Olá a todos,
Esta é a newsletter número 36. Se tivesse sido feita uma newsletter por mês, isto daria 3 anos de newsletters. Apesar de não ter sido o caso, a verdade é que são quase 3 anos que estamos na Tanzânia a trabalhar como Leigos Missionários da Consolata. O que significa que estamos realmente a chegar ao fim da nossa estadia aqui. Um turbilhão de pensamentos e sentimentos vai-nos assaltando à medida que o dia marcado para a partida se aproxima. Alegria por regressar a casa, tristeza por deixar esta gente e esta terra.
Com todos estes sentimentos um pouco contraditórios, lá vamos continuando a viver o nosso dia-a-dia.
Comecemos onde terminamos na última newsletter.
Os exames que o P. Júlio fez no hospital ditaram a sua ida para Nairobi. Uma operação ao coração impunha-se pois tinha um pequeno problema numa artéria.
Assim, dia 3, veio de Nairobi um avião-ambulância até ao aeroporto de Nduli – que fica a meia-hora da nossa missão de Mgongo – para levá-lo. O Ir. Boniface acompanhou-o e assim ficámos nós e o P. Franco na missão.
Na sexta-feira, dia 6, o P. Júlio foi operado e correu tudo bem. A recuperação foi normal, tirando uma pequena infecçãozita que surgiu devido em parte ao descuido da enfermeira, e em (grande) parte por culpa do P. Júlio que, apesar dos seus mais de 80 anos, continua bastante activo e não gosta de estar quieto sem fazer nada :-).
Dia 15, dia de Pentecostes, teve alta e foi para a Casa Regional em Nairobi onde permanceu mais uns dias, uma vez que seria necessário fazer alguns testes no hospital. Dia 26 regressou a Dar-es-Salaam, juntamente com o Ir. Boniface, onde continua em repouso.

Na segunda-feira, dia 9, fomos até Makambako ter com o P. Manel. Tinhamos combinado uma ida a Mbeya, uma das cidades mais importantes da Tanzânia para o dia seguinte.
Assim depois do pequeno-almoço metemo-nos à estrada.
O caminho é bom de se fazer pois está em boas condições.
A estrada é a que leva à fronteira com o Malawi e por onde transitam diaremente centenas de camiões. A paisagem é um pouco diferente da nossa zona; bastante verde, bastantes montanhas, a fazer lembrar a Suiça (segundo o P. Remo).
Apesar da sua importância, Mbeya é uma cidade pequena e muito pacata. Visitamos a Catedral que é dedicada a Sto. António.
E, como bons portugueses, achamos que devia ser Santo António de Lisboa, e não de Pádua como estava escrito, e resolvemos emendar :-).
Nesse dia, em São Paulo, foi eleito o novo Superior-Geral dos Missionários da Consolata e os seus conselheiros.
É a direcção mais internacional que o Instituto já teve, o que demonstra bem o carisma dos Missionários da Consolata. Não seria nada de extraordinário, por exemplo, encontrar um missionário Tanzaniano que fale Português e esteja a trabalhar na Coreia!
A nova direcção está assim constituída:
• P. Aquileo Fiorentini, Superior-Geral, 53 anos, brasileiro;
• P. Stefano Camerlengo, Vice-Superior, 48 anos, italiano, missionário na República Democrática do Congo;
• P. Francisco Lopez Vasquez, Conselheiro para a Europa-Ásia, 51 anos, espanhol, missionário na Coreia do Sul;
• P. António de Jesus Fernandes, Conselheiro para a América, 37 anos, português, missionário no Roraima;
• P. Matthew Ouma, Conselheiro para África, 41 anos, queniano, missionário no Quénia.
Olá a todos,
Começamos o mês de Abril com a viagem de regresso de Dar-es-Salaam para Iringa. Quando chegámos à Casa Regional a notícia que nos esperava era do novo internamento do Papa João Paulo II. As notícias não eram nada animadoras.
E no dia seguinte à noite o nosso Santo Padre pode finalmente descansar na morada do Pai; depois de uma vida dedicada ao serviço do Evangelho, depois de milhares e milhares de kilómetros percorridos, de ser exemplo e inspiração para milhares e milhares de pessoas no mundo inteiro.
Eu pessoalmente recordo a oportunidade que tive em 2001 de estar presente numa das suas audiências. O Santo Padre passou à distância de um braço de onde eu estava! Em muitos vai deixar saudades, mas por certo que ganhámos
Durante essa semana as notícias foram quase exclusivamente de Roma culminado com o funeral na sexta-feira. Devido ao meu trabalho ser maioritariamente “de interior” pude acompanhar toda a cerimónia através da televisão.
Domingo, dia 10, começou em S. Paulo no Brasil o Capítulo dos Missionários da Consolata e o Capítulo das Missionárias da Consolata. Os dois Institutos reúnem-se assim para fazerem um balanço dos anos passados e programarem o futuro. Ficamos muito felizes por saber que, apesar dos Missionários e das Missionárias reunirem separadamente, irão acontecer momentos de trabalho conjunto.
Para nós também é importante este Capítulo pois irá falar-se também da realidade laical.
Ao longo da semana ultimamos também a nossa viagem de regresso. O tempo que aqui estivemos passou a correr e chegou a altura de pensar em regressar. Assim podemos já dizer que regressaremos a Portugal dia 27 de Junho.
Na sexta-feira dia 15 tivemos a visita da Ir. Judith. A Ir. Judith é tanzaniana mas está a trabalhar na Colômbia, fazendo equipa com a Ir. Graça, portuguesa e nossa bem conhecida.
Como veio de férias a Ir. Graça pediu-lhe para se encontrar connosco para trocarmos notícias e nos entregar umas lembranças.
Fizemos uma “visita guiada” à missão de Mgongo, falamos em kiswahili e em “espanholês” e soubemos um pouco de como é a sua missão na Colômbia.

A seguir ao almoço fomos até à Casa das Postulantes onde a ir. Judith tinha iniciado os seus estudos.Para nós também foi agradável lá voltar, pois já há muito tempo que não visitávamos as Irmãs.
A Ir. Judith aproveitou para relembrar tempos antigos e juntou-se aos trabalhos. A felicidade foi ainda maior pois reencontrou-se com a sua mestra.
Na terça-feira seguinte, como eu tinha bastante trabalho para fazer no computador e precisava de usar a internet por mais tempo do que o costume, passei a noite na Casa Regional.
Por lá estavam também o Bispo Chengula, e o P. Osmar.
Na altura em que nos encontrávamos a rezar as vésperas começamos a ouvir os sinos a tocar. O fumo que surgia da Capela Sistina era branco.
Fomos para a sala da televisão onde em breve se juntaram as Irmãs e o P. Pancotti.
Foi um momento muito significativo e feliz, não só por a escolha do novo Papa ter terminado, mas também porque mais uma vez estávamos reunidos, como família.

Dia 21 fizemos a festa de despedida do Mwalongo. Seminarista da Consolata, fez o Noviciado em Maputo e esteve uns tempos a trabalhar aqui na Missão de Mgongo enquanto aguardava a altura de rumar a Itália para prosseguir os seu estudos.
A festa foi na sala de jantar da Chuo (escola técnica) e foi bem animada, como sempre, com cânticos e pequenos teatrinhos protagonizados não só pelos alunos da Chuo mas também pelos rapazes da Faraja. Para terminar houve o habitual bolo.
No dia seguinte bem cedo, o Mwalongo partiu para Dar-es-Salaam para apanhar o avião. Mas ainda houve tempo para uma última fotografia.
Na sexta-feira o P. Casimiro apareceu-nos aqui em casa. Tinha vindo a Iringa para tratar de uns assuntos relativos à missão e regressava a Sanza no dia seguinte. Não tivemos muito tempo juntos, mas deu para matar saudades e acertar algumas coisas relativas à viagem dele. Aproveitámos para dizer que o P. Casimiro chega a Lisboa dia 16 de Junho por volta das 11.30 da manhã, via Zurique.

Como já há algum tempo que não se fazia nenhuma representação durante a eucaristia, no domingo, dia 24, os rapazes encenaram algumas passagens do Evangelho alusivas ao tempo pascal. Desde a ressurreição, até ao aparecimento de Jesus aos discípulos e a história de S. Tomé, passando pelos discípulos de Emaús.
Os rapazes aplicaram-se bem na representação, ajudados também pelo seu talento natural para o teatro. Todos gostaram muito e alguns cânticos específicos foram preparados.
Dia 26 foi feriado nacional. Foi o terceiro feriado este mês. Neste celebrou-se a união entre Zanzibar e Tanganyaka, donde surgiu a República da Tanzânia.
Com o aproximar do fim do mês começou a época ventosa. O frio começa a aparecer.
Como já vem sendo habitual nos últimos tempos tornamos a ficar sem telefone. Desta a culpa foi do vento que deitou abaixo um poste.
Mesmo no último dia o P. Júlio tomou conta da nossa atenção. Nos últimos dois dias andava um bocado em baixo, sentindo-se muito cansado. E assim, no sábado, foi para o hospital de Ipamba, em Tosamaganga, para realizar alguns exames.
Chegámos assim ao fim de mais um mês e de mais uma newsletter.
Até à próxima.
Beijinhos e abraços
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
Esperamos que as vossas festas pascais tenham corrido bem.
Por aqui o mês de Março foi um pouco “agitado”.
A chuva que estava a cair regularmente parou e fez-se sentir um calor pouco habitual nesta zona do país, durante as primeiras semanas. Tanto assim foi que o milho começou a espigar antes do tempo e as populações já estavam a deitar as mãos à cabeça de preocupação com a perda das colheitas. Graças a Deus, no Domingo de Ramos a chuva voltou e ainda foi possível salvar alguma coisa.
Entretanto alguns azares foram-nos acontecendo. Primeiro foi o carro que utilizamos. Dois pneus furados em pouco espaço de tempo e depois a bateria. É que as estradas por aqui tem bastantes buracos, e com tantos solavancos o suporte da bateria acabou por partir, o que fez com que o líquido se entornasse; resultado, tivemos que comprar uma bateria nova.
Depois foi o meu computador que resolveu, mais uma vez, pregar-nos um susto. De um momento para o outro deixei de ter imagem no écran. Ora mandar arranjar estava fora de questão, pois sendo um écran de um portátil, mais valia comprar um novo! A solução foi ligar-lhe um monitor externo, para poder continuar a trabalhar. Mas tal como a chuva, o monitor resolveu aparecer no Sábado de Aleluia! Ainda não contente, no Domingo de Páscoa tornou a “sumir” e só reapareceu depois da eucaristia. Penso que terão sido os cânticos alegres que se fizeram ouvir que lhe deu força e confiança para continuar a trabalhar :-) .
Até ao momento tem estado a funcionar bem, mas cruzo sempre os dedos quando ligo o computador ;-).
E em relação às aulas, foram realizados os primeiros exames sendo os resultados, mais uma vez, muito desanimadores.
Mais sério do que isto foi o facto de alguns dos miúdos mais velhos terem sido “convidados” a irem passar uns dias para suas casas, para “arejarem as ideias”. É que foram apanhados a roubar, desde canetas e cadernos, até açúcar e arroz . Há hábitos difíceis de perder.
Como podem ver, a vida nem sempre é fácil por aqui, mas vamos levando com a Graça de Deus e tentando proporcionar o melhor e ajudar no crescimento destas crianças.
Passando a coisas mais alegres.
Logo no primeiro dia de Março o P. Manel passou por aqui, a caminho de Morogoro, onde iria ficar durante uma semana para dar um mini-curso de internet aos seminaristas.
E no dia seguinte a Ir. Zita ligou-nos a convidar para participarmos da Eucaristia que se iria realizar no domingo de tarde, como conclusão do encontro de Leigos Missionários da Consolata da Tanzânzia.
O momento alto seria o compromisso feito por cerca de 30 elementos.
Depois de 3 anos de formação e acompanhamento pelos Missionários e Missionárias da Consolata, assumiram o seu compromisso numa cerimónia litúrgica bastante simples mas muito significativa.

O celebrante foi o P. Inverardi, superior dos Missionários, e presente estava também a Ir. Virgiliana, superiora das Missionárias. Na breve homilia que fez, o P. Inverardi, fez uma espécie de síntese do trabalho que tinha sido feito ao longo destes 3 anos de formação sobre o carisma dos Institutos e do fundador, o Beato Allamano, focando 3 aspecto: o ser leigo, o ser missionário, e o que significa ser da Consolata. No final cada um dos leigos recebeu, pelas nossas mãos um terço e um livrinho de orações também usadas por todos os missionários e missionárias, para assim estarem em comunhão com a família consolatina. Foi um gesto simbólico mas que mais uma vez nos fez sentir o quão bem recebidos temos sido na Comunidade dos Missionários e Missionárias da Consolata aqui na Tanzânia.
Os elementos do “Wamisco” (leigos missionários da Consolata) são na sua maioria catequistas, chefes de comunidade ou pertencentes a outros grupos pastorais. São jovens com uma média de 40 anos, que estão a dar os primeiros passos nesta nova realidade, que também se faz sentir em “países de Missão”. Depois de terem recebido tanto dos missionários/as, agora sentem que chegou a altura de darem também eles um pouco do muito pouco que têm, e assumirem a sua missão como cristãos: anunciar o Evangelho, levando a consolação a todos.

Chegados à Semana Santa, as celebrações pascais começaram como habitualmente com o Domingo de Ramos. Mais uma vez muitas pessoas das aldeias vizinhas vieram até à Missão para participarem da liturgia do dia.
Este ano, na cerimónia do Lava-pés na Quinta-feira Santa, o celebrante foi o P. Júlio. E depois do jantar, os diferentes grupos dos rapazes foram passando pela igreja para um momento de Adoração.
Sexta-feira Santa realizou-se a Via Sacra, e como já se via tornando um hábito aqui na Faraja, foi com quadros vivos. Notamos que a população tem vindo a aumentar de ano para ano.
E como as imagens falam melhor que as palavras, aqui fica uma pequena amostra.
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Sábado realizou-se a Vigília Pascal. Este ano não houve baptizados, apenas a apresentação dos futuros catecúmenos. São cerca de 30, entre rapazes e raparigas e uns poucos de jovens adultos.
A celebração começou com a benção do Fogo Santo e a procissão do círio, representando a Luz de Cristo.

E no domingo tivemos uma das celebrações mais animadas e alegres. Os cânticos estavam especialmente bem ensaiados, os rapazes cantaram com alegria que lhes vinha do coração. Cristo tinha verdadeiramente Ressuscitado e isso notava-se em todas as pessoas. O almoço foi “em família”, com a comunidade missionária de Mgongo, e à noite jantamos todos na Faraja, aproveitando para fazer a festa de despedida de duas nossas benfeitoras que cá passaram três semanas.
Segunda-feira de Páscoa seguimos viagem para Dar-es-Salaam. Mais do que aproveitar uns dias de férias, o assunto que lá nos levava era a nossa viagem de regresso.
Por incrível que pareça estava na hora de começar a tratar disso.
Ver qual a melhor data, conciliar com a viagem da minha mãe até cá, e todo esse tipo de coisas.
Num dos dias fomos até à missão de Kigamboni para cumprimentar os Padres Dario, Verna e Lucciano. O Paulo já há muito tempo que não via nenhum deles e aproveitámos para ver a nova Igreja que já tem portas e janelas (se se lembram, quando eu por lá passei em Janeiro ainda estavam à espera do contentor que estava preso no porto).
Na vigília de Sábado Santo fizeram a primeira celebração lá e encheram a Igreja. Infelizmente eu não estava com a máquina fotográfica e não fiz fotos, mas acreditem que a Igreja além de bonita é muito grande por dentro. Na próxima oportunidade vocês vêem as fotos.
E assim chegou ao fim mais um mês.
Beijinhos e abraços para todos.
Até à próxima,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
Fevereiro continuou chuvoso, ao contrário das notícias que nos iam chegando de Portugal, que nos davam conta da seca que por lá se estava a começar a sentir.
Logo a começar o mês tivemos uma boa notícia, o P. Gianni, que está na Casa Regional conseguiu finalmente por a funcionar a rede interna, e agora já posso usar o meu próprio pc para me ligar à internet.
No dia 3 falámos com o P. Casimiro pela rádio e confirmámos que ele vinha para a Assembleia Regional e, mais importante, ele disse-nos que estava tudo tratado para ir de férias a tempo de participar na festa da Consolata em Águas Santas.
O P. Manel fez anos dia 6 e assim, na segunda-feira dia 7, fomos até Makambako para festejarmos todos juntos. Aproveitámos que o dia seguinte, era o nosso dia de folga e passamos lá a noite. Era também Carnaval, mas aqui não há festejos carnavalescos, nem desfiles de máscaras.

Em vez disso resolvemos fazer um almoço especial, com um toque português, caldo verde! O P. Manel foi para a cozinha e além de ir dando as instruções às cozinheiras, pegou ele mesmo na colher e cozinhou também :-).
Eu fiquei encarregue de fazer o sumo para o almoço, sumo de cenoura e côco; que deu algum trabalho pois a máquina de sumos além de ser bastante velha já não era usada há muito tempo. Resultado, de 3 em 3 minutos tinha que parar pois o motor aquecia e até deitava fumo :-o)
Mas o resultado final foi muito bom, e todos gostaram; nós em especial pois o caldo verde estava mesmo apetitoso.
Na quarta-feira, já de regresso a Mgongo, realizou-se a imposição das Cinzas, marcando o início da Quaresma. Mais uma vez a Igreja encheu-se; alguns habitantes da aldeia não são católicos, mas vieram na mesma participar na eucaristia.
Na semana seguinte, dia 14, o P. Casimiro passou por cá a caminho da Casa Regional. Vinha de boleia, com os missionários de Heka (vizinhos de Sanza) mas como nós nos oferecemos para o levar mais tarde à Casa Regional, ele acabou por passar cá a tarde, o que deu para por a conversa em dia.
Na terça-feira, tivemos oportunidade de, mais uma vez, nos maravilharmos com o que as novas tecnologias fazem nos dias de hoje. Instalámos um programa novo no pc que nos permite fazer chamadas telefónicas através da internet, e falar com quem também utiliza o mesmo programa. Tivemos sorte e podemos dizer que fizemos uma mini-conferência, nós, os padres Casimiro e Manel na Tanzânia, o P. Zé Martins, o P. Marçal e o P. Tomás em Portugal. Até consegui falar com o meu irmão!
No dia seguinte, foi dia 16 de Fevereiro, uma data especial para os Missionários e Missionárias da Consolata pois celebra-se o dia do seu Fundador, o Beato José Allamano.
Homem de uma espiritualidade forte e com um carisma próprio, sempre atento aos sinais do seu tempo e capaz de ver mais além, com um forte amor pela Missão, animado de ardente zelo pelo bem dos irmãos e possuindo um vivo senso da missão universal da Igreja, levou-a a alargar os seus horizontes ao mundo inteiro, através da Fundação dos dois Institutos.
Na Tanzânia, a comunidade dos Missionários e Missionárias da Consolata, reuniu-se para festejar o seu Fundador, na casa das Irmãs Missionárias da Consolata, em Iringa.
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Durante a eucaristia, que foi animada pelo grupo de Leigos Missionários da Tanzânia, foram também celebrados, em acção de gaças, 185 anos de serviço à Missão. O P. Pancotti e o P. Poloni celebraram 50 anos, o P. Mbuba 25, e a Irmã Gabrielina 60 anos. Com a Profissão Religiosa disseram o seu sim para se dedicarem ao anúncio do Evangelho, e à consolação dos mais desfavorecidos, seguindo o carisma dos Missionários e Missionárias da Consolata.
Na foto podem ver, da esquerda para a direita, a Irmã Virgiliana (superiora das Irmãs na Tanzânia), Ir. Gabrielina, P. Mbuba, P. Pancotti, P. Poloni e o P. Inverardi (superior dos Missionários na Tanzânia).
Durante a homília o P. Inverardi, lembrou a figura e o modo de actuação do Fundador, pondo em evidência o seu papel de pai, sempre presente (através das suas cartas) que tenta guiar os seus filhos e filhas através de princípios firmes mas sempre com carinho e amor.

O almoço, partilhado, foi realizado no novo espaço que está a ser construído na casa das Irmãs. Servirá para realizar encontros de formação e/ou momentos de convívio e faz parte do projecto Nyumba ya Furaha (Casa da Alegria); casa de acolhimento para “meninas de rua”, que está a cargo das Irmãs Missionárias da Consolata.
Após o almoço a tarde foi preenchida com cânticos e danças, de vários grupos ligados aos Missionários/as. É de destacar a actuação do grupo das meninas que fazem parte da Nyumba ya Furaha.
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Como todo o bom dia de festa, também este foi passado em família. Primeiro com toda a família dos Missionários e Missionárias da Consolata, e depois com a família portuguesa aqui presente. Os P. Manel e Casimiro deram-nos a honra de passarem o resto do dia em nossa casa, e jantamos todos juntos.

No dia seguinte de manhã, o Paulo levou-os de regresso à Casa Regional, mas antes ainda tiveram a oportunidade de visitarem a escola técnica daqui e a escola primária de Mgongo; foi para verem como é que dávamos as aulas :-).
Ao longo do mês, o Paulo esteve a preparar algum material didáctico para a escola primária. Tal como a maioria das escolas das aldeias deste país, também esta tem carência deste tipo de material, causando algumas dificuldades aos professores e alunos.

Logo no primeiro ano, o Paulo tinha feito um pequeno mapa para o ajudar nas suas aulas de catequese. O Director da escola achou que estava tão bem feito que pediu logo para ficar com ele.
Desta vez foram cartazes para as primeiras classes, com as letras, números, algumas palavras com os respectivos desenhos (como se via no tempo em que nós andávamos na primária), também alguns cartazes para as aulas de ciências dos mais velhos – o aparelho digestivo, o aparelho respiratório – e ainda material para as aulas de Inglês. O P. Casimiro deu uma ajuda na colocação dos cartazes.
Como é habitual durante a Quaresma, todas as sextas-feiras faz-se a Via-Sacra.
Este ano o P. Franco, que recebeu de Itália o dvd do filme “A Paixão de Cristo”, achou que seria interessante todos assistirmos. Assim, todas as sextas, juntamente com a Via-Sacra, temos estado a ver o filme, cada sexta-feira vê-se uns 15/20 minutos. O filme está legendado em Inglês mas, tirando os alunos da escola técnica, a maior parte dos miúdos e a população da aldeia não tem conhecimentos suficientes, portanto o P. Franco vai fazendo a tradução. No entanto é um facto que uma imagem vale mais que mil palavras, e todos conseguem entender bem o que passa no pequeno ecrán.

No último domingo do mês, o Evangelho contava-nos a história da Samaritana que se encontra junto ao poço de Jacob com Jesus. Mais uma vez, o elemento visual funcionou como complemento à homília que o P. Franco realizou pois o Paulo, com a ajuda de alguns miúdos, fizeram um poço em papel e uma das meninas do coro fez de Samaritana.
E com este sinal quaresmal despedimo-nos deixando já os votos de uma Boa Páscoa para todos.
Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
O novo ano de 2005 começou bem, com a promessa de boas colheitas uma vez que o mês de Janeiro foi bastante chuvoso.
No dia 1, durante mais uma bela celebração eucarística, todos os benfeitores da Faraja foram lembrados. A oração dos fiéis foi feita pelos rapazes, com preces que eles prepararam. Uma delas foi dirigida especialmente a Portugal, aos nossos familiares e a todos os amigos que, através de nós, têm ajudado estes rapazes a terem uma vida um pouco melhor.
Almoçamos junto com o resto da comunidade e, já estávamos quase a terminar quando a luz falhou.
Uma constante que se verificou ao longo de todo o mês. Desta vez a causa tinha sido uma àrvore que tinha caído por cima de um cabo de alta tensão.
Esta primeira semana foi algo interessante. Conseguíamos saber com antecedência quando a iríamos ficar sem luz. A partir das 2.00horas da tarde começava a escurecer e passado um pouco começam a ouvir-se os trovões ao longe. Era certo e sabido que vinha aí a chuva e a luz ia-se embora.
Quem está na cidade não sente tanto, mas aqui no meio do campo é uma experiência interessante.
Sente-se a chuva, não só o barulho mas também o cheiro, ainda ela está a uns kilómetros de distância. O que permite às pessoas regressarem a casa com antecedência. Claro que tem os seus inconvenientes, em especial para os rapazes que são obrigados a ficar dentro de casa. A maior parte deles aproveitou para dormir a sesta, até porque com a trovoada não se podia fazer mesmo mais nada. Os mais pequeninos ainda apanharam uns sustos, houve um dia em que a trovoada estava mais forte e alguns raios caíram bem no meio dos nossos campos.
No dia 6, dia de Reis, chegaram-nos mais algumas prendas!
O JMC (jovens missionários da Consolata) de Águas Santas mandaram-nos algumas lembranças. Foi uma autêntica surpresa que nos encheu de alegria. Não só pelas coisas doces e boas que lá vinham, mas principalmente pelo facto de se terem lembrado de fazer isso. Mais do que as coisas em si, é o gesto que conta, foi o gesto que nos tocou no coração.Eram duas caixas cheias de embrulhos. A minha primeira reacção, como pessoa prática que sou, foi pensar que eles não precisavam de ter embrulhado nada, afinal tinham poupado umas gramas no papel e na fita-cola. Mas depois também pensei em todo o carinho que eles tinham posto no trabalho de embrulhar cada uma das coisas. Aliás ainda nos rimos um bocado. Cada embrulho vinha com um post-it a dar pistas sobre o que viria lá dentro e, em vez de simplesmente rasgar o embrulho, tentávamos primeiro adivinhar o que era. Quem me conhece sabe como eu sou a abrir prendas, tiro a fita-cola com todo o cuidado para não estragar o papel e só depois é que abro. Já podem imaginar como o Paulo não estaria, com tanto tempo que demorámos a abrir tudo :-) !
Já agora aproveito para dizer que os chocolates foram partilhados com os mais pequeninos. Uma das prendas era uma espécie de calendário do Advento. Cada dia era uma janelinha que ao abrir descobria um chocolate. Como de vez em quando os miúdos vêm cá, ou trazer o pão, ou ajudar a carregar as compras, ou outras coisas; foram eles que iam escolhendo os números e deliciando-se com a surpresa.

Como o aniversário do P. Franco é a 4 de Janeiro, e o do P. Júlio é a 12, no domingo, dia 9 fizemos a celebração dos dois. O almoço foi na Faraja, e depois tivemos o habitual espaço de entertenimento com músicas e alguns teatrinhos feitos pelos rapazes.
A terminar não faltaram as prendas e o bolo. O P. Franco completou 66 anos de idade, e o P. Júlio 81.
Para continuar os festejos realizou-se uma partida de futebol. A ocasião serviu também para os rapazes estrearem um equipamento novo. É que o Paulo tinha descoberto equipamentos do FC Porto à venda em Iringa. Os rapazes acharam piada e ficaram muito satisfeitos com as prendas. Durante a partida houve golos para os dois lados, mas a equipa vencedora foi a de azul :-) !
Ao fim da tarde chegou o P. Manel. No dia seguinte ia para Dar-es-Salaam tratar de assuntos da paróquia dele e, como eu também precisava de ir, ia aproveitar a boleia.
Com ele veio também o seminarista Hyacinth Mwallongo. Ele irá seguir os seus estudos em Itália, mas enquanto não chega o tempo de partir ficará aqui em Mgongo a fazer uma pequena experiência e dar uma ajuda nos trabalhos da Missão.
Segunda de manhã lá fomos de viagem.
Como não tínhamos lugar para ficar na Casa Procura, fomos para a missãode Kigamboni, onde fomos muito bem recebidos pela comunidade de lá está: P. Verna, P. Luciano Scaccia e o P. Dario Rampin, com quem já tínhamos estado em Matembwe.
Da esquerda para a direita: P. Verna, P. Manel e o P. Dario.

Kigamboni é uma missão bonita e está sempre cheia de criançasA igreja paroquial também é muito bela, mas já não é suficiente para a população e está a precisar de alguns reparos. Uma igreja nova já está a ser construída e só ainda não tem as portas colocadas devido à burocracia do país. É que as dobradiças e o resto do material estão num contentor no porto de Dar-es-Salaam à espera de ser desalfandegado. E isto já lá vão dois meses.
Na quarta-feira fomos para a Procura e encontramos lá o P. Osmar Zuccato que, após um período de tempo a trabalhar no Brasil, regressou mais uma vez à Tanzânia.
O P. Osmar irá trabalhar para a missão de Madege, que fica nas montanhas.
Da esquerda para a direita podem ver o P. Luciano, P. Verna e o P. Osmar.
Dar-es-Salaam é uma cidade grande e é fácil uma pessoa se perder, em especial na “baixa”.
Mas com algumas indicações que o P. Parola nos tinha dado lá fomos capazes de descobrir todos os sítios a que precisávamos de ir. Ficámos a conhecer um pouco mais a cidade e até descobrimos alguns atalhos que nos permitiam fugir ao trânsito caótico da cidade. Nas ruas vendem-se de tudo um pouco. Desde sapatos a mobília. Nos semáforos encontram-se sempre alguns alguns vendedores com os jornais do dia ou fruta e àgua.
Domingo começamos a viagem de regresso. O P. Osmar aproveitou a boleia e veio connosco.
Como a viagem é um pouco longa resolvemos passar a noite em Morogoro.
Segunda de manhã fizemos o resto do caminho e almoçamos todos na Casa Regional, onde já lá estava também o Paulo.
Para não atrapalhar muito o trabalho na Faraja tinhamos decidido trocar o nosso dia de folga, de terça para segunda.
Durante a semana começaram as aulas na escola primária.
E na semana seguinte começaram a chegar os alunos da Escola Técnica. Este ano no primeiro ano são 22 alunos, 5 dos quais são rapazes que vieram da Faraja.
Apesar de não ficarmos cá o ano lectivo completo, o Paulo continua a dar catequese à 7ª e à 6ª classes. Eu darei matemática e Inglês ao 1º ano e Inglês ao 3º ano.

Junto com as aulas, os rapazes continuam a tratar dos campos. Faz parte do trabalho deles aqui. Além de aprenderem a trabalhar a terra é também uma forma de melhorar um pouco a alimentação. Milho e feijão são as culturas mais usadas, e desde os maiores aos mais pequenos, todos ajudam no trabalho do campo.
A fechar o mês tivemos a apresentação dos professores e alunos da escola técnica, para na semana seguinte começarmos as aulas com força.
Até à próxima
Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos
Continuando com o mês de Dezembro, a segunda quinzena começou com a novena de Natal. Diariamente, pelas 6.00h da tarde, todos nos juntamos para rezar, reflectir e preparamo-nos da melhor forma para festejar condignamente a chegada do nosso Salvador, o Deus-Menino.
Além dos que estamos aqui na missão, também participaram algumas pessoas da aldeia.
Este mês recebemos também mais quatro rapazes. Da esquerda para a direita: Geito, Robati, Kwaresima e Kestoni. O mais pequenino (Geito) deve ter à volta dos 6 anos e tem um problema na perna. Veio da paróquia de Ipogolo. O pároco já o tinha levado a Dodoma para ver se o podiam operar, mas como ele estava subnutrido não era possível realizar a operação. Assim veio até à Faraja para pedir ajuda.
No dia 20 o P. Franco festejou 40 anos de sacerdócio. Ele não tinha dito nada a niguém, mas como nós sabíamos preparamos-lhe uma surpresa. Nos dias anteriores, os rapazes aprenderam uma música italiana para lhe cantar (Servo per Amore – Gen Rosso) e o Paulo e o Zamoyoni fizeram uma pequena lembrança. É fantástica a capacidade que este povo tem para a música. Com a ajuda do computador ouviram a música umas 4 ou 5 vezes, depois escrevemos a letra no quadro e em dois dias tinhamos um grupo de rapazes que sabia a música de cor. Podem imaginar a surpresa e alegria do P. Franco quando, ao fim da tarde, nos dirigimos ao escritório e ele começa a ouvir aquela melodia na sua língua materna.
O Natal aproximava-se e iam-se fazendo os últimos preparativos.
Desde a decoração da Igreja, com a construção do presépio, até à preparação das prendas, este reforçadas com alguns mimos doces vindos de Portugal que nos chegaram pelo correio.
Dia 21, terça-feira, apanhamos um susto (eu especialmente). Como era o nosso dia off fomos, como habitualmente, até à cidade. Passamos na casa das Irmãs da Consolata para deixar as boas festas, e por isso quando chegamos à Casa Regional já eram quase horas do almoço. Assim que só tive tempo de preparar o computador e deixar tudo em ordem para depois acabar de fazer o postal de Boas Festas e enviá-lo.
Após o almoço, quando me dirigi à sala do computador, estranhei que ele estivesse desligado, mas tornei-o a ligar.
Eis senão quando me aparece uma mensagem muito suspeita no ecrán. Dizia-me que o windows não podia iniciar porque um ficheiro tinha desaparecido ou sido corrompido. Como nestas coisas não há nada como tornar a experimentar, voltei a desligá-lo e a reiniciar. Nada. A mensagem era a mesma. Aqui comecei a ficar preocupada, será que se tinha avariado?
Aproveitando a internet aqui da casa fui falando com um e com outro, e até encontrei nesse dia o P. Pedro Louro, que está na Coreia. Mas não havia maneira de resolver o problema.
A solução eu tinha-a em casa, era só pegar nos cds originais do sistema e usá-los. Mas isso seria a última hipótese pois se fizesse isso perderia toda a informação que tinha no disco; documentos, emails, fotos... Quem já passou por algo semelhante pode imaginar como me estava a sentir. Nesta altura devem estar a pensar: “Existe uma coisa muito útil que se chama backups!”. Pois... eu realmente já tinha começado a fazer isso, mas ainda não tinha conseguido gravar tudo. Já tinhamos 5 cds de fotos gravados, mas ainda faltavam outros tantos!!
À noite falei com o P. Manuel, a ver se descobríamos alguma forma de resolver a questão, ou pelo menos tentar aceder ao disco para poder recuperar as minhas coisas.
Entre as sugestões dele, mais a ajuda do meu irmão e os cds do P. Gianni, na quinta-feira lá consegui resolver o problema, pelo menos temporariamente. Foi um alívio quando o pc finalmente arrancou e pude verificar que toda a informação lá continuava. Foi a minha prenda de Natal! Já podem imaginar que os tempos livres que se seguiram foi para fazer os famosos backups de tudo o que era importante ;-).
Daí o porquê das newsletters se terem atrasado.

Logo pela manhã do dia 24 algumas das pessoas mais desfavorecidas que a missão ajuda juntaram-se no recinto da Faraja para receberem as suas prendas de Natal. Roupa e alguns bens alimentares foram distribuidos, não é muita coisa mas ajudou a tornar o seu Natal um pouco melhor.

A missa do Galo realizou-se às 9.00h da noite e, apesar de já ser bem escuro contou com a presença de bastantes pessoas da aldeia. Foi muito bonita com procissões e cânticos, bem ao estilo africano.
Depois, por volta das 10.30h os rapazes juntaram-se todos na sala da televisão, à espera que chegasse o Pai Natal. E ele veio! Entre a entrega das prendas e algumas piadas que ele ia contando as horas passaram sem darmos conta.
Claro que nestas coisas do Natal, os mais pequeninos são quem mais se diverte, mesmo se o Pai Natal os obriga a alguma ginástica antes de lhes entregar a prenda.
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Na eucaristia de Natal tivemos um baptizado e uma vintena de primeiras-comunhões. Desses, 12 eram rapazes da Faraja.
O ofertório foi também muito vivo com quase metade da assembleia a participar.
As ofertas eram variadas e não ficavam pela simples moedinha. Um cesto de fruta, alguns vegetais, ... todos deram alguma coisa e tudo acompanhado de um cântico bastante vivo no dialecto local que é o kihehe.
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O almoço de Natal foi em conjunto; nós, os missionários, os rapazes, os professores e as crianças da aldeia que tinham feito a primeira comunhão.
Correu tudo muito bem e estávamos a preparar-nos para uma tarde bem passada entre jogos e brincadeiras. Mas o tempo trocou-nos as voltas, pois começou a chover com bastante força e inclusive trovejou forte.
À noite lá comemos por fim o tradicional bacalhau. Mas desta vez com uma variante.
Como tínhamos recebido bacalhau suficiente para nós, resolvemos partilhá-lo com a nossa comunidade, e assim o P. Franco cozinhou o bacalhau à moda da terra dele e nós fizemos bacalhau à brás. Pode não ter sido o jantar de Natal à portuguesa, mas foi um bom momento de partilha e comunhão nesta época tão especial.
O dia 26 de Dezembro, também conhecido por aqui como Boxing Day, irá ficar na história da humanidade recente como um dos mais trágicos. Inicialmente era “só” um tremor de terra que tinha atingido a costa tailandesa de que as notícias falavam, mas à medida que as horas passavam e as informações iam sendo actualizadas começou a revelar-se a enormidade da tragédia.
Também aqui na Tanzânia se sentiram os efeitos. Cerca de uma dezena de pessoas, na sua maioria jovens que se encontravam na praia, morreram devidos às ondas. Em Zanzibar vários barcos de pesca foram destruidos.
À noite foi a mostra dos presépios que os diferentes grupos tinham feito durante os tempos livres das férias..
Houve muitas palmas e prémios, e rebuçados para todos.
Aqui ficam umas pequenas amostras da criatividade dos nossos artistas.
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Na quarta-feira, dia 29 o P. Manel veio visitar-nos para também festejarmos o Natal “em português”. Só faltou mesmo o P. Casimiro, mas Sanza fica longe e nesta altura do ano é quase impossível viajar por causa das chuvas. O jantar tornou a ser bacalhau, mas desta vez assado na brasa! Foi o Paulo que o preparou e eu fiz batatas a murro para acompanhar. Digam lá se não está com óptimo aspecto :-) !
Depois de pormos as novidades em dia, o resto da noite passou-se em volta do computador. Eu e o P. Manuel estivemos “entretidos” a por o meu pc em ordem. Que é como quem diz, formatamos o disco e instalamos tudo de novo. Já podem imaginar que foi até de madrugada! Mas pelo menos, os problemas desapareceram de vez e agora é como se tivesse um computador novo.
No dia 31, ao princípio da noite, tivemos uma pequena celebração de Acção de Graças, pelo ano que passou e preparamo-nos para festejar à meia-noite.
Às doze badaladas do novo ano, juntamo-nos a alguns dos rapazes que tinham aguentado até essa hora e às professoras e brindamos a 2005.
Esperamos que a vossa passagem tenha sido tão alegre e boa como a nossa, e que todos tenham entrado no novo ano da melhor maneira.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
Como na última newsletter não incluimos fotos dos últimos dias de Novembro, e para um melhor seguimento aos acontecimentos, vamos voltar um bocadinho atrás.
Fomos para Dar-es-Salaam no domingo, 28 de Novembro, e chegamos por volta das 16.30h. Como de costume eu estava estourada da viagem, não sou eu que conduzo e muitas vezes venho a dormitar, mas aqueles 600km são mesmo puxados, e depois o calor, abafado e húmido, que se começa a sentir assim que entramos na região de Dar-es-Salaam, é demais. Por isso eu fiquei em casa a descansar, e o Paulo lembrou-se de ir tomar uma soda ao barzito da praia a que costumávamos ir. Eram 18.30h (já quase escuro) e ele ainda não tinha vindo.
O jantar na Procura é às 19.00h, de modos que comecei a estranhar. Chega a hora do jantar e nada. Ainda por cima não havia maneira de contactar com ele pois o telemóvel tinha ficado comigo. Os minutos iam passando e não havia maneira do Paulo chegar. No fim do jantar eis que finalmente chega. Tinha ficado “preso” com o carro porque um engraçadinho resolveu estacionar mesmo atrás dele, e para a frente também não podia sair porque tinha uns mecos. Ele bem tinha ido ao bar a perguntar se o carro era de alguém, mas ninguém se tinha “acusado”. Quando o fulano finalmente veio, estava num tal estado que o Paulo achou por bem não fazer grande barulho, além de que nunca se sabe quando não apareciam alguns compinchas do fulano para ajudar à festa.
O Paulo estava de tal maneira furioso que decidiu logo que não íamos mais para aquela praia.
Sendo assim resolvemos ir, na segunda-feira, para Kigamboni. Sempre tínhamos querido lá ir (já nos tinham dito que o mar lá é 5 estrelas) mas não sabíamos como. O P. Júlio deu-nos as indicações e disse-nos o resort onde havíamos de ir.
Deixem-me explicar como são os “resorts” por estas bandas. É um hotel na praia, com bangalows, restaurante e afins; mas pode-se ir só por um dia, almoçar lá ou só tomar qualquer coisa e estar na praia.
Para se chegar a Kigamboni temos que apanhar o ferry. Não é uma ilha, mas o caminho por terra são 40km, de maneira que é mais directo atravessar no ferry.
O Paulo não gosta muito até porque não há muitos anos houve um acidente e um ferry afundou-se e passado algumas semanas ainda havia corpos a dar à costa, mas prontos nem é assim tão mau. A viagem são entre 5 a 10 minutos e demora-se bem mais à espera que ele arranque; é que só quando está cheio é que parte, é para rentabilizar os custos (digo eu).
O sítio, em Kigamboni, é espectacular e os funcionários são bastante simpáticos. Depois de lá chegarmos encomendamos logo o almoço (marisco pois claro) e fomos para a praia. Eu fui logo para o mar.
Ainda choveu um bocadito, mas no geral o dia correu bem.
Na terça-feira resolvemos ir até Bagamoyo onde tínhamos estado em Julho (lembram-se da newsletter?). O dia prometia sol mas, ainda pelo caminho, começou a chover.
Pensávamos nós que iria abrandar ou isso mas quando lá chegamos até parecia que chovia mais! No entanto, resolvemos ficar e pedimos o almoço para as 11.30h, na esperança que o sol abrisse e pudéssemos aproveitar toda a tarde. Engano nosso! Ficamos dentro do restaurante, a apreciar a chuva e comigo embrulhada na toalha (é que o restaurante não tem paredes e o tempo estava fresco).
A dada altura o Paulo lembra-se de ir dar uma volta pela praia, mesmo a chover. Quando se preparava para sair do restaurante vem um trovão daqueles fortes de deitar tudo abaixo, nem sei como não falhou a luz. As coisas acalmam e passado um pedaço o Paulo decide ir outra vez. Levanta-se e… mais um trovão (desta vez mais fraco). Alguém não queria que fossemos à praia nesse dia. Nesta altura já estávamos a contar o tempo para almoçarmos e virmos embora. Valeu pelo passeio e pela comida que é boa.
Eu vim a viagem para casa a dormitar (são há volta de 70kms) e o Paulo disse que durante 40km choveu torrencialmente!
Por volta das 16.30 chegou o P. Casimiro com o pessoal dele e combinamos levá-los no dia seguinte a Kigamboni, sempre era mais perto.
Lá fizemos mais uma travessia de ferry e, pelo caminho caíram umas pinguitas de chuva. Encomendamos o almoço para o meio-dia, pelo sim pelo não, não fosse repetir-se a chuva do dia anterior .
Deu para dar um bom mergulho pois a água estava simplesmente deliciosa. O pior era cá fora pois as nuvens estavam a juntar-se e não estava calor nenhum.
O irmão do P. Casimiro ainda deu umas voltas pela praia e descobriu uns barquitos. Eu vi-os foi na água.
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Entretanto começa a chover (outra vez!) e fomos para dentro do restaurante esperar pela hora de comer. Assim que almoçamos viemos embora.
Na quinta-feira, como era véspera de os familiares do P. Casimiro se irem embora, eles preferiram ficar por casa, para arrumarmos as malas. E falo no plural porque, além das malas deles, o irmão do P. Casimiro fez-nos o favor de levar uma mala com coisas nossas para casa.
De manhã demos um salto ao mercado das estátuas e artesanato, para eles comprarem os últimos recuerdos. Como nos despachamos cedo, eu e o Paulo ainda demos um salto à praia que fica aqui perto (a tal que o Paulo disse que não ia mais). O sol estava interessante, a água é que é pouca. Tem-se que andar bastante até termos uma altura decente e tem bastantes rochas. De tarde fizemos a “ronda” pelos supermercados para levarmos coisas que não se encontram em Iringa.
Estavam a ser umas férias mornas uma vez que ainda não tínhamos tido um dia completo de sol.
Na sexta-feira bem cedinho, 6.30h, fomos até ao aeroporto levar o pessoal que ia de regresso para o frio. Partiram felizes pois, apesar de o tempo cá passado ter sido bastante curto (10 dias) sempre deu para matar um bocadinho as saudades e ver “in loco” a realidade tanzaniana onde o P. Casimiro trabalha.
Às 10h decidimos ir outra vez para Kigamboni.
Desta vez, esteve um verdadeiro dia de praia e pudemos disfrutar das maravilhas da natureza que a Tanzânia tem para nos oferecer. Inclusivé deu para almoçar na praia.
Feitas as escolhas para o almoço, foi tempo de nos deliciarmo-nos no Indico. Podem ver pela foto como a água é mais do que suficiente. Não é preciso andar quilómetros para podermos mergulhar e nadar à vontade. E não se perde o pé facilmente. E até tem algumas ondas! Tem algumas algas, coisa pouca, e a temperatura é excelente!
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Há uma hora, em ponto, vieram dizer-nos que o almoço estava pronto e se queríamos que fosse servido na praia. Como o tempo estava bastante agradável dissemos que sim.

O P. Casimiro e o Paulo tinham pedido camarões mas desta vez eu pedi pizza Hawaiana. A fruta que lá vinha resumia-se a ananás e cebola, e tinha também uns bocadinhos de peixe (que mais parece carne, muito bom). O prato deles consiste em camarão grelhado com salada, vem acompanhado de batata frita e pedimos também pão de alho. Os preços são bastante convidativos. Claro que para o tanzaniano comum é um pouco caro, mas para nós até nem são maus. Por exemplo, o prato de camarões grelhados são 6000tsh (à volta dos 5€), cada um dos pães (que é do tamanho de um crepe) custa 1000ths (menos de 1€) e a minha pizza foi 3500ths (perto de 3€). Claro que, como em todos os sítios, o mais caro são as bebidas. Se for um sumo natural (o de maracujá é excelente) são 1000ths, as sodas saem a 700ths (mais/menos 0.50€) e a cerveja nacional (que até é bastante agradável, e é meio litro) custa 1200ths.
Aquela moleza boa que dá depois de um bom almoço aliada ao tempo excelente que se fazia sentir e ajudada pela sombra das palmeiras ajudou ao descanso da tarde, enquanto não eram horas de ir ao banho outra vez. Eu aproveitei para tirar umas fotos ao sítio.
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Entretanto o Paulo já tinha feito amizade com o pessoal dali e tinha descoberto que um dos empregados era de Pawaga e tinha sido baptizado pelo P. Crema, e outro tinha sido baptizado pelo P. Franco, que também tinha ajudado alguém da família nos estudos.
Fomos outra vez ao banho e dava para notar que tanto eu como o Casimiro tínhamos apanhado uma “corzita”. Eu foi quase por todo o lado, o P. Casimiro foi mais nos joelhos.. A culpa foi do mar, estava sempre a ir à água… não dava tempo para por creme :-).
Escusado será dizer que nessa noite foi um bocadinho mais chato adormecer, por causa do “calor” que sentia.
Antes de virmos embora ainda vimos camelos. Lá no resort podemos inscrever-nos para andar de camelo, cavalo e até de burro!
No sábado o P. Casimiro regressou a Sanza e nós fomos para… o sítio do costume. Desta vez com o Carlo, um rapaz italiano que esteve na Tanzânia a passar umas semanas, a ajudar no seminário de Morogoro, e agora vinha para Dar enquanto o dia do voo de regresso não chegava. Eu já o conhecia, de quando tinha estado em Itália em 2001
Estávamos meio desconfiados do tempo, não estava muito calor e viam-se algumas nuvens um pouco escuras ao longe. A verdade é que choveu mesmo, o que não foi impedimento para que as crianças que lá estavam se divertissem na mesma.
Mas depois que a chuva passou… O dia esteve mais uma vez excelente.
À vinda embora o Carlo tirou-nos uma foto e podem ver a cor que “ganhei”
Sim, sim, eu sei! Estava ligeiramente queimada. Mas na semana seguinte tinha uma cor muito decente e bonita (ou como disse o P. Daniel quando me viu: uma cor de rica :-)).
Como a missa dominical na Procura é ao sábado ao fim da tarde, no domingo de manhã estávamos livres para, mais uma vez irmos dar uma volta.
Levamos o Carlo até ao mercado de artesanato e descobrimos um sítio novo também onde se podem arranjar bastantes pinturas. Como nos disse um dos vendedores, o que está a dar agora é a arte Masai. Vejam algumas amostras.
Durante essa semana, regressaram de férias mais dois missionários.
O P. Lumetti, 85 anos de idade e mais de 60 de África; que trabalha em Makambako, junto com o P. Manel.
O P. Giorda, 77 anos de idade, mais de 50 de África; que trabalha em Tosamanganga.
Chegou também o P. Marini, ecónomo geral do Instituto.
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Enquanto uns regressavam de férias, havia também quem estivesse de férias aqui na Tanzânia.
O P. Lucio, italiano, veio cá passar uns dias com uns amigos. Foi ele que começou o projecto da Faraja House, antes de o P. Franco ir para lá. Vejam-no aqui ao lado do P. Giullio, todo sorridente (o P. Lucio é o do chapéu.)
Depois destas mini-férias, na segunda-feira, dia 6 regressamos a casa.
Apesar de a escola primária já ter terminado, os miúdos (alguns) ainda iam para a escola.
O motivo era trabalhar os campos da escola e dos professores, para preparar as colheitas.
É costume por aqui assim acontecer. Desde a escola primária, até à secundária, parte do trabalho dos alunos é no campo. Na maior parte das escolas secundárias (que são internas) esta é a única maneira de os alunos terem alimentação ao longo do ano.
Por aqui, na escola técnica, preparava-se o próximo ano. Entre o dia 8 e o dia 10 realizaram-se os exames de admissão e as respectivas entrevistas.
Este ano entram 6 rapazes da Faraja que terminaram a Darasa La Saba.
As chuvas também parece que chegaram com força. Em Iringa e em outras missões tem chovido bastante, mas aqui em Mgongo ainda não é suficiente. Mas apesar de não ser muita, já é o bastante para que certos bichinhos menos agradáveis apareçam. Como por exemplo cobras e escorpiões. É por esta altura que eles são mais frequentes e é preciso ter-se um certo cuidado. Nós andamos sempre com botas ou sapatilhas, mas os miúdos ou andam de chinelos ou então, o que é mais comum, descalços.
Por acaso não foi nenhum dos rapazes que encontrou o espécimen que está ao lado, mas sim o Paulo. Teve o bom senso de, quando sentiu algo estranho a puxar a meia, não fazer nenhum movimento brusco ou podia ter sido picado. Eu sei que são perigosos, mas até são uns bichinhos interessantes, não acham?
E assim se passou a primeira quinzena de Dezembro.
Esperamos que tenham gostado das fotos!
Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
O mês de Novembro começou com duas novas chegadas à Faraja.
O primeiro, mais pequeno, foi o Joseph, tem à volta de 6 anos e vivia com a avó e mais dois irmãos. Como a avó não tinha meios suficientes para sustentar os netos todos veio até nós pedindo ajuda. O segundo é o Ezequia, tem à volta dos 10 anos e é seropositivo.

Estava em Dodoma num centro para crianças seropositivas, mas como o Centro estava a ficar sem condições, antes que fechasse, as irmãs da Consolata recolheram-no e trouxeram-no até à Faraja. Aqui poderão ter uma infância normal e frequentar a escola. Para o Ezequia é um bocadinho mais complicado. Devido à sua condição específica, algumas vezes não lhe é permitido participar nalgumas das brincadeiras dos colegas como subir às árvores ou jogar à bola, por exemplo. Tem também uma alimentação reforçada o que por vezes causa problemas aos outros rapazes, em especial os mais novos, que não percebem bem o porquê do tratamento um pouco diferenciado. Todos os dias toma um cocktail de 6 comprimidos. Há pouco tempo os medicamentos estavam a acabar e não se conseguiam encontrar em Iringa, só em Dar-es-Salaam. A sorte foi que uma Irmã da Consolata estava de viagem de Dar para Iringa e trouxe-nos os medicamentos, e assim o Ezequia não precisou de saltar nenhuma toma.
No dia 12 foi o Dia de Graduação para os alunos da escola técnica. Acabaram o curso 19 jovens; 7 saíram formados em metalo-mecânica, 3 em sapataria e curtumes e 9 em carpintaria. No meio deles, 2 eram rapazes da Faraja.

O dia começou com uma celebração eucarística de acção de graças pelo fim do curso, em que participaram também alguns familiares que vieram para a festa.
Depois de um almoço partilhado, foi a vez de uma tarde de recreação com a entrega dos prémios e diplomas aos alunos, e abrilhantada com actuações dos grupos da Faraja e dos próprios alunos.
O P. Júlio foi o convidado de honra e fez o discurso de despedida. No fim ainda houve tempo para as últimas fotos juntando alunos, familiares e o responsável máximo da escola, o P. Franco.
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Com a partida dos alunos do terceiro ano, os restantes preparavam-se para os seus exames finais. Assim, do dia 22 até ao dia 25 estiveram ocupados entre exames teóricos e práticos. No sábado, 27, partiram para casa para as férias grandes.
No dia 23 tivemos visitas. Os três seminaristas que terminaram o noviciado em Moçambique passaram por aqui. Augustine, Hyacinth e Richard irão no início do ano prosseguir os seus estudos de Teologia. O primeiro vai para o Brasil, o segundo para Roma e o último para Nairobi.
Ao fim da tarde apareceu-nos por cá o P. Manel, que tinha vindo trazer uns visitantes italianos de Makambako a Iringa. Aproveitou para nos fazer uma visita e passar cá a noite.
Dia 24 à tarde dirigimo-nos à Casa Regional, onde iríamos passar a noite. O motivo era a chegada do P. Casimiro e seus familiares, para no dia seguinte fazermos um pequeno safari pelo Parque Nacional do Ruaha.

Na quinta-feira lá fomos até ao Parque. O P. Casimiro estava bastante animado com a vinda do irmão e nem a perspectiva de duas semanas “carregadas” de estrada e canseira lhe tiravam a alegria. É que os nossos amigos portugueses só cá ficariam 10 dias, o que não é muito tempo, em especial tendo em conta as condições rodoviárias da Tanzânia.
Apesar do guia experiente que tínhamos (o Paulo), desta vez não conseguimos ver os sempre esperados leões. Aliás, em termos de quantidade acho que vimos menos animais. É que já tinham caído as primeiras chuvinhas e já se começava a ver o verde a despontar, portanto os animais já estariam mais dispersos, sendo mais difícil avistá-los. Mesmo assim conseguimos ver uma variedade considerável. O que serviu para fazer o teste inicial à nova máquina do P. Casimiro.
Mesmo antes de virmos embora fomos brindados com um espectáculo bonito. Uma família de elefantes estava à beira do lago dos crocodilos a prepararem-se para o banho da tarde, o que deu umas fotografias bonitas.
À noite o Paulo regressou a Mgongo e eu fiquei em Iringa pois ia acompanhar o P. Casimiro a Makambako no dia seguinte.
Quando chegamos a Makambako estava a terminar um casamento e pudemos assistir à saída dos noivos da igreja e às danças que se seguiram. O P. Casimiro aproveitou e deu também um pézinho de dança.
Digam lá se não tem a felicidade estampada no rosto.
Depois o P. Manel levou-nos até Ilamgamoto onde interrompemos o almoço dos mais pequeninos do infantário.
Uma das professoras fez-nos uma visita guiada às instalações da escola, e no fim assinamos o Livro de Honra.
Depois do almoço fomos até Kijombe, outra das comunidades que está a cargo da missão de Makambako. É uma pequena aldeia muito arenosa, e a população tem alguma dificuldade em tirar o sustento da terra.
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De regresso a Iringa o P. Casimiro trouxe-me até Mgongo e assim os nossos amigos tiveram oportunidade de visitar também a Faraja.
Teve que ser uma visita curta, nem deu para jantarem cá, pois tinham que regressar à Casa Regional já que no dia seguinte, bem cedo, partiriam para Sanza.
Quanto a nós, com o fim das aulas na escola técnica e na escola primária, pudemos tirar uma semanita de repouso e assim, no domingo, partimos para Dar-es-Salaam.
Pelo caminho ainda fomos parados pela Polícia. Mas não era nada de grave, foi mesmo só para pedir uma boleia. Foi uma viagem bastante “segura”, pois íamos acompanhados pelo número 2 da Polícia de Iringa, que também já tinha trabalhado bastante tempo em Dar-es-Salaam.
Pelo caminho, já todas as brigadas sabiam qual era o nosso carro e nem precisávamos de abrandar quando passávamos por elas :-)!
Em Dar-es-Salaam encontramos o Ir. Liduino que já tinha regressado de férias (e dos exames médicos) e o “nosso” P. Júlio, que também lá esteve a passar uns dias de descanso. Aliás, foi ele que nos indicou um novo sítio onde poderíamos ir para a praia – Kigamboni, e na segunda-feira fomos até lá. (As fotos ficam para a próxima newsletter.)
Na terça-feira, último dia do mês, fomos até Bagamoyo mas pelo caminho começou a chover e depois de lá chegarmos, em vez de abrandar (ou passar), a chuva ficou ainda mais forte e acompanhada de trovoada. Viemos logo a seguir ao almoço para casa e, a meio da tarde, o P. Casimiro e os seus chegaram de Sanza. Tinham vindo um dia mais cedo, pois também para lá a chuva tinha começado e estavam com receio de que as estradas ficassem intransitáveis e não pudessem passar (coisa perfeitamente normal na época das chuvas), ficando assim impedidos de apanharem o avião.
E assim, em companhia portuguesa, chegamos ao fim de mais um mês.
O Natal já está aí à porta e aproveitamos para desejar a todos os nossos familiares e amigos umas Boas Festas cheias de alegria na esperança do Deus Menino que veio para nos trazer Paz e Amor.
Até ao próximo mês e uma boa entrada em 2005
Beijinhos e abraços para todos.
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
Outubro, mês Missionário por excelência, foi marcado por regressos, despedidas, visitas e algumas festas. Aqui na Tanzânia é também o começo da época quente, e o fim das aulas para os alunos da última classe da primária.
No dia 8 realizou-se a festa da Darasa la (7ªclasse) na Escola Primária de Mgongo. Este ano eram à volta de 50 alunos, sendo 8 nossos rapazes da Faraja. Acabada a escola primária uma nova vida começa para estes jovens. Alguns, muito poucos, continuarão os estudos na secundária; outros, quase todas as raparigas, deixarão os estudos para se dedicarem à vida no campo e na casa; e mais alguns poucos, entre eles quase todos os nossos, entrarão aqui na Escola Técnica para aprenderem uma profissão que lhes permita depois servir de sustento para a sua vida.
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Mas este dia era de alegria e festa e assim, todos os alunos, professores e pais se juntaram para celebrar.
Desde os mais pequeninos, do infantário, até aos mais velhos, todos apresentaram danças, músicas, pequenas representações e alguns poemas.
No fim não podia faltar a foto oficial, primeiro com os professores, depois com os alunos todos, agora já com a sua roupa nova, comprada de propósito para este dia.
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Como devem estar lembrados, o P. Franco tinha ido para Itália no mês passado.
Depois de ter feito todos os exames médicos necessários, dia 16 regressou finalmente a Mgongo.
À sua espera estava um alegre comité de boas vindas e podia-se ver estampada no seu rosto a felicidade de se encontrar "em casa"
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E para terminar a recepção da melhor maneira, fez-se o habitual jantar, com direito a bolo, sodas e até uma prenda original. A Diocese de Mbeya está a completar o seu centenário e, para comemorar o acontecimento, fez uma kanga onde estão estampados todos os Bispos da
diocese, desde o primeiro até ao actual; que é D. Evaristo Chegula, missionário da Consolata.
Dia 19, o Superior-Geral dos Missionários da Consolata, P. Trabucco, veio fazer uma visita à Faraja. O P. Trabucco deslocou-se à Tanzânia para dirigir os exercícios espirituais que se iriam realizar no fim do mês.
Depois de uma visita ao complexo da Missão, o P. Trabucco foi brindado com uma demonstração de karaté feita pelos miúdos.
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Domingo, dia 24, foi o Dia Mundial das Missões e aqui em Mgongo foi duplamente festivo pois realizaram-se as primeiras Comunhões.
Além da homilia que o P. Franco fez, relativo a este dia especial e baseada no tema
da Jornada Missionária Mundial deste ano ("Eucaristia e Missã"), a comunidade de Mgongo partilhou também da alegria deste jovens que receberam pela primeira vez a comunhão.
O trabalho do Missionário é evangelizar e, alguns dos sinais de que a sua missão está a ser "bem-sucedida" são os sacramentos, como os baptizados ou as comunhões por exemplo.
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Este ano foram 10 jovens, duas meninas e 8 rapazes; 2 são nossos alunos da Escola Técnica e os outros 6 são da Faraja.
No dia seguinte os padres Manel e Casimiro passaram por cá para almoçar, antes de
irem para os Exercícios Espirituais. Nos últimos tempos temos tido oportunidade de nos encontrar várias vezes, para grande alegria nossa.
Na terça-feira, dia 26, o P. Tobias veio até Iringa para se despedir de nós. Os seus dias de estudo estavam a terminar e, no fim da semana, iria regressar ao Quénia para retomar o seu trabalho. Já não ia regressar a Gachie, onde esteve nos últimos 3 anos, mas sim ao Santuário da Consolata em Nairobi, o seu novo posto de trabalho.

Assim, encontrou-se connosco em Iringa e, antes de irmos almoçar, fomos até Tosamaganga, a primeira missão da Consolata na Tanzânia.
Em Tosamaganga estivemos com o P. Zubia, espanhol; que nos levou a dar uma volta pela Missão.
Após o almoço levamos o P. Tobias à camioneta, para regressar a Makambako e despedimo-nos marcando encontro para uma próxima oportunidade, provavelmente já em Portugal.
E para terminar este mês missionário da melhor forma, na quarta-feira seguinte, dia 27, realizou-se o sacramento da Confirmação em Nduli.
Este ano foram crismadas cerca de 300 pessoas incluindo os 6 rapazes da Faraja que tinham recebido a Primeira Comunhão no domingo anterior.
Assim, fortalecidos com o Espírito Santo, e alimentados com a força que vem da comunhão do Corpo de Cristo, estes jovens poderão ser sinal e testemunho para os outros e eles próprios tornarem-se missionários do amor de Cristo.
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Beijinhos e abraços
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
O mês de Setembro iniciou-se bem, com alguns chuviscos. Nesta altura do ano é costume existirem alguns aguaceiros mas o ano passado só choveu em Dezembro, por isso estas chuvinhas são um bom sinal.


No primeiro domingo do mês a celebração eucarística foi diferente. Os miúdos vestiram-se de Wahehe (a tribo da zona de Iringa) e até alguns dos cânticos foram em kihehe. O motivo era a despedida “oficial” do P. Franco que em breve partiria para Itália para os seus exames médicos anuais.
Durante a tarde tivemos a visita do P. Tobias. Como já tínhamos dito no mês passado, ele veio para a Tanzânia passar uns dias com o objectivo de “desenferrujar” o kiswahili.
Aproveitamos para lhe mostrar a missão e dar-lhe conta dos nossos projectos. O P. Tobias era o Superior Regional dos Missionários da Consolata na altura em que os LMC se formaram, e foi ele quem fez os primeiros contactos que mais tarde nos trariam aqui.
Ele disse-nos que iria a Sanza, onde está o P. Casimiro, na semana seguinte, e depois seguiria para Makambako, onde está o P. Manel, para os seus exercícios linguísticos.
No sábado seguinte foi o jantar de despedida dos amigos italianos, bem como do P. Franco e, como o Paulo tinha feito anos uns dias antes também se festejaram nessa altura.
No domingo de manhã o P. Franco partiu então para Itália, mas não sem antes fazer algumas fotografias “de família”. Este ano o lugar escolhido foi sob a protecção da Mãe Consolata.
A meio da tarde mais uma visita portuguesa, desta vez era o P. Manel. Ele veio passar o domingo connosco pois no dia seguinte iria para a Casa Regional participar na Assembleia Regional dos missionários. Soubemos que o P. Casimiro viria também participar, e aproveitamos para combinar um almoço, os quatro, aqui na nossa casa.
Tendo os trabalhos terminado na quarta à noite, na quinta-feira, dia 16, o P. Manel e o P. Casimiro apareceram então por cá e, mais uma vez, a comunidade portuguesa na Tanzânia se juntou.
O almoço foi muito agradável e tipicamente português, no sentido em que demorou perto de duas horas devido à conversa que se ia estendendo pela tarde. Mas o P. Manel tinha que regressar a Makambako ainda nesse dia e por isso foi preciso terminar. Mas não sem antes nos divertirmos mais um bocadinho tirando algumas fotografias :-).
Parece mesmo que estamos a dirigirmo-nos a todos os que nos acompanham de longe, como que a desafiar a virem até cá, não acham?
Durante a semana trocamos o sistema de antena que tínhamos, de modo a podermos apanhar o sinal da RTPInternacional. Foi um bocadinho complicado pois Mgongo fica num vale bem protegido a toda à volta por montanhas e é difícil apanhar o sinal do satélite; pelo menos sem perder os dos outros canais já existentes. Mas depois de muito esforço lá se conseguiu e agora poderemos seguir as notícias de Portugal. Claro que além do noticiário também sempre vai dar para ver mais uns joguitos de futebol, o que muito agradou ao Paulo.
Na sexta-feira começou um pequeno período de férias (uma semana) para os alunos da primária entre a 1ª e a 6ª classe. Para os alunos da 7ª classe seria a altura dos exames finais.
No domingo à noite, dia 26, recebemos um convite do P. Manel para ir até Makambako, pois ele iria com o P. Tobias até Ikonda e assim nós aproveitávamos a boleia também.
Infelizmente, com os miúdos de férias iria ser complicado sair da Faraja, além de que umas das professoras também cá não estaria pois tinha sido chamada para vigilância numa escola da cidade.
Assim depois de muito pensarmos e de pesarmos os prós e os contras decidimos que iria só eu. O Paulo já conhecia Ikonda mas eu não. Além disso como só tenho aulas às quintas e sextas e ficando o Paulo a tratar dos miúdos achamos que era uma oportunidade a não perder.
Na segunda depois do almoço lá fui apanhar a camioneta até Makambako. Foi mais uma experiência interessante. A camioneta era um mini-autocarro e ia cheia até não poder mais com vários passageiros em pé. O espaço entre os assentos era bastante reduzido quase não havendo espaço para as pernas. A viagem até Makambako demorou 3horas e meia, mas graças a Deus correu tudo bem.
No dia seguinte saímos logo após o pequeno-almoço. Até Ikonda são cerca de 150km (três horitas) e os últimos 70 já é pelas montanhas e o caminho é todo de terra batida.
A missão de Ikonda fica a uma altitude de quase 2000 metros, no meio das montanhas e, à primeira vista, no meio de nenhures. Assim uma espécie de oásis montanhoso.
Mas a verdade é que existem muitas aldeiazitas e foi esse o motivo que levou o Instituto da Consolata a escolher esse local para construir um hospital. A região é bastante montanhosa, os acessos muito limitados e as populações bastantes carenciadas em termos de serviços.

Assim, quando em 1962 o hospital começou a ser construido foi como uma bênção que chegou aquelas terras.
Em Ikonda os Missionários e as Missionárias da Consolata trabalham em conjunto.
Devido à altitude que se encontra, Ikonda é bastante húmida e o verde nota-se muito mais do que em outras partes do país.
No complexo da missão existe também uma escola onde são formados técnicos de laboratório.
Além dos Missionários e Missionárias que aqui trabalham, Ikonda conta com a presença (praticamente constante) de amigos e voluntários que por aqui vão passando em períodos de tempo variável (desde um mês a alguns anos) que dão o seu contributo nos diferentes trabalhos necessários nesta Missão; desde serviços médicos até à construção em si.
Uma das Irmãs que lá trabalha foi a nossa guia pelo hospital, onde pudemos visitar o laboratório, o armazém onde os medicamentos são guardados e divididos, as diversas áreas (homens, mulheres e crianças) e onde os familiares dos hospitalizados ficam e cozinham.
Aqui na Tanzânia é costume, quando alguém tem que ir para o hospital, alguns membros da família acompanharem o paciente para tratarem da sua alimentação.
Mas fiquem com algumas fotografias
Nesta altura o hospital tem cerca de 250 camas e encontra-se em fase de expansão.
Estão a ser construídas novas áreas para os pacientes, e mais alguns laboratórios e salas de operação.
Depois do almoço fomos até à igreja paroquial de Ikonda, que também se está a tornar pequena. O sítio onde será construída a nova igreja já está destinado e em breve começarão os trabalhos.

Por volta das três da tarde pusemo-nos a caminho pois ainda iríamos passar em Kipengere, a missão onde o P. Camillo Calliari trabalha.
Kipengere fica a 2200metros altitude no meio de uma floresta de mimosas, eucaliptos e pinheiros.
Baba Camillo, como é conhecido, é mais um dos missionários que tem dedicado a sua vida ao serviço dos mais desfavorecidos e contribuído para o desenvolvimento (sustentável) das populações mais pobres de um dos países mais pobres de África. Com 65 anos de idade, 40 de África, Baba Camillo (ao centro na foto em baixo) continua com muitas ideias e projectos para, nas suas próprias palavras, “ajudar ao desenvolvimento do Homem de acordo com a Boa Nova”. É uma espécie de “homem dos sete ofício”, desde padre a carpinteiro, mecânico a electricista, caçador a agricultor, encontrando ainda tempo para o fabrico de queijo; de tudo faz um pouco ao serviço da promoção humana.
Um dos seus projectos foi a construção de um aqueduto. Ao longo dos anos colocou cerca de 210km de canais com mais de 80km de condutas que distribui água em 130 direcções diferentes, abastecendo assim várias populações daquela zona.
Agora já pensa em instalar uma fábrica para engarrafar água.
E com uma viagem tão enriquecedora terminou o mês de Setembro.
Desejamos a todos um bom mês Missionário e até à próxima.
Beijinhos e abraços
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
O mês de Agosto foi um mês relativamente calmo aqui na nossa comunidade.
Logo no primeiro dia tivemos festa dupla. A mãe e a irmã do P. Franco iam regressar a casa e foi a festa de boas-vindas ao P. Júlio.

A Mamma Rita, ou Bibi (avó) passou cá 6 meses e, na altura da despedida tornou a repetir (como no ano anterior) que era a última vez que cá estava. Para o ano veremos :-).
A festa foi grande, com direito a espectáculo de acrobacias e o habitual bolo.
Na segunda-feira as aulas recomeçaram, finalmente, na escola técnica. Neste 2º período vou deixar de dar as aulas de matemática ao 2º ano, ficando só com o Inglês ao 2º e 3º anos. O motivo é que temos uma professora nova.
Maria, é uma rapariga tanzaniana que a Missão ajuda nos estudos. Ela está nos últimos anos da secundária e quer continuar para a universidade. Mas os estudos aqui são muito caros e assim, durante uns tempos ela vai estar aqui a trabalhar, como professora, para poder continuar os seus estudos depois.
Apesar de não concordar muito com mudanças a meio do ano, percebo perfeitamente os motivos na minha “redução laboral”. Afinal nós estamos cá para ajudar e não para tirar o lugar a quem precisa de trabalho.
Devido ao tempo bastante fresco que esteve, no final da semana acabei por apanhar uma gripezita. Nada como muito grave que um dia de cama não curasse. O Paulo escapou com uma constipação ligeira.

Dia 12 tornou a haver festa, desta vez para dizermos adeus à Maria, Bruna e Lúcio, benfeitores italianos da Faraja, que cá tinham estado a passar uns dias. Mais uma oportunidade que os rapazes tiveram de mostrar todos os seus talentos, principalmente na arte de representar e dançar.


Na segunda-feira seguinte, dia 16 tivemos uma visita importante. Nossa Senhora de Fátima veio, mais uma vez até à Faraja.
Tal como tinha acontecido no ano anterior a imagem de Nossa Senhora peregrina chegou até Mgongo para, durante dois dias, nos dar a oportunidade de reflectirmos, rezarmos e partilhar aos pés da Mãe Querida. O Paulo foi chamado a dizer umas palavrinhas sobre o milagre de Fátima e sobre a história dos Pastorinhos.


No fim-de-semana seguinte, um grupo de rapazes da escola de D. Bosco fizeram uma visitinha à Faraja. Foi um bom momento de convívio que teve o seu clímax numa partida de futebol. Ninguém sabe qual foi o resultado, só que se divertiram todos bastante.
Aqui estão as duas equipas e uma disputa de bola.
Durante a semana, mais um grupo de amigos chegou. Maurício e Fabrício, dois jovens italianos que têm visitado a Faraja todos os anos, vieram desta vez acompanhados das namoradas.
Assim, na terça-feira dia 24, fez-se mais um jantar de boas-vindas.
Nesta noite “ganhamos” um hóspede novo. Um gatito, único sobrevivente da sua ninhada, que andava meio perdido pela cozinha da Faraja, veio para nossa casa. Supomos que terá à volta de um mês, e se alguém quiser sugerir nomes… serão bem-vindos :-).
Ao longo da semana foi-se habituando à casa nova e até já arranjou um sítio próprio: à beira do computador. Só é chato quando se lembra de brincar e começa a carregar nas teclas, eh!eh!
Já no fim do mês recebemos a notícia que o P. Tobias, missionário da Consolata a trabalhar no Quénia, viria passar umas semanas aqui na Tanzânia para praticar um pouco o kiswahili. De certo que vamos ter oportunidade de nos encontrarmos.
E assim se passou mais um mês. A vida segue o seu ritmo normal e, graças a Deus, todos nos encontramos bem.
Até a próximo encontro.
Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
Cá estamos mais uma vez para o nosso encontro mensal.
Acabamos a última newsletter com o nosso safari pelo Ruaha.
No dia seguinte o P. Manel regressou à sua missão de Makambako e nós fomos visitar as Irmãs da Consolata.
O Copi e a Vivi tiveram oportunidade dever a Escola de Economia Doméstica gerida pela Ir. Adolfina, que é onde fazemos algumas das nossas compras alimentares. Depois aproveitamos para conversar um bocado em português com a Ir. Angelina, brasileira, enquanto saboreávamos um cafezinho.
Nessa noite tornamos a deitar-nos tarde, afinal Portugal jogava a passagem à final do Euro2004. Mas não ficamos desiludidos pois mais uma vez a equipa das quinas venceu. Eu até disse logo que a final ia ser como o jogo de abertura :-).
Para festejar um pouco da alegria futebolística, alguns miúdos da Faraja posaram, no dia seguinte, com a nossa bandeira.
Na sexta-feira, dia 2, era dia de festa. Eu festejava o meu aniversário e, como o Copi e a Vivi estavam de partida, iria realizar-se a despedida deles. Duas festas numa só.
Durante o dia fomos até à cidade comprar as sodas para o jantar e passamos no Mshindo, a paróquia da Consolata aqui em Iringa. Estava por lá o P. Daniel e ainda tivemos tempo para conversar um pouco. O P. Daniel, espanhol, trabalhou durante algum tempo com os leigos em Espanha e ficou entusiasmado com os planos dos nossos amigos de viram também para a Missão.
Durante a tarde chegou o P. Manel, pois no dia seguinte iríamos todos juntos fazer a viagem até Dar-es-Salaam.
A festa foi bonita, com cânticos, pequenos sketches humorísticos, prendas, sodas e, claro, bolo. Desta vez, até o P. Manel teve direito a ser “alimentado” e a fazer um pequeno discurso, uma boa oportunidade de por o seu kiswahili em prática que, por sinal, é já muito bom.
Sábado de manhã começamos a nossa viagem, mas antes ainda paramos na Casa Regional para dar as despedidas, e para dar um abraço ao P. Norberto e ao P. Lerma, que vieram até à Tanzânia para participarem no encontro de Animação Missionária Vocaional que se iria realizar nos dias seguintes.
Desta vez a nossa viagem até Dar, não foi directa pois para a “família” estar completa faltava-nos o P. Casimiro. Assim, paramos em Morogoro, onde ele já se encontrava e passamos lá a noite.
O aniversário do P. Casimiro tinha sido na sexta-feira, como eu, e para festejarmos todos juntos, os Padres Thomas e Symphorien (este último companheiro do P. Casimiro dos tempos de seminário) levaram-nos a jantar fora.
Domingo de manhã, depois de uma eucaristia bilingue (o missal existente no seminário de Morogoro é em Inglês, e a homilia, oração dos fiéis e partilha foi feita em Português) e do pequeno-almoço resolvemos seguir viagem.
Mas como não são muitas as vezes em que todos estamos juntos, não podíamos partir sem antes tirar a foto de família, e desta vez até tínhamos o lugar ideal para isso: a fonte onde se encontra o busto do Beato Allamano, Fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Infelizmente como já só estávamos nós, não dava para aparecermos todos. Desta vez foi o Paulo o sacrificado.
Chegamos a Dar-es-Salaam um pouco antes da hora do almoço e passamos o resto da tarde a recuperar as energias. À noite jogava-se a final.
Para o jantar, o P. Casimiro resolveu fazer-nos uma surpresa e levou-nos a jantar fora. Fomos a um restaurante italiano, mas desta vez ninguém pediu pizza, pois a especialidade era marisco.
Bem reconfortados por um jantar cheio de alegria, amizade e união, dirigimo-nos para casa, a tempo de ver o jogo. Desilusão das desilusões, desta vez não levamos a melhor. Paciência, para a próxima será melhor.
No dia seguinte de manhã fomos até à praia, e de tarde encontramo-nos com o Frank. Um amigo nosso que tínhamos conhecido no Quénia, aquando do encontro/peregrinação internacional dos jovens missionários da Consolata em Agosto/2002. Ele estava de férias e tinha vindo até Dar-es-Salaam visitar uns amigos.
O resto da tarde foi a ultimar as malas pois o avião era nessa noite.
Quem também estava em Dar-es-Salaam era o P. Willy, que tinha trabalhado em Portugal, e agora estava de férias no seu país.
Antes do jantar ainda houve tempo para uma última foto, e desta vez com todos presentes.
Apesar do Copi e da Vivi terem regressado a Portugal, nós ainda ficamos por Dar o resto da semana. Eram as primeiras férias do P. Casimiro e do P. Manel e aproveitamos para passar estes dias com eles.
Na quarta-feira fomos até Bagamoyo. Uma pequena cidade (quase aldeia) a 70km de Dar-es-Salaam, famosa pois foi um grande centro “comercial” na altura da escravatura.
Os Portugueses (pois claro) também por cá passaram, e Bagamoyo era o ponto de reabastecimento das naus nas suas viagens até à Índia.
A presença árabe é bastante forte, e as casas ainda mostram sinais da sua arquitectura.
Situada à beira do Índico é um dos pontos de atracção turística do país, mas um pouco mais de conservação por certo atrairia muitos mais.
A cidade tem um pequeno museu, o Museu Católico, que conta a história da cidade bem como a história da Igreja Católica na cidade.


A principal razão pela qual a missão de Bagamoyo foi criada, foi a escravatura. A ideia era comprar os escravos, para os libertar e formar. Isso era feito na missão católica de Zanzibar, estabelecida em 1860. Mas em 1868 o espaço da missão já não era suficiente e uma nova missão era precisa. Em Julho desse ano foi aberta a missão de Bagamoyo, que se tornou assim na primeira missão (não insular) na África Austral

Depois de um banho de cultura, achamos que caía bem um banho de mar.
Fomos até um dos hotéis/restaurantes que por aqui se encontram, onde encomendamos o almoço.
Enquanto não eram horas, podemos desfrutar das maravilhas da natureza que nos rodeava. Se nós achávamos que a praia em Dar-es-Salaam era boa, então aqui era simplesmente maravilhosa. Qual postal de promoção turística, a areia branca, o mar límpido e as palmeiras, proporcionaram-nos um excelente momento de comunhão com a natureza. Até se viam uns poucos de barquitos na sua faina.
Julho é mês do Saba Saba, literalmente, sete do sete; isto é, 7 de Julho. É a altura de uma grande feira nacional. Todas as regiões do país se reúnem num só local para apresentar as suas colheitas e os seu produtos tradicionais, para trocas e compras.
Bem… pelo menos era assim antigamente. Como tínhamos a sorte de estar em Dar na altura do Saba Saba, achamos que não podíamos perder esta oportunidade.
Assim, na quinta-feira, enchemo-nos de coragem para enfrentar o trânsito caótico desta cidade e fomos ver a feira. Ficamos um pouco decepcionados. Era realmente uma grande feira, até leões e cadeiras voadoras (daquelas que existem nas feiras populares) tinha, só faltava mesmo os carrinhos de choque. Mas quanto aos produtos da região… já não havia grande mostra. Havia isso sim, algumas regiões vizinhas representadas, Índia, Quénia, Emirados Árabes Unidos…, a promover os seus serviços e produtos (mais comerciais, que tradicionais) bem como stands de telemóveis, electrodomésticos, computadores e até um stand de automóveis.
Verdade seja dita que gente não faltava, e todos se mostravam bastantes animados. Ainda é uma tradição vir ao Saba Saba, mesmo que a feira agora seja outra.
No dia seguinte o P. Manel ficou por casa para resolver uns assuntos relativos à comemoração do Jubileu de Makambako, e nós fomos com o P. Casimiro outra vez até Bagamoyo.
Mas até as férias acabam, e era altura de regressarmos ao trabalho. Esta semana em que estivemos juntos serviu para partilharmos um pouco as nossas experiências, recuperarmos forças para o resto do ano e, mais importante, reforçou a nossa união. Afinal uma das características dos Missionários/as da Consolata é o espírito de família.
Sábado de manhã, bem cedinho, o P. Casimiro partiu para Sanza e nós, um pouco mais tarde, partimos para Iringa. Connosco foi também o P. Willy.
De regresso a casa, as aulas estavam a começar. O Paulo começou logo na segunda-feira, na escola primária. As minhas aqui na escola técnica só começariam passado duas semanas.

Na quarta-feira, dia 14, tivemos a visita dos Padres Inverardi, Norberto, Lerma e Brambilla ( este último Superior do Quénia), que vieram visitar a Faraja e a Chuo. O almoço partilhado foi bem animado e a conversa variava entre o italiano e o português. Foi também momento de reencontro. O P. Brambilla tinha sido companheiro de seminário do P. Franco e há mais de 30 anos que não se viam.
Aproveitámos também para combinar um encontro com o P. Lerma, que é o responsável pelos Leigos para o Instituto, pois ele desejava falar connosco acerca da nossa experiência aqui e para discutirmos alguns pontos, com vista ao encontro de leigos que se iriam realizar em Turim.
No fim da semana chegaram mais visitantes. Maria, Bruna e Lúcio chegaram a Mgongo para passarem uns dias. E no domingo houve festa de boas vindas a estes amigos que de novo regressavam.
Quem também regressou foi o P. Júlio. Depois de 3 meses de férias e exames médicos em Itália, voltou finalmente para onde o seu coração queria estar. A nós pareceu-nos que vinha um bocado pálido e mais cansado do que costumava estar. A verdade é que já são 80 anos de vida e mais de 50 de missão, e muitas vezes o corpo não corresponde ao espírito. Mas nada como os ares da missão, e passado alguns dias já parecia melhor.
Dia 26 era o dia previsto para começarem as aulas na escola técnica, mas devido à (pouca) quantidade de alunos regressados resolveu-se esperar um pouco mais.
Nesse dia tivemos outra surpresa, o P. Casimiro veio-nos bater à porta ao princípio da tarde. Tinha vindo até Iringa para tratar de uns assuntos da sua paróquia. Enquanto descansava e alimentava um pouco o corpo aproveitámos para por a conversa em dia, e como ele iria ficar por cá até sexta-feira resolvemos dar um salto a Makambako no dia seguinte e marcamos um almoço aqui em nossa casa para quinta.
Na terça fomos então visitar o P. Manel e connosco foi também o P. Moisés.
O P. Moisés Facchini, brasileiro, veio destinado para as missões na Tanzânia. Ele já cá tinha estado 4 anos a trabalhar, mas tinha sido há 20 anos atrás. A sua missão tinha sido Makambako, por isso aproveitou a nossa viagem para ver as mudanças que tinham ocorrido. E em 20 anos muita coisa tinha mudado! No entanto ele ainda se lembrava do nome de alguns dos que tinham sido seus alunos e tinha algumas fotos desse tempo. Encontrou um deles, agora já homem e pode assim relembrar velhos tempos.
Quem também foi seu “aluno” foi o P. Manel, na altura em que passou pelo Brasil. Aqui estão formador e formando, que se reencontram passado 20 anos.

Antes de virmos embora de Malambako, tornamos a fazer uma visitinha ao pomar da missão. Desta vez, além das goiabas o P. Casimiro aproveitou também para colher algumas laranjas.
E assim se passou mais um mês. Até à próxima,
Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
Olá a todos,
Cá estamos a continuar com as nossas visitas durante o mês de Junho.
Dia 24, dia de S. João, esperava-nos uma dura viagem até Pawaga.
Apesar de serem só uns 70km, a distância que separa Iringa da missão de Pawaga é de cerca de duas horas e meia!
Já na missão fomos muito bem recebidos (como sempre) pelos Padres Crema (80 anos) e Renna (67 anos), que antes do almoço ainda nos levaram a ver as novas aquisições da missão: tartarugas.
Durante a tarde tivemos oportunidade de visitar a aldeia e trocar algumas palavras, em especial com as crianças.
Para o Copi e para a Vivi esta foi uma visita especial. Em Portugal, o P. Marco tinha estado a trabalhar na tradução para inglês de um livro escrito pelo P. Crema, e foram eles que ajudaram no tratamento de texto. Agora tiveram oportunidade de conhecer pessoalmente o autor de “Wahehe, a Bantu people”.
O Paulo também aproveitou a visita e pediu ao P. Crema uma gramática, que ele próprio tinha feito, de kihehe – o dialecto local da região de Iringa.

E antes de partirmos, tempo para a foto “oficial”. Da esquerda para a direira, Vivi, P. Crema, P. Renna, Teresa e o Copi à frente.

Apesar da viagem ter sido cansativa, nenhum de nós se deitou cedo. Afinal, Portugal jogava a passagem para as meias-finais com um adversário de peso, a Inglaterra. Com as bandeiras a postos lá vimos o jogo. Foram mais de duas horas de sofrimento, mas bem recompensados no final.
Claro que todos nos deitámos “tarde e a más horas” (não esquecer que são duas horas de diferença horária) e, infelizmente, ninguém ouviu o relógio a tempo da eucaristia da manhã.
O que fez com que atrasássemos um pouco a nossa viagem para Makambako.
Felizmente a estrada é boa, e os perto de 150km fizeram-se em menos de duas horas.
À nossa espera estava o P. Manel, que nos tinha convidado para lá passar dois dias e assim podermos aproveitar um pouco do encontro de jovens que se estava a realizar. Já não chegámos a tempo de ver as actuações dos batukes e tambores, mas ainda aproveitamos muito.

Nesta sexta era o dia reservado para as actuações culturais e recreativas, e para nós foi uma boa oportunidade de vermos e ouvirmos um pouco da cultura desta região.
Os diferentes grupos apresentaram vários números, desde o canto coral até números bem mais tradicionais.

E fazendo jus ao tradicional bom acolhimento que os Tanzanianos sempre fazem aos “wageni” (visitantes), ainda tiveram tempo de nos cantar uma música e envolverem-nos na dança.
No dia seguinte fizemos uma pequena visita à Missão, fomos até à “chekechea” (infantário), ao dispensário e à casa das Irmãs.

O P. Manel contou-nos também que a paróquia de Makambako celebra este ano as suas bodas de ouro e que se está a preparar uma grande festa.

Ainda demos uma volta pela cidade onde vimos as bicicletas mais famosas por aqui, de madeira!

Depois do almoço e antes de regressarmos a Iringa ainda fomos colher umas goiabas (mapera) e laranjas no pomar da missão.

No caminho de volta fizemos um desvio por Tosamaganga para o Copi e a Vivi conhecerem a primeira missão para onde os Missionários da Consolata vieram trabalhar, quando chegaram à Tanzânia (na altura ainda Tanganika).
À noite, já em casa, resolvemos matar saudades de uma típica comida tripeirinha; fizemos francesinhas! Foi uma aventura!
Seguimos uma receita que vimos no blog do meu irmão e colegas, papeldeparede.
Não tínhamos os ingredientes todos e o molho, que é o segredo de uma boa francesinha, também foi à nossa maneira. A Vivi e o Paulo exageraram um bocadinho no picante, bem… foi mais que um bocadinho :-) mas que estava deliciosa e com bom aspecto, lá isso estava!
Para sobremesa, e para cortar um bocadinho o picante, a Vivi preparou-nos uma salada de fruta com as goiabas e as laranjas que tinham vindo de Makambako. Uma doçura!
No domingo passamos o dia na Faraja e de tarde o Copi experimentou na pele o que é jogar à bola num campo arenoso e com miúdos cheios de força e energia.
No dia seguinte o P. Manel veio para nossa casa ao fim da tarde. É que no dia seguinte teríamos todos que nos levantar bem cedo pois íamos fazer uma visita ao Parque Nacional do Ruaha.

Mas antes de irmos dormir ainda houve tempo para uma rodada do nosso vício mais recente: UNO. Entre cartas dadas aos adversários e contagem de pontos, foi uma risota pegada.
Terça-feira, por volta das 6 da manhã, lá nos metemos à estrada para o nosso safari. Estávamos todos confiantes que era desta que íamos encontrar leões. Para nós (Teresa e Paulo) era a 3ª vez que lá íamos e como se costuma dizer “à terceira é de vez”.

Como ainda era cedinho quando chegámos ao Parque, tivemos a oportunidade de ver alguns rinocerontes que se dirigiam para o seu banho matinal, vigiados pacatamente por um crocodilo.
Ao dirigirmo-nos para o interior do Parque assustamos um leopardo que dormia calmamente na estrada. Ficamos tristíssimos pois não estávamos a contar que ele estivesse no meio da estrada e, portanto nem tínhamos as máquinas a postos e assim só o pudemos ver a fugir. O P. Manel pelos vistos ainda conseguiu tirar uma foto, mas praticamente só se vê a vegetação.
Já com girafas, gazelas e zebras não tivemos problema nenhum.
Vimos também bastantes elefantes, cada um maior que o outro.
E até conseguimos “apanhar” um “Dikdik”, um parente pequeno dos antílopes que corre tanto que é difícil vê-lo.

Conseguimos também ver uma família de “warthogs” (espécie de porcos selvagens) e ainda um jovem exemplar, um pouco tímido, do “Great Kudu”.
Depois do almoço, e continuado com o nosso safari, fomos finalmente recompensados: vimos os leões!

Bem… deviam ser mais leoas e suas crias, pois não vimos nenhum macho de juba, mas mesmo assim estivemos uma boa meia-hora a admirá-los e depois de percebermos que eles não se importavam que fizéssemos barulho até tentamos que eles se mexessem um pouco.

Mas como podem ver, a hora da sesta é sagrada e os felinos pouco ou nada se importaram connosco.
Mais felizes não podíamos ter ficado, para o Copi, Vivi e P. Manel era a primeira vez que visitavam um Parque Nacional e conseguem logo ver leões.
Para nós era a terceira vez, mas valeu a pena. Valeu-nos os bons olhos do Paulo, que foi o nosso condutor/guia durante todo o dia.
E assim chegamos ao fim de mais uma newsletter, quem quiser ver mais fotos deste safari é só espreitar aqui neste blog.
Despedimo-nos com a “foto” oficial deste safari.

Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
5 de Julho
Olá a todos,
Junho é o mês da Consolata, dos Santos Populares e este ano também é o mês do Euro2004. Foi um mês cheio de emoções e experiências novas!
Logo no primeiro dia o P. Casimiro veio até Iringa, como era terça-feira nós estávamos na Casa Regional e encontramo-nos lá. Ficou logo combinado que no dia seguinte viria almoçar a nossa casa.
Ele encontra-se bem, já recuperado de uma malária ligeira que tinha apanhado. E como nestas alturas é importante alimentar-se bem, resolvemos fazer um assado e umas pataniscas de bacalhau, até para recordar um bocadinho os sabores da nossa terra.
Durante a tarde demos uma volta pela Missão e o Paulo levou o P. Casimiro até à horta que fez com as sementes que o P. Casimiro lhe tinha dado. Está a crescer a bom ritmo e tem abóboras, tomates, alface e até couve galega.
No dia 8, metade do mundo estava de olhos no céu à espera de ver o trânsito de Vénus. Também nós tentamos (inclusive com a máquina fotográfica), mas sem instrumentos adequados tivemos que nos contentar com as imagens da televisão.
Quem também estava em trânsito era o P. Neves; missionário da Consolata em Moçambique que tinha vindo para uma pequena visita antes das suas férias em Portugal; e o P. Manel que se encontrava em Iringa. Neste dia a língua dominante na Casa Regional era o português.
Entretanto na Escola Técnica decorriam as últimas aulas e a preparação para os exames. Mais uma semana e todos entrariam de férias.Também os alunos da primária começaram as suas férias a 12 de Julho e a Faraja encheu-se de novo com as suas vozes e alegria.
Alegria foi algo que os portugueses não tiveram nesse dia, ao ver a nossa Selecção perder com a Grécia o jogo de abertura do Euro2004.
Foi um susto que apanhámos mas de certeza que não tão grande como o do Paulo quando, passado uns dias, viu uma cobra pelo canto do olho. Valeu-lhe os bons reflexos e um pau que um dos miúdos tinha na mão. Não lhe acertou à primeira (só lhe esfolou as “costas”) mas à segunda acertou-lhe em cheio na cabeça.
Ora digam lá se não era um bom exemplar:
Dia 18 de Julho foi a festa da Consolata aqui em Iringa, mas este ano não pudemos participar pois estávamos de viagem para Dar-es-Salaam.
O Copi e a Vivi chegavam nessa noite para passarem duas semanas na Tanzânia.
Pelo caminho, já no Mikumi, tornamos a ver alguns animais. Muitos macacos, algumas girafas e, como era a hora do almoço alguns elefantes que se deliciavam à beira da estrada.
No dia seguinte, já os quatro reunidos, demos um salto à praia para todos nos
recuperarmos das respectivas viagens.
Nessa noite celebrou-se a festa da Consolata na Casa Procura, com a comunidade Italiana que habitualmente se reúne lá para a Eucaristia.
Durante a homília o P. Parola, ao falar do trabalho dos Missionários e Missionárias da Consolata na Tanzânia, apresentou-nos à comunidade e falou do papel que os Leigos têm no serviço da Igreja e da Missão.
Alguns já nos conheciam, mas o Copi e a Vivi eram caras novas, e este gesto muito simples e bonito mostra bem o espírito de família que caracteriza os Missionários da Consolata.
Nessa noite resolvemos ir jantar fora para comemorar, e fomos até um restaurante italiano que existe em Dar-es-Salaam. O P. Parola foi nosso convidado.
Chegado o dia 20 de Junho, dia de Nossa Senhora da Consolata, tornamos a celebrar a nossa Padroeira. A manhã começou com a Eucaristia e aconteceu de uma forma original: foi a primeira vez que se celebrou a festa da Consolata com a comunidade da casa Procura juntamente com os trabalhadores e seus familiares; cozinheiras, motoristas, guardas...
Após a missa seguiu-se o almoço, em família e num estilo bem africano. Foi divertido para todos!
Mas a alegria não terminou no almoço. O P. Parola teve a ideia de fazer um jogo com os trabalhadores. O Copi e a Vivi não estavam a perceber lá muito do que se estava a passar, mas nós lá lhes íamos dando algumas explicações. E todos se divertiram bastante.
E para terminar bem o dia mais um joguinho de futebol. Desta vez contra os “nuestros hermanos”. Tínhamos que ganhar, e assim aconteceu. De certeza que a vizinhança ouviu os nossos gritos de felicidade :-).
Na segunda-feira tornámos a ir até à praia e de tarde, para fugir um pouco ao calor, fomos experimentar as novas salas de cinema que abriram aqui na cidade. O filme foi “Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban”, que eu muito queria ver e que ainda não está em exibição em Portugal, e depois demos uma volta pela cidade.
Terça-feira metemo-nos à estrada e regressamos a Iringa.
Antes de virmos para casa ainda paramos na Casa Regional para apresentarmos o Copi e a Vivi. Eles estiveram a falar um pouco com o P. Inverardi, Superior da Tanzânia, e falaram dos seus planos de virem para a Tanzânia como leigos.
Já em Mgongo, foi a vez de eles conhecerem o P. Franco e o Ir. Boniface, a nossa comunidade, e nessa noite jantamos todos juntos.
Depois do jantar era a vez de entregar os prémios da escola aos rapazes da Faraja e a honra coube ao Copi e à Vivi.
No dia seguinte fomos dar uma volta por Iringa e aproveitamos para subir ao “promontório” da cidade, Gangilonga (a pedra falante) onde, segundo reza a lenda, Mkwawa, chefe dos Wahehe, se recolhia para ouvir os conselhos dos antepassados.
Nós não ouvimos nada mas deliciamo-nos com uma vista maravilhosa.
E por hoje é tudo, despedimo-nos com estas duas fotos de quatro portugueses felizes em África.
Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
08-Junho-2004
Olá a todos,
Maio começou com a comemoração do Dia do trabalhador. Como este ano foi um sábado, não se notou nada de diferente. A não ser os rapazes da Faraja que “comemoraram” com uma tarde passada a passear pela cidade.
No Domingo seguinte celebrou-se a festa do “Bom Pastor”, e os nossos pequenos, para não deixarem a data em branco, ofereceram ao P. Franco um Bom Pastor em madeira, presente que ele, emocionado, muito agradeceu.
Mas Maio é o mês de Maria, nossa Mãe e Consoladora (Mama Faraja).
Para melhor vivermos este mês, juntamo-nos todos os dias para a oração do rosário.
Mas este ano foi diferente do ano anterior. De Portugal tinha vindo uma imagem de Nossa Senhora. da Consolata, oferecida à Faraja, e assim, todas as semanas, a imagem passou pelos diferentes grupos principais em que os rapazes estão divididos, Tumaini (Esperança) os mais velhos, Upendo (Amor) os mais pequeninos e Amani (Fé) os do meio. Em cada semana os grupos responsáveis conduziam a oração e ajudavam-nos a meditar nos mistérios do rosário.
Logo no primeiro dia fez-se uma pequena procissão desde a igreja até à sala de convívio do primeiro grupo a acolher Nossa Senhora.
Procissão essa que se repetiu nas outras semanas, quando Nossa Senhora passava de uma “casa” para outra, visitando assim a Faraja.
Sábado, dia 8, foi dia de reunião do Comité da Faraja. Este Comité conta com a presença de várias entidades da sociedade civil, tal como o presidente da Câmara e um representante do Ministério da Educação.
Estas reuniões anuais permitem a todos os membros do Comité (exteriores à Missão em si) tomaram conhecimento de como anda a Faraja e também debatermos alguns problemas que possam existir, envolvendo assim as várias entidades oficiais representadas.
Na terça-feira seguinte, realizou-se um retiro na Casa Regional, e como era o nosso dia de folga não tivemos problemas nenhuns em participar.
O tema era relacionado com a Páscoa, e o significado que tem na sua vida de Missionários. Foi orientado pelo P. Inverardi, o Superior dos Missionários da Consolata na Tanzânia e teve a participação de perto de uma vintena de missionários.
Apesar de este ano a chuva ter sido abundante, a verdade é que a qualidade da água deixa muito a desejar. Esse facto, aliado à fraca alimentação (pobre em vitaminas e proteínas) e ao ambiente em geral, ajuda a que, cada arranhãozinho que os miúdos façam infecte facilmente. Nos últimos tempos tem sido uma constante.
Quase diariamente vêm bater-nos à porta para limparmos as feridas e fazermos o curativo. Nunca tínhamos visto algo assim. Segundo a Prof. Annette nos explicou, como o corpo não tem defesas suficientes a ferida vai alastrando e cria-se uma espécie de larva. Quando essa larva morre passa a ser um cravo que vai criando raízes dentro do corpo. Pelos vistos é algo normal por aqui, e mais ou menos cíclico. A nós, causa-nos um pouco estranheza o facto de achar semelhante coisa normal. A verdade é que o Paulo, que virou quase enfermeiro a tempo inteiro (nenhum dos miúdos gosta de ir ao dispensário), mais não pode fazer do que desinfectar com água oxigenada (que por sinal não se encontra à venda) e fazer um penso para proteger um pouco da sujidade.
Dia 26, quarta-feira, foi um dia especial. Jogava-se a final da Liga dos Campeões e o nosso Porto estava lá. Já tínhamos conseguido mais uns poucos de torcedores por aqui. Aos rapazes da Faraja foi-lhes prometido sodas (coca-colas, fantas, …) e na Casa Regional ficou acordado que se o Porto ganhasse comemoraríamos com Vinho do Porto.
O Gabriel, outro dos encarregados dos rapazes, veio ver o jogo cá a casa e vibrou quase tanto como o Paulo. Claro que no fim estávamos todos delirantes com a vitória.
Eu e o Paulo ainda ficamos até à uma da manhã a saborear a vitória com dois breves telefonemas, um para cada uma das nossas casas.
Mas antes disso o Paulo foi “indecentemente” acordar a Prof. Annette, ela tinha-se metido com ele durante o dia a dizer que o Porto ia perder, e o Paulo disse-lhe que se o Porto fosse campeão que ia à janela dela, nem que passasse da uma da manhã, acordá-la com barulho.
E assim foi. Quem sofreu foi o tacho!
Claro que o dia seguinte foi de grande comemoração e até os pequenitos se juntaram à festa, equipados a rigor!
O mês estava no seu fim e o tempo tornava-se cada vez mais fresco. Junho e Julho costumam ser a altura mais fresca por estes lados, mas este ano o vento resolveu chegar mais cedo. As manhãs e os fins de tarde além de pedirem umas camisolas mais quentes, quase que agradeciam um cachecol também!
No último domingo do mês celebrou-se a festa do Pentecostes. A celebração foi quase toda animada pelos rapazes da Faraja.
E na segunda-feira, dia 31, fez-se o encerramento do mês Mariano. Após a eucaristia, onde se celebrou a Visitação de Nossa Senhora, a estátua da Consolata foi em procissão desde a Faraja até à igreja. Todos agradeceram as bênções recebidas durante este tempo.
E assim se passou mais um mês. O próximo é de fim de aulas e exames e, esperamos, uns dias de férias.
Entretanto todos nós aqui vos desejamos umas boas festas dos Santos Populares e Boa Festa da Consolata.
Beijinhos e abraços para todos
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
Olá a todos,
A newsletter deste mês será um pouco mais pequena, em termos de texto, mas mais rica em fotos. A explicação é simples: o mês de Abril foi praticamente preenchido pelas celebrações Pascais e uma imagem vale por mil palavras.
No dia 4 foi Domingo de Ramos e o Paulo, para dar um pouco mais de cor e vida à procissão dos Ramos, lembrou-se de fazer algo que ainda se vê em muitas localidades portuguesas: um tapete de flores.
O problema era que por aqui não se encontram assim tantas flores quantas as que seriam necessárias. A solução seria improvisar.


Se de flores não há abundância, já ripas de madeira há de sobra. Então o Paulo, ajudado por alguns dos rapazes, passou a semana anterior a dar cor às ripas e, no domingo de manhã meteram mãos à obra. Apesar do “tapete” não ter a extensão desejada ficou muito bem e todos gostaram e apreciaram a inovação.
A procissão iniciou-se no infantário que está a ser construído na aldeia de Mgongo, com a ajuda da Missão, para benefício das crianças de lá.
Grande parte da população juntou-se aos alunos da Chuo, aos rapazes da Faraja e restantes trabalhadores da Missão. E a Igreja encheu-se de verdes e de Hossanas ao Rei
Quinta-feira Santa celebrou-se a Cerimónia do Lava-Pés.
Os doze discípulos foram representados por alguns dos miúdos da Faraja e alguns alunos da Chuo.
Neste dia é celebrado a Instituição da Eucaristia. É o Dia do Celebrante.
E como era dia de festa a comunidade juntou-se para partilhar o jantar.
Nós aproveitamos a oportunidade e, à hora em que as diferentes Missões se juntam e encontram via rádio, falamos um pouco com o P. Casimiro. Ele encontra-se bem e diz que até já engordou 2 kilos! Este ano deverá ser um bom ano de colheitas lá por Sanza e o povo está feliz pois não tem faltado chuva. Claro que este facto também faz com que as estradas fiquem intransitáveis e neste momento os missionários só podem visitar e dar assistência a duas aldeias.
À noite, após o jantar, os diferentes grupos em que os miúdos estão divididos foram-se revezando na Igreja para um momento de Adoração ao Santíssimo.


Sexta-feira Santa realizámos a Via-Sacra, mais uma vez com quadros vivos.
Estávamos com receio de que tivéssemos de cancelar a ideia pois choveu a tarde quase toda. Mas felizmente, perto das cinco horas o sol foi mais forte e, os miúdos da Faraja puderam participar e viver verdadeiramente a Paixão e Morte de Cristo.
Sábado de Aleluia, foram realizados os baptizados dos catecúmenos que, este ano, eram 30. A Vigília começou com a Bênção do Fogo com todos os catecúmenos reunidos à volta do Fogo Santo.
A celebração continuou com cânticos e muita alegria.
A dado momento, o “Cristo” que tinha sido crucificado na Sexta-feira Santa, ressuscitou com a “ajuda” dos catecúmenos.

Seguiram-se então os baptizados e nesta noite, mais 30 crianças e jovens passaram a fazer parte da grande família Cristã.

A celebração do Domingo de Páscoa foi igualmente bela com todos os baptizados a participarem activamente.
Como é hábito, o P. Franco foi até Nduli celebrar a eucaristia pois esta comunidade não tem padre.
Entretanto, para ocupar os miúdos durante as suas férias realizaram-se uma séria de actividades.
A mais participativa foi a gincana que levou 3 tarde inteiras até se encontraram os vencedores.
Os jogos envolvidos eram desde uma verdadeira gincana em bicicleta, dardos, argolas, mini-bowling, encestar, tiro ao alvo (com as fisgas que eles próprios constroem) e ver quem tinha mais pontaria no jogo das latas.

Os rapazes fizeram também um passeio até à Missão de Tosamaganga onde fizeram alguns jogos com os amiguinhos do Orfanato, que bem contentes ficaram com a visita.
Dia 18, domingo, foi a despedida do P. Júlio. Depois de vários anos sem ir a Itália chegou finalmente a vez de ir gozar umas merecidas férias.
Houve festa na Faraja, com cânticos e pequenas lembranças, para desejar uma boa viagem, um bom repouso e que regresse revigorado para a Missão.
O P. Júlio partiu para Dar-es-Salaam na segunda-feira e deverá regressar, assim Deus queira e a sua saúde o permita, em Julho.
Quarta-feira recomeçaram as aulas e a Missão retomou o seu ritmo diário de trabalho.
E assim chegámos ao fim de mais um mês.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia
05-Abril-2004 
Olá a todos,
Março é o mês em que a Primavera regressa ao hemisfério norte. Aqui, na parte sul do globo, sentimos isso pois as andorinhas são cada vez menos e o calor começa a diminuir um pouco.
A chuva continuou a abençoar-nos com a sua presença e a vida na missão seguiu o seu curso normal.
No início do mês o P. Júlio deslocou-se até ao Hospital de Ikonda, pois não andava a sentir-se muito bem. Após quatro dias regressou e felizmente não tinha nada de grave, apenas um pouco de cansaço. Afinal já são 80 anos de vida e 54 ao serviço da Missão!
No primeiro domingo do mês foi a apresentação à comunidade dos Catecúmenos que irão ser baptizados no Sábado de Aleluia durante a Vigília Pascal. Este ano são 30! 20 são rapazes da Faraja, 10 são crianças da aldeia e 2 são alunos aqui da Chuo.
Na segunda-feira dia 8, o P. Manel foi até Morogoro. Como a viagem é longa, parou para almoçar aqui em nossa casa. Aproveitamos para nos por a par dos seus progressos em Makambako.
Sexta-feira, dia 12 foi o dia de aniversário da mãe do P. Franco. A D. Rita festejou o seu 88º aniversário. O jantar e a festa foram na Faraja como é tradição. Mas os entretenimentos estão a melhorar. As músicas são novas, e os rapazes em vez de se limitarem a imitar uma espécie de dança que vêem na televisão, começam a apresentar cada vez mais números tradicionais.

Claro que o Paulo não podia deixar de aproveitar para se divertir um pouco também :-)!
Junto com a Mamma Rita estava também a mãe do nosso Masai, Obadia que se encontra a estudar no Seminário em Mafinga. Ela tinha vindo cá para falar com o P. Franco de assuntos relacionados com os estudos do filho e participou também da festa.

Dia 24 de Março é Dia de Oração e Jejum em toda a Igreja pelos Missionários Mártires.
E em Iringa realizou-se uma celebração na Igreja da Consolata para lembrar todos os Missionários que têm dado a sua vida ao Serviço da Missão e por Amor ao próximo.
O mote era “Não existe maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15:13) e o “título” da celebração era “Mashahidi wa Upendo” isto é, “Mártires do Amor”.

Cerca de uma centena de pessoas, entre Padres, Irmãs, Irmãos, Leigos e outros cristãos reuniram-se para reflectir na Palavra de Deus, e lembrar todos os Missionários que deram a sua vida ao Serviço da Missão e do Amor a Cristo.

Só no ano passado mais 35 Missionários deram o seu sangue, para que o Amor continue a florescer.
Um dos momentos marcantes da celebração foi a memória de todos quantos foram martirizados o ano passado.
Uma a uma, 35 crianças vieram depositar o nome do Missionário Mártir aos pés da cruz.

Entre esses nomes encontrava-se um muito especial para a comunidade Tanzaniana: Irmã Rosimila Mhesa. Esta Irmã, pertencente às Irmãs Teresinas, tinha 73 anos de idade e trabalhava numa casa de apoio às crianças orfãs e de rua em Tosamanga. O ano passado, em Março foi assassinada, vítima de roubo. As suas crianças tornaram a ficar orfãs.
Durante a celebração ouvimos o testemunho de uma sua Irmã que nos falou do trabalho que a Ir. Rosimila fazia junto dos mais pequenos e desfavorecidos. Mais uma semente de sangue que veio regar este território de Missão que é a Tanzânia.
É sempre difícil compreender este tipo de violência, em especial quando cometido contra quem só faz o bem ao seu próximo. Mas em Jesus Cristo e no seu Amor supremo por nós encontramos conforto e lembramo-nos das suas palavras: “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas, se morre, produz muito fruto.” (Jo 12:24)
Apesar do tempo chuvoso, as obras aqui na Missão continuam a andar bem e este mês ficou concluído um bloco onde funcionarão os “serviços administrativos” da Escola Técnica, bem como a sala de reuniões do staff.

O fim do mês aproximava-se do fim e terminou com a celebração do aniversário do Ir. Boniface. Desta vez a festa foi na Chuo animado com alguns cantos e pequenas peças de teatro.

E por este mês é tudo, a Páscoa está aí a chegar e aproveitamos desde já para desejar a todos uma Santa Páscoa na alegria de Cristo Ressuscitado.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia
05-Março-2004
Olá a todos,
Esperamos que esta carta vos vá encontrar bem.
O mês de Fevereiro marcou o meu regresso à Tanzânia e à minha missão de Mgongo.
Este mês é um mês importante na vida dos Missionários e Missionárias da Consolata pois celebra-se a Festa do Beato Allamano, nosso fundador.
Foi um mês também marcado pela chuva, quase diariamente o precioso líquido nos brindou com a sua presença, levando a crer que este será um bom ano para as colheitas.
Mas comecemos pelo início.
Nos primeiros dias do mês eu ainda me encontrava em Portugal. Entre algumas visitas finais e preparação das malas o tempo passou rápido e chegou altura de fazer a viagem de regresso à minha missão.
O meu avião seria às 5.50 da manhã em Lisboa do dia 9, por isso domingo de manhã junto com a minha mãe, irmão e o Alex, pusemo-nos à estrada.
Dirigimo-nos para Fátima, onde iríamos participar na eucaristia da comunidade que se reúne na casa dos Missionários da Consolata em Fátima, para também aí poder dar o meu testemunho do que tem sido a nossa missão na Tanzânia.
O almoço foi-nos oferecido pela Comunidade dos Missionários.
Em Fátima encontramos também familiares do Pe. Manel. Trocamos notícias e eu aproveitei para trazer algumas coisas para ele.
E ainda houve tempo para uma foto de família, com a nova bandeira que seria usada na peregrinação do dia 14 da família consolatina.

A meio da tarde seguimos para Lisboa, onde ficamos na Casa Regional.
Jantamos com a comunidade e ainda recebemos a visita de outro casal de leigos que trabalha em Portugal. O Gonçalo e a Ana Isabel vieram despedir-se de mim e transmitir os votos de boa viagem de toda a comunidade laical.
Antes de ir descansar um pouco ainda troquei algumas impressões com o nosso Superior, P. Tomás; acerca de como estava a correr a nossa missão e algumas notícias de antigos companheiros de trabalho. É que o P. Tomás passou muito anos a trabalhar na missão na Tanzânia.
Às 3 da manhã lá nos dirigimos ao aeroporto. À minha mãe, meu irmão e ao Alex, juntou-se o meu padrinho para me ajudarem a despachar as malas J. É muito complicado viajar sozinha, em especial se há muito que se quer carregar. Felizmente não houve problemas nenhuns no check-in. Aproximava-se a hora da despedida.
Apesar de já não ser a primeira vez, não foi muito fácil tornar a dizer adeus, até breve. Mas a tristeza era atenuada pela completa alegria de regressar ao meu trabalho, à minha missão.
A viagem correu bem; tirando alguma correria em Amesterdão, pois tinha pouco mais de uma hora entre um avião e outro; e até deu para apreciar a paisagem pois ia à janela. Assim consegui ver os Alpes, cobertos de neve, deu para ver um bocado do deserto e, mais ao fim da tarde um pôr-do-sol magnífico, se não estou em erro, na Etiópia.

Cheguei a Dar-es-Salaam às 23.30 da noite. Também aqui não houve problema nenhum com as bagagens. À minha espera estava o Paulo e muito calor (pelo menos comparado com o que eu tinha deixado em Portugal).
Entretanto, durante este tempo em que estive fora a vida continuou em Mgongo.
Os rapazes da Faraja recomeçaram as suas aulas na escola primária, e os alunos da Chuo aos poucos foram chegando também.
A maior parte deste início do mês foi dedicado à lavoura. A chuva estava a cair certinha e era preciso ir cuidando das sementeiras.
Aos familiares do P. Júlio, que ainda se encontravam cá, juntaram-se a mãe e o irmão do P. Franco. A mãe, mamma Rita, que no ano anterior tinha dito que era o último em que vinha, veio desta vez acompanhada por outro seu filho, também padre missionário da Consolata. O P. Sílvio Sordella que está a trabalhar na Etiópia.
Ainda no início do mês o P. Júlio passou um pouco mal tendo sido necessário recorrer aos cuidados das Irmãs.
Dia 11 regressamos a Mgongo. Ao chegarmos a Iringa paramos na Casa Regional onde encontramos o P. Casimiro, que se encontrava a participar na Assembleia Regional dos Missionários. Trocamos saudações e saudades e aproveitei para lhe entregar os miminhos que lhe tinham enviado de Portugal
Na sexta-feira, toda a família Consolatina juntou-se em Iringa, na Casa Allamano (casa das Irmãs idosas) para celebrar a festa do Pai Fundador. Todos sentimos como é forte o seu amor por todos nós: “Deus poderia ter escolhido uma pessoa mais santa e mais inteligente do que eu para fundar o Instituto da Consolata; mas alguém que vos amasses mais do que eu, isso não creio.”

Padres, Irmãos, Irmãs e Leigos reuniram-se para dar graças e partilhar a alegria desse dia, enriquecido com a celebração de quatro jubileus de consagração religiosa da Ir. Domízia (75), Ir. Elvina (50), P. Ferraroni (60) e P. Lumiri (25). Ao todo 210 anos!

E foi também oportunidade para missionários de diferentes gerações e com diferentes experiências partilharem uns com os outros os Dons da Missão.

Após a celebração eucarística seguiu-se o almoço partilhado e convívio. Desta vez não foram só as crianças que quiseram homenagear e agradecer os Missionários e Missionárias jubilares pela sua dedicação à Missão, mas também alguns Padres e Irmãos os presentearam com cânticos de alegria e celebração festiva.

Recordando as palavras do Beato Allamano – “a união do coração e da vontade alivia o cansaço, produz energia e conduz à vitória” – é fácil verificar como a união do coração e da vontade está bem presente nos trabalhos dos Missionários e Missionárias da Consolata, presentes na Tanzânia há mais de 80 anos.
Na semana seguinte foi o regresso ao trabalho.
Este ano o Paulo ficou com a 6ª e a 7ª classe da catequese, na escola primária, e com o 2º e 3º ano de Bíblia na Chuo.
A mim calhou-me o 2º ano de Inglês e Matemática e o 3º ano de Inglês. Ou seja, este ano tenho menos horas de aulas. Vou aproveitar para ver se consigo arranjar algo que torne mais fácil as aulas, facilite a aprendizagem e motive mais os meus alunos.
Além destas actividades, continuo com alguns aulas de computadores e o Paulo está a dar apoio nos estudos aos rapazes mais velhos.
Na semana seguinte fomos até Makambako. Aproveitando que a viagem é curta (mais/menos duas horas de viagem) e que na terça-feira era o nosso dia de folga, saímos depois do almoço de segunda e fomos passar o Carnaval com o P. Manel.
Chegamos ao fim da tarde e encontramos o P. Manel no meio da reunião comunitária. Ele tinha chegado a Makambako há menos de um mês e ainda se estava a ambientar à sua nova missão. Pareceu-nos muito feliz e satisfeito. E trabalho em Makambako é coisa que não falta. Conversamos bastante e a só não foi pela noite dentro porque nessa altura a cidade estava com alguns problemas no abastecimento de energia. Pelos vistos, devido ao crescimento da cidade algumas obras e modificações estavam a ser feitas nos postos e a maior parte do tempo não existia luz. Assim, era o gerador que estava a funcionar, e como é muito caro tê-lo em funcionamento, às dez da noite é desligado.
Na terça de manhã demos uma volta pela cidade e depois do almoço regressamos a Iringa.
No dia seguinte era Quarta-feira de cinzas, e na eucaristia fizemos o ritual da imposição das cinzas.
A Quaresma começava.


Como todos os domingos, também este, o primeiro da Quaresma, teria um cartaz alusivo às leituras da eucaristia. E como parte da catequese dos rapazes são eles que colaboram na feitura do cartaz. Cada domingo um grupo diferente, mas o mesmo objectivo: por os rapazes a reflectir um bocadinho nas leituras da eucaristia e mostrarem o que delas retiram.
E assim chegamos ao fim do mês mais curto do ano.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
Tanzânia
05-Fevereiro-2004
Olá a todos,
Cá estamos nós, mais uma vez no início de um novo ano, a dar-vos conta das novas por estes lados.
Como “prenda” de Ano Novo, os rapazes tiveram direito a um passeio. A ideia era ir até ao Parque Nacional do Mikumi. Os mais pequeninos como não podiam ir vieram até nossa casa onde assistiram a uma matiné com o filme de Natal da Disney.
Infelizmente a camioneta onde os rapazes seguiam avariou, e o passeio teve que terminar bem mais cedo, sem sequer chegarem às imediações do Parque.
Como é hábito em ocasiões festivas, a comunidade junta-se para o almoço/jantar. Desta vez, e aproveitando a estadia da minha mãe por cá, o almoço foi em nossa casa juntamente com os Padres Júlio e Franco.
O mês começou com a promessa de um bom ano de colheitas. A chuva foi caindo a tempo e horas e todos andavam ocupados nos campos e hortas a semear e plantar. Aqui na Faraja não foi excepção e além das culturas habituais (milho, feijão) também algumas árvores foram plantadas; perto de duas centenas. O objectivo é ajudar a segurar o solo e a fornecer alguma humidade necessária neste clima tão seco. Das centenas plantadas todos os anos, menos de 30% sobrevivem, por isso este é um hábito que é repetido todos os anos.
No dia 6 resolvemos ir visitar o P. Manel a Sadani, missão onde ele estaria até ao final do mês. Como não sabíamos bem o tempo que iríamos demorar resolvemos sair cedo. Mas de nada nos valeu! Depois de descermos a montanha e já na estrada principal fomos parados pela polícia. Até aqui nada de mais, já não era a primeira vez que acontecia. O pior foi quando o polícia resolveu dar uma boa vista de olhos ao carro! E não gostou de ver que os pneus estavam em não muito bom estado. Em abono da verdade, os pneus novos já se encontravam na missão para trocar, só estávamos à espera do mecânico. Mas não adiantou nada. Desta vez o polícia estava mesmo decidido a “mostrar trabalho”. Lá foi perguntando ao Paulo onde íamos, de onde vínhamos, e até lhe perguntou de que “tribo” ele era, duas vezes! O Paulo ainda pensou em responder-lhe que era “tripeiro”, mas achou por bem manter-se pelo português.
O polícia lá acabou por nos passar uma multa. Mas o mais estranho disto tudo é que tivemos que regressar a Iringa, para pagar a multa, e só depois poderíamos seguir viagem, pois ele tinha ficado com a carta de condução do Paulo. Há hábitos/formas de agir que ainda nos fazem um pouco de confusão.
Lá regressamos à missão onde trocamos de carro e fomos ao posto de polícia pagar a multa. Nesta altura não vos sei dizer quem ficou mais admirado por termos apanhado uma multa: se nós, se o polícia que a recebeu! Mas ele lá nos passou o comprovativo do pagamento e pudemos seguir viagem.
Chegámos a Sadani mesmo a tempo do almoço. O P. Manel já estava à nossa espera, bem disposto apesar de uma pequena constipação lhe fazer companhia.
Depois do almoço tivemos oportunidade de visitar um pouco a missão e pudemos constatar a diferença que um pouco de àgua faz.
A começar logo pela avenida maravilhosa à entrada da missão.
Talvez um dia em Mgongo também haja uma avenida desta natureza!

Infelizmente não nos pudemos demorar muito tempo pois a viagem de regresso iria demorar mais tempo. É que tinha chovido um pouco e os perto de 30 km que separam a missão da estrada principal, como são em terra batida, tornam-se um pouco perigosos.
Desta vez o perigo foi só para uma pobre galinha que se lembrou de atravessar a estrada, nós não podíamos travar senão arriscávamos a sair da estrada, assim foi a galinha que acabou sendo atropelada.
Os restantes dias desta semana foram tempo para começar a preparar as malas. É sempre uma tarefa morosa e nada agradável, especialmente se existe limite de peso.
O facto de eu acompanhar a minha mãe na viagem de regresso facilitou um pouco as coisas, já que eu não precisaria de levar quase roupa nenhuma.
E como não podia deixar de ser, houve festa de despedida na Faraja.
Com direito a algumas prendas bem típicas e até uma lição de como usar as kangas e kitenges.
No sábado, dia 10 seguimos viagem para Dar-es-Salaam.
E na bagagem trazíamos um pedido das Irmãs para, no regresso, o Paulo levar algumas encomendas. Como era um pouco complicado as Irmãs transportarem tudo até à Casa Procura, ficou combinado que no domingo iríamos nós almoçar a casa das Irmãs, em Mbagala.
Apesar de nesse domingo a comunidade das irmãs estar reduzida a metade fomos, como habitualmente, muito bem recebidos. A Ir. Ida e a Ir. Francalídia (médica e responsável pelo dispensário) presentearam-nos com um gostoso almoço, após o qual nos mostraram a missão.
Nesta altura o dispensário estava fechado para férias e limpeza, mas a maternidade não, e tivemos a oportunidade de ver um recém-nascido junto com a sua mãe



Às 21.30 da noite dirigimo-nos ao aeroporto para apanhar o avião para Portugal.
Depois do calor intenso de África e de uma viagem de 13 horas, vimos finalmente terra à vista.

O almoço foi na Casa Regional em Lisboa, e depois seguimos viagem para o Porto. Pelo caminho pude ver um pouco do que os incêndios do verão passado tinham feito à paisagem.
Entretanto, em Mgongo a vida continuava. Os efeitos da seca do ano anterior continuavam a fazer-se sentir, pois muitas famílias continuavam a bater à porta da missão a pedir ajuda. Na Faraja estas dificuldades traduziram-se em cerca de uma dúzia de rapazes novos. Alguns trazidos por parentes que já não tinham condições para os sustentar, outros pelo seu próprio pé. Como é o caso do Imani (fé) que tendo perdido os pais encontrou-se a trabalhar numa quinta, a lavar animais, em troca de sustento. Mas os donos mal lhe pagavam e o Imani, tendo ouvido falar de uma casa nos arredores de Iringa que acolhia rapazes em dificuldade, resolveu pôr-se a caminho. Nesse dia encontrou uma senhora que lhe deu um pouco de chá com leite e um pedaço de pão.
Foi o seu alimento nos dois dias de viagem até chegar à Faraja House, verdadeira casa da consolação para ele.
Agora já se encontra integrado com os restantes rapazes e com eles frequenta a escola primária que começou o seu ano lectivo por estes dias.
Com uma pequena foto de 4 dos novos rapazes nos despedimos.

Até à próxima.
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
05-Janeiro-2004
Olá a todos,
Esperamos que tenham tido umas boas festas Natalícias e que o Novo Ano tenha começado da melhor maneira.
Este ano, o nosso mês de Dezembro foi preenchido com viagens. O motivo: a minha mãe e o meu irmão vieram até cá para passar o Natal :-)
No início do mês, os alunos do 1º e 2º ano deixaram a escola, para irem de férias, e os dormitórios começaram a ser ocupados pelos nossos rapazes da Secundária.
Apesar de estarem de férias foram eles, e mais alguns dos rapazes mais velhos que foram dando uma ajuda nas construções que estão a decorrer aqui na Missão. Além disso, ao fim da tarde, ainda havia tempo para um pouco de estudo. As minhas aulas tinham acabado, mas agora era tempo de explicações.
Entretanto nos dias 9, 10 e 11 decorreram os exames de admissão para o próximo ano. Foram cerca de 70 rapazes que concorreram para os pouco mais de 30 lugares disponíveis.
Dia 12 era o dia da reunião final, para escolher os novos alunos, mas nós partimos para Dar-es-Salaam. Nessa noite, a minha mãe e o meu irmão chegavam de Portugal para cá passarem uns dias.
Na viagem de ida parámos em Morogoro onde combinámos com o P. Manel que na volta lhe dávamos boleia para Iringa.
À noite, lá fomos para o aeroporto. O avião chegou à tabela e o reencontro foi muito emocionante.
Esse fim-de-semana ficámos na capital, fomos até à praia um pouco e passeámos pela cidade. Mas o calor era insuportável! E nesta altura do ano é sempre a subir!
Segunda-feira fizemos a viagem de regresso a Iringa e, como tínhamos combinado, parámos em Morogoro para trazer o P. Manel que, tendo acabado as aulas, ia para a Casa Regional onde ficaria a aguardar a boleia para Sadani, missão onde estará até ao final do mês de Janeiro.
Em Morogoro descansámos um bocadinho e gozámos da hospitalidade tão característica dos Missionários da Consolara. O P. Thomas tinha à nossa espera um gelado de manga muito saboroso feito com a fruta do seminário.
Chegando à Casa Regional, em Iringa, soubemos que o P. Inverardi ia no dia seguinte para Sanza. Como nós já tínhamos pensado em ir visitar o P. Casimiro por estes dias e como não sabíamos bem o caminho, combinámos logo que iríamos com ele.
Assim, 3ª feira dia 16 lá fomos de viagem outra vez. O caminho para Sanza é um bocado complicado em especial na época das chuvas, que estava a começar. Mas felizmente a viagem para lá correu bem.
Á nossa espera estava o P. Casimiro que ficou muito feliz com a visita. Depois de termos descansado um pouco da viagem fomos dar uma volta pela povoação.

O P. Casimiro levou-nos a ver o “seu território” e fomos sempre acompanhados por um bando de crianças, que não largam o P. Casimiro.
Visitámos algumas famílias e podemos constatar como o P. Casimiro já está bem inserido na comunidade e é querido pelas pessoas.
Uma das famílias que visitámos foi a de um nosso seminarista que se encontra a estudar em Morogoro.
Nessa noite começou a chover, e nós começamos a ficar um pouco preocupados. Pois se a chuva é uma bênção para este povo, o mesmo não podemos dizer para as estradas…
Na tarde do dia seguinte o P. Casimiro levou-nos a ver as suas “aventuras agrícolas” no quintal da missão.
Ele tinha lá plantado melões e melancias, mas só alguns melões vingaram, a culpa era de um bichinho qualquer que lá andava a comer as sementes. No entanto têm algumas árvores de fruta e as papaias para o jantar foram colhidas na hora.

Com o começo da chuva, alguns bichinhos mais indesejáveis começam a sair das tocas. Nessa noite o P. Casimiro matou dois escorpiões e o Paulo ainda matou uma “senhora” cobra que tinha vindo passear até perto de nós!
E a chuva não parou a noite toda!
Na quinta de manhã, continuava a chover, e já estávamos a pensar que iríamos ter que passar o Natal em Sanza!
Quando começou a abrandar, pusemo-nos à estrada. Desta vez foi mesmo complicado!
Valeu-nos a extrema habilidade do P. Inverardi que evitou que ficássemos presos no lamaçal em que se tinha transformado a estrada. Por duas vezes estávamos mesmo a ver que era desta que lá ficávamos.
A vista da parte de trás do carro era idêntica à quando se anda de barco, tal era a quantidade de água na “estrada”.

O que podem ver aqui na foto não é nenhum lago, é mesmo a estrada!
Mas graças a Deus lá chegámos sãos e salvos.
Na sexta-feira seguinte foi o jantar de boas-vindas, com cânticos e o tradicional bolo.
É sempre uma alegria receber visitantes e os miúdos da Faraja são exímios em o demonstrar.

Na segunda-feira fomos visitar o Parque Nacional do Ruaha. Levámos o Abbi connosco e contratámos uma guia, a ver se desta vez conseguíamos ver leões.
Mas ainda não foi desta.
No entanto, e devido às chuvas que tinham começado, o parque estava muito mais verde e vimos muito mais búfalos e elefantes do que da primeira vez que lá tínhamos estado. Aliás, eles estavam mesmo ao lado do carro :-).
O que vimos também foram hipopótamos, aliás quando pensávamos que estávamos a olhar para um animal ferido e em agonia, eis que ele “acordou” e mostrou-nos o seu desagrado pela interrupção da sesta!

Uma das “atracões” de Iringa é a pedra em Gangilonga. A subida é um pouquinho complicada, mas a vista que se tem lá de cima é fabulosa.
E nós não podíamos deixar de lá ir.
Aproveitámos para tirar algumas fotos de família com Iringa como pano de fundo.

E eis-nos chegados ao Natal! Ainda não foi desta que tivemos árvore de Natal, mas o resto das decorações ajudaram a dar um aspecto mais festivo à casa.

Por volta das sete da tarde realizou-se a Vigília de Natal.
Apesar de já estar um pouco escuro a população da aldeia acorreu para cantar Aleluias ao Rei que celebrávamos nessa noite.

Desta vez o jantar foi quase como se estivéssemos em Portugal. Bacalhau e aletria não faltou assim como as frutas secas da época. Só faltaram mesmo foi as rabanadas. Mas fica para uma próxima oportunidade.
E depois do jantar veio o momento tão esperado por todas as crianças, e pelos adultos também. A chegada do Pai Natal com as prendas.

Houve prendas para todos e para todos os gostos, e entre roupa, alguns brinquedos e guloseimas, todos passaram uma boa noite.

No dia de Natal a celebração tornou a ser bem festiva, com muitos cânticos e alegria.

O almoço foi na casa dos Padres, e como um verdadeiro almoço de Natal foi por volta das 2 da tarde.
É que o P. Franco tinha ido celebrar missa a Nduli, uma localidade aqui perto, que só recebe a visita do sacerdote duas vezes por ano.
À noite celebramos todos juntos na Faraja. E que grande festa foi!
Durante o começo das férias, o Paulo tinha dado a ideia de os grupos fazerem presépios, cartazes e postais de natal. Tinha sido uma forma de os ocupar e por a sua criatividade a trabalhar. E nesta noite seria a escolha dos melhores.
Cada grupo apresentou um presépio, um cartaz e 3 postais de Natal. O júri, constituído pelo P. Júlio, eu, minha mãe e meu irmão, e um dos professores teria que escolher os 3 melhores trabalhos em cada categoria. E que tarefa difícil foi!
Aqui estão alguns dos trabalhos:


No fim houve prémios para quase todos e a certeza de que actividades deste género se tornarão a repetir.
No dia seguinte, 26, regressámos a Dar-es-Salaam pois o avião do meu irmão seria nessa noite.
Tornámos a Iringa no domingo e os 3 últimos dias do ano foram passados aqui em Mgongo. É a altura das sementeiras e parece que este ano somos capazes de ter mais sorte, pelo menos tem chovido mais regularmente. Os rapazes têm andado atarefados a plantar o milho e feijão, e também algumas árvores.
No dia 31 voltámos a ter um jantar tradicionalmente português – o que não vale estar cá a minha mãe :-) – e ficámos à espera da meia-noite para comer as passas e brindar com um bocadinho de champanhe.
Foi uma boa passagem de ano.
Esperámos que a vossa também tenha sido boa e que este ano que agora iniciou nos traga Alegria, Paz e Saúde.
Heri kwa mwaka mpya! Feliz Ano Novo!
Beijinhos e abraços para todos,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
04-Dez-2003
Olá a todos!
Novembro começou com sol e com as temperaturas a subir. O “verão” aproxima-se e
sente-se a chegada do fim do ano.
Logo no início do
mês o Pe. Casimiro passou por aqui a caminho de Mafinga, onde ia fazer os seus
Exercícios Espirituais. No fim da semana, e antes de regressar à sua Missão
tornou a passar e desta vez estivemos juntos a tarde toda. Foi bom pois pudemos
trocar algumas experiências acerca das nossas vidas missionárias e das
dificuldades que este

A
semana seguinte foi a última para os alunos do 3º ano da escola técnica. Foram 3
dias de exames oficiais (isto é, exames feitos pela entidade que regula as
escolas técnicas) e no sábado realizou-se a cerimónia de graduação.
Depois do almoço,
que foi partilhado pelos alunos graduados e suas famílias e pelos professores e
staff da escola, tivemos uma tarde recreativa. Era altura de descontrair e ao
mesmo tempo dizer adeus aos finalistas. Todos os
que se juntaram no salão para a tarde festiva puderam assistir a um bom
espectáculo: tivemos acrobacias apresentadas pelos rapazes da Faraja, cânticos,
declamações e até uma pequena mostra de magia.
Mas o momento mais
importante, e esperado, foi mesmo a entrega dos diplomas. Um a um, os 18 rapazes
foram sendo chamados e, junto com os seus diplo
mas
de fim de curso, recebiam um pequeno presente. Houve ainda diplomas e lembranças
extras para alguns alunos que se distinguiram em algumas actividades, como por
exemplo melhor aluno, melhor desportista, aluno mais responsável e, este ano
pela primeira vez, um prémio para o aluno que mais se destacou na preparação da
Liturgia.
Para estes 18
jovens, a vida laboral começa agora. Nove são carpinteiros, 6 são mecânicos e 3
artífices de sapatos e bolas de futebol. Três ou quatro deles continuarão a
receber a nossa ajuda, vão ser contratados como trabalhadores da Missão por
forma a facilitar a sua en
trada
no mundo laboral. Outros, regressando às suas terras, também já têm trabalho.
Quase todos eles levam consigo, além do diploma da escola e do diploma oficial
reconhecendo-os como artfices, a caixa de ferramentas que foi fornecida pela
escola para os seus trabalhos práticos.
Digo quase todos
porque, infelizmente, para alguns as ferramentas com que chegaram ao fim do ano
estão reduzidas. É um problema que ai
nda
não se conseguiu resolver e que a nós muito espanto nos causa.
Até à próxima,07-Nov-2003
Olá a todos,
Outubro, mês
Missionário é sempre um mês especial. Este ano ainda o foi mais. Três
canonizações (Daniel Comboni, fundador dos Missionários Combonianos; Arnold
Janssen, fundador da Sociedade do Verbo Divino, da Congregação das Religiosas
Missionárias Servas do Espírito Santo e da Congregação das Religiosas Servas do
Espírito Santo da Adoração Perpétua; Joseph Freinademetz, presbítero do Sul de
Tirol, da Sociedade do Verbo Divino) uma beatificação (Madre Teresa de Calcutá)
e o Jubileu do Papa João Paulo II.
Acontecimentos que nos fazem pensar e reflectir no papel que nós próprios temos
a desempenhar na Missão.

Mas nos países
geralmente conhecidos como “países de Missão”, este mês também é celebrado.
Mas
o mês começou com a celebração dos aniversários de todos os rapazes que tinham
feito anos até ao fim de Setembro. Um bom motivo para nos juntarmos todos e
convivermos um bocado e para os miúdos receberam umas prendas; cadernos e
canetas, coisas que fazem sempre falta.
está a trabalhar no
Roraima; a Ir. Lina, que se encontra cá por algum tempo de férias. Foi um dia
bem passado a falar meio português meio kiswahili.
Com cânticos,
pequenos sketches e algumas declamações, os restantes alunos disseram adeus aos
seus colegas mais velhos desejando-lhes um bom futuro. 
Aqui está o Yohanes,
que recebeu o prémio de mais bem comportado e de quem mais ajuda os colegas.

muito felizes, pois
era sinal de que estava tudo bem com a sua saúde.



07-Out-2003
Olá a todos!
Cá estamos mais uma vez, para o nosso encontro mensal.
Este mês não foi propriamente muito “grande” em acontecimentos. A vida vai
correndo normalmente e, tirando um outro facto, não se passou nada de
extraordinário. Mas como a vida numa Missão é feita no dia-a-dia, e não apenas
com feitos extraordinários, cá estamos a dar conta de como correu o mês.

O mês começou com mais uma comemoração. Era o aniversário do Paulo. Mas como uma
festa nunca vem só, juntou-se também a despedida da Cristina e do Maximiliano.
Enquanto que em Portugal, este mês significa o regresso às aulas, por aqui é bem
diferente. Para alguns está-se a meio do ano, para outros no fim.
Dos rapazes da Faraja, nove fizeram o exame final. O passo seguinte é bem mais
complicado! Em toda a Tanzânia, a grande maioria dos alunos fica-se pela escola
primária. Ou porque não conseguem nota para entrar na secundária ou,
principalmente, porque as famílias não têm como sustentar os gastos com a
educação.
foi construída a pensar
especificamente no futuro destes rapazes.

No dia seguinte de manhã, antes da partida ainda houve tempo para algumas “fotos
de família”.
Entretanto os trabalhos continuam. Um dos projectos que a nossa Missão de Mgongo
está a apoiar é a construção da “chekechea” (infantário/pré-primária) para as
crianças da aldeia. Os pais passam o dia inteiro fora, a cuidar dos campos, e as
crianças ficam entregues à sua sorte. A Missão fornece os materiais e a
população contribui com a mão-de-obra. Tanto os homens como as mulheres
trabalham na construção. Em breve estas crianças, não precisarão mais de brincar
na rua e terão um sítio para darem os primeiros passos na sua aprendizagem.
Por falar em construções, e voltando ao tema inicial desta newsletter, também em
breve começarão outras obras aqui na Faraja. Em breve os rapazes terão um sítio
próprio para lavar a sua roupa e imagens como estas farão parte do passado.09-Set-2003
Olá a todos!
Este mês fez um ano que saímos de casa! É verdade, já passou um ano inteirinho
desde que chegámos à Tanzânia. Mesmo com as saudades que vamos sentindo de casa
podemos dizer que passou bem depressa!
Os rapazes que compõem a
Faraja estão dividos em pequenos grupos de 6 ou 7. Cada
grupo tem um capitão, um nome próprio e o seu grito de guerra. Quando chega a
altura de trabalhar, cada grupo tem o seu próprio serviço, de acordo com a idade
dos elementos. O Capitão é o responsável pelo bom ambiente entre todos no grupo
e é quem reporta aos professores os problemas e necessidades que vão surgindo.
Foi uma tarde de convívio entre grandes e pequenos com muitos
jogos e muita animação. Desde o jogo das cadeiras, puxar à corda, encontrar
rebuçados no meio da farinha e corridas de pares, houve vencedores de todos os
tamanhos e todos nos divertimos bastante.
D
esta vez coube-nos a nós a honra dessa visita.
se o Terço e
celebrou-se a Eucaristia.
sobre Fátima e não se ouvia uma mosca, quando o Paulo ia
traduzindo um pouco o filme e explicando a história.
Além disso, este domingo realizou-se um baptizado.
Segunda-feira de tarde era a altura de Nª Sr.ª Fátima continuar a sua viagem.
Mais uma vez, depois de uma pequena celebração, todos partiram em procissão pela
Missão e pela aldeia, até à próxima comunidade que ia receber a visita da imagem
de Nª Sr.ª
Para quem conhece Fátima, para quem já participou nas cerimónias do dia 13, para
quem já viu de perto a bela imagem de Nossa Senhora de Fátima, talvez não seja
de admirar. Mas aqui, na Tanzânia, a mais de dez mil quilómetros do lugar onde
ocorreram as aparições, onde a estátua de Nª Sr.ª Fátima não teria mais que
30cm, é de louvar e dar graças.
E assim, sexta-feira depois do almoço pusemo-nos a caminho. A viagem levou-nos
cerca de 4 horas a fazer e, como era uma hora quente, desta vez não vimos a
mesma quantidade de animais que geralmente encontramos no Mikumi. No entanto
vimos um animal “novo”. Lembram-se do “Pumba” do “Rei Leão”? Pois foi mesmo esse
que vimos, bem à beirinha da estrada a fazer o seu “five o’clock tea”.
O Pe. Casimiro está bastante feliz na sua Missão e contou-nos algumas novidades:
Conseguiram abrir dois poços na Missão e assim podem ajudar
um pouco mais as
populações em volta.
Aproveitámos também para trocar alguns conselhos, desde alguns aspectos
culturais até conselhos de saúde, pois os nossos corpos de "wazungo" (brancos)
nem sempre estão preparados para as condições que, por vezes, deparamos na
Missão.
Assim, sábado à noite lá se fez mais uma. Para dizer adeus ao Lúcio, Bruna e
Maria, e para dar as boas-vindas ao Pe. Arzelio, ao Giacomo e ao Petro. O Pe.
Arzelio é um dos mais importantes benfeitores da Escola Técnica e muito tem
ajudado, seja com o envio de dinheiro seja com o envio de máquinas para os
alunos trabalharem.
Para nós foi bom pois nunca lá tínhamos ido e tivemos a oportunidade de conhecer
mais uma Missão.
A terra é boa e as vinhas que lá se encontram dão fruto duas vezes ao ano!
A Igreja da Missão está decorada com quadros da Via-Sacra que foram pintados
pelo Pe. Antonucci.
Nem de propósito, era mais uma vez dia de festa!
No domingo, o Pe. Manel teve a sua primeira eucaristia em kiswahili! Sim, porque
no Seminário as eucaristias são em Inglês.
Durante a tarde aproveitamos para lhe mostrar a Missão e no fim levamo-lo de
volta à Casa Regional pois como infelizmente não tinha arranjado boleia para
Morogoro, iria ter que partir no expresso da manhã.05-Ago-2003
Olá a todos!
Mais uma vez vos escrevemos a dar-vos conta de como é a vida neste cantinho do
mundo. Este mês foi bastante preenchido, desde regressos, festejos, experiências
novas e problemas de todos os dias, muitas coisas aconteceram.
Como
sabem, o nosso dia de folga é às terças-feiras, mas desta vez fizemos uma troca.
O dia 2 de Julho foi uma quarta-feira e como era o dia do meu aniversário
achamos que era boa ideia fazer a folga nesse dia :). O dia correu muito bem.
Foi a primeira vez que festejei os anos fora da família e dos amigos, o que
pareceu um bocado esquisito. Mas foram muito bem festejados com a nova família
daqui. Logo de manhã o Paulo fez-me o pequeno-almoço e levou-o ao quarto. Mas
eu,
apesar de ter apreciado muito o gesto, quis aproveitar para dormir mais um
bocadinho! Fomos almoçar à Casa Regional onde a Irmã Bruna não deixou passar a
data em branco e fez um bolo para sobremesa. Depois durante a tarde tive a sorte
de encontrar o meu irmão e alguns amigos no ciberespaço. No regresso a casa
fomos também celebrar este dia com a nossa comunidade daqui. Assim o lanche
dessa tarde foi um cálice de
vinho do
Porto (para matar saudades) acompanhado de presunto Italiano. Digam lá se não é
uma boa combinação?
E
ntretanto
as férias continuam e, além das actividades já mencionadas na última newsletter,
os rapazes também estão a aprender a fazer animais com pasta de papel. Aqui está
o Zawadi a preparar a pasta, e o Jonhy e Zamoioni dando os últimos retoques
naquilo que viria a ser uma zebra.
do que nós estão as
populações das aldeias, sem água para as suas necessidades básicas do dia a dia.
A Missão ajuda um pouco fornecendo água. E assim, duas vezes ao dia é ver a fila
de crianças e mulheres com
os seus baldes e
bidões à espera do precioso líquido. Algumas fazem mais de 9km desde as suas
casa até à Missão! Primeiro chegam as crianças, vêm marcar lugar, algumas bem
pequenas. E depois vão chegando as mães, tias ou avós. Este é um aspecto da
cultura deste povo que ainda está bem enraizado e que nos custa a compreender:
raramente se vê um homem neste tipo de trabalhos.
Assim dia 15
pusemo-nos à estrada. Era a primeira vez que iríamos fazer tão grande viagem,
sem mais ninguém a acompanhar. O único problema seria depois de chegar a
Dar-es-Salaam encontrar a Casa Procura. Mas armados com um mapa da cidade e
algumas instruções, seguimos confiantes.
A estrada está a ser
arranjada em várias partes do seu percurso, provocando uma certa demora, mas não
há alternativa! Volta e meia encontramos pequenas paragens pois só é possível
usar uma faixa da estrada. Numa dessas paragens estivemos uma hora inteirinha!
Mas esta estrada atravessa também o Parque Nacional de Mikumi e aí, apesar de
também a velocidade ser limitada, as vistas são bem mais interessantes.
A costa tem muitas
algas, o que nos fez lembrar das praias do norte de Portugal, com a excepção de
aqui ninguém as apanha, tanto para limpar a praia, como para adubar os campos.
Existem também muitos ouriços, que nos deixaram algumas marcas.
A água não é caldo
(ainda bem) mas bastante agradável e permitindo uma entrada fácil. Nada de estar
quase duas horas a tentar ganhar coragem! Ainda aproveitamos para apanhar
algumas conchas e búzios.
Na
sexta-feira era o dia da chegada do Pe. Manel. Levantamo-nos cedo e, juntamente
com o Pe. Parola, seguimos para o aeroporto. E após entre 14 a 15 horas de
viagem o Pe. Manel finalmente chegou. Uma viagem deste tipo é sempre muito
cansativa, mas como também queríamos saber das novidades de Portugal juntamos o
útil ao agradável! Depois de termos regressado à Casa Procura para pousar as
malas e tomar o pequeno-almoço decidimos ir até à praia onde poderíamos
conversar e descontrair ao mesmo tempo. Nada como um bom mergulho no oceano para
retemperar as forças :).
Domingo fizemo-nos à
estrada mais uma vez, pois estava na altura de regressar. Afinal o Pe. Manel
começava as aulas logo na segunda-feira seguinte!
Aqui
ficam algumas fotos desse dia. Nesta primeira temos a Ir. Domízia, 92 anos de
idade, com o Pe. Cyprian e o Pe. Deogratias.
O Pe. Inverardi,
Superior dos Missionários da Consolata na Tanzânia, com o Pe. Deogratias e o Pe.
Cyprian.
Durante a festa, e no
intervalo das músicas e dos teatros, alguns dos rapazes entretinham-se a jogar à
sardinha! Eu nem me atrevo a experimentar! É tudo na brincadeira, claro, mas
eles dão cada sapatada nas mãos uns dos outros!!! Reparem só na cara de
felicidade do Isaya enquanto estava a jogar com o Paulo :)!
E
se o mês começou com festa, com festa acabou também.
A celebração, de quase
5 horas foi muito bonita, cheia de cânticos e danças. E como sempre com as
crianças a fazerem a sua parte. Vejam como esta menina (que de certo não terá
mais que 5 anos) está compenetrada na sua dança!
Até estavam Wahehe
(uma das tribos da Tanzânia) vestidos a rigor. E o Paulo aproveitou para tirar
uma foto com eles.2003.Jul.02
Olá a todos!
Junho: mês dos Santos
Populares, começo de Verão, exames, férias, festa da Consolata… Isto tudo em
Portugal!
Mas vamos às festas!
O mês começou logo no
dia 1 com a celebração da Ascensão do Senhor. 
Entretanto, os dias da
Mamma Rita entre nós estavam a chegar ao fim. Foram mais/menos 4 meses que
passou aqui na Faraja. Sempre a trabalhar (capas para os colchões, protecções de
mesa e cortinas para o refeitório dos rapazes, …), sempre de bom-humor. E claro
que não podia faltar uma grande festa de despedida.
Assim, dia 5,
jantámos na Faraja e, depois no ginásio os alunos da Chuo também se juntaram
para a festa de despedida da mãe e da irmã do Pe. Franco. Claro que o famoso
bolo não podia faltar, bem como a tradição de que aos homenageados deve ser dado
de comer o bolo.
No dia seguinte de
manhã, o Pe. Franco lá partiu para Dar-es-Salam com a mãe e a irmã.
Mas
não foram só os alunos da escola técnica que terminaram as suas aulas.
O início oficial das
férias foi no dia 17 com o arranque do campeonato de futebol.
E eis-nos chegados ao
dia da grande festa. 20 de Junho, festa de Nossa Senhora da Consolata. Este ano
a festa foi celebrada na catedral de Iringa. A Nossa Senhora da Consolata é a
Padroeira da Diocese de Iringa e assim, todos os anos a festa é alternada entre
a Igreja da Consolata, aqui em Iringa, e a Catedral.
A Eucaristia,
presidida pelo Bisbo de Iringa, D. Tarcisius Ngalalekumtwa, e concelebrada pelo
Bispo de Mbeya, D. Evaristus Chengula, (missionário da Consolata) e pelo
Superior Regional dos Missionários da Consolata, Pe. Inverardi, foi também o
momento da celebração dos 75, 65, 60 e 25 anos de Profissão Religiosa de algumas
das Irmãs da Consolata e dos 60 e 50 anos de Ordenação de dois Padres da
Consolata.
Na foto estão os Padres Jubilares, Pe. Lumetti 60 anos e Pe. Mário Biestra, 50
anos.
A Catedral encheu-se
com os Padres, Irmãos e Irmãs da Consolata, os paroquianos, amigos e alguns
"frutos" dos primeiros anos de trabalho dos missionários aqui na Tanzânia.
Destes “frutos” há
que salientar um grupo de mulheres, filhas de soldados alemães do tempo da
guerra que as Irmãs tomaram a seu cargo. Naquele tempo as crianças mestiças eram
completamente discriminadas e se não fossem as Irmãs teriam sido abandonadas à
sua sorte. Uma dessas senhoras chegou a ser Ministra da Educação e, hoje em dia,
essas senhoras continuam o trabalho que as Irmãs começaram com elas – a educação
das raparigas.
Depois da Eucaristia,
a festa continuou no "salão paroquial" com cânticos bem ao estilo africano,
protagonizados pelas alunas da Escola de Economia Doméstica e pelas crianças da
paróquia. Aqui estão as Irmãs Jubilares a cortar o bolo. Da esquerda para a
direita: Ir. Amata 65 anos, Ir. Venanzia 75 anos e Ir. Floriana 25 anos.
Conseguem imaginar o que são 75 anos dedicados a anunciar o Evangelho, a
Consolar os mais necessitados, ao serviço do próximos? Muitos de nós nem sabemos
se chegamos aos 75 anos de idade!
No domingo em Mgongo a
festa da Consolata foi celebrada pela comunidade da Faraja House, juntamente com
a comunidade da aldeia. Foi uma celebração dupla.
Fez-se a festa da
Consolata e também a do Corpo de Deus. Foi mais simples que a festa em Iringa,
mas nem por isso menos vivida. Aqui o maior papel coube às crianças, onde não
fosse a Faraja (Consolação) um centro a elas destinado.
Na segunda-feira recebemos a visita do Pe. Casimiro, que tinha vindo a Iringa
fazer umas compras. Combinámos de passar a quarta-feira com ele, mas como o
Padre que o vinha buscar veio logo na terça já não pudemos fazer isso. Pelo
menos deu para passarmos um pouco da tarde de terça juntos.
Lá nos inteirámos das novidades de Sanza (é realmente uma Missão isolada!), e
saber como estava a dar-se a adaptação dele. O Pe. Casimiro estava animado,
apesar de dizer que ainda lhe falta muito o kiswahili. Nada que o tempo não
resolva!
Costuma-se dizer que o bom filho à casa torna. E desta vez o ditado aplicou-se a
um dos cachorros que cá temos. Se se lembram tínhamos 5. Entretanto um foi para
uma Missão e outros dois foram vendidos a outras pessoas. Pois qual não é o
nosso espanto, quando no dia 25 de manhã vemos um desses cachorros!
Completamente pele e osso, menos de metade dos seus dois irmãos que cá tinham
ficado. Pensámos que terá fugido (de certo devido aos “bons tratos” recebidos) e
veio procurar refúgio junto dos seus amigos.
No dia 27 foi chamado para junto do Pai mais um missionário. O Pe. Olivo que
contava 91 de idade. Passou 66 anos da sua vida sacerdotal aqui na Tanzânia, ao
serviço da Missão
Para terminar o mês
fizemos no sábado um passeio a Njombe.

O mini-bus e um dos carros serviram de transporte aos perto de 40 miúdos e 10
adultos. Foram cerca de 300 km para cada lado, mas para alguns foi a primeira
vez que fizeram tão grande passeio.
O almoço foi piquenique e no fim ainda se teve que empurrar a camioneta que não
queria pegar!
Penso que depois deste exercício deviam comer outra vez!!
Na volta parámos em
Makambako, uma grande cidade (tem a estação do comboio) para umas compras no
“sokoni” (pelo
mercado) e para passear um pouco.
Eu e o Paulo aproveitámos e demos um salto à Missão para falar um bocadinho com
o Pe. Aldo e visitar a igreja.
E com estes pormenores do interior da Igreja da Missão de Makambako nos
despedimos até à próxima.
Bons exames, boas férias e “muito calor” para todos!
Beijinhos e abraços,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
2003.Jun.10
Olá a todos!
O mês de Maio chegou em grande estilo. Dia 1 de Maio, dia do trabalhador, é
dedicado a S. José Operário. Neste dia celebrou-se a festa dos Irmãos do
Instituto Missionário da Consolata. Este ano a festa foi celebrada aqui em
Mgongo.
Na Tanzânia trabalham 5 Irmãos Missionários da Consolata, dos quais estiveram
presentes o Ir. Paolino (Casa Regional), o Ir. Nashon (Ng´ingula) e o Ir.
Boniface (Mgongo). O Ir. Liduino (com 73 anos) que se encontra em Dar-es-Salam,
e o Ir. Gianfranco que está em Ikonda não puderam participar na celebração. O
primeiro por motivos de saúde, e o segundo por motivos de trabalho, pois está a
orientar as construções no hospital em Ikonda.
Assim, neste dia de S. José Operário, prestou-se homenagem a todos aqueles que
contribuem para o bom andamento da Missão e que dão o seu testemunho através do
trabalho.
Como as terças-feiras são os nossos dias livres, no dia 6 acompanhámos os irmãos
do Pe. Franco numa visita a Njombe. O objectivo era visitar umas cooperativas de
senhoras que fabricam artigos artesanais, para depois poder estabelecer negócio.
A empresa dele faz este tipo de negócios também como forma de ajudar estas
pequenas cooperativas. Um contrato desta natureza fornece trabalho por pelo
menos um ano e assim, estas senhoras encontram um meio subsistência.
Na quinta-feira tivemos a visita do Pe. Casimiro.
Não foi de propósito, mas o que é certo é que nessa noite houve festa.
Entretanto temos mais uma “hóspede” cá em casa. Os miúdos com as suas fisgas
apanharam um falcão (por acaso é uma) e estavam a “brincar” com a ave quando os
seus gritos nos alertaram. Lá fomos em socorro da avezinha e resolvemos
instalá-la num dos quartos até estar recuperada para tornar a voar. Uma das asas
parecia um bocadinho partida mas como um dos nossos colegas do curso de
kiswahili é veterinário, assim que tivermos oportunidade levamo-la para “uma
consulta”. Portanto agora, além dos lagartinhos que temos cá em casa, mais os 5
cachorros que nasceram o mês passado e que dormem à nossa porta, temos um
falcão. Companhia não nos falta :).
Este seminário contou com a presença de uns 30 LMC que, durante quatro dias,
orientados pelas Irmãs Zita Amanzia e Ida Luisa e pelo Padre Dario Rampin,
reflectiram sobre a Palavra de Deus à luz dos ensinamentos do Beato Allamano.
Os Leigos tanzanianos ainda estão a dar os primeiros passos na realidade laical
mas mostram-se bastante motivados e bem organizados.
Para terminar a crónica do mês falta só referir que, como em muitos outros
sítios do planeta, também se celebrou o mês de Maria. Os rapazes da Faraja têm
um carinho muito especial por Nossa Senhora e assim, todos os dias, ao fim da
tarde, nos juntávamos para rezar dois ou três Mistérios.
E com este belo pôr-do-sol africano nos despedimos.2003.Mai.07
Olá a todos!
Cá estamos mais uma vez para o nosso encontro mensal.
O nosso mês de Abril começou com uma visita à Missão de Mafinga. Mafinga fica a
duas horas de viagem de Iringa e é onde se encontra o Seminário Menor do IMC
aqui na Tanzânia. O nosso propósito ao lá ir era o de pedir algum tipo de ajuda
ao Pe. Goleto para as minhas aulas de matemática. Mas, como em todas as escolas
secundárias aqui, as aulas são dadas em inglês e assim não consegui muito. No
entanto não demos o nosso tempo por perdido. Pois tivemos oportunidade de
visitar a Missão.
A Missão tem uma quinta onde, além de outras coisas, fazem plantação de café e
de girassóis, para fazer óleo. O café é realmente bom e, como depois também é
levado para a Casa Regional, é desse que costumamos comprar. Nesta parte da
Tanzânia chove mais do que em Iringa, e isso nota-se logo na paisagem, muito
mais verde.
O símbolo da Missão é uma avestruz, que foi trazida ainda pintainho (6 semanas)
pelo Pe. Tomás (actual superior do IMC em Portugal) quando cá se encontrava a
trabalhar.
No sábado seguinte, dia 5,tivemos a visita de uma equipa de reportagem da
televisão Municipal de Iringa. Foi muito interessante!
Claro que era tudo só para ser filmado :).
No dia seguinte, 5º domingo da Quaresma, fez-se durante a Eucaristia a
representação da parábola do Filho Pródigo. Como de costume as meninas da aldeia
também participaram. Continuámos a ficar surpreendidos com a capacidade destas
crianças/jovens para em pouco mais que 2, 3 dias não só decorarem os seus papéis
mas também decorarem as músicas novas, que geralmente são compostas
propositadamente para a representação.
O Paulo tornou a dar uma ajuda na caracterização das personagens, desta vez com
os porquinhos. Foram os mais pequeninos que fizeram esse papel, mas tiveram
direito a nariz, cauda e orelhas. Digam lá se não eram uns leitõezinhos bonitos
:)?
Também foi neste dia que se apresentaram à comunidade os 7 catecúmenos que iriam
ser baptizados na Vigília de Sábado Santo. Para a Faraja era motivo para
celebrar triplamente. 3 dos nossos rapazes iam ser baptizados. 
A semana Santa começou com os exames dos alunos da Chuo. Foram 3 manhãs em que
eles foram testados nos seus conhecimentos, antes de irem para umas curtas
férias. Para mim e para o Paulo foi uma experiência nova, pois nunca tínhamos
preparado exames anteriormente.

Da esquerda para a direita: 
Ao fim da tarde, depois do fogo aceso iniciou-se então a grande Vigília. Mais
uma vez tivemos a presença da comunidade Luterana.
À noite jantámos todos na Faraja para também fazermos a festa com os 3 novos
baptizados da nossa comunidade. Como não podia deixar de ser houve cânticos,
teatro, bolo e prendas.
Ao fim da tarde foram levados de volta à cidade, às suas casas: paragens de
camionetas, mercado, casas abandonadas… Pelo menos por um dia puderam também
eles festejar a Páscoa com um pouco de alegria.2003.Abr.08
Habari zenu! (Olá, como estão!)
Depois de um período relativamente seco, Março começou com chuva. Apesar de ter chovido bastante durante todo o mês, para a maior parte das colheitas já não fez grande diferença pois o milho já estava todo seco. Mesmo assim agradecemos a água que caiu pois sempre deu para encher um pouco mais os lagos e poços.
O mês também foi preenchido com festejos e celebrações A primeira foi logo no dia 2. As duas senhoras que cá se encontravam iam embora e, além de termos almoçado com a comunidade, tivemos, como é hábito, um jantar de despedida na Faraja.
Logo depois foi o Carnaval. Aqui não se festeja o Carnaval e, como tal, foi um perfeitamente normal. Para nós até correu bem pois a terça-feira é o nosso dia livre. Festejamo-lo passando duas horas na internet a conversar com amigos e família e almoçámos na Casa Regional. O Pe. Casimiro também nem se lembrava que era Carnaval! Mas o melhor foi o fim do dia!! O grande jogo Benfica-Porto deu na televisão e lá ficamos até às duas da manhã!!! a ver o jogo. No fim comemorámos a grande vitória (desculpem-nos todos os benfiquistas) com troca de mensagens por telemóvel com o Pe. Casimiro e alguns em Portugal. Mas no dia seguinte pagámos o preço por nos termos deitado tão tarde, não ouvimos o despertador e acabámos por faltar ao primeiro tempo nas aulas. Começamos a Quaresma logo a cometer faltas.
No dia seguinte “recebemos agradecimento e presente”. Isto é, Shukrani e
Zawadi. Dois irmãos de 8 e 6 anos que uma senhora que os tinha recolhido da
rua nos veio pedir para os acolher. Os pais e a avó estão presos (acusados
de feitiçaria), os irmãos mais velhos foram para outras cidades e a tia que
tratava deles passa a maior parte do tempo a beber. Os dois últimos anos
passaram-nos na rua a tentar sobreviver até que esta senhora os acolheu. Mas
não lhe é possível ficar com mais duas crianças a cargo pois já tem perto de
outras dez nas mesmas condições. No meio disto tudo aconteceu uma situação
caricata. Dada a forma como estavam vestidos o Pe. Franco pensou que o
Zawadi fosse antes “uma prenda” em vez de “um presente” e já estava a
explicar à senhora que nós só podemos recolher meninos. Perante a
insistência da senhora o Pe. Franco, para tirar as dúvidas, lá levantou o
vestido e confirmou-se “o presente”.
Como parte da catequese, os miúdos fazem agora cartazes, que são usados na missa de domingo, com a indicação das Leituras e desenhos alusivos. Cada grupo está encarregue de um domingo e o Paulo ajuda-os com os desenhos. Os cartazes servem não só para alegrar um pouco mais a Igreja, mas também para a explicação das leituras e para a homilía. E uma vez por outra, faz-se um pequeno “igizo” (representação/teatro).

Neste primeiro domingo representou-se as tentações de Jesus no deserto e,
além de se ter feito um pequeno deserto dentro da igreja tivemos direito a 3
“mashetani” (diabos), um para cada tentação. Para isso foi necessário fazer
os cornos e as caudas e vesti-los a condizer. O Paulo mais uma vez usou da
sua habilidade e o resultado podem ver pelas fotos.
É claro que houve alguma risota durante a representação, mas o importante é que a mensagem foi percebida por todos e, como é normal, todos os que participaram não se vão esquecer da “lição de catequese”.
Durante a tarde os Pe. Casimiro, Giani e Pascoal, juntamente com um amigo
italiano e o Prof. John, da escola de kiswahili passaram por cá para uma
partidinha de futebol com os miúdos. Todos passaram um bom momento e ficou a
promessa de tornar a fazer encontros desportivos deste género, não só com os
miúdos da Faraja, mas possivelmente também com os da Chuo. O resultado
acabou num empate.
Vejam a habilidade do Pe. Casimiro a fintar um jogador!! A continuar assim
ainda pode vir a reforçar a equipa do Porto :)!
Na terça-feira seguinte festejou-se mais um aniversário. A D. Rita fez 87
anos (e não 85 como eu disse na última newsletter). Não deixa de ser
admirável a força que esta senhora continua a ter. Agora que os colchões da
Chuo estão prontos, está a fazer o mesmo para a Faraja (à volta dos 70) e
ainda quer fazer umas cortinas para o refeitório da Faraja. Cá está ela a
receber o bolo.

No sábado seguinte passou por cá o Bispo Evaristu Chengula, de Mbeya,
padre da Consolata. A sessão de catequese desse dia foi dada por ele.
E para que não digam que eu (Teresa) não apareço nas fotos :)
Também neste sábado um dos nossos rapazes, o Eduard, fez exame de Karaté
para passar a cinto negro. Agora já cá temos dois cinturões negros. O Abby,
que se encontra a estudar na Escola Secundária em Moshi, e o Edu que está na
sétima classe aqui em Mgongo. Vejam-no todo vaidoso do seu novo cinturão no
meio dos Mestres.
Entretanto a vida na Chuo também continua. Este mês, os alunos do
primeiro ano receberam as suas caixas de ferramentas para os seus trabalhos
e estudos. Estas toolboxes permanecerão com eles ao longo dos 3 anos do
curso e, no fim, tornam-se sua propriedade. Uma pequena ajuda para iniciarem
a sua vida laboral. Aqui estão os alunos de carpintaria, nos seus fatos de
trabalho, acompanhados do professor, do Irmão Bonifácio e do Pe. Franco.
O fim do mês coincidiu com o começo das férias para os alunos da escola
primária. Mas férias, para os miúdos da Faraja, não significa a total
ausência de trabalho. Em especial aqui em Mgongo, onde há sempre algo que
fazer, seja tratar dos campos ou dos jardins; ainda para mais porque a chuva
fez crescer bastante as ervas daninhas. No entanto, mesmo durante o trabalho
há tempo para brincar um pouco. Afinal, crianças e natureza são uma
combinação garantida para alguns momentos bem passados! Vejam algum deles,
descansando depois de algum trabalho e muitas subidas às árvores.

E, da mesma forma que começámos, fechámos o mês com uma celebração. Dia
31 o Irmão Bonifácio festejou o seu aniversário. Desta vez o jantar foi na
Chuo, mas ainda assim com direito a um momento de entretenimento
protagonizado pelos alunos dos 3 anos, com pequenas peças humorísticas,
canções e danças. A grinalda a volta do pescoço do Irmão é a maneira como se
distingue a pessoa homenageada. Já tínhamos visto nos casamentos e agora
também nos aniversários.
Beijinhos e abraços para todos e até à próxima,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2003.Mar.11
Olá a todos
Cá estamos mais uma vez a dar-vos notícias deste “cantinho” do mundo.
O mês de Fevereiro é o mais pequeno do ano, para condizer também pouca coisa se
passou por cá. Entre aulas, trabalhos e pouca água o mês passou a correr.
Como não tem chovido muito, o nosso “pintor oficial”, Isaya, tem aproveitado para colorir mais um pouco as paredes da Faraja.
O Isaya é o da esquerda e faz os desenhos só olhando para o papel. A maior
parte das paredes da Faraja estão decoradas com desenhos dele.
Dia 14 de Fevereiro era o dia de S. Valentim. No dia anterior recebemos de Portugal, para grande espanto nosso por ter chegado a tempo, alguma correspondência alusiva e, dos Correios onde eu trabalhava, dois postais para nós trocarmos; que a minha chefe e a minha colega de trabalho acharam por bem nos mandar!
No dia seguinte estivemos com o pensamento em Portugal pois estava-se a realizar a XIII Peregrinação da Consolata a Fátima. Mais uma vez demos graças pelas novas tecnologias que nos permitiram estar um bocadinho mais perto daqueles que nos são queridos. Nós aqui festejamos o dia do Beato José Allamano, 16 de Fevereiro, de uma forma muito simples. No domingo tivemos uma pequena celebração eucarística festiva; almoçámos com Pe. Júlio e o Irmão Bonifácio, pois o Pe. Franco tinha-se deslocado a Dar-es-Salaam; e jantámos na Faraja com os rapazes.
Na quarta-feira o Pe. Franco regressou com a mãe e duas senhoras irmãs amigas. A mãe do Pe. Franco, D. Rita, é uma senhora de 85 anos que, além de ter dado dois filhos para as missões (o irmão do Pe. Franco é missionário da Consolata na Etiópia) tem passado bastante do seu tempo também a trabalhar nas missões. Desta vez está a fazer as coberturas para os colchões para os alunos da escola técnica (são perto de 60). As outras duas senhoras contribuíram com bastante ajuda monetária para a construção da escola primária de Mgongo.
As duas irmãs estão na ponta, D. Rita está no meio.
A escola, foi construída pela Consolata mas pertence ao estado. O objectivo
foi o de permitir que as crianças da Faraja tivessem uma escola que pudessem
frequentar que ficasse mais perto de casa.

Para mostrarem o seu agradecimento. A escola preparou uma pequena celebração.
Com danças, cantos e até uma galinha, a aldeia mostrou o seu reconhecimento a
quem tanto os ajudou.
Um grupo de alunas executa uma dança, enquanto o Ombeni marca o ritmo.
Duas crianças oferecem uma galinha para o almoço, sob o olhar atento do pe.
Franco e da Professora Annete
Á parte os trabalhos com os miúdos, e algumas celebrações, as nossas aulas na
escola técnica e na escola primária começaram.
O Paulo não tem grandes problemas no ensino da Bíblia. Além da formação que ele
já tem, também tem guias por onde “seguir a matéria”. E na escola primária, onde
ele dá catequese, também tem 15 anos de experiência e um guia para o ajudar.
Claro que o pouco domínio (ainda) da língua atrapalha um bocadinho, mas nada de
mais. Entre desenhos e jogo do enforcado para revisões (aos mais pequenos), até
um bocadinho de história e geografia (para todos), mais a ajuda do dicionário,
as aulas estão a correr bem.
Quanto a mim já é mais complicado. Quando pensei que a matemática seria a disciplina que me iria dar problemas, enganei-me bem! Apesar de ter que explicar as coisas em kiswahili e o livro que estou a seguir ser todo em Inglês, os alunos estão a acompanhar medianamente a matéria. Digo medianamente pois ainda não consegui que todos eles percebessem que precisam de copiar para o caderno a matéria e os exercícios que eu faço no quadro. Outro pormenor é que os alunos do 2º ano estão mais bem preparados que os do 3º. O que me leva ao Inglês: no início das aulas dei um teste diagnóstico de gramática a estes dois anos. O teste era igual e, qual não foi o meu espanto, quando verifiquei que os resultados eram, no geral, melhores no 2º ano do que no 3º. Conclusão: estou a dar a mesma matéria aos dois anos! Outra dificuldade é a falta de vocabulário que todos têm, isto torna-se especialmente grave quando eu estou a explicar algo e eles acabam por não perceber sequer o que é que eu estou a dizer. Tendo em conta que supostamente deveria usar só o Inglês nestas aulas… Mas o que me deixa algo frustrada é que se eu pergunto se perceberam, ou dizem que sim, ou não dizem nada (que é o mais comum). Assim como se eu chamar algum aluno para vir ao quadro fazer um exercício leva sempre mais de 2 minutos a decidirem-se a levantar (quase só falta eu ir ao lugar buscá-los pelo braço :-/ ). Se levarmos em conta que as aulas demoram 40 minutos apenas (já estou mesmo a ver muita a gente a pensar que aqui é que é bom :) e cada disciplina só tem duas aulas por semana, não há grande oportunidade de aprender muito!
No entanto estou confiante de que com o tempo as coisas irão melhorar. Aliás, o meu objectivo para este ano será ensinar o melhor que puder o 3º ano, para que o pouco que eles sabem, saibam-no bem; e preparar uma espécie de programa a seguir ao longo dos três anos de curso. Para estas duas disciplinas não há programa oficial a seguir nem exames do estado para fazer no final do curso. Fica tudo ao critério dos professores responsáveis. Neste caso são eu que, aos poucos, tenho que ver as necessidades de aprendizagem que eles têm (neste momento o lema é: pouco mas bem) e fazer todo o tipo de avaliações.
Outro problema que nos começa a afligir é a pouca chuva que tem caído, por todo o país. O milho nos campos está a começar a secar e se não chove depressa, as colheitas vão-se perder.
E assim vai a nossa vida por aqui.
Beijinhos e abraços para todos e continuem a mandar-nos notícias.
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2003.Fev.07
Olá a todos!
Este mês de Janeiro passou a correr entre trabalho, surpresas, reencontros, peripécias e o começo do Ano Lectivo.
A primeira surpresa foi a chegada de um envelope de Portugal que nos tinham enviado em Novembro!!!! Nós já tínhamos perdido as esperanças em o reaver. Afinal o que aconteceu foi que ele foi dar uma voltinha pelos correios de França. Desde já fica aqui um aviso a quem nos escrever: não se admirem se demorarmos a dar resposta pois a correspondência pode demorar a chegar às nossas mãos entre 5 dias a quase 2 meses :).
Entretanto o trabalho também não pára e, aos poucos estamos a começar a ficar mais envolvidos. Uma das nossas funções é atender as pessoas que cá aparecem a pedir para ficarmos com crianças. Às vezes são mães, outras vezes são irmãs, ou até simplesmente alguém que tinha tomado conta da criança porque os pais tinham morrido. É sempre uma situação não muito agradável, até porque todos precisam de ajuda, mas é preciso fazer uma selecção pois já não há espaço nem condições na Faraja para acolher mais miúdos. É lógico que onde há perto de 70 crianças, cabe sempre mais algum. Mas também é preciso ter a consciência de não piorar as condições dos que já cá estão.
Um dos últimos a chegar foi o Emanuel. Miúdo com 9 anos que veio com a mãe e
o meio-irmão bébé. O pai tinha morrido e o padrasto não queria o miúdo em casa,
batia-lhe e nem o deixava ir à escola. Ele estava tão traumatizado que, no dia
seguinte quando o Paulo estava a tentar brincar com ele a fazer-lhe umas
cócegas, o Emanuel correu a esconder-se debaixo da mesa a soluçar de medo pois
pensava que o Paulo lhe ia bater. A parte boa é que passado uns dias, já estava
com outro aspecto e já brincava com os outros meninos, começando a ter um
aspecto um pouco mais feliz. Vejam-no abraçado ao Nain, um dos seus novos
amigos! (O Emanuel é o do lado direito)
No dia 10 tivemos o primeiro reencontro. O Pe. Norberto Louro, que cá se
encontrou para um seminário fez-nos uma visita. Foi uma manhã muito boa, a matar
saudades em português. Afinal tinha sido há doze anos atrás que o Pe. Norberto
nos tinha “fisgado” para a Consolata.
Depois no sábado à noite tivemos o prazer de assistir a um joguinho de futebol especial. A TVMoçambique transmitiu um jogo do Porto! Foi muito bom, em especial para o Paulo :).
Durante a semana os 4 visitantes Italianos que cá estavam foram embora. Estes amigos do Pe. Franco não se limitaram a cá vir passar umas férias. Eles também vieram ajudar um bocadinho. Dois deles sãos especializados em informática e electrónica e, como tal, foram fazendo umas reparações que sempre vão sendo necessários. Aliás, a Missão também vive um bocadinho da ajuda destes visitantes que por vezes cá vêm passar umas semanas. Os familiares do Pe. Júlio que cá estiveram em Dezembro, ajudaram a fazer os uniformes para os miúdos irem para a escola. Desde já fica aqui o convite para se alguém estiver a pensar em fazer umas férias diferentes, podem cá vir que serão acolhidos de braços abertos!
Entretanto as aulas foram começando. As manhãs agora são bem mais sossegadas pois os miúdos estão nas aulas. Perto de 20 deles, que estão na Secundária, também saíram da Faraja e agora só regressarão nas férias.
Na semana seguinte, lá nos dirigimos para a Casa Regional para participar no
seminário que foi orientado pelo Pe. Norberto e pelo Pe. Okello. O tema era “A
nossa missionaridade aproximada ao nosso Carisma” e, desta vez foi em Inglês.
Éramos cerca de 20 pessoas. Foi uma experiência muito rica pois tivemos a
oportunidade de contactar com outros missionários, a maioria dos quais já com
largos anos de vida missionária. E se pensarmos que alguns chegaram a contactar
de perto com alguns dos primeiros missionários no Quénia… Além dessa partilha de
experiências ficámos também a conhecer um bocadinho mais a realidade da Missão,
neste país tão grande como é a Tanzânia.
Enquanto lá estávamos tivemos o segundo reencontro. O Pe. Casimiro chegou de
Portugal, com notícias fresquinhas (e algumas lembranças) da família e amigos.
Nessa noite tivemos uma verdadeira mesa portuguesa com nós os dois, o Pe.
Norberto e o Pe. Casimiro. Aliás, quase que o português era a língua mais falada
pois alguns dos padres que lá estava tinham estudado em Moçambique e havia um
brasileiro, além de nós os quatro. Ainda chegámos a propor que o seminário fosse
em português, mas sem grande resultado :(.
Passada a semana e regressados a casa tínhamos mais um assunto pendente para
resolver: os nossos atestados médicos para mandar para a Segurança Social em
Portugal, pois o processo ainda não estava pronto. Assim na terça-feira, nosso
dia de folga, bem cedo, lá nos dirigimos a Tosamaganga, onde temos uma missão,
para irmos ao hospital tentar arranjar um Atestado de Robustez. Seria de admirar
se as coisas tivessem ficado logo resolvidas. E realmente, no hospital
pediram-nos primeiro que fizéssemos uns exames antes de passarem o atestado.
Coisa perfeitamente normal de se pedir, mas que nos iria dificultar um bocadinho
o andamento da coisa. Viemos embora para nos aconselharmos primeiro qual melhor
forma sobre o que fazer.
Durante a tarde, enquanto eu estava na internet a tratar do correio, o Paulo foi
fazer, ou pelo menos tentar fazer, as compras. Acontece que o nosso carro já tem
quase 200mil km e já teve alguns problemas. E assim aconteceu que as mudanças
bloquearam no meio da rua!! A sorte foi que o Paulo estava perto da Paróquia da
Consolata e dirigiu-se lá a pedir ajuda. Chamaram o mecânico, mas não estavam a
conseguir resolver o problema. E entretanto estava a começar a chover. Então
resolveram por o carro dentro do adro da igreja da paróquia, pois no meio da rua
é que ele não estava bem. Só que puxar um carro daqueles, com tração às 4 rodas
e completamente bloqueado... é dose!! E como um azar nunca vem só… enquanto o
estavam a puxar, os homens que estavam a fazer isso acabaram por bater com o
carro num pilar. O Paulo até agora ainda não percebeu como foi possível não
terem visto o pilar, mas prontos, são coisas que acontecem. Ficou a porta
traseira completamente empenada. Entretanto ele tinha vindo avisar-me do
sucedido e eu já me tinha dirigido para a Casa Regional onde aproveitei para dar
uma ajudinha ao Pe. Casimiro com o computador dele. Como não foi possível
arranjar o carro nesse dia, fomos para casa com o Pe. Júlio que para nossa sorte
tinha passado na Casa Regional. Como tínhamos acabado por não fazer as compras
regressámos no dia seguinte. O que até foi bom pois o nosso carro já lá estava
pronto, à excepção da porta. Mas afinal não era assim tão grave e não havia
pressa em arranjar. Só uma questão se punha: como levar dois carros de volta a
Mgongo? Simples. Cada um ia num carro, e assim foi a primeira vez que eu conduzi
desde que saí de Portugal :). Até nem correu muito mal, ainda para mais porque o
volante do nosso carro é do lado esquerdo (como em Portugal) e as estradas têm
tantos buracos que quase nem há necessidade de conduzir do lado direito. É
preciso é desviar dos buracos!
Foi uma sorte termos o carro novamente pois assim foi mais fácil ir buscar o Pe. Casimiro no sábado para vir passar a noite em nossa casa. O motivo era mais um jogo do Porto, desta vez com o Boavista. E como na Casa Regional não há a TVMoçambique, e como o Pe. Casimiro também é portista, achamos que ele iria gostar. Foi uma agradável noite portuguesa!
Durante a semana seguinte, última do mês, começaram a chegar os alunos da Escola Técnica. Fez-se uma primeira reunião com o staff da escola, agora reforçado com nós os dois, e ficou decidido que eu iria dar as aulas de Matemática e Inglês aos 3 anos, e o Paulo as aulas de Bíblia, também aos 3 anos. Quanto ao Inglês não tenho grandes dificuldades, mas quanto à Matemática é capaz de ser um bocadinho mais difícil pois o domínio do kiswahili ainda não é muito grande. E ensinar algo que à partida a maior parte dos alunos não gosta… vai ser um desafio interessante!

Apesar de estarmos na época das chuvas, este ano ainda não choveu muito.
Mesmo assim tudo está muito verde, ao contrário de quando cá tínhamos chegado.
As ervas crescem depressa e é preciso ir cuidando dos jardins dos campos e de
todo o espaço da Missão. Assim, o trabalho agora é dividido entre o campo, o
limpar das ervas e o pastoreio dos animais. Esta é uma das tarefas que os
rapazes fazem, desde os maiores aos mais pequenos.
E com estas fotos dos rapazes em pleno trabalho nos despedimos.
Beijinhos e abraços para todos e continuem a mandar-nos notícias.
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2003.Jan.12
Olá a todos,
Cá estamos em Mgongo, e já se passou um mês desde que aqui chegámos!
A última newsletter acabou com a nossa saída da escola de kiswahili.
Essa noite passamo-la na Casa Regional e, no dia seguinte participámos
num pequeno retiro lá realizado. O tema era “Umuhimu wetu katika fumbo
la ukombozi” (A nossa importância no plano de salvação)
e foi em kiswahili. Não vamos dizer que percebemos tudo ? mas algumas
coisas já vamos apanhando.
Mas logo ao pequeno-almoço tivemos uma notícia triste. A missão
de Matembwe tinha sido assaltada na noite anterior. Além de bastante
dinheiro entre euros, dólares e tshillingis que os ladrões levaram
(dinheiro destinado à construção total de uma igreja
em Image) o Pe. Dário foi agredido. Infelizmente, os roubos a missões
começam a ser frequentes por aqui!
Ao fim da tarde, depois de terminado o retiro, o Pe. Franco recém-chegado de Itália veio-nos buscar para irmos para Mgongo, para a casa que será nossa nestes 3 anos.Á nossa espera estavam todos os rapazes que estão na Faraja House para nos darem as boas vindas. Nesse dia foi mesmo só um olá muito breve, pois já era tarde.
No dia seguinte lá desfizemos as malas e a, verdadeiramente, instalar-nos na casa. Como ainda não estava tudo pronto, a nível de utensílios, especialmente, nos primeiros dias tomámos as refeições na casa dos padres, com a comunidade: Pe. Franco, Pe. Júlio, ambos italianos e o Ir. Bonifácio, queniano.

Na terça-feira, dia 10 foi a “cerimónia oficial” de boas vindas.
Jantámos todos na Faraja House e, no fim do jantar, fomos brindados
com um espectáculo cultural e recreativo organizado pelos rapazes e
até tivemos direito a bolo!
Os primeiros dias foram passados a arrumar a casa e a conhecer os cantos
à Missão e as pessoas que cá trabalham. Participámos
numa reunião com os professores da escola técnica, fomos até
aos campos de cultivo, vimos o dispensário… Fomo-nos ambientando.
E fomos começando a trabalhar! O Paulo começou por dar uma de
carpinteiro e fez alguns trabalhos de manutenção, em especial
nos quartos dos miúdos. Desde camas a portas, havia bastante coisa
a precisar de reparação. E claro, não esquecendo da familiarização
com os miúdos.
Não foram dias muito fáceis! Todo o cansaço de fazer
e desfazer malas, o facto de estarmos num sítio (apesar de muito apetecido)
novo, todas as pequenas coisas que faltavam na casa, o não nos podermos
expressar da melhor maneira (há sentimentos difíceis de explicar
em português, quanto mais em kiswahili, inglês ou italiano!) e,
principalmente os poucos meios de comunicação existentes (na
escola tinhamos internet todos os dias, aqui nem o telefone funcionava em
condições) fizeram com que sentíssemos de maneira um
pouco mais forte a solidão. Não que estivéssemos sozinhos,
mas a distância dos familiares e amigos, nestas alturas sente-se mais.
No entanto, aos poucos as coisas foram-se compondo. Aliás, com tantas
crianças à volta é difícil estar muito tempo triste.
Entretanto ainda não tínhamos as nossas cartas de condução e faltavam-nos algumas coisas para podermos começar a fazer as refeições na nossa casa. Para isso teríamos que ir a Dar-es-Salam e, no dia 15 lá fomos com o Pe. Júlio e o Ir. Bonifácio (que ia de férias) até à capital económica do país. Foi uma longa viagem, perto de 9 horas! Mas tudo correu bem. Dar-es-Salam é uma cidade quente. Mas é um calor húmido e mesmo à noite só se está bem debaixo de uma ventoinha ou ar condicionado!
Nessa noite tivemos que ir jantar fora, pois a cozinheira tinha adoecido. Imaginem que fomos comer a um restaurante italiano. Fantástico! Já agora um pormenor: a 2ª língua mais falada na ilha de Zanzibar é o italiano. No dia seguinte o Pe. Júlio levou-nos a fazer compras e aproveitámos para ver um bocadinho de cidade. Pela primeira vez na vida, vimos o Oceano Indico. Que saudades de dar um mergulho!
Muita gente na rua e muito trânsito também, mas achámos que era uma cidade um bocado suja! Nas ruas vende-se de tudo, desde a tradicional bijutaria e peças de madeira, t-shirts e sapatos e até livros técnicos de economia, informática e outros. Os vendedores tentam entre o inglês e o italiano convencer-nos a comprar. Ainda passámos no mercado principal da cidade “Soko Kariakoo” mas foi de carro e acho que não me atrevia a meter lá no meio. Para terem uma ideia imaginem o Bolhão com o dobro do tamanho e 5vezes mais pessoas! Um pandemónio!
De tarde fomos até à”zona das estátuas” ?. Uma rua onde loja sim loja sim se encontra todo o tipo de souvenirs que os europeus tanto gostam de levar de África. Como por exemplo, kangas, kitenges, sandálias, missangas e, as mais apetecidas peças em madeira, as esculturas Makonde. A serem feitas ali mesmo à nossa frente. Infelizmente só foi mesmo para regalar os olhos, mas um dia lá voltaremos para umas compritas ?
Na terça-feira começou a nossa aventura das cartas de condução. Pelo que sabíamos só era preciso assinarmos uns papéis e prontos. Mas revelou-se algo mais complicado! Quando fomos até ao posto da polícia para resolver isso a resposta que nos deram foi: “kesho” (amanhã), uma resposta que é muito usual por aqui. Sendo assim, lá fomos embora e aproveitámos para comprar um telemóvel. Um luxo que nos dispusemos a comprar para poder ser mais fácil comunicar com Portugal.
No dia seguinte, às 6.30 da manhã, já estávamos em frente ao Posto da Polícia. No entanto ainda tivemos que esperar mais de 4 horas até vermos que as coisas começavam a ser resolvidas. Ainda tivemos que ir até ao hospital fazer um exame aos olhos. Teve o seu quê de interessante pois eu, sem óculos, já começo a ter dificuldade em ver a uma certa distância. No entanto, a fotografia para a carta de condução não tem óculos! Algumas letras foi o Paulo que me disse e outras fui eu que fiz batota e olhei com os dois olhos, em vez de só com um. Mas o exame era só um pró-forma, pois como já se tinha pago, não havia problema. Este é um dos grandes problemas do país! Toda a gente quer receber subornos, seja pelo que for e, sem pagar, dificilmente se conseguem as coisas! Mas o importante é que, no fim da manhã, tínhamos as cartas na nossa mão. Agora só faltava mesmo o carro!
Quinta-feira de manhã lá partimos de regresso a Mgongo, desta
vez com mais 4 pessoas. A irmã e cunhado do Pe. Júlio, mais
uma cunhada dele e uma amiga. Visitantes que vinham passar uns dias à
missão.
De regresso ao trabalho, era necessário fazer o presépio pois
o Natal estava a bater à porta. O Paulo e alguns dos rapazes encarregaram-se
disso, enquanto eu ia ajudando a Prof. Annete a terminar os presentes para
a noite de Natal. E para nos irmos preparando também espiritualmente,
durante os dias que precederam o Natal tivemos a Novena de Natal.

Finalmente chegámos à Véspera de Natal. Como escurece
cedo e é um bocadinho perigoso andar pelos campos depois do sol-pôr,
a Missa do Galo foi às 6.30 da tarde. Foi uma celebração
muito bonita, com cânticos e procissões e danças de louvor.
No fim foram distribuídos alguns presentes pelas crianças da
aldeia (rebuçados, cadernos e canetas). Nessa noite jantámos
na casa dos Padres. Não havia bacalhau, mas havia panetone (bolo tradicional
italiano). Entretanto lá fora a chuva caía com força
e a trovoada demorava em passar. Felizmente o tempo acalmou e até deu
para ligar para as nossas famílias em Portugal! (é que quando
chove e/ou troveja o mais certo é ficarmos sem comunicações
telefónicas).

Por volta das 10.00 noite dirigimo-nos outra vez para a Igreja onde os rapazes
da Faraja e o resto do staff já se encontravam. Era o momento de abrir
os presentes ?.Todos tivemos direito a prendas, incluindo o Pe. Júlio
e o Pe. Franco e os visitantes. Para os rapazes as prendas eram roupa, cadrenos
e canetas, sabonete e rebuçados. O Pe. Júlio foi brindado com
umas ceroulas, que logo experimentou: quem disse que o Pai Natal não
existe :) E eu tive direito a um Snoopy :)
Em nossa casa esperava-nos uma mesa de Natal composta com alguns regalos
que vieram de Portugal a tempo da quadra Natalícia e um panetone (fez
a vez do bolo-rei), oferta dos visitantes italianos. No dia seguinte almoçámos
na Faraja todos juntos e, o resto da tarde passou-se entre jogos e brincadeiras.
Mas no dia seguinte, 26 de Dezembro, também é feriado. É
o chamado “Boxing day”. Nesse dia, os mais velhos foram passar o dia a Iringa
enquanto que um grupo à volta de 40 rapazes (também rapazes
de rua) vieram passar o dia connosco a Mgongo. Entre jogos de futebol, matraquilhos
e vídeo, também eles tiveram um bocadinho de Natal. No fim todos
levaram uma pequena prendinha: t-shirt, rebuçados, creme para a pele
e um pouco de dinheiro
Passado o Natal veio a Passagem de Ano. Mais uma daquelas festas que estamos acostumados a passar com a família e os amigos. Desta vez foi muito diferente!
Entretanto chegaram mais 4 Italianos para cá passar um mês.
Na véspera de Ano Novo fizemos uma celebração especial para agradecer as bênçãos recebidas ao longo do ano e acolhermos 2003 com força renovada. Nessa noite jantámos só os dois e foi bacalhau, como é tradição, que a minha mãe nos tina enviado. Esperámos pelas doze badaladas para brindar e comer as passas e, depois, fiquei eu à espera que fosse meia-noite em Portugal. Desta vez posso dizer que tive 3 passagens de ano! A da Tanzânia, a de Moçambique (pois aqui conseguimos ver a televisão moçambicana) e a de Portugal. Esta foi acompanhada pelo fogo de artifício realizado em Inglaterra (pois também temos a BCC). Entretanto recebemos algumas mensagens no telemóvel e o pessoal do JMC que estava reunido em Águas Santas a celebrar a passagem de ano ainda tentou ligar! Infelizmente a rede aqui é muito fraca e apesar dos vários esforços (chamadas) que eles fizeram, não me conseguiram ouvir. Mas eu ouvi-os a falar e também assim estivemos unidos: Muito obrigado!
No dia de Ano Novo fomos todos para Iringa pois ia-se realizar uma demonstração de Karaté e iam ser realizados alguns exames de passagem de cinto. Os nossos karatecas saíram-se bem e subiram de graduação.
No dia 4 de Janeiro foi o aniversário do Pe. Franco. O Pe. Júlio
também festejava o aniversário passado uns dias, mas como iria
para Dar-es-Salam para levar os primeiros visitantes ao aeroporto, fez-se
a festa toda junta. Ao mesmo tempo também se aproveitou para fazer
a despedida de uns e dar as boas-vindas aos outros visitantes.
Algumas das prendas que os padres tiveram foram realizadas pelos rapazes com
a ajuda do Paulo. Um tabuleiro de damas para cada um.
Para terminar as festas Natalícias tínhamos a Festa da Epifania
para realizar. Esta celebração envolveu perto de 30 pessoas,
entre os rapazes da Faraja e as meninas da aldeia. Fez-se a representação
da história do 4º Rei Mago e, apesar de só se ter ensaiado
3 vezes tudo correu bem. Fizeram-se duas músicas alusivas à
história e não só os soldados tinham espadas como o anjo
teve direito a asas. Estes trabalhos foram realizados pelo Paulo com a ajuda
dos rapazes. Faz parte do trabalho dele a área de “Trabalhos Manuais”.
|
Alguns Reis Magos |
O Anjo e a Sagrada Família em Belém. |
Herodes com a esposa e os guardas. |
Artaban, o 4ºRei mago, a ajudar um ferido |
A matança dos inocentes. |
No fim todos perceberam a história. Afinal, com este tipo de representações faz-se catequese. Os participantes nuca mais se vão esquecer do que aprenderam e, quem viu também se vai lembrar melhor dos ensinamentos transmitidos.
E assim foram as nossas Festas e entrámos no Novo Ano.
Um ano diferente pois vai ser vivido em Missão.
Esperámos que tenham passado bem este tempo e que o Novo Ano traga
muita Paz, Amor e Alegria para todos.
Continuaremos juntos através destas notícias ao longo do ano.
Até à próxima,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzânia
2002.Dez.18
Olá a todos,
Vamos então dar conta do que foi o resto das nossas (curtas) férias e também o fim do nosso tempo de estudo.
Esta semana de férias passou a correr!! Aproveitámos para estudar
mais um bocadinho, mas na quarta-feira fomos até à Casa Regional,
onde o Pe. Gianni estava às voltas com o novo “magazine” que vai sair
em Janeiro do próximo ano. Aproveitámos para dizer que quem
dizer assinar, é só dizer :)!
Durante a tarde chegou o Pe. George, que nós já tínhamos
conhecido no Quénia.
Enquanto eu fiquei a tentar dar uma ajuda ao Pe. Gianni com o computador,
o Paulo aproveitou e deu um salto a Mgongo com o Pe. George.
Por volta das seis da tarde fui a casa das Irmãs da Consolata para
a celebração da Eucaristia onde se festejou os 60 anos de Profissão
de uma das Irmãs. Esta é a casa das Irmãs idosas, Irmãs
que dedicaram toda a sua vida a Consolar os mais fracos, os mais pobres, os
mais necessitados. Entre elas está também uma Irmã que
já fez 75 anos de África!! Conseguem imaginar o que isso é?
É formidável!!
Entretanto, o Paulo não teve uma boa experiência em Mgongo.
Quando lá chegaram, foi praticamente jantar e regressar à cidade
pois tiveram que ir ao hospital, ver como estava um dos alunos, um rapaz dos
seus 17 anos, da Escola Técnica, que no dia anterior tinha cortado
os 4 dedos da mão esquerda. Ele estava a trabalhar com as máquinas,
a cortar um tronco quando, num abrir e fechar de olhos a máquina apanhou-lhe
os dedos. Foi imediatamente para o hospital mas, apesar de o professor ainda
ter levado os dedos, nada se pôde fazer! Estamos em África e
não na Europa, e no hospital não havia maneira de amputar os
dedos!! Foi uma situação muito desagradável, pois apesar
de ter sido a esquerda, é muito difícil trabalhar só
com uma mão.
No dia seguinte levantámo-nos cedo, pois as laudes e a eucaristia são
às 6.20 da manhã. Por volta das 9.30 fomos com o Pe. George
até Tosamaganga, até ao cemitério onde está enterrado
o Pe. Alex que faleceu juntamente com o nosso Pe. Paulino na Àfrica
do Sul.
Nesta tarde foi a vez do Paulo ir às Irmãs com o Pe. Gianni,
enquanto eu fiquei na Casa Regional para rezar as Vésperas e o terço
com as duas Irmãs que fazem parte desta comunidade: a Irmã Domízia,
que tem 92 anos, e a Irmã Bruna que tem perto de 80. Não se
deixem enganar pela idade!! Estas duas Irmãs são bastante activas
e são quem coordena as meninas/senhoras que trabalham na Casa; seja
na cozinha ou na arrumação da casa!
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Sexta-feira de manhã, chegou a hora de regressar à escola,
pois as férias estavam a acabar :(. Mas partimos contentes pois estávamos
um bocadinho mais fortalecidos por termos partilhado e vivido estes dias junto
com os “nossos”.
Os dias lá se foram passando entre aulas e estudos! Num dos fins-de-semana,
fomos escalar uma rocha muito grande que existe aqui em Iringa – Gangilonga.
Fomos com um casal de americanos que tínhamos conhecido na escola.
Para lá chegar temos que subir por entre duas rochas, bem apertadinhas!
Mas depois de chegar ao cimo… a vista é algo de formidável!
Dá para ver a cidade toda! Outra particularidade desta pedra, é
que ela fica, por assim dizer, nas traseiras da Casa Regional.

Se para subir custou um bocadinho, imaginem o descer!
Lá continuámos a “explorar o sítio e, vejam lá,
ainda conseguimos ver macacos!! Muito tímidos, mas sempre deu para
“apanhar” alguns com a câmara ?.
Durante o mês de Novembro, começamos a ter o que se chama de
aulas práticas.
Fomos a casa de um Tanzaniano, treinar o nosso kiswahili.
Visitámos um orfanato que ficava perto da escola (pertença
da Igreja Luterana), onde ficámos a saber que menos de 10% das crianças
órfãs, abandonadas e de rua, na zona de Iringa, recebem algum
tipo de apoio das poucas Instituições que existem, “Faraja House”
incluída.
E, já no fim do mês, uma aula de culinária! Passámos toda a manhã a aprender a preparar e cozinhar alguma da típica comida tanzaniana, com os utensílios que são utilizados. Desde a escolha da arroz, o moer das especiarias, o partir e ralar do coco, até ao matar da galinha. Tudo isto foi muito bem preparado pois no fim foi o nosso almoço ?! Mas as imagens falam por si:
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| Professora Mariam a escolher o arroz |
Eu e a Suzy a moer gengibre | Eu a ralar o coco | e o resultado semi-final | O Paulo num momento de brincadeira com o Professor Tumku |
Esparguete com açúcar
|

As alunas e professoras (os alunos estavam a tirar as fotos!)
E o resultado final:
O almoço foi partilhado por todos, alunos e professores, à excepção
de 5 professores que, sendo muçulmanos e estando em pleno Ramadão,
não se juntaram a nós.
E para terminar só falta dizer que, obviamente, comemos com as mãos
e sentados no chão.
No dia seguinte, sábado, era o “Dia da Graduação” na
escola técnica de Mgongo.
Fomos à celebração e à cerimónia de entrega
dos diplomas com o Pe. Inverardi e acompanhados também do Pe. Diego,
o anterior responsável pelos Leigos para o Instituto que está
de partida novamente para a Coreia do Sul, e vai para a mesma comunidade onde
está o português Pe. Álvaro.
A celebração foi, mais uma vez, muito bela, com cantos e danças,
realizadas por crianças da aldeia.
No fim da celebração seguiu-se o almoço e, após um curto descanso, assistimos à entrega dos diplomas aos alunos finalistas e a um show realizado pelos meninos/jovens da “Faraja House” que, além de danças tradicionais, também cantaram algum rap; em kiswahili como é lógico.
Aqui estão os alunos finalistas, nas artes de carpintaria, sapataria
(e bolas e malas em pele) e serralharia.
E eis-nos finalmente chegados ao tão esperado dia, 4 de Dezembro, dia
em que, terminámos o curso de kiswahili.
Juntamente com nós
os dois, mais alguns alunos faziam o encerramento oficial.
Durante a manhã, após uma curta avaliação, começámos
a arrumar as malas, pois nessa tarde sairíamos da escola.
Algumas professoras enfeitaram a sala das refeições com flores
e até o cozinheiro fez alguns desenhos.
Estava tudo pronto para um almoço de festa, e para a entrega dos diplomas.
Até bolo havia, com os nomes dos alunos finalistas!!
Neste momento temos que vos confessar uma coisa: verdadeiramente, só
eu e o Paulo é que terminávamos naquele dia. Alguns alunos continuariam
até ao fim da semana, e outros ainda teriam mais uma semana inteira
de aulas. No entanto, para a festa não ser só para nós
os 2, fez-se tudo no mesmo dia. Além de que assim, não parecia
tão mal uma festa tão grande.
É que, modéstia à parte, nós os dois deixámos
uma “marca” naquela escola. Todos eram muitos simpáticos e nós
sempre retribuímos essa simpatia. Acho que Portugal, os católicos,
e os Leigos da Consolata irão ser lembrados naquela escola Baptista,
por algum tempo!
E prontos, entregaram-se os diplomas, comeu-se o bolo e tiraram-se as últimas
fotos.
Estava na hora de partir, foram 4 meses bem passados e novas amizades foram
feitas, mas o trabalho esperava-nos!
Não vamos dizer que já sabemos tudo da língua, mas acho
que se pode fazer uma comparação com aprender a conduzir. Só
depois do exame feito, quando nos metemos à estrada, é que verdadeiramente
aprendemos!
Uma das nossas melhores professoras, Levina, por sinal a única professora
católica lá a trabalhar!
Por volta das 5 horas, o Pe. Gianni veio-nos buscar e fomos para a casa Regional. A nossa verdadeira missão estava prestes a começar…
Teresa e Paulo
Lmc
Tanzânia
2002.Dez.09
Habari rafiki zetu! (Olá amigos nossos!)
Cá estamos mais uma vez, a dar-vos conta das nossas andanças.
Depois de um fim-de-semana missionário, tivemos o que se chama um dia
turístico!
Fomos visitar um dos 4 grandes parques naturais que a Tanzânia tem:
o Parque Nacional do Ruaha.
Este Parque fica na zona central da Tanzânia, cobre uma área
de 12950km^2, é o segundo maior parque nacional e fica situado no Rift
Valley.
Dos alunos residentes aqui no centro, só eu o Paulo e o Andy é
que fomos.
A partida foi às 7.00 da manhã (com uma hora de atraso do previsto)
pois de Iringa até ao Parque ainda são entre duas a três
horas de caminho.
O tempo estava agradável, mas assim que começamos a descer em
direcção ao Rift Valley começou-se a sentir mais calor
:) !
Logo à chegada, e ainda antes de entrarmos verdadeiramente no parque,
vimos os primeiros animais: hipopótamos (kiboko – hippopotamus amphibius).
Deviam estar a descansar por causa do calor, e nem se dignaram a levantar
a cabeça!
Lá fomos pagar as entradas e comprar um mapa do Parque para nos pormos a caminho. Os guardas avisaram-nos logo que seria muito difícil ver leões, leopardos e chitas pois já era tarde. A melhor hora para ver esse tipo de animais é durante o amanhecer, ou o entardecer.
![]()
Mas quanto a girafas e elefantes não devia haver problema.
E realmente, girafas não faltaram.
Cada uma mais bonita do que a outra, e algumas até parecia que se punham
em pose para a fotografia.

Junto com as girafas (twiga – giraffa camelopardalis), estavam também
gazelas (swala – gazella granti), apesar de um bocadinho mais assustadas que
as suas amigas grandes
Mas o Parque não é famoso só pelos seus animais,
também o é pelos seus pássaros. E como tal, tivemos a
sorte de avistar algumas águias (mwewe samaki – haliaeetus vocifer).
No entanto, aquele que mais vezes avistamos foram galinhas da Guiné
(kanga ou chepeo – guterra edouardi). A maior parte destes pássaros
encontrava-se debaixo das partes e dificilmente se vêem a voar, preferindo
antes correr, seja para fugir a inimigos que se aproximam, seja para simplesmente
atravessar a estrada :)!

A paisagem do Parque reflectia bem a época seca, em que nos encontrávamos.
Aliás, até existem dois “rios de areia” bastante grandes.
Só muito raramente se via um riachozinho de água.
A hora do almoço estava a aproximar-se. Parámos num dos vários
pontos de descanso que existem ao longo do parque e comemos da merenda que
nos tinham preparado.
Enquanto descansávamos um bocadinho comentávamos que ainda não
tínhamos visto elefantes!
Após tornarmos a por tudo no jipe, retomámos o caminho e, qual
não é o nosso espanto, uma família de elefantes (tembo
– loxodonta africana) à nossa frente! Pai, mãe e filhote.

Outro animal bastante visível neste parque é o “greater kudu”
(tandala – tragelaphus strepsiceros). Os cornos do macho são em espirais
espectaculares e podem crescer até aos 180cm.
Mas a nossa verdadeira aventura ainda estava para começar!
Ao atravessar um dos rios de areia, o nosso jipe ficou preso.
Não havia ninguém por ali para ajudar a rebocar o carro e de
cada vez que as rodas giravam, mais afundado o carro ia ficando…
Era uma da
tarde e o sol estava a pino, estava a ficar complicado…
Finalmente lá se consegui arranjar uns pedacitos de madeira, para servir
de alavanca. Entretanto o Paulo e o Andy fartaram-se de escavar e, com a ajuda
do nosso guia lá conseguiram por os toros debaixo das rodas.
Estivemos nisto perto de duas horas! Por madeira e pedras, dar à chave
e empurrar. Muito lentamente o carro foi avançando. Mas mesmo muito
lentamente!
Até que finalmente lá conseguimos por o carro na outra margem
do rio. Para grande infelicidade de um abutre (tai – gyps africanus) que esperava
pacientemente no cimo de uma árvore!
Para nossa grande felicidade, tornámos a ver elefantes. E desta vez
era uma manada considerável! Não nos demoramos muito tempo a
admirá-los, pois havia algumas crias e um dos machos não estava
lá muito satisfeito com a nossa presença.
Outro animal bastante popular por estes lados é a zebra (punda milia
– equus burchelli).
Também tivemos oportunidade de ver bastantes.

Dos cinco grandes mamíferos que são símbolo deste parque
(elefante, búfalo, leão, chita e leopardo); ainda só
tínhamos visto elefantes. Queríamos muito ver leões e
os outros dois felinos, mas não devia ser o dia deles!
Quando nos cruzávamos com outros jipes, a pergunta era sempre a mesma:
Simba? (leão) e a resposta também não variava: Hapana!
(não há).
O tempo começava a apertar pois tínhamos de sair do parque
até às sete da tarde.
Ainda assim, o nosso guia levou-nos por outro trilho, para tentar a sorte,
e conseguimos avistar uma manada de búfalos (nyati – syncerus caffer)
com os seus respectivos pássaros nas costas “oxpecker” (toboa-ng’ombe
– buphagus).
Se pensarmos que há turistas que pagam bastante dinheiro para pernoitarem
no parque e terem oportunidade de verem os “cinco grandes” e nem sequer um
elefante conseguem avistar, então nós tivemos muito sorte pois
vimos 2/5 deles :)!
O sol estava a começar a baixar e a dar uma tonalidade arrosada ao céu. Era sinal que tínhamos que ir embora.
Tinha sido um dia em cheio! Um bom safari!
À saída do parque ainda deu tempo para mais uma fotografia
e depois, foi “sempre a abrir”!
Tendo em conta a “qualidade” das estradas, estão a imaginar como correu
bem a viagem!
Chegámos à escola pouco depois das nove da noite, mais moídos
que farinha, cheios de pó, mas super felizes!
A nossa sorte é que era sexta-feira e, além disso, na semana
seguinte teríamos férias!! Ou seja, iria dar para recuperar
o cansaço!
Não se pode dizer que não tenha sido um bom começo de
férias!!
E por hoje é tudo, espero que tenham gostado deste pequeno safari!
Até breve,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
2002.Nov.04
Olá a todos!
Finalmente cá estamos a dar notícias! Por incrível que
pareça, já fez um mês, desde que vos demos as primeiras
notícias, desta nossa nova vida.
Se bem se lembram, começamos a última newsletter a dizer que
íamos passar o fim-de-semana fora. Pois é exactamente por aí
que vamos começar!
Nos últimos dias de Setembro, o Pe. Inverardi partiu para Itália,
para a Consulta Intercapitular do IMC (Instituto Missionário da Consolata).
Antes de partir ainda nos trouxe uma surpresa! O Pe. Silvanus, que estava
de regresso a Portugal, depois de umas bem merecidas férias (para quem
não souber, o Pe. Silvanus é tanzaniano e está a trabalhar
no seminário da Consolata em Águas Santas; foi com ele que começamos
a aprender o kiswahili). Foi bom estar um bocadinho com ele e falar português!
(se bem que nessa altura, já misturávamos kiswahili, com inglês,
português e até italiano ? estamos a ficar uns poliglotas!).
Aproveitámos para mandar lembranças para as nossas mães,
porque mandar alguma coisa pelo correio é um balúrdio!!
Como sabíamos que o Pe. Inverardi iria ficar fora até Novembro, ficámos um bocadinho apreensivos! Afinal, ele sempre nos vinha visitar/falar/saber como as coisas estavam, pelo menos uma vez por semana. Agora, com ele para fora por dois meses pensámos que nos ia custar bastante este tempo. Mas o Senhor não nos desampara nunca!
E eis senão quando na sexta-feira, o Pe. Dário (italiano, a
trabalhar aqui há um ano e pouco) aparece a convidar-nos para ir passar
o fim-de-semana a Matembwe. Claro que aceitámos!
Assim, sábado de manhã metemo-nos à estrada. Matembwe
fica no sul da Tanzânia e demorámos 6 horitas. Nem foi muito
desagradável, pois ainda parámos em Mafinga, em Makambako (para
um cházinho e esticar as pernas) e em Njombe (para levantar o correio
da missão).
Pelo caminho apanhámos chuva!! Podem imaginar?! Bem, não era
chuva forte, mas tínhamos que ir com o limpa pára-brisas ligado!
Atravessámos também uma extensão enorme (bem mais de
20km) de floresta de pinheiros. Parecia que estávamos no Norte da Europa,
tal era a paisagem!
Como à medida que se vão cortando os pinheiros, se estão
a plantar outros, nalgumas partes mais parecia uma exposição
de árvores de Natal! Havia de vários tamanhos e feitios. O mais
interessante era quando no meio de alguns pinheiros, se encontravam bananeiras!
De Njombe (cidade) até Matembwe (missão) ainda são perto
de 50km. Infelizmente, este foi o troço que mais custou a fazer. Não
existe estrada digna desse nome e, já aconteceu, em especial na época
das chuvas, o carro ficar preso na lama.
As “estradas” que ligam a missão às localidades, são
assim, ou piores! A ponto de 10km levar uma hora a fazer!
Quando chegámos à missão, estava a ser celebrado um casamento.
Como a cerimónia já estava no fim, esperámos um pouco
para assim podermos almoçar todos juntos: nós e o Pe. Panero
(também italiano, com mais de 20 anos de Tanzânia).
No fim da cerimónia, os noivos foram agraciados com danças e
cânticos, antes de partirem para a “boda”.
Durante o almoço, chegámos à conclusão que, em vez de dois dias, íamos cá ficar 4!! É que o Pe. Dário pensava que o Pe. Panero ia para Iringa domingo depois do almoço ou, no máximo, segunda de manhã. Mas afinal o Pe. Panero só ia terça depois do almoço! Nós não tínhamos maneira de regressar pelos nossos meios, e além disso, a ideia de estar uns dias fora do ambiente do Centro e poder passá-los numa missão agradou-nos imenso! O único contra era que não havia maneira de avisar ninguém que nós iríamos demorar mais do que o previsto. A missão não tem Internet e muito menos telefone. As comunicações fazem-se via rádio. Todos os dias, por volta das 20.15, todas as missões na Tanzânia se “encontram no rádio”. É a maneira de todas as missões se manterem unidas, pois para algumas não existe outro meio de comunicação!
No fim do almoço ainda demos um salto à boda. Foi interessante
ver as diferenças que existem entre as nossas culturas. Para começar,
primeiro foram servidos os convidados importantes (pais dos noivos, padres
e nós; sendo wazungos adquirimos logo outro estatuto) e só depois
os noivos. Os noivos não estavam nada alegres! Mais parecia que lhes
tinham feito algum mal! Quando perguntámos o porquê, disseram-nos
que tinha que ser assim! Os noivos não podiam mostrar alegria por deixarem
a casa dos pais, daí as suas faces sombrias (claro que o facto de os
noivos já estarem juntos à mais de um ano, não queria
dizer nada!) Apesar de já termos almoçado, comemos um bocadinho,
para não desrespeitarmos ninguém. Regressámos à
missão e fomos descansar um bocadinho, até às 18.30,
hora em que rezamos as vésperas, juntamente com a comunidade.
N
o dia seguinte, domingo, acompanhámos o Pe. Dário a Image,
uma localidade que apesar de ficar a 10 km de distância, levou-nos perto
de uma hora a percorrer. No caminho passámos pela barragem que o Pe.
Pequito construiu para levar eletricidade a várias localidades à
volta. (Para aqueles que não sabem, o Pe. Pequito era um missionário
da Consolata, português.).
Enquanto o Pe. Dário ministrava a sacramento da reconciliação,
aproveitámos para praticar um bocadinho o nosso kiswahili com alguns
membros daquela comunidade, em especial com as crianças, e com um senhor
de idade indefinida, um verdadeiro Mze, que apesar de já não
ver direito, fez questão de posar para a nossa câmara!
Durante a eucaristia, mais/menos a meio, uma senhora toca no ombro do Paulo. Ele vira-se e, qual não é o seu espanto, quando a vê com um pau, de tamanho razoável, na mão. Fica muito espantado, sem saber bem o que pensar quando a senhora lhe diz: “Bwana, bwana! Nyoca! Sumo sana!” e aponta para o chão. O nosso kiswahili já é mais que suficiente para perceber que a senhora tinha dito que estava ali uma cobra, com veneno! E realmente, lá estava ela, para aí com uns 10cm, a passear junto dos cordões das botas do Paulo. Todos os que estávamos ali à volta levantamo-nos assustados, e era ver a senhora cheia de força a dar com o pau na cobra! Entretanto, o Pe. Dário como estava no altar não percebeu bem o que se estava a pensar. Pensou que alguém se tinha sentido mal e estava a receber massagens cardíacas (pois a única coisa que ele conseguia ver era o braço da senhora a subir e a descer). Escusado será dizer que o Paulo passou o resto da celebração a olhar para o chão à espera de ver aparecer algum parente do animalzinho! No fim quando contámos ao Pe. Dário ainda nos rimos um bocadinho (só passado uns dias é que viemos a saber que era realmente uma cobra perigosa: era uma naja que, apesar de ser nova, já tinha veneno suficiente para fazer alguns estragos!).
Durante a tarde visitámos a missão. Vimos os animais que ali são criados (desde vacas, galinhas a coelhos, que pudemos saborear a algumas refeições), a horta com bastantes vegetais, a serralharia, um mini-hospital, a escola de costura e a escola das crianças.
Segunda de manhã levantámo-nos às 6.00 da manhã
para assistirmos à missa matinal, juntamente com a comunidade. Depois
do pequeno-almoço, acompanhámos o Pe. Dário na visita
às salas de aula onde fomos entusiasticamente recebidos com vários
“Ciao”! Ao que o Pe. Dário replicou dizendo que nós não
erámos italianos, mas sim portugueses. Lá dissemos olá
e, durante a tarde e o dia seguinte, quando nos cruzávamos com alguns
dos meninos erámos agraciados com uns “Olá” bem calorosos!
Mas o dia não acabou sem uma notícia triste. Após as
vésperas, fomos com o Pe. Dário visitar alguns dos doentes que
estavam internados. Quando chegámos à enfermaria das mulheres,
algumas estavam a chorar. Disseram-nos então que uma doente tinha falecido.
Era uma rapariga com 23-25 anos que tinha dado entrada à uns dias.
Quando perguntámos de que é que tinha morrido, não nos
disseram. Disseram apenas “a doença dos dias de hoje”, isto é,
Sida. A rapariga deixou 3 filhos para criar e, soubemos depois, o companheiro
já a tinha abandonado à algum tempo e estava a viver noutra
aldeia com outra rapariga. Algumas questões se põem: será
que ele está infectado? Será que ele vai infectar a outra rapariga?
Quem vai cuidar das crianças? Apesar de já sabermos que a Sida
é um dos maiores problemas da Tanzânia, foi a primeira vez que
fomos confrontados directamente com a situação.
No dia seguinte, o Pe. Dário ia celebrar missa a aldeiazinha à volta da missão, uma das comunidades de base. Nós também fomos, e como íamos passar na aldeia de onde era a rapariga, levámos o corpo e alguns dos familiares. Foi uma experiência algo estranha! A estrada, para variar, era bastante acidentada e, como íamos numa carrinha de caixa aberta, volta e meia o corpo, apenas embrulhado em lençóis, saltava devido aos buracos. É esquisito quando pensámos que em Portugal, mesmo nas famílias mais pobres, existe sempre um caixão para transportar o ente querido condignamente. Mais um sinal da extrema pobreza que afecta o povo tanzaniano, em especial nas aldeias.
A aldeia onde chegámos é mesmo um conjunto de pouco mais de
dez famílias. A celebração foi feita num espaço
aberto que fica no meio de quatro ou cinco casas. É o sítio
onde as pessoas se reúnem para tratar dos assuntos da comunidade, onde
as crianças brincam e, onde se celebra a missa, quando o Padre lá
vai. Os catequistas e mais algumas pessoas puseram umas tábuas a servir
de cadeiras, e toda a gente pode-se sentar. Toda a gente canta, apesar de
só haver 3 ou 4 cadernos onde as músicas estão escritas.
Neste dia era dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das Missões.
O Pe. Dário apresentou-
nos durante a homilia e disse que nós
éramos missionários, como ele, que vinham durante uns tempos
trabalhar com o povo tanzaniano, mais concretamente com as crianças
da Faraja House. Disse que vínhamos de Portugal, terra do Pe. Pequito
e, no fim, as pessoas agradeceram-nos o termos vindo e ainda havia quem se
lembrasse do Pe. Pequito! Como é costume, no fim da celebração
fomos convidados a partilhar da refeição na casa do catequista,
juntamente com alguns dos elementos, representantes, da comunidade. Infelizmente
não nos podíamos demorar muito, pois tínhamos que arrumar
as coisas para nesse dia regressarmos a Iringa.
Lá regressámos e, depois do almoço partimos com o Pe.
Panero de regresso a Iringa.
No caminho tornámos a parar em Makambako para um cházinho e
falámos um bocadinho com o Pe. Aldo.
Desta vez a viagem demorou menos uma hora, pois o Pe. Panero gosta bem de
carregar no acelerador!
Chegámos por volta das 18.30, mesmo a tempo para o jantar, e encontrámos
toda a gente preocupada! Já pensavam que tínhamos desistido,
ou que tinha acontecido alguma coisa, pois ninguém sabia onde estávamos!
Como não tínhamos tido maneira de comunicar…

Podemos dizer que não podíamos ter começado da melhor
forma o mês de Outubro, mês Missionário por excelência!
Foram 4 dias onde vimos mais de perto a realidade da vida missionária
E acreditem que, ser missionário num país como a Tanzânia
às vezes custa! Mas também traz as suas alegrias. A lembrança
daquela comunidade de base a agradecer-nos o facto de nós estarmos
ali, dá-nos alento para enfrentar as pequenas dificuldades do dia-a-dia.
Como esta crónica já está comprida, deixamo-vos com duas fotos nossas acompanhados do Pe. Dário.
O resto do mês segue na próxima.
Até breve,
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania
2002.Set.27
versão em pdf (23kb)
Na próxima segunda-feira, dia 30 de Setembro, faz 50 dias que chegámos
à Tanzânia!
É uma boa altura de fazer um breve apanhado do que tem sido estes dias,
num país diferente, com uma língua nada parecida com o que estamos
habituados, e uma cultura completamente nova.
Como no fim-de-semana não estaremos por cá (vamos passear :)
), achei por bem antecipar a “comemoração” destes «siku
hamsini» (50 dias), escrevendo hoje e, fazendo deste texto o primeiro
(de muitos espero!) da tão famosa e prometida newsletter.
Chegamos a Dar-es-Salam (capital económica da Tanzânia) no dia 12 de Agosto, depois de uma viagem de 14horas e meia de autopulman, vindos de Nairobi. Durante a viagem não conseguimos ver o famoso Kilimanjaro pois estava encoberto! Conseguimos, isso sim, ir dormitando a espaços pois, apesar de ser um autocarro de luxo e de nós irmos nos dois lugares da frente, tínhamos aos nossos pés alguma da bagagem (impressora, computador, mochila de mão…)
A passagem na fronteira foi uma experiência verdadeiramente fabulosa! Primeiro tivemos todos que sair do autocarro para carimbar os passaportes com o visto de saída, no Quénia. Tornámos a entrar e, dez metros à frente, tornámos a sair, desta vez para carimbar o passaporte com o visto de entrada na Tanzânia. Não tivemos problemas pois tínhamos as autorizações de residência connosco (Residence Permit). A aventura maior foi tirar as bagagens (duas grandes malas, mais dois grandes sacos, tudo pesadíssimo :( ) para passar na alfândega. Aqui ficamos ligeiramente preocupados, pois pensámos que fosse preciso abrir tudo. Afinal, fazer as malas já tinha dado trabalho que se chegasse e tinha sido preciso bastante força para fechar duas delas. Felizmente acabámos por só abrir duas (as mais fáceis) pois enquanto andávamos às voltas com as chaves dos aloquetes, o funcionário perguntou o que tinham e nós respondemos roupa e calçado (o que era verdade), e ele limitou-se a por um visto com giz nas malas todas.
Lá seguimos viagem e chegámos a Dar-es-Salam perto das 21.30,
hora local.
Tornámos a carregar com as malas e, depois de encontrarmos um taxista,
lá nos pusemos a caminho. A noite estava quente (22graus), e via-se
algum trânsito nas ruas.
Apesar de o Pe. Inverardi nos ter dado as instruções para chegarmos
à casa, mesmo assim o motorista ainda teve que perguntar duas vezes
o caminho!
Finalmente chegámos e tínhamos à nossa espera o nosso
novo Superior, o Pe. Inverardi, que nos deu as boas vindas, acompanhadas de
um jantarinho que nos soube pela vida! Não que tivéssemos fome,
mas sim pela satisfação de termos chegado bem! Também
tínhamos à espera as primeiras notícias de boas vindas.
O Ricardo e a Elisabete ( outro casal de Leigos Missionários da Consolata)
que estão a trabalhar em Moçambique, tinham mandado um e-mail
no início do mês para quando nós chegássemos. Foi
realmente uma alegria poder ler aquelas linhas em português!
O quarto onde nos instalaram parecia-nos de um hotel de 5estrelas!! Ventoinha,
rede mosquiteira, cama super confortável, e com casa de banho! Estas
últimas palavras podem parecer estranhas, mas depois dos dias (maravilhosos)
que tínhamos passado no Quénia, com o mínimo de condições
(às vezes sem casa de banho como as conhecemos) acreditem que parecia
um hotel de luxo!
No dia seguinte pusemo-nos a caminho de manhã cedo, pois tínhamos
mais uns 500km a percorrer até Iringa, nosso destino final.
Pelo caminho, feito desta vez num jipe, além de dormir a maior parte
do tempo (é um facto, não sou grande companhia para viagens!)
ainda deu para vermos macacos, girafas, zebras e até tirámos
fotografias a uns elefantes que estavam mesmo à beira da estrada!
A estrada não é muito má (em especial se compararmos
com o resto das estradas-caminhos daqui), mas está a ser “remendada”
nalguns sítios; assim, de cada vez que fazíamos um desvio por
causa das obras, os nossos ossos eram novamente chocalhados. A isto se chama,
ossos do ofício!
Parámos em Morogoro, para tomar um cházinho e comer uma frutita.
As papaias daqui são as mais doces!
Chegámos a Iringa ao princípio da tarde. Iringa fica num planalto,
e eu sei isso porque quando vínhamos a subir eu vinha acordada! A subida
fez-me lembrar as estradas portuguesas da zona de Trás-os-Montes e
do Gerês. Mas assim que se entra na cidade, não mais se tem a
noção de se ter subido tanto!
Nesta noite ficámos na Casa Regional, onde ao jantar tivemos oportunidade
de comer um queijinho italiano, ou não fossem a maioria dos padres
de Itália. As Irmãs que lá estavam ainda se lembravam
do Paulo, dele lá ter estado no ano anterior!
No dia seguinte tornámos a levantar-nos cedo, pois era dia de festa
em Mgongo! A Igreja ia ser consagrada. Ora digam lá se não há
coincidências interessantes? Chegamos a tempo de tão importante
festa! Além do mais, Mgongo será a missão onde vamos
trabalhar, após terminarmos o curso de kiswahili. Fica mais/menos a
uma distância de 45 min. de carro. As distâncias aqui são
mais fáceis de medir em unidades de tempo, pois as estradas nem sempre
são muito transitáveis.
A festa foi digna desse nome, cheia de cânticos e danças, bem
ao estilo africano!
E de tarde ainda houve uma demonstração de Karaté, que
os miúdos da Faraja House (Casa da Consolação, casa de
acolhimento a crianças de rua), bem como algumas peças de “teatro”
e músicas, feitas não só pelas crianças, mas também
pelos coros.
A festa estava realmente muito boa, mas tivemos que vir embora, pois ainda
tínhamos que dar entrada na escola onde íamos passar os próximos
4 meses.
A escola de kiswahili faz parte de um complexo que funciona como hotel e
centro de conferências. É um centro Baptista mas os professores
e todo o pessoal que aqui trabalha (desde cozinheiros até ao gerente)
são de diversas religiões. Aliás, os alunos também!
Neste momento somos 2 católicos (portugueses), 2 protestantes (japoneses),
2 anglicanos (ingleses), 1 presbiteriana (coreana) e 6ou7 baptistas (americanos)
(estes últimos só chegaram à duas semanas por isso não
sabemos muito sobre eles ainda).
Ou seja, além das diferentes religiões, temos diferentes nacionalidades.
Só temos uma coisa em comum: somos todos «wazungos» - brancos/estrangeiros!
Este centro fica situado em Huruma que está a uma distância
de +/-30min. a pé de Iringa. A estrada é sempre a direito e
um terço dela é em terra batida. tendo em conta que o clima
é extremamente seco, podem imaginar a poeirada!
Estamos também a uma distância de 1hora da Igreja da Consolata
(que fica no ponto mais alto da cidade), 1hora e meia da Casa Regional, 15min.
da Igreja de Don Bosco e meia-horita da casa das Irmãs da Consolata
(estes dois últimos na mesma direcção).
Nota: todas as distâncias são percorridas a pé.
Iringa, em relação ao ano anterior quando o Paulo cá
esteve, mudou um bocadinho. Agora existem pelo menos 5 “Internet café”
(que de café só tem o nome), em comparação com
o único do ano anterior, que ainda não estava a funcionar a
100%.
No entanto, não é por isso que haja mais das outras coisas!
Os nossos dias são passados quase todos aqui no centro.
Temos 5 horas de aulas por dia, à semana, das 8.00 às 12.30
e das 14.00 às 15.00.
Geralmente íamos à cidade depois das aulas, pelo menos 3 vezes
durante a semana. Íamos até à net saber novidades e verificar
o correio, dar uma volta pela cidade, passar pelo mercado, ir até à
loja buscar algumas bolachas, enfim, passear. Nos dias que não íamos,
ficávamos a dormir ou a estudar.
Nos fins-de-semana, aproveitamos para dormir mais um bocadinho e para estudar
mais alguma coisa. Já temos ido jantar/almoçar à Casa
Regional (depois o regresso é feito de carro que o Pe. Inverardi traz-nos
? ), já passámos um domingo em casa das Irmãs, ou então
jantar a casa de um casal americano que conhecemos aqui nas aulas. Eles já
terminaram o curso, mas continuámos a manter contacto.
Por aqui dá para ver que o ambiente é bom entre os alunos. Apesar
das nossas diferenças, damo-nos bem!
Já tivemos algumas aventurazitas!
No primeiro domingo que cá passámos, fomos à missa à
paróquia da Consolata (a tal que fica no ponto mais alto da cidade!).
Pensámos que a missa era às 9.00 pois era isso que nos tinham
dito. Lá nos levantámos cedo para ter tempo de comer alguma
coisita antes de sair. Quando lá chegámos, esperámos
que a eucaristia que estava a decorrer acabasse e fomos cumprimentar o Padre.
Convidou-nos para um chá e conversámos um bocadinho. Conhece
o Pe. Casimiro (que vem para cá em Janeiro) e disse-nos que, nesse
domingo, ia haver casamentos. Bem, pensámos nós, mais uma nova
experiência! E foi o que aconteceu! A eucaristia só começou
já perto das 10.00 e os casamentos (14-quatorze) foram realizados no
meio. Tendo em conta que o Padre pergunta a cada um dos nubentes as perguntas
como nós as conhecemos… façam as contas! Apesar de tudo foi
uma cerimónia muito bonita. A nossa sorte foi pelo caminho de regresso
apanharmos boleia de um dos grandes aqui do centro. Senão íamos
chegar atrasados para o almoço (13.00)!
Como a paróquia fica bastante distante, em especial se tivermos que
ir a pé, optámos por ir à missa à Igreja de Don
Bosco. As Irmãs da Consolata também lá vão, pois
estão perto.
Da primeira vez que fomos, perdemo-nos!! Tinham-nos dito que era mais/menos
15 min., e que pelo caminho se via a torre com o sino. Passado mais de 10
min. a andar começámos a achar que não íamos bem.
Mas, como aqui em África as distâncias são relativas,
decidimos continuar a andar mais um pouco. Finalmente decidimo-nos a pedir
ajuda. No pouco kiswahili que sabíamos, interpelámos um Mzee
(senhor) que ia com a sua bicicleta e lá percebemos que tínhamos
que fazer todo o caminho para trás novamente! O nosso engano tinha
sido logo no início da caminhada!! Felizmente chegámos a tempo
pois tínhamos saído com bastante antecedência!
As eucaristias em que participámos são sempre em kiswahili, o que é bom pois vamos habituando o ouvido à língua e vamos vendo até ponto já percebemos ou não. Seguimo-las por um livrinho que nos foi dado no Quénia e as leituras pelo Novo Testamento em kiswahili que trouxemos de Portugal.
Em cima escrevi que íamos à cidade ver a net, porque agora já não vamos mais! Desde a semana passada que temos ligação à Internet aqui no centro! Não é tão rápida e, às vezes durante a tarde, não funciona. Mas poupa-nos a viagem a pé à cidade e é mais barata. Na cidade meia hora (eles dão sempre 35 a 40 min.) custa 500tsh (shilingi Tanzaniano), aqui meia hora são 400tsh (com a vantagem de como eles não têm contador, às vezes fica-se sempre mais uns minutitos a acabar as conversas ou a descarregar o correio; mas não abusámos!).
O câmbio é qualquer coisa como 1 dólar dá entre
900 a 100tsh.
A viagem de daladala (autocarro) até à cidade são 100tsh,
independentemente do ponto da estrada onde se entra. Uma soda (coca-cola,
fanta, …) são 250tsh, uma embalagem de leite em pó Nido de 250gr.
são 1700tsh, um iogurte são 125tsh, uma embalagem de Omo de
500gr são 500tsh, uma barrita de sabão (parecido com o nosso
sabão azul ou cor de rosa, mas mais pequeno) são 100tsh.
Este são alguns preços que já sei mas ainda não
dá para fazer uma boa ideia do custo de vida.
Se formos ao mercado comprar fruta ou arroz é aconselhável regatear
os preços!
Um bom salário (a alguém que tem uma espécie de curso
profissional) são 200tsh por dia.
O salário mínimo (que pouquíssima gente recebe) são
42 000tsh, bruto.
E prontos, assim é um pouco desta nova vida a nos estamos a habituar.
Acho que para começo já dá para fazerem uma ideia de
como nós estamos.
Não percam as próximas aventuras (viagem de daladala :) ) nas próximas newsletters!
Beijinhos e abraços para todos e até à próxima!
Teresa e Paulo
LMC
Tanzania