agosto 10, 2004

Newsletter #25

Olá a todos,

Cá estamos mais uma vez para o nosso encontro mensal.
Acabamos a última newsletter com o nosso safari pelo Ruaha.
No dia seguinte o P. Manel regressou à sua missão de Makambako e nós fomos visitar as Irmãs da Consolata.



O Copi e a Vivi tiveram oportunidade dever a Escola de Economia Doméstica gerida pela Ir. Adolfina, que é onde fazemos algumas das nossas compras alimentares. Depois aproveitamos para conversar um bocado em português com a Ir. Angelina, brasileira, enquanto saboreávamos um cafezinho.

Nessa noite tornamos a deitar-nos tarde, afinal Portugal jogava a passagem à final do Euro2004. Mas não ficamos desiludidos pois mais uma vez a equipa das quinas venceu. Eu até disse logo que a final ia ser como o jogo de abertura :-).


Para festejar um pouco da alegria futebolística, alguns miúdos da Faraja posaram, no dia seguinte, com a nossa bandeira.


Na sexta-feira, dia 2, era dia de festa. Eu festejava o meu aniversário e, como o Copi e a Vivi estavam de partida, iria realizar-se a despedida deles. Duas festas numa só.
Durante o dia fomos até à cidade comprar as sodas para o jantar e passamos no Mshindo, a paróquia da Consolata aqui em Iringa. Estava por lá o P. Daniel e ainda tivemos tempo para conversar um pouco. O P. Daniel, espanhol, trabalhou durante algum tempo com os leigos em Espanha e ficou entusiasmado com os planos dos nossos amigos de viram também para a Missão.



Durante a tarde chegou o P. Manel, pois no dia seguinte iríamos todos juntos fazer a viagem até Dar-es-Salaam.
A festa foi bonita, com cânticos, pequenos sketches humorísticos, prendas, sodas e, claro, bolo. Desta vez, até o P. Manel teve direito a ser “alimentado” e a fazer um pequeno discurso, uma boa oportunidade de por o seu kiswahili em prática que, por sinal, é já muito bom.


Sábado de manhã começamos a nossa viagem, mas antes ainda paramos na Casa Regional para dar as despedidas, e para dar um abraço ao P. Norberto e ao P. Lerma, que vieram até à Tanzânia para participarem no encontro de Animação Missionária Vocaional que se iria realizar nos dias seguintes.

Desta vez a nossa viagem até Dar, não foi directa pois para a “família” estar completa faltava-nos o P. Casimiro. Assim, paramos em Morogoro, onde ele já se encontrava e passamos lá a noite.



O aniversário do P. Casimiro tinha sido na sexta-feira, como eu, e para festejarmos todos juntos, os Padres Thomas e Symphorien (este último companheiro do P. Casimiro dos tempos de seminário) levaram-nos a jantar fora.

Domingo de manhã, depois de uma eucaristia bilingue (o missal existente no seminário de Morogoro é em Inglês, e a homilia, oração dos fiéis e partilha foi feita em Português) e do pequeno-almoço resolvemos seguir viagem.

Mas como não são muitas as vezes em que todos estamos juntos, não podíamos partir sem antes tirar a foto de família, e desta vez até tínhamos o lugar ideal para isso: a fonte onde se encontra o busto do Beato Allamano, Fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Infelizmente como já só estávamos nós, não dava para aparecermos todos. Desta vez foi o Paulo o sacrificado.

Chegamos a Dar-es-Salaam um pouco antes da hora do almoço e passamos o resto da tarde a recuperar as energias. À noite jogava-se a final.
Para o jantar, o P. Casimiro resolveu fazer-nos uma surpresa e levou-nos a jantar fora. Fomos a um restaurante italiano, mas desta vez ninguém pediu pizza, pois a especialidade era marisco.
Bem reconfortados por um jantar cheio de alegria, amizade e união, dirigimo-nos para casa, a tempo de ver o jogo. Desilusão das desilusões, desta vez não levamos a melhor. Paciência, para a próxima será melhor.

No dia seguinte de manhã fomos até à praia, e de tarde encontramo-nos com o Frank. Um amigo nosso que tínhamos conhecido no Quénia, aquando do encontro/peregrinação internacional dos jovens missionários da Consolata em Agosto/2002. Ele estava de férias e tinha vindo até Dar-es-Salaam visitar uns amigos.
O resto da tarde foi a ultimar as malas pois o avião era nessa noite.
Quem também estava em Dar-es-Salaam era o P. Willy, que tinha trabalhado em Portugal, e agora estava de férias no seu país.


Antes do jantar ainda houve tempo para uma última foto, e desta vez com todos presentes.


Apesar do Copi e da Vivi terem regressado a Portugal, nós ainda ficamos por Dar o resto da semana. Eram as primeiras férias do P. Casimiro e do P. Manel e aproveitamos para passar estes dias com eles.
Na quarta-feira fomos até Bagamoyo. Uma pequena cidade (quase aldeia) a 70km de Dar-es-Salaam, famosa pois foi um grande centro “comercial” na altura da escravatura.
Os Portugueses (pois claro) também por cá passaram, e Bagamoyo era o ponto de reabastecimento das naus nas suas viagens até à Índia.

