Olá a todos,
O mês de Setembro iniciou-se bem, com alguns chuviscos. Nesta altura do ano é costume existirem alguns aguaceiros mas o ano passado só choveu em Dezembro, por isso estas chuvinhas são um bom sinal.


No primeiro domingo do mês a celebração eucarística foi diferente. Os miúdos vestiram-se de Wahehe (a tribo da zona de Iringa) e até alguns dos cânticos foram em kihehe. O motivo era a despedida “oficial” do P. Franco que em breve partiria para Itália para os seus exames médicos anuais.
Durante a tarde tivemos a visita do P. Tobias. Como já tínhamos dito no mês passado, ele veio para a Tanzânia passar uns dias com o objectivo de “desenferrujar” o kiswahili.
Aproveitamos para lhe mostrar a missão e dar-lhe conta dos nossos projectos. O P. Tobias era o Superior Regional dos Missionários da Consolata na altura em que os LMC se formaram, e foi ele quem fez os primeiros contactos que mais tarde nos trariam aqui.
Ele disse-nos que iria a Sanza, onde está o P. Casimiro, na semana seguinte, e depois seguiria para Makambako, onde está o P. Manel, para os seus exercícios linguísticos.
No sábado seguinte foi o jantar de despedida dos amigos italianos, bem como do P. Franco e, como o Paulo tinha feito anos uns dias antes também se festejaram nessa altura.
No domingo de manhã o P. Franco partiu então para Itália, mas não sem antes fazer algumas fotografias “de família”. Este ano o lugar escolhido foi sob a protecção da Mãe Consolata.
A meio da tarde mais uma visita portuguesa, desta vez era o P. Manel. Ele veio passar o domingo connosco pois no dia seguinte iria para a Casa Regional participar na Assembleia Regional dos missionários. Soubemos que o P. Casimiro viria também participar, e aproveitamos para combinar um almoço, os quatro, aqui na nossa casa.
Tendo os trabalhos terminado na quarta à noite, na quinta-feira, dia 16, o P. Manel e o P. Casimiro apareceram então por cá e, mais uma vez, a comunidade portuguesa na Tanzânia se juntou.
O almoço foi muito agradável e tipicamente português, no sentido em que demorou perto de duas horas devido à conversa que se ia estendendo pela tarde. Mas o P. Manel tinha que regressar a Makambako ainda nesse dia e por isso foi preciso terminar. Mas não sem antes nos divertirmos mais um bocadinho tirando algumas fotografias :-).
Parece mesmo que estamos a dirigirmo-nos a todos os que nos acompanham de longe, como que a desafiar a virem até cá, não acham?
Durante a semana trocamos o sistema de antena que tínhamos, de modo a podermos apanhar o sinal da RTPInternacional. Foi um bocadinho complicado pois Mgongo fica num vale bem protegido a toda à volta por montanhas e é difícil apanhar o sinal do satélite; pelo menos sem perder os dos outros canais já existentes. Mas depois de muito esforço lá se conseguiu e agora poderemos seguir as notícias de Portugal. Claro que além do noticiário também sempre vai dar para ver mais uns joguitos de futebol, o que muito agradou ao Paulo.
Na sexta-feira começou um pequeno período de férias (uma semana) para os alunos da primária entre a 1ª e a 6ª classe. Para os alunos da 7ª classe seria a altura dos exames finais.
No domingo à noite, dia 26, recebemos um convite do P. Manel para ir até Makambako, pois ele iria com o P. Tobias até Ikonda e assim nós aproveitávamos a boleia também.
Infelizmente, com os miúdos de férias iria ser complicado sair da Faraja, além de que umas das professoras também cá não estaria pois tinha sido chamada para vigilância numa escola da cidade.
Assim depois de muito pensarmos e de pesarmos os prós e os contras decidimos que iria só eu. O Paulo já conhecia Ikonda mas eu não. Além disso como só tenho aulas às quintas e sextas e ficando o Paulo a tratar dos miúdos achamos que era uma oportunidade a não perder.
Na segunda depois do almoço lá fui apanhar a camioneta até Makambako. Foi mais uma experiência interessante. A camioneta era um mini-autocarro e ia cheia até não poder mais com vários passageiros em pé. O espaço entre os assentos era bastante reduzido quase não havendo espaço para as pernas. A viagem até Makambako demorou 3horas e meia, mas graças a Deus correu tudo bem.
No dia seguinte saímos logo após o pequeno-almoço. Até Ikonda são cerca de 150km (três horitas) e os últimos 70 já é pelas montanhas e o caminho é todo de terra batida.
A missão de Ikonda fica a uma altitude de quase 2000 metros, no meio das montanhas e, à primeira vista, no meio de nenhures. Assim uma espécie de oásis montanhoso.
Mas a verdade é que existem muitas aldeiazitas e foi esse o motivo que levou o Instituto da Consolata a escolher esse local para construir um hospital. A região é bastante montanhosa, os acessos muito limitados e as populações bastantes carenciadas em termos de serviços.

Assim, quando em 1962 o hospital começou a ser construido foi como uma bênção que chegou aquelas terras.
Em Ikonda os Missionários e as Missionárias da Consolata trabalham em conjunto.
Devido à altitude que se encontra, Ikonda é bastante húmida e o verde nota-se muito mais do que em outras partes do país.
No complexo da missão existe também uma escola onde são formados técnicos de laboratório.
Além dos Missionários e Missionárias que aqui trabalham, Ikonda conta com a presença (praticamente constante) de amigos e voluntários que por aqui vão passando em períodos de tempo variável (desde um mês a alguns anos) que dão o seu contributo nos diferentes trabalhos necessários nesta Missão; desde serviços médicos até à construção em si.
Uma das Irmãs que lá trabalha foi a nossa guia pelo hospital, onde pudemos visitar o laboratório, o armazém onde os medicamentos são guardados e divididos, as diversas áreas (homens, mulheres e crianças) e onde os familiares dos hospitalizados ficam e cozinham.
Aqui na Tanzânia é costume, quando alguém tem que ir para o hospital, alguns membros da família acompanharem o paciente para tratarem da sua alimentação.
Mas fiquem com algumas fotografias
Nesta altura o hospital tem cerca de 250 camas e encontra-se em fase de expansão.
Estão a ser construídas novas áreas para os pacientes, e mais alguns laboratórios e salas de operação.
Depois do almoço fomos até à igreja paroquial de Ikonda, que também se está a tornar pequena. O sítio onde será construída a nova igreja já está destinado e em breve começarão os trabalhos.

Por volta das três da tarde pusemo-nos a caminho pois ainda iríamos passar em Kipengere, a missão onde o P. Camillo Calliari trabalha.
Kipengere fica a 2200metros altitude no meio de uma floresta de mimosas, eucaliptos e pinheiros.
Baba Camillo, como é conhecido, é mais um dos missionários que tem dedicado a sua vida ao serviço dos mais desfavorecidos e contribuído para o desenvolvimento (sustentável) das populações mais pobres de um dos países mais pobres de África. Com 65 anos de idade, 40 de África, Baba Camillo (ao centro na foto em baixo) continua com muitas ideias e projectos para, nas suas próprias palavras, “ajudar ao desenvolvimento do Homem de acordo com a Boa Nova”. É uma espécie de “homem dos sete ofício”, desde padre a carpinteiro, mecânico a electricista, caçador a agricultor, encontrando ainda tempo para o fabrico de queijo; de tudo faz um pouco ao serviço da promoção humana.
Um dos seus projectos foi a construção de um aqueduto. Ao longo dos anos colocou cerca de 210km de canais com mais de 80km de condutas que distribui água em 130 direcções diferentes, abastecendo assim várias populações daquela zona.
Agora já pensa em instalar uma fábrica para engarrafar água.
E com uma viagem tão enriquecedora terminou o mês de Setembro.
Desejamos a todos um bom mês Missionário e até à próxima.
Beijinhos e abraços
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
A propósito do feriado da Implementação da República, que se comemorou em Portugal nestes dias, lembrei-me de uma coisa engraçada.
Portugal em kiswahili, diz-se Ureno.
A palavra significa literalmente "O Reino" e vem dos tempos dos descobrimentos quando os nossos navegadores andaram por estas costas africanas. Ao apresentarem-se diziam que vinham do "Reino de Portugal", isto é, do reino. O reino, o reino, transformou-se em Ureno.
Outra curiosidade é a palavra utilizada para designar os estrangeiros, brancos. A palavra é "mzungo" que tem as suas raízes no verbo zunguka que significa "rodar, girar, andar por todo o lado" e foi primeiramente aplicada a quem? Aos portugueses, pois claro, já que eles fartavam-se de girar por todo o lado e foram dos primeiros estrangeiros brancos que por lá passaram.