Uma das maiores dificuldades para quem visita a Tanzânia é o sistema horário.
O dia é dividido em duas partes de doze horas cada; a parte diurna e a parte nocturna; e começa-se a contar as horas desde o nascer do sol, que é por volta das seis da manhã (mais coisa menos coisa). (Ao longo do ano não há variação significativa na quantidade de horas solares)
Assim, após uma hora do nascimento do sol é a "primeira hora do dia" (saa moja), às 8h da manhã é a "segunda hora" (saa mbili), ao meio-dia é a "sexta hora" (saa sita) e assim por diante, até que às 6h da tarde se chega à "décima segunda hora" (saa kumi na mbili). Termina o dia e começa a noite e continua-se a contar como de manhã, isto é, às 7h da tarde é a "primeira hora" (saa moja) outra vez.
Para os estrangeiros a forma de acertar nas horas tanzanianas é socorrerem-se de dois truques.
Se utilizam um relógio de ponteiros, basta prolongar a linha do ponteiro das horas no sentido oposto e ver o número correspondente. Por exemplo, se o ponteiro das horas estiver no 4, significa que é a "décima hora" (saa kumi)
Outra hipótese é um pequeno cálculo mental. Basta somar 6 ao número da hora. As 2h da tarde são a "oitava hora" (saa nane).
O mais estranho nisto tudo é que quase toda a gente usa relógio. Ainda não consegui perceber se é mesmo para ver as horas ou se funciona só como adorno :-).
Tanzânia, breve cronologia do país
1498 - Explorador Português Vasco da Gama visita a costa Tanzaniana.
1506 - Os Portugueses controlam a maior parte da costa da África oriental.
1699 - Os Portugueses são expulsos de Zanzibar pelos Árabes Omani .
1862 - É fundado o porto de Dar-es-Salaam pelo sultão de Zanzibar.
1884 - A Sociedade Germânica de Colonização começa a adquirir território no continente.
1886 - A Grã-Bretanha e a Alemanha assinam um acordo permitindo aos Alemães instalarem uma zona de influência no território continental da Tanzânia; exceptuando uma pequena parcela do território ao longo da costa que permanecia sob a autoridade do sultão de Zanzibar; enquanto os Britânicos gozavam de um protectorado sobre Zanzibar.
1905-06 - Revolta indígena Maji Maji, reprimida pelas tropas Alemãs. (Maji significa água em kiswahili, foi dado este nome à revolta porque um feiticeiro na altura convenceu a população que tomando uma determinada poção mágica as balas dos Alemães não lhes podiam fazer mal pois transformar-se-iam em água ao bater no corpo.)
Domínio Britânico
1916 - Tropas Britânicas, Belgas e Sul-Africanas ocupam a maior parte da África Oriental Germânica.
1919 - A Liga das Nações concede um mandato à Grã-Bretanha sobre Tanganyika - hoje o território continental da Tanzânia.
1929 - A Associação Africana de Tanganyika é fundada.
1946 - As Nações Unidas alteram o mandato Britânico sobre Tanganyika, Grã-Bretanha passa a ser responsável pela governação do país.
1954 - Julius Nyerere e Oscar Kambona transformam a Associação Africana de Tanganyika na União Nacional Africana de Tanganyika.
ndependência
1961 - Tanganyika torna-se independente com Julius Nyerere como primeiro-ministro.
1962 - Tanganyika torna-se uma república com Nyerere como presidente.
1963 - Zanzibar torna-se independente.
1964 - O sultanato de Zanzibar é removido pelo partido Afro-Shirazi numa revolução violenta da asa esquerda; Tanganyika e Zanzibar unem-se e formam a Tanzânia, com Nyerere como presidente e o chefe do governo de Zanzibar e líder do partido Afro-Shirazi, Abeid Amani Karume, como vice-presidente.
1967 - Nyerere publica a Declaração de Arusha, que proclama por igualdade, socialismo e auto-sustentação.
1977 - A União Nacional Africana de Tanganyika e o partido Afro-Shirazi de Zanzibar unem-se para formar o Partido da Revolução, que é proclamado como o único partido legal.
1978 - Ugandeses ocupam temporariamente uma parte do território Tanzaniano.
1979 - Forças tanzanianas invadem o Uganda, ocupando a capital, Kampala, e ajudando a derrubar o Presidente Idi Amin.
Política multipartidária
1985 - Nyerere retira-se da cena política e é substituido pelo presidente de Zanzibar, Ali Mwinyi.
1992 - Reforma constitucional permitindo a criação de vários partidos políticos.
1995 - Benjamin Mkapa é eleito como presidente da Tanzânia nas primeiras eleições multipartidárias.
Outubro de 1999 - Falecimento de Julius Nyerere.
2000 - Mkapa é eleito para um segundo mandato, ganhando com 72% dos votos.
26 Janeiro de 2001 - Polícia tanzaniana mata duas pessoas em Zanzibar num raide às instalações do partido Civic United Front (CUF).
O Secretário-geral do CUF Ibrahim Lipumba é acusado de promover manifestações ilegais e disturbar a paz.
27-28 Janeiro 2001 - Pelo menos 31 pessoas são mortas e outras 100 presas em Zanzibar em protestos contra a proibição governamental das manifestações da oposição que reclamavam novas eleições, o governo tanzaniano manda tropas como reforço.
Março de 2001 - O partido no governo, Chama Cha Mapinduzi, e a principal oposição em Zanzibar, Civic United Front, concordam em formar um comité conjunto para restaurar a calma e encorajar o regresso dos refugiados do Quénia.
Abril de 2001 - Milhares de apoiantes da oposição marcham pela capital comercial, Dar-es-Salaam, na primeira manifestação conjunta organizada pelos partidos da oposição em décadas.
Julho de 2001 - Uma nova e enorme mina de ouro, Bulyanhulu, abre perto da cidade de Mwanza, no norte do país, tornando a Tanzânia no terceiro maior produtor de ouro Africano.
Novembro de 2001 - Os presidentes da Tanzânia, Uganda e Quénia iniciam um parlamento regional e um tribunal de justiça em Arusha para legislar sobre assuntos do interesse comum tais como transacções comerciais e imigração.
Dezembro de 2001 - Grã-Bretanha aprova um acordo controverso para vender equipamento militar aéreo. Os críticos dizem que é um desperdício de dinheiro.
Junho de 2002 - Perto de 300 pessoas morrem no mais grave acidente ferroviário no país, depois de um comboio de passageiros sofrer uma falha eléctrica e chocar com outro comboio a alta velocidade. (a Tanzânia tem duas linhas ferroviárias que ligam Dar-es-Salaam à Zâmbia, e a Kigoma, na parte ocidental do país junto ao lago Tanganyika. Esta última tem uma ramificação em Tabora para Mwanza, na parte norte do país junto ao lago Vitoria. Na maior parte da linha só existe uma via.)

Agosto de 2002 - Oposição critica o presidente pela encomenda de um jet presidencial com um custo de 21milhões de dólares.
Março de 2004 - Presidentes da Tanzânia, Uganda e Quénia assinam um protocolo em Arusha sobre propostas alfandegárias, com o objectivo de relançarem as trocas comerciais.
Uma fotografia divulgada ontem em Londres mostra o cume do monte Quilimanjaro, o ponto mais alto do continente africano, praticamente sem neve ou gelo. Segundo os cientistas, esta é a primeira vez que tal sucede em mais de 11 mil anos, sendo que o fenómeno é atribuído ao aquecimento global.
A imagem está exposta no Museu da Ciência da capital britânica, e consta também de um livro que foi ontem distribuído a ministros da Energia e do Ambiente de 20 países, que se encontram em Londres a discutir a questão das mudanças climáticas no planeta.
Com 5 892 metros de altitude, o Quilimanjaro é o ponto mais alto de um maciço vulcânico que se estende entre o Quénia e a Tanzânia. Segundo os cientistas, o aquecimento global tem vindo a provocar profundas alterações neste maciço, que perdeu 80 por cento da área coberta por neve e gelo no último século e poderá ficar definitivamente descoberto em 2020.
A organização "Climate Change", que elaborou um relatório sobre os fenómenos climáticos a nível mundial, aponta o Quilimanjaro como um exemplo do que poderá suceder se nada for feito para alterar o rumo dos acontecimentos. No caso concreto, o desaparecimento da neve deste maciço poderá traduzir-se em alterações dramáticas em todos os ecossistemas das planícies que o envolvem.
Um dos símbolos do continente africano, o Quilimanjaro atrai anualmente milhares de visitantes de todo o mundo. A beleza deste monte inspirou o escritor norte-americano Ernest Hemingway no clássico de 1938 "As neves do Kilimandjaro", e serviu também de tema central em vários filmes de Hollywood. Apesar de se encontrar próximo do Equador, num clima tropical, a apenas três graus de latitude sul, a grande altitude do Kilimandjaro tornava possível a queda de neve e gelo.
O aumento das temperaturas, que segundo vários especialistas terão registado os maiores valores já registados em 1998, tem provocado degelos preocupantes noutros glaciares, nomeadamente no Tibete e nos Andes peruanos.
http://dn.sapo.pt/2005/03/16/sociedade/quilimanjaro_neve_pela_primeira_em_m.html
Olá a todos,
Fevereiro continuou chuvoso, ao contrário das notícias que nos iam chegando de Portugal, que nos davam conta da seca que por lá se estava a começar a sentir.
Logo a começar o mês tivemos uma boa notícia, o P. Gianni, que está na Casa Regional conseguiu finalmente por a funcionar a rede interna, e agora já posso usar o meu próprio pc para me ligar à internet.
No dia 3 falámos com o P. Casimiro pela rádio e confirmámos que ele vinha para a Assembleia Regional e, mais importante, ele disse-nos que estava tudo tratado para ir de férias a tempo de participar na festa da Consolata em Águas Santas.
O P. Manel fez anos dia 6 e assim, na segunda-feira dia 7, fomos até Makambako para festejarmos todos juntos. Aproveitámos que o dia seguinte, era o nosso dia de folga e passamos lá a noite. Era também Carnaval, mas aqui não há festejos carnavalescos, nem desfiles de máscaras.

Em vez disso resolvemos fazer um almoço especial, com um toque português, caldo verde! O P. Manel foi para a cozinha e além de ir dando as instruções às cozinheiras, pegou ele mesmo na colher e cozinhou também :-).
Eu fiquei encarregue de fazer o sumo para o almoço, sumo de cenoura e côco; que deu algum trabalho pois a máquina de sumos além de ser bastante velha já não era usada há muito tempo. Resultado, de 3 em 3 minutos tinha que parar pois o motor aquecia e até deitava fumo :-o)
Mas o resultado final foi muito bom, e todos gostaram; nós em especial pois o caldo verde estava mesmo apetitoso.
Na quarta-feira, já de regresso a Mgongo, realizou-se a imposição das Cinzas, marcando o início da Quaresma. Mais uma vez a Igreja encheu-se; alguns habitantes da aldeia não são católicos, mas vieram na mesma participar na eucaristia.
Na semana seguinte, dia 14, o P. Casimiro passou por cá a caminho da Casa Regional. Vinha de boleia, com os missionários de Heka (vizinhos de Sanza) mas como nós nos oferecemos para o levar mais tarde à Casa Regional, ele acabou por passar cá a tarde, o que deu para por a conversa em dia.
Na terça-feira, tivemos oportunidade de, mais uma vez, nos maravilharmos com o que as novas tecnologias fazem nos dias de hoje. Instalámos um programa novo no pc que nos permite fazer chamadas telefónicas através da internet, e falar com quem também utiliza o mesmo programa. Tivemos sorte e podemos dizer que fizemos uma mini-conferência, nós, os padres Casimiro e Manel na Tanzânia, o P. Zé Martins, o P. Marçal e o P. Tomás em Portugal. Até consegui falar com o meu irmão!
No dia seguinte, foi dia 16 de Fevereiro, uma data especial para os Missionários e Missionárias da Consolata pois celebra-se o dia do seu Fundador, o Beato José Allamano.
Homem de uma espiritualidade forte e com um carisma próprio, sempre atento aos sinais do seu tempo e capaz de ver mais além, com um forte amor pela Missão, animado de ardente zelo pelo bem dos irmãos e possuindo um vivo senso da missão universal da Igreja, levou-a a alargar os seus horizontes ao mundo inteiro, através da Fundação dos dois Institutos.
Na Tanzânia, a comunidade dos Missionários e Missionárias da Consolata, reuniu-se para festejar o seu Fundador, na casa das Irmãs Missionárias da Consolata, em Iringa.
![]() | ![]() | ![]() | ![]() |
Durante a eucaristia, que foi animada pelo grupo de Leigos Missionários da Tanzânia, foram também celebrados, em acção de gaças, 185 anos de serviço à Missão. O P. Pancotti e o P. Poloni celebraram 50 anos, o P. Mbuba 25, e a Irmã Gabrielina 60 anos. Com a Profissão Religiosa disseram o seu sim para se dedicarem ao anúncio do Evangelho, e à consolação dos mais desfavorecidos, seguindo o carisma dos Missionários e Missionárias da Consolata.
Na foto podem ver, da esquerda para a direita, a Irmã Virgiliana (superiora das Irmãs na Tanzânia), Ir. Gabrielina, P. Mbuba, P. Pancotti, P. Poloni e o P. Inverardi (superior dos Missionários na Tanzânia).
Durante a homília o P. Inverardi, lembrou a figura e o modo de actuação do Fundador, pondo em evidência o seu papel de pai, sempre presente (através das suas cartas) que tenta guiar os seus filhos e filhas através de princípios firmes mas sempre com carinho e amor.

O almoço, partilhado, foi realizado no novo espaço que está a ser construído na casa das Irmãs. Servirá para realizar encontros de formação e/ou momentos de convívio e faz parte do projecto Nyumba ya Furaha (Casa da Alegria); casa de acolhimento para “meninas de rua”, que está a cargo das Irmãs Missionárias da Consolata.
Após o almoço a tarde foi preenchida com cânticos e danças, de vários grupos ligados aos Missionários/as. É de destacar a actuação do grupo das meninas que fazem parte da Nyumba ya Furaha.
![]() | ![]() | ![]() |
Como todo o bom dia de festa, também este foi passado em família. Primeiro com toda a família dos Missionários e Missionárias da Consolata, e depois com a família portuguesa aqui presente. Os P. Manel e Casimiro deram-nos a honra de passarem o resto do dia em nossa casa, e jantamos todos juntos.

No dia seguinte de manhã, o Paulo levou-os de regresso à Casa Regional, mas antes ainda tiveram a oportunidade de visitarem a escola técnica daqui e a escola primária de Mgongo; foi para verem como é que dávamos as aulas :-).
Ao longo do mês, o Paulo esteve a preparar algum material didáctico para a escola primária. Tal como a maioria das escolas das aldeias deste país, também esta tem carência deste tipo de material, causando algumas dificuldades aos professores e alunos.

Logo no primeiro ano, o Paulo tinha feito um pequeno mapa para o ajudar nas suas aulas de catequese. O Director da escola achou que estava tão bem feito que pediu logo para ficar com ele.
Desta vez foram cartazes para as primeiras classes, com as letras, números, algumas palavras com os respectivos desenhos (como se via no tempo em que nós andávamos na primária), também alguns cartazes para as aulas de ciências dos mais velhos – o aparelho digestivo, o aparelho respiratório – e ainda material para as aulas de Inglês. O P. Casimiro deu uma ajuda na colocação dos cartazes.
Como é habitual durante a Quaresma, todas as sextas-feiras faz-se a Via-Sacra.
Este ano o P. Franco, que recebeu de Itália o dvd do filme “A Paixão de Cristo”, achou que seria interessante todos assistirmos. Assim, todas as sextas, juntamente com a Via-Sacra, temos estado a ver o filme, cada sexta-feira vê-se uns 15/20 minutos. O filme está legendado em Inglês mas, tirando os alunos da escola técnica, a maior parte dos miúdos e a população da aldeia não tem conhecimentos suficientes, portanto o P. Franco vai fazendo a tradução. No entanto é um facto que uma imagem vale mais que mil palavras, e todos conseguem entender bem o que passa no pequeno ecrán.

No último domingo do mês, o Evangelho contava-nos a história da Samaritana que se encontra junto ao poço de Jacob com Jesus. Mais uma vez, o elemento visual funcionou como complemento à homília que o P. Franco realizou pois o Paulo, com a ajuda de alguns miúdos, fizeram um poço em papel e uma das meninas do coro fez de Samaritana.
E com este sinal quaresmal despedimo-nos deixando já os votos de uma Boa Páscoa para todos.
Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Tambor ou batuque, ngoma em kiswahili