A presença árabe é bastante forte, e as casas ainda mostram sinais da sua arquitectura.
Situada à beira do Índico é um dos pontos de atracção turística do país, mas um pouco mais de conservação por certo atrairia muitos mais.

A cidade tem um pequeno museu, o Museu Católico, que conta a história da cidade bem como a história da Igreja Católica na cidade.


A principal razão pela qual a missão de Bagamoyo foi criada, foi a escravatura. A ideia era comprar os escravos, para os libertar e formar. Isso era feito na missão católica de Zanzibar, estabelecida em 1860. Mas em 1868 o espaço da missão já não era suficiente e uma nova missão era precisa. Em Julho desse ano foi aberta a missão de Bagamoyo, que se tornou assim na primeira missão (não insular) na África Austral




Depois de um banho de cultura, achamos que caía bem um banho de mar.
Fomos até um dos hotéis/restaurantes que por aqui se encontram, onde encomendamos o almoço.
Enquanto não eram horas, podemos desfrutar das maravilhas da natureza que nos rodeava. Se nós achávamos que a praia em Dar-es-Salaam era boa, então aqui era simplesmente maravilhosa. Qual postal de promoção turística, a areia branca, o mar límpido e as palmeiras, proporcionaram-nos um excelente momento de comunhão com a natureza. Até se viam uns poucos de barquitos na sua faina.


Julho é mês do Saba Saba, literalmente, sete do sete; isto é, 7 de Julho. É a altura de uma grande feira nacional. Todas as regiões do país se reúnem num só local para apresentar as suas colheitas e os seu produtos tradicionais, para trocas e compras.
Bem… pelo menos era assim antigamente. Como tínhamos a sorte de estar em Dar na altura do Saba Saba, achamos que não podíamos perder esta oportunidade.
Assim, na quinta-feira, enchemo-nos de coragem para enfrentar o trânsito caótico desta cidade e fomos ver a feira. Ficamos um pouco decepcionados. Era realmente uma grande feira, até leões e cadeiras voadoras (daquelas que existem nas feiras populares) tinha, só faltava mesmo os carrinhos de choque. Mas quanto aos produtos da região… já não havia grande mostra. Havia isso sim, algumas regiões vizinhas representadas, Índia, Quénia, Emirados Árabes Unidos…, a promover os seus serviços e produtos (mais comerciais, que tradicionais) bem como stands de telemóveis, electrodomésticos, computadores e até um stand de automóveis.
Verdade seja dita que gente não faltava, e todos se mostravam bastantes animados. Ainda é uma tradição vir ao Saba Saba, mesmo que a feira agora seja outra.
No dia seguinte o P. Manel ficou por casa para resolver uns assuntos relativos à comemoração do Jubileu de Makambako, e nós fomos com o P. Casimiro outra vez até Bagamoyo.

Mas até as férias acabam, e era altura de regressarmos ao trabalho. Esta semana em que estivemos juntos serviu para partilharmos um pouco as nossas experiências, recuperarmos forças para o resto do ano e, mais importante, reforçou a nossa união. Afinal uma das características dos Missionários/as da Consolata é o espírito de família.


Sábado de manhã, bem cedinho, o P. Casimiro partiu para Sanza e nós, um pouco mais tarde, partimos para Iringa. Connosco foi também o P. Willy.
De regresso a casa, as aulas estavam a começar. O Paulo começou logo na segunda-feira, na escola primária. As minhas aqui na escola técnica só começariam passado duas semanas.



Na quarta-feira, dia 14, tivemos a visita dos Padres Inverardi, Norberto, Lerma e Brambilla ( este último Superior do Quénia), que vieram visitar a Faraja e a Chuo. O almoço partilhado foi bem animado e a conversa variava entre o italiano e o português. Foi também momento de reencontro. O P. Brambilla tinha sido companheiro de seminário do P. Franco e há mais de 30 anos que não se viam.
Aproveitámos também para combinar um encontro com o P. Lerma, que é o responsável pelos Leigos para o Instituto, pois ele desejava falar connosco acerca da nossa experiência aqui e para discutirmos alguns pontos, com vista ao encontro de leigos que se iriam realizar em Turim.



No fim da semana chegaram mais visitantes. Maria, Bruna e Lúcio chegaram a Mgongo para passarem uns dias. E no domingo houve festa de boas vindas a estes amigos que de novo regressavam.


Quem também regressou foi o P. Júlio. Depois de 3 meses de férias e exames médicos em Itália, voltou finalmente para onde o seu coração queria estar. A nós pareceu-nos que vinha um bocado pálido e mais cansado do que costumava estar. A verdade é que já são 80 anos de vida e mais de 50 de missão, e muitas vezes o corpo não corresponde ao espírito. Mas nada como os ares da missão, e passado alguns dias já parecia melhor.


Dia 26 era o dia previsto para começarem as aulas na escola técnica, mas devido à (pouca) quantidade de alunos regressados resolveu-se esperar um pouco mais.
Nesse dia tivemos outra surpresa, o P. Casimiro veio-nos bater à porta ao princípio da tarde. Tinha vindo até Iringa para tratar de uns assuntos da sua paróquia. Enquanto descansava e alimentava um pouco o corpo aproveitámos para por a conversa em dia, e como ele iria ficar por cá até sexta-feira resolvemos dar um salto a Makambako no dia seguinte e marcamos um almoço aqui em nossa casa para quinta.


Na terça fomos então visitar o P. Manel e connosco foi também o P. Moisés.
O P. Moisés Facchini, brasileiro, veio destinado para as missões na Tanzânia. Ele já cá tinha estado 4 anos a trabalhar, mas tinha sido há 20 anos atrás. A sua missão tinha sido Makambako, por isso aproveitou a nossa viagem para ver as mudanças que tinham ocorrido. E em 20 anos muita coisa tinha mudado! No entanto ele ainda se lembrava do nome de alguns dos que tinham sido seus alunos e tinha algumas fotos desse tempo. Encontrou um deles, agora já homem e pode assim relembrar velhos tempos.
Quem também foi seu “aluno” foi o P. Manel, na altura em que passou pelo Brasil. Aqui estão formador e formando, que se reencontram passado 20 anos.



Antes de virmos embora de Malambako, tornamos a fazer uma visitinha ao pomar da missão. Desta vez, além das goiabas o P. Casimiro aproveitou também para colher algumas laranjas.


E assim se passou mais um mês. Até à próxima,

Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia

Publicado por Teresa Silva em 01:19 PM | Comentários (1) | TrackBack

agosto 03, 2004

Safari no Ruaha

Os animais

Como safari sem bichos, não é safari que se preze, aqui estão as fotos de alguns espécimes que por aqui se encontram.

Por mera curiosidade, ficam também os seus nomes; o científico, em português (ou inglês) e em kiswahili.

Crocodilo - mamba - crocodylus niloticus


Hipopótamo - kiboko - hippopotamus amphibius


Elefante - tembo - Loxodonta africana




Macaco - ngedere - cercopithecus aethiops


Girafa - twiga - giraffa camelopardalis




Gazela - swala - gazella granti




Hornbill - hondo hondo - tockus erythrorhynchus (para quem viu o filme "The Lion King" este pássaro é o Zazou)

Galinha-da-guiné - kanga - numida meleagris

Zebra - punda milia - equus burcheli
(em kiswahili "punda" quer dizer burro e "milia" significa às riscas)




Dikdik - digidigi - rhynchotragus kirki

warthog - ngiri - phacochoerus aethiopicus (no mesmo filme é a personagem do Pumba)

Waterbuck - kuro - kobus defassa

Kudu - tandala - tragelaphus

Leão - simba - panthera leo
em abono da verdade eram mais leoas e as suas crias.







Nota: as informações referentes ao Parque, bem como os nomes dos animais foram retirados do livro "Ruaha National Park" publicado por Tanzania National Parks em cooperação com a African Wildlife Foundation.
As fotos são da autoria do P. Manel, IMC.

Publicado por Teresa Silva em 11:12 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 02, 2004

Safari no Ruaha

Os aventureiros

Entre alguns dos muitos visitantes que o Parque tem recebido ao longo deste ano, encontram-se 5 portugueses.

Teresa e Paulo. Os leitores deste blog já sabem o que andamos a fazer por aqui. O Paulo foi o nosso motorista e guia de serviço. Graças aos seus olhos perspicazes e ao um pequeno engano na condução :-), podemos finalmente ver leões.

O Copi e a Vivi são dois jovens que nos vieram visitar, e aproveitaram para conhecer um pouco melhor o país onde um dia esperam vir a trabalhar.

O P. Manel, missionário da Consolara, encontra-se desde Julho do ano passado a trabalhar aqui na Tanzânia. Todas as fotos deste safari são suas.

Publicado por Teresa Silva em 10:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 01, 2004

Safari no Ruaha

O meio ambiente

O Parque Nacional do Ruaha situa-se na zona central da Tanzânia e é o segundo maior do país, com uma área de 12950 kms quadrados.
O nome deriva do rio que atravessa o Parque na sua zona este, no nível mais baixo do Rift Valley.

Os baobabs são uma característica da vegetação existente no Parque, que inclui também tamarindos, acácias, palmeiras e figueiras selvagens.
Conta a lenda que estas árvores eram as mais vistosas da vegetação criada por Deus. Mas devido à sua extrema vaidade, Deus castigou-as e virou-as ao contrário, daí o seu aspecto característico, parecendo que têm as raízes fora da terra, em lugar dos ramos.


Aqui ficam mais algumas fotos do ambiente que se pode encontrar num safari através do Parque.

Publicado por Teresa Silva em 10:37 PM | Comentários (2) | TrackBack