ver leões e os outros dois felinos, mas não devia ser o dia deles!
Quando nos cruzávamos com outros jipes, a pergunta era sempre a mesma: Simba? (leão) e a resposta também não variava: Hapana! (não há).
 

O tempo começava a apertar pois tínhamos de sair do parque até às sete da tarde.
Ainda assim, o nosso guia levou-nos por outro trilho, para tentar a sorte, e conseguimos avistar uma manada de búfalos (nyati – syncerus caffer) com os seus respectivos pássaros nas costas “oxpecker” (toboa-ng’ombe – buphagus).

Se pensarmos que há turistas que pagam bastante dinheiro para pernoitarem no parque e terem oportunidade de verem os “cinco grandes” e nem sequer um elefante conseguem avistar, então nós tivemos muito sorte pois vimos 2/5 deles :)!

O sol estava a começar a baixar e a dar uma tonalidade arrosada ao céu. Era sinal que tínhamos que ir embora.

Tinha sido um dia em cheio! Um bom safari!

À saída do parque ainda deu tempo para mais uma fotografia e depois, foi “sempre a abrir”!
Tendo em conta a “qualidade” das estradas, estão a imaginar como correu bem a viagem!
Chegámos à escola pouco depois das nove da noite, mais moídos que farinha, cheios de pó, mas super felizes!

A nossa sorte é que era sexta-feira e, além disso, na semana seguinte teríamos férias!! Ou seja, iria dar para recuperar o cansaço!
Não se pode dizer que não tenha sido um bom começo de férias!!

E por hoje é tudo, espero que tenham gostado deste pequeno safari!

Até breve,

Teresa e Paulo
LMC
Tanzania

Publicado por Teresa Silva em 04:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

Newsletter #2

2002.Nov.04
Olá a todos!

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Finalmente cá estamos a dar notícias! Por incrível que pareça, já fez um mês, desde que vos demos as primeiras notícias, desta nossa nova vida.
Se bem se lembram, começamos a última newsletter a dizer que íamos passar o fim-de-semana fora. Pois é exactamente por aí que vamos começar!

Nos últimos dias de Setembro, o Pe. Inverardi partiu para Itália, para a Consulta Intercapitular do IMC (Instituto Missionário da Consolata).
Antes de partir ainda nos trouxe uma surpresa! O Pe. Silvanus, que estava de regresso a Portugal, depois de umas bem merecidas férias (para quem não souber, o Pe. Silvanus é tanzaniano e está a trabalhar no seminário da Consolata em Águas Santas; foi com ele que começamos a aprender o kiswahili). Foi bom estar um bocadinho com ele e falar português! (se bem que nessa altura, já misturávamos kiswahili, com inglês, português e até italiano ? estamos a ficar uns poliglotas!).
Aproveitámos para mandar lembranças para as nossas mães, porque mandar alguma coisa pelo correio é um balúrdio!!

Como sabíamos que o Pe. Inverardi iria ficar fora até Novembro, ficámos um bocadinho apreensivos! Afinal, ele sempre nos vinha visitar/falar/saber como as coisas estavam, pelo menos uma vez por semana. Agora, com ele para fora por dois meses pensámos que nos ia custar bastante este tempo. Mas o Senhor não nos desampara nunca!

E eis senão quando na sexta-feira, o Pe. Dário (italiano, a trabalhar aqui há um ano e pouco) aparece a convidar-nos para ir passar o fim-de-semana a Matembwe. Claro que aceitámos!
Assim, sábado de manhã metemo-nos à estrada. Matembwe fica no sul da Tanzânia e demorámos 6 horitas. Nem foi muito desagradável, pois ainda parámos em Mafinga, em Makambako (para um cházinho e esticar as pernas) e em Njombe (para levantar o correio da missão).
Pelo caminho apanhámos chuva!! Podem imaginar?! Bem, não era chuva forte, mas tínhamos que ir com o limpa pára-brisas ligado! Atravessámos também uma extensão enorme (bem mais de 20km) de floresta de pinheiros. Parecia que estávamos no Norte da Europa, tal era a paisagem!
Como à medida que se vão cortando os pinheiros, se estão a plantar outros, nalgumas partes mais parecia uma exposição de árvores de Natal! Havia de vários tamanhos e feitios. O mais interessante era quando no meio de alguns pinheiros, se encontravam bananeiras!
De Njombe (cidade) até Matembwe (missão) ainda são perto de 50km. Infelizmente, este foi o troço que mais custou a fazer. Não existe estrada digna desse nome e, já aconteceu, em especial na época das chuvas, o carro ficar preso na lama.
As “estradas” que ligam a missão às localidades, são assim, ou piores! A ponto de 10km levar uma hora a fazer!
Quando chegámos à missão, estava a ser celebrado um casamento. Como a cerimónia já estava no fim, esperámos um pouco para assim podermos almoçar todos juntos: nós e o Pe. Panero (também italiano, com mais de 20 anos de Tanzânia).
No fim da cerimónia, os noivos foram agraciados com danças e cânticos, antes de partirem para a “boda”.

Durante o almoço, chegámos à conclusão que, em vez de dois dias, íamos cá ficar 4!! É que o Pe. Dário pensava que o Pe. Panero ia para Iringa domingo depois do almoço ou, no máximo, segunda de manhã. Mas afinal o Pe. Panero só ia terça depois do almoço! Nós não tínhamos maneira de regressar pelos nossos meios, e além disso, a ideia de estar uns dias fora do ambiente do Centro e poder passá-los numa missão agradou-nos imenso! O único contra era que não havia maneira de avisar ninguém que nós iríamos demorar mais do que o previsto. A missão não tem Internet e muito menos telefone. As comunicações fazem-se via rádio. Todos os dias, por volta das 20.15, todas as missões na Tanzânia se “encontram no rádio”. É a maneira de todas as missões se manterem unidas, pois para algumas não existe outro meio de comunicação!

No fim do almoço ainda demos um salto à boda. Foi interessante ver as diferenças que existem entre as nossas culturas. Para começar, primeiro foram servidos os convidados importantes (pais dos noivos, padres e nós; sendo wazungos adquirimos logo outro estatuto) e só depois os noivos. Os noivos não estavam nada alegres! Mais parecia que lhes tinham feito algum mal! Quando perguntámos o porquê, disseram-nos que tinha que ser assim! Os noivos não podiam mostrar alegria por deixarem a casa dos pais, daí as suas faces sombrias (claro que o facto de os noivos já estarem juntos à mais de um ano, não queria dizer nada!) Apesar de já termos almoçado, comemos um bocadinho, para não desrespeitarmos ninguém. Regressámos à missão e fomos descansar um bocadinho, até às 18.30, hora em que rezamos as vésperas, juntamente com a comunidade.

No dia seguinte, domingo, acompanhámos o Pe. Dário a Image, uma localidade que apesar de ficar a 10 km de distância, levou-nos perto de uma hora a percorrer. No caminho passámos pela barragem que o Pe. Pequito construiu para levar eletricidade a várias localidades à volta. (Para aqueles que não sabem, o Pe. Pequito era um missionário da Consolata, português.).
Enquanto o Pe. Dário ministrava a sacramento da reconciliação, aproveitámos para praticar um bocadinho o nosso kiswahili com alguns membros daquela comunidade, em especial com as crianças, e com um senhor de idade indefinida, um verdadeiro Mze, que apesar de já não ver direito, fez questão de posar para a nossa câmara!

Durante a eucaristia, mais/menos a meio, uma senhora toca no ombro do Paulo. Ele vira-se e, qual não é o seu espanto, quando a vê com um pau, de tamanho razoável, na mão. Fica muito espantado, sem saber bem o que pensar quando a senhora lhe diz: “Bwana, bwana! Nyoca! Sumo sana!” e aponta para o chão. O nosso kiswahili já é mais que suficiente para perceber que a senhora tinha dito que estava ali uma cobra, com veneno! E realmente, lá estava ela, para aí com uns 10cm, a passear junto dos cordões das botas do Paulo. Todos os que estávamos ali à volta levantamo-nos assustados, e era ver a senhora cheia de força a dar com o pau na cobra! Entretanto, o Pe. Dário como estava no altar não percebeu bem o que se estava a pensar. Pensou que alguém se tinha sentido mal e estava a receber massagens cardíacas (pois a única coisa que ele conseguia ver era o braço da senhora a subir e a descer). Escusado será dizer que o Paulo passou o resto da celebração a olhar para o chão à espera de ver aparecer algum parente do animalzinho! No fim quando contámos ao Pe. Dário ainda nos rimos um bocadinho (só passado uns dias é que viemos a saber que era realmente uma cobra perigosa: era uma naja que, apesar de ser nova, já tinha veneno suficiente para fazer alguns estragos!).

Durante a tarde visitámos a missão. Vimos os animais que ali são criados (desde vacas, galinhas a coelhos, que pudemos saborear a algumas refeições), a horta com bastantes vegetais, a serralharia, um mini-hospital, a escola de costura e a escola das crianças.

Segunda de manhã levantámo-nos às 6.00 da manhã para assistirmos à missa matinal, juntamente com a comunidade. Depois do pequeno-almoço, acompanhámos o Pe. Dário na visita às salas de aula onde fomos entusiasticamente recebidos com vários “Ciao”! Ao que o Pe. Dário replicou dizendo que nós não erámos italianos, mas sim portugueses. Lá dissemos olá e, durante a tarde e o dia seguinte, quando nos cruzávamos com alguns dos meninos erámos agraciados com uns “Olá” bem calorosos!
Mas o dia não acabou sem uma notícia triste. Após as vésperas, fomos com o Pe. Dário visitar alguns dos doentes que estavam internados. Quando chegámos à enfermaria das mulheres, algumas estavam a chorar. Disseram-nos então que uma doente tinha falecido. Era uma rapariga com 23-25 anos que tinha dado entrada à uns dias. Quando perguntámos de que é que tinha morrido, não nos disseram. Disseram apenas “a doença dos dias de hoje”, isto é, Sida. A rapariga deixou 3 filhos para criar e, soubemos depois, o companheiro já a tinha abandonado à algum tempo e estava a viver noutra aldeia com outra rapariga. Algumas questões se põem: será que ele está infectado? Será que ele vai infectar a outra rapariga? Quem vai cuidar das crianças? Apesar de já sabermos que a Sida é um dos maiores problemas da Tanzânia, foi a primeira vez que fomos confrontados directamente com a situação.

No dia seguinte, o Pe. Dário ia celebrar missa a aldeiazinha à volta da missão, uma das comunidades de base. Nós também fomos, e como íamos passar na aldeia de onde era a rapariga, levámos o corpo e alguns dos familiares. Foi uma experiência algo estranha! A estrada, para variar, era bastante acidentada e, como íamos numa carrinha de caixa aberta, volta e meia o corpo, apenas embrulhado em lençóis, saltava devido aos buracos. É esquisito quando pensámos que em Portugal, mesmo nas famílias mais pobres, existe sempre um caixão para transportar o ente querido condignamente. Mais um sinal da extrema pobreza que afecta o povo tanzaniano, em especial nas aldeias.

A aldeia onde chegámos é mesmo um conjunto de pouco mais de dez famílias. A celebração foi feita num espaço aberto que fica no meio de quatro ou cinco casas. É o sítio onde as pessoas se reúnem para tratar dos assuntos da comunidade, onde as crianças brincam e, onde se celebra a missa, quando o Padre lá vai. Os catequistas e mais algumas pessoas puseram umas tábuas a servir de cadeiras, e toda a gente pode-se sentar. Toda a gente canta, apesar de só haver 3 ou 4 cadernos onde as músicas estão escritas. Neste dia era dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das Missões. O Pe. Dário apresentou-nos durante a homilia e disse que nós éramos missionários, como ele, que vinham durante uns tempos trabalhar com o povo tanzaniano, mais concretamente com as crianças da Faraja House. Disse que vínhamos de Portugal, terra do Pe. Pequito e, no fim, as pessoas agradeceram-nos o termos vindo e ainda havia quem se lembrasse do Pe. Pequito! Como é costume, no fim da celebração fomos convidados a partilhar da refeição na casa do catequista, juntamente com alguns dos elementos, representantes, da comunidade. Infelizmente não nos podíamos demorar muito, pois tínhamos que arrumar as coisas para nesse dia regressarmos a Iringa.
Lá regressámos e, depois do almoço partimos com o Pe. Panero de regresso a Iringa.
No caminho tornámos a parar em Makambako para um cházinho e falámos um bocadinho com o Pe. Aldo.
Desta vez a viagem demorou menos uma hora, pois o Pe. Panero gosta bem de carregar no acelerador!
Chegámos por volta das 18.30, mesmo a tempo para o jantar, e encontrámos toda a gente preocupada! Já pensavam que tínhamos desistido, ou que tinha acontecido alguma coisa, pois ninguém sabia onde estávamos! Como não tínhamos tido maneira de comunicar…

Podemos dizer que não podíamos ter começado da melhor forma o mês de Outubro, mês Missionário por excelência!
Foram 4 dias onde vimos mais de perto a realidade da vida missionária E acreditem que, ser missionário num país como a Tanzânia às vezes custa! Mas também traz as suas alegrias. A lembrança daquela comunidade de base a agradecer-nos o facto de nós estarmos ali, dá-nos alento para enfrentar as pequenas dificuldades do dia-a-dia.

Como esta crónica já está comprida, deixamo-vos com duas fotos nossas acompanhados do Pe. Dário.

O resto do mês segue na próxima.

Até breve,

Teresa e Paulo
LMC
Tanzania

Publicado por Teresa Silva em 04:23 PM | Comentários (0) | TrackBack

Newsletter #1

2002.Set.27
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Na próxima segunda-feira, dia 30 de Setembro, faz 50 dias que chegámos à Tanzânia!
É uma boa altura de fazer um breve apanhado do que tem sido estes dias, num país diferente, com uma língua nada parecida com o que estamos habituados, e uma cultura completamente nova.
Como no fim-de-semana não estaremos por cá (vamos passear :) ), achei por bem antecipar a “comemoração” destes «siku hamsini» (50 dias), escrevendo hoje e, fazendo deste texto o primeiro (de muitos espero!) da tão famosa e prometida newsletter.

Chegamos a Dar-es-Salam (capital económica da Tanzânia) no dia 12 de Agosto, depois de uma viagem de 14horas e meia de autopulman, vindos de Nairobi. Durante a viagem não conseguimos ver o famoso Kilimanjaro pois estava encoberto! Conseguimos, isso sim, ir dormitando a espaços pois, apesar de ser um autocarro de luxo e de nós irmos nos dois lugares da frente, tínhamos aos nossos pés alguma da bagagem (impressora, computador, mochila de mão…)

A passagem na fronteira foi uma experiência verdadeiramente fabulosa! Primeiro tivemos todos que sair do autocarro para carimbar os passaportes com o visto de saída, no Quénia. Tornámos a entrar e, dez metros à frente, tornámos a sair, desta vez para carimbar o passaporte com o visto de entrada na Tanzânia. Não tivemos problemas pois tínhamos as autorizações de residência connosco (Residence Permit). A aventura maior foi tirar as bagagens (duas grandes malas, mais dois grandes sacos, tudo pesadíssimo :( ) para passar na alfândega. Aqui ficamos ligeiramente preocupados, pois pensámos que fosse preciso abrir tudo. Afinal, fazer as malas já tinha dado trabalho que se chegasse e tinha sido preciso bastante força para fechar duas delas. Felizmente acabámos por só abrir duas (as mais fáceis) pois enquanto andávamos às voltas com as chaves dos aloquetes, o funcionário perguntou o que tinham e nós respondemos roupa e calçado (o que era verdade), e ele limitou-se a por um visto com giz nas malas todas.

Lá seguimos viagem e chegámos a Dar-es-Salam perto das 21.30, hora local.
Tornámos a carregar com as malas e, depois de encontrarmos um taxista, lá nos pusemos a caminho. A noite estava quente (22graus), e via-se algum trânsito nas ruas.
Apesar de o Pe. Inverardi nos ter dado as instruções para chegarmos à casa, mesmo assim o motorista ainda teve que perguntar duas vezes o caminho!
Finalmente chegámos e tínhamos à nossa espera o nosso novo Superior, o Pe. Inverardi, que nos deu as boas vindas, acompanhadas de um jantarinho que nos soube pela vida! Não que tivéssemos fome, mas sim pela satisfação de termos chegado bem! Também tínhamos à espera as primeiras notícias de boas vindas. O Ricardo e a Elisabete ( outro casal de Leigos Missionários da Consolata) que estão a trabalhar em Moçambique, tinham mandado um e-mail no início do mês para quando nós chegássemos. Foi realmente uma alegria poder ler aquelas linhas em português!
O quarto onde nos instalaram parecia-nos de um hotel de 5estrelas!! Ventoinha, rede mosquiteira, cama super confortável, e com casa de banho! Estas últimas palavras podem parecer estranhas, mas depois dos dias (maravilhosos) que tínhamos passado no Quénia, com o mínimo de condições (às vezes sem casa de banho como as conhecemos) acreditem que parecia um hotel de luxo!

No dia seguinte pusemo-nos a caminho de manhã cedo, pois tínhamos mais uns 500km a percorrer até Iringa, nosso destino final.
Pelo caminho, feito desta vez num jipe, além de dormir a maior parte do tempo (é um facto, não sou grande companhia para viagens!) ainda deu para vermos macacos, girafas, zebras e até tirámos fotografias a uns elefantes que estavam mesmo à beira da estrada!
A estrada não é muito má (em especial se compararmos com o resto das estradas-caminhos daqui), mas está a ser “remendada” nalguns sítios; assim, de cada vez que fazíamos um desvio por causa das obras, os nossos ossos eram novamente chocalhados. A isto se chama, ossos do ofício!
Parámos em Morogoro, para tomar um cházinho e comer uma frutita. As papaias daqui são as mais doces!
Chegámos a Iringa ao princípio da tarde. Iringa fica num planalto, e eu sei isso porque quando vínhamos a subir eu vinha acordada! A subida fez-me lembrar as estradas portuguesas da zona de Trás-os-Montes e do Gerês. Mas assim que se entra na cidade, não mais se tem a noção de se ter subido tanto!
Nesta noite ficámos na Casa Regional, onde ao jantar tivemos oportunidade de comer um queijinho italiano, ou não fossem a maioria dos padres de Itália. As Irmãs que lá estavam ainda se lembravam do Paulo, dele lá ter estado no ano anterior!

No dia seguinte tornámos a levantar-nos cedo, pois era dia de festa em Mgongo! A Igreja ia ser consagrada. Ora digam lá se não há coincidências interessantes? Chegamos a tempo de tão importante festa! Além do mais, Mgongo será a missão onde vamos trabalhar, após terminarmos o curso de kiswahili. Fica mais/menos a uma distância de 45 min. de carro. As distâncias aqui são mais fáceis de medir em unidades de tempo, pois as estradas nem sempre são muito transitáveis.
A festa foi digna desse nome, cheia de cânticos e danças, bem ao estilo africano!
E de tarde ainda houve uma demonstração de Karaté, que os miúdos da Faraja House (Casa da Consolação, casa de acolhimento a crianças de rua), bem como algumas peças de “teatro” e músicas, feitas não só pelas crianças, mas também pelos coros.
A festa estava realmente muito boa, mas tivemos que vir embora, pois ainda tínhamos que dar entrada na escola onde íamos passar os próximos 4 meses.

A escola de kiswahili faz parte de um complexo que funciona como hotel e centro de conferências. É um centro Baptista mas os professores e todo o pessoal que aqui trabalha (desde cozinheiros até ao gerente) são de diversas religiões. Aliás, os alunos também! Neste momento somos 2 católicos (portugueses), 2 protestantes (japoneses), 2 anglicanos (ingleses), 1 presbiteriana (coreana) e 6ou7 baptistas (americanos) (estes últimos só chegaram à duas semanas por isso não sabemos muito sobre eles ainda).
Ou seja, além das diferentes religiões, temos diferentes nacionalidades. Só temos uma coisa em comum: somos todos «wazungos» - brancos/estrangeiros!

Este centro fica situado em Huruma que está a uma distância de +/-30min. a pé de Iringa. A estrada é sempre a direito e um terço dela é em terra batida. tendo em conta que o clima é extremamente seco, podem imaginar a poeirada!
Estamos também a uma distância de 1hora da Igreja da Consolata (que fica no ponto mais alto da cidade), 1hora e meia da Casa Regional, 15min. da Igreja de Don Bosco e meia-horita da casa das Irmãs da Consolata (estes dois últimos na mesma direcção).
Nota: todas as distâncias são percorridas a pé.

Iringa, em relação ao ano anterior quando o Paulo cá esteve, mudou um bocadinho. Agora existem pelo menos 5 “Internet café” (que de café só tem o nome), em comparação com o único do ano anterior, que ainda não estava a funcionar a 100%.
No entanto, não é por isso que haja mais das outras coisas!

Os nossos dias são passados quase todos aqui no centro.
Temos 5 horas de aulas por dia, à semana, das 8.00 às 12.30 e das 14.00 às 15.00.
Geralmente íamos à cidade depois das aulas, pelo menos 3 vezes durante a semana. Íamos até à net saber novidades e verificar o correio, dar uma volta pela cidade, passar pelo mercado, ir até à loja buscar algumas bolachas, enfim, passear. Nos dias que não íamos, ficávamos a dormir ou a estudar.
Nos fins-de-semana, aproveitamos para dormir mais um bocadinho e para estudar mais alguma coisa. Já temos ido jantar/almoçar à Casa Regional (depois o regresso é feito de carro que o Pe. Inverardi traz-nos ? ), já passámos um domingo em casa das Irmãs, ou então jantar a casa de um casal americano que conhecemos aqui nas aulas. Eles já terminaram o curso, mas continuámos a manter contacto.
Por aqui dá para ver que o ambiente é bom entre os alunos. Apesar das nossas diferenças, damo-nos bem!

Já tivemos algumas aventurazitas!
No primeiro domingo que cá passámos, fomos à missa à paróquia da Consolata (a tal que fica no ponto mais alto da cidade!). Pensámos que a missa era às 9.00 pois era isso que nos tinham dito. Lá nos levantámos cedo para ter tempo de comer alguma coisita antes de sair. Quando lá chegámos, esperámos que a eucaristia que estava a decorrer acabasse e fomos cumprimentar o Padre. Convidou-nos para um chá e conversámos um bocadinho. Conhece o Pe. Casimiro (que vem para cá em Janeiro) e disse-nos que, nesse domingo, ia haver casamentos. Bem, pensámos nós, mais uma nova experiência! E foi o que aconteceu! A eucaristia só começou já perto das 10.00 e os casamentos (14-quatorze) foram realizados no meio. Tendo em conta que o Padre pergunta a cada um dos nubentes as perguntas como nós as conhecemos… façam as contas! Apesar de tudo foi uma cerimónia muito bonita. A nossa sorte foi pelo caminho de regresso apanharmos boleia de um dos grandes aqui do centro. Senão íamos chegar atrasados para o almoço (13.00)!

Como a paróquia fica bastante distante, em especial se tivermos que ir a pé, optámos por ir à missa à Igreja de Don Bosco. As Irmãs da Consolata também lá vão, pois estão perto.
Da primeira vez que fomos, perdemo-nos!! Tinham-nos dito que era mais/menos 15 min., e que pelo caminho se via a torre com o sino. Passado mais de 10 min. a andar começámos a achar que não íamos bem. Mas, como aqui em África as distâncias são relativas, decidimos continuar a andar mais um pouco. Finalmente decidimo-nos a pedir ajuda. No pouco kiswahili que sabíamos, interpelámos um Mzee (senhor) que ia com a sua bicicleta e lá percebemos que tínhamos que fazer todo o caminho para trás novamente! O nosso engano tinha sido logo no início da caminhada!! Felizmente chegámos a tempo pois tínhamos saído com bastante antecedência!

As eucaristias em que participámos são sempre em kiswahili, o que é bom pois vamos habituando o ouvido à língua e vamos vendo até ponto já percebemos ou não. Seguimo-las por um livrinho que nos foi dado no Quénia e as leituras pelo Novo Testamento em kiswahili que trouxemos de Portugal.

Em cima escrevi que íamos à cidade ver a net, porque agora já não vamos mais! Desde a semana passada que temos ligação à Internet aqui no centro! Não é tão rápida e, às vezes durante a tarde, não funciona. Mas poupa-nos a viagem a pé à cidade e é mais barata. Na cidade meia hora (eles dão sempre 35 a 40 min.) custa 500tsh (shilingi Tanzaniano), aqui meia hora são 400tsh (com a vantagem de como eles não têm contador, às vezes fica-se sempre mais uns minutitos a acabar as conversas ou a descarregar o correio; mas não abusámos!).

O câmbio é qualquer coisa como 1 dólar dá entre 900 a 100tsh.
A viagem de daladala (autocarro) até à cidade são 100tsh, independentemente do ponto da estrada onde se entra. Uma soda (coca-cola, fanta, …) são 250tsh, uma embalagem de leite em pó Nido de 250gr. são 1700tsh, um iogurte são 125tsh, uma embalagem de Omo de 500gr são 500tsh, uma barrita de sabão (parecido com o nosso sabão azul ou cor de rosa, mas mais pequeno) são 100tsh.
Este são alguns preços que já sei mas ainda não dá para fazer uma boa ideia do custo de vida.
Se formos ao mercado comprar fruta ou arroz é aconselhável regatear os preços!
Um bom salário (a alguém que tem uma espécie de curso profissional) são 200tsh por dia.
O salário mínimo (que pouquíssima gente recebe) são 42 000tsh, bruto.

E prontos, assim é um pouco desta nova vida a nos estamos a habituar.
Acho que para começo já dá para fazerem uma ideia de como nós estamos.

Não percam as próximas aventuras (viagem de daladala :) ) nas próximas newsletters!

Beijinhos e abraços para todos e até à próxima!

Teresa e Paulo
LMC
Tanzania

Publicado por Teresa Silva em 04:18 PM | Comentários (0) | TrackBack